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Em um beco escuro, uma silhueta, lhe intriga. Sua imaginação recorre a sua memória e todos contos de terror, reais ou imaginários, que você possa se lembrar.
– A estatura daquele ser é maior do que a de um ser humano normal. Não pode ser um homem. – Você pensa. – Talvez seja um monstro.

Em algumas obras de ficção, como em Star Trek, aprendemos a deixar um pouco de lado nosso egocentrismo de que todo o universo é baseado em nossas formas, nossos conhecimentos, nosso modo de ver a vida. Aprendemos que uma nuvem cósmica, por exemplo, pode ter vida. Ou seja, aprendemos que pelo fato de não entendermos ou não percebermos com nossos meros 5 sentidos, não quer dizer que não seja real.

No início do século XX, um alemão e um sueco fizeram não somente nós meros mortais, mas a toda comunidade científica parar para pensar. Em um vale, você percebe uma linha reta estranha cortando o vale. Nela, algo ou alguém só poderia se locomover para frente e para trás, possuindo, portanto, apenas uma dimensão. Todavia, você pega um binóculo e consegue observar que tal linha reta trata-se de uma mangueira e nela há uma formiga que consegue andar ainda para os lados ao longo de sua circunferência. Uma nova dimensão foi descoberta. A Teoria de Kaluza-Klein trata-se mais ou menos a respeito disso. Para eles, o universo não possuiria apenas 3 dimensões espaciais, mas 4 ou até mais se nos utilizarmos de outras teorias que acabam ratificando a Teoria das Cordas. Essa nova dimensão seria tão pequena que nenhum equipamento existente hoje em dia poderia percebê-la, mas isso tornaria, portanto isso uma fantasia?! Apresentações feitas, vamos ao filme.

Poster de Personal Shopper

Em Personal Shopper, Maureen (Kristen Stewart), uma jovem americana que ganha sua vida como uma personal shopper (criatividade transbordando) também é uma médium. Seu irmão, ainda jovem, acaba morrendo decorrente de um problema congênito em seu coração. Porém, antes de morrer, ele e sua irmã fazem uma promessa que quem morresse primeiro tentaria se conectar um com o outro.

Nessa trama, um pouco Chico Xavierzística, acabamos encontrando uma proposta bastante interessante. Embora, a sinopse possa aparentar que o filme tenha uma pegada religiosa, é aí que você se engana. O filme tem a intenção de provocar o espectador sair da caixinha e se abrir a possibilidade de um mundo totalmente novo e inalcançável aos sentidos humanos possa existir ou não. A história que tem uma ambientação hitchcockiana/expressionismo alemão, onde embora tenha um clima pesado, tanto na temática de suspense e horror, como na fotografia, atuações, trilha sonora e, claro, direção de Olivier Assayas, o filme foca em uma personagem passando por uma jornada de autoconhecimento.

Maureen está passando por uma fase sensível de sua vida, muito suscetível a acreditar que realmente seu irmão, de alguma forma, ainda está do seu lado. A sutileza de todos os acontecimentos provocam o público a se questionar se tudo aquilo é real ou apenas fantasias que ela criou.
Por isso, é um filme que eu indico fortemente a todos assistirem não só para saírem um pouco do lugar comum e pensar um pouquinho que o mundo, digo, o universo pode ser muito maior do que os olhos podem ver, mas também por esse clima de suspense hitchcockiano que tanto amamos.

Trailer

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
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