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Nise da Silveira foi uma psiquiatra que através de metódos humanitários conseguiu resgatar um pouco da dignidade de alguns pacientes (clientes como ela preferia chamar) em um hospital do Rio de Janeiro na década de 50.
Este é o ponto de partida do longa metragem interpretado por Glória Pires e com a direção de Roberto Berliner, Nise – O coração da loucura.


O grande acerto no roteiro é não fazer uma biografia da Dra. Nise. Ele foca num momento da vida no qual ela voltava de alguns anos de afastamento para enfrentar todos os doutores do hospital e seus métodos violentos. Acerta em focar na força que ela teve de encarar e peitar o machismo da época (e que infelizmente ainda existe) e jamais abaixar a cabeça enquanto estava dentro do hospital. Se tivesse que desabar, o fazia em casa. A interpretação da Glória Pires é excelente! O elenco de apoio também está muito bem, afinal interpretar pessoas com problemas mentais não é tarefa fácil, ou você acerta ou vira piada.
Um ponto de evolução no cinema nacional é quanto a cinematografia. Este filme tem pouquíssimos cenários (hospital, casa da Dra Nise, um parque arborizado) e ainda assim não fica monótono, ponto para a direção de fotografia que explora todos os cantos desses poucos cenários em múltiplos ângulos.


Talvez um erro ou recurso preguiçoso na narrativa fica por conta do personagem Lima, enfermeiro que demonstra resistência com a chegada de Nise e seus comandos, que no início parecia um vilão incorrigível e no meio do filme se transforma sem muita explicação. Nada que estrague o desenvolvimento.
Este pode ser considerado um filme atemporal por dois motivos: não evoluímos em nada quando falamos de tratamentos psiquiátricos, principalmente no trato humano, o preconceito é declarado. E o machismo continua imperando.


Portanto peguem o exemplo de Nise da Silveira, e você mulher, independente da profissão que exerça ou do cargo que ocupe, jamais abaixe a cabeça ou submeta-se a humilhações. Lute e acredite em você.
Mais uma vez o cinema entrega mais do que um filme, entrega um ótimo material de conscientização.

Sabe aqueles filmes nacionais que vivem à margem do circuito comercial e são excelentes? Então, tenho mais um que preciso acrescentar na lista: O Último Cine Drive-in.
A direção é do Iberê Carvalho, sendo este seu primeiro filme. O longa é uma grande homenagem aos drive-ins, (estabelecimentos que exibiam filmes e tinham como teto as estrelas e que infelizmente não conheci nenhum), além das homenagens aos grandes clássicos do cinema. Homenagens estas sempre discretas, seja num pôster na parede ou uma cena projetada na tela. Também existe a crítica ao cinema blockbuster/artifical de shopping que engoliu os cinemas de rua.
Acrescente a isso uma tentativa quase remota de reconstruir uma família machucada por traumas do passado e um grave problema no presente.
O longa tem como cenário a capital do país. A fotografia do filme é belíssima e usa muito bem o céu de Brasília ensolarado para conseguir imagens que parecem pinturas (Terrence Malick ficaria com inveja), além dos enquadramentos que ora te dão a sensação de ser tão pequeno perante a cidade e ora fecha nos close-ups bem íntimos. Este filme pode ser considerado uma fábula moderna pois tem uma positividade intrínseca que te prende. Mas antes de chegar nisso passamos por cenas muito engraçadas indo em encontro a outras que cortam o coração.
Othon Bastos interpreta Almeida, o dono do drive in. Breno Nina vive Marlonbrando (isso mesmo!) e Rita Assemany dá vida a Fátima, mãe do “Brandinho“. O elenco de apoio também manda muito bem.
Portanto, assista esta magnífica e emocionante “aventura” o mais rápido possível. O filme abre com uma cena muito forte e triste, e encerra com outra que é humanamente impossível não chorar.
É o cinema brasileiro provando aos brasileiros que consegue ser muito mais do que comédias globais.

Com a breve chegada do novo filme de Wes Anderson, Isle of Dogs (provavelmente no Brasil no meio deste ano), que tal revisitar outra obra do diretor também executada através da técnica de stop motion? Estou falando do EXCELENTE O Fantástico Sr. Raposo, 2009, que é baseada no livro do escritor britânico Roald Dahl. 

O instinto selvagem sempre falará mais alto, seja você humano ou animal. Esta é a maior lição do fabuloso filme O Fantástico Sr. Raposo, do diretor Wes Anderson.
Mr. Fox vive tranquilamente com sua família quando decide mudar de casa, isto porque ele quer muito roubar as fábricas de alimentos que ficam em frente a sua casa/árvore. Que fique claro, ele não precisa roubar para sobreviver, simplesmente o faz porque é seu instinto.


Com as reviravoltas do filme, os humanos decidem numa caçada insana buscar a raposa responsável pelo “estrago”. Aí entra a selvageria que homem é capaz de causar quando algo que ele faz com frequência se volta contra: invadir o espaço alheio, principalmente quando falamos de habitat animal.
Wes Anderson é caprichoso por excelência, e este seu filme em stop motion é absolutamente lindo. Falar dos aspectos técnicos dos filmes de Anderson é chover no molhado.


Portanto se quiser saber o que acontece com Mr. Fox, sua “gangue” e os humanos malucos, assista.
Se possível veja legendado, afinal George Clooney dubla Mr. Fox e Meryl Streep a Mrs. Fox.

Título: O Fantástico Sr. Raposo
Ano: 2009
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson e Noah Baumbach
Duração: 87 minutos
Classificação: 10 anos
Gênero: Animação, Aventura, Comédia

 

Crítica | Eu, Tonya

Se você já assistiu ao documentário Amy, provavelmente fará muitas assimilações com Eu, Tonya. Afinal, em nenhuma destas histórias as pessoas ao redor de Amy e Tonya as ajudaram a superar suas dificuldades, seus medos. Ambas foram abusadas pela família, por maridos e por nós, público. 
Eu, Tonya é o longa metragem dirigido por Craig Gillespie (Hora do Espanto 2011, mas não se assuste com isso) e estrelado pela bela Margot Robbie, que já estava associada apenas a personagem Arlequina (também esqueça isso), que interpreta Tonya Harding, garota que desde a infância tinha a paixão pela patinação no gelo. Paixão que levou sua mãe a submetê-la a treinos exaustivos, abusivos e sem nenhuma piedade, com a esperança de torná-la famosa.
O roteiro escrito por Steven Rogers segue a linha do docudrama, que mostra de maneira mesclada entrevistas dos personagens contando como os fatos ocorreram. Narra de maneira linear a infância, uma breve adolescência e a conturbada fase adulta que foi da fama ao fundo do poço em pouquíssimo tempo.
Eu, Tonya é um filme marcado por interpretações poderosissímas, a começar por Margot Robbie, que tem aqui a melhor atuação da carreira. Ela faz uma Tonya carregada por traumas e abusos mas mostra-se forte e determinada quando entra em competições. É desafiadora mas também frágil quando depara-se com um homem violento com o qual teve um relacionamento totalmente instável. Outra que dá um show é Allison Janney que interpreta LaVona Harding, mãe de Tonya. É uma mulher fria, dura, sem compaixão alguma e que tem as melhores tiradas cômicas do filme (dêem o Oscar para essa mulher!). Fechando o trio protagonista está Sebastian Stan, que faz o marido Jeff Gillooly, homem que seduziu Tonya na adolescência, casou-se e abusou fisica e psicologicamente da esposa, além de ser um dos responsáveis por causar a desgraça na carreira profissional dela.


Muito mais do que contar a história de uma atleta olímpica que teve a carreira ceifada por todos a sua volta, Eu, Tonya vai muito mais a fundo do que isso. É um filme sobre abuso infantil, machismo, violência doméstica, espetacularização na mídia, omissão da polícia (reparem em uma cena específica com Tonya e Jeff dentro do carro, que fala muito por si). E é um filme que, tirando as pitadas cômicas bem encaixadas, é cru e doloroso.
Por tratar-se de uma produção de baixo orçamento (US$ 11 milhões) ele peca em alguns quesitos técnicos. Algumas apresentações de Tonya Harding no gelo fica evidente o uso (e um uso) ruim de tela verde ao fundo. Percebe-se que não houve um tratamento melhor nos efeitos visuais. Outro ponto é a maquiagem que não convence quando coloca os atores na adolescência. Aquilo não te convence que são jovens. Apesar disto, o filme conta com uma boa retratação de época nas décadas de 80 e 90. Vale ressaltar que Margot Robbie também é produtora do filme! A trilha sonora é deliciosamente bem encaixada com canções do Dire Straits, Bad Company, Eminem, Supertramp, ZZ Top (e muitos outros), que além de serem músicas famosas falam muito sobre a personalidade de Tonya.


Muito mais do que estes pequenos probleminhas, Eu, Tonya é um filme importante que possui interpretações excelentes, um roteiro forte e um alerta gigante sobre muitos problemas que talvez eu e você enfrentemos calados em casa, tenha sido na infância ou agora na fase adulta.

Sabe o principal motivo de Rush (no brasil: Rush – No limite da emoção), filme de Ron Howard ganhar muito mais credibilidade? 
Porque o roteiro teve participação da estrela do filme, o ex-piloto Niki Lauda. Além, é óbvio, de ter como base o livro Corrida para a glória, do escritor Tom Rubython.
A trama narra as disputas acirradas entre James Hunt e Niki Lauda nas pistas de Fórmula 1 (e fora delas também), na década de 70. E é um deleite aos olhos ver os anos de glória e charme dessa modalidade tão chata atualmente.
O esporte praticado por Hunt e Lauda era espetacular pois a paixão e a vontade de deixar sua marca na história era muito maior do que o patrocínio, a sujeira, os “jogos” de equipe de hoje, apesar deles sempre existirem em escala muito menor. A vontade de vencer ia além de chegar vivo ou morto ao final da disputa, chegando ao ponto da loucura.


Niki Lauda (Daniel Brühl) é o lado sério e centrado, e James Hunt (Chris Hemsworth) é o sujeito estourado e irresponsável. Na pista, os dois eram iguais.
A fotografia granulada para dar o tom de época (década de 1970) é muito bonita, as cenas em super slow são lindas, adicionamos uma edição extremamente vibrante e a trilha sonora do mestre Hans Zimmer.

Rush é um dos poucos filmes sobre esporte que realmente empolgam do início ao fim. É nostálgico para os amantes de F1, é um deleite para os amantes de cinema, e é mais um drama dirigido com maestria por Ron Howard (Uma mente brilhante, Apollo 13, A luta pela esperança).

Título: Rush
Ano: 2013
Direção: Ron Howard
Roteiro: Peter Morgan (participação de Niki Lauda)
Duração: 123 minutos
Classificação: 14 anos
Gênero: Drama/Biografia

 

Crítica | Bright

Um mundo habitado por humanos, orcs, elfos, dragões e todas as criaturas fantásticas possíveis. Esta é a ideia que dá vida ao filme de David Ayer (Esquadrão Suicida, Corações de Ferro), e primeiro grande blockbuster da Netflix
Scott Ward (Will Smith) é um policial que patrulha as ruas barra pesada de Los Angeles. E Nick Jakoby (Joel Edgerton) é o primeiro orc a tornar-se policial. Os dois são parceiros. Uma varinha com muitos poderes cai nas mãos deles por determinada circunstância e pronto, temos nosso filme.

A ideia de misturar criaturas fantásticas com humanos me apetece muito. O problema em Bright é como os fatos se desenrolam. O filme é praticamente todo igual no roteiro, cena de ação > fuga, cena de ação > diálogo > fuga, cena de ação > fuga. E o grande problema não é esse, afinal o filme é de AÇÃO. Porém todas as cenas são repetidas (tiroteios e tiroteios) não há coesão e didática em diferenciar os cenários.
Outro lance confuso e que não teve explicação é que alguém muito poderoso (e isso não fica claro em nenhum momento) é o perigo eminente caso obtenha a varinha, não é mostrado em nenhum momento (apenas uma vilã genérica). Não há origem de história, nós simplesmente fomos jogados naquele mundo sem mais nem menos.

Um ponto interessante na premissa de Bright é que apesar de todos viverem num mesmo ambiente, não existe paz. A rivalidade é constante e existe preconceito declarado entre as classes. Pena que é explorando de maneira bem modesta.

O trabalho da equipe de maquiagem é excelente (e quem sabe, até concorram muitos prémios). O design de produção e a cinematografia são muito bons. Tecnicamente é um filme competente. Joel Edgerton apesar de ter virado orc, está muito bem. E a grande jogada da Netflix foi contratar Will Smith. Ele é um ator com baixíssima rejeição entre o público, e claro que chamaria atenção. Ainda que o filme não seja ótimo, as pessoas vão assistir.

Bright apesar de repetitivo e sem muita coesão narrativa, é um grande passo para a Netflix, que deixou seu recado para os grandes e tradicionais estúdios: nós podemos bater de frente com vocês.
Já foi confirmada uma sequência, que talvez nos mostre um pouco mais do passado daquele mundo, e deixa a chance de fazer algo diferente no futuro. E por favor, coloquem mais fadinhas “porra louca” no próximo filme, eu adoraria ter visto mais delas.

Adaptações para o cinema de livros bem sucedidos é uma moda recorrente em Hollywood desde os primórdios da indústria cinematográfica. Todos os anos vemos dezenas de novas produções aparecendo, se popularizando e caindo no esquecimento. Separamos as cinco adaptações mais esperadas para 2018 :

Aniquilação

Um grupo de quatro mulheres é enviado para a Área X, um lugar incompreensível e isolado do restante do mundo há décadas, onde a natureza tomou para si os últimos vestígios da presença humana. Elas fazem parte da décima segunda expedição ao local, cujos objetivos são explorar o terreno desconhecido, tomar nota de todas as mudanças ambientais, monitorar as relações entre elas próprias e, acima de tudo, não se contaminarem. Uma missão mortal, visto que todas as expedições anteriores tiveram resultados assustadores, como suicídios em massa, tiroteios descontrolados e casos de mudança de personalidade súbita seguidos de morte por câncer. O filme estreia dia 22 de fevereiro.

Maze Runner : A Cura Mortal

Última parte da trilogia iniciada nos cinemas em 2014, acompanhará o protagonista Thomaz (Dylan O’brien) a procura da cura para uma doença chamada “Fulgor”, ao mesmo tempo que precisasse decidir se confia ou não nas promessas da organização C.R.U.E.L. O filme estreia dia 25 de Janeiro.

Cinquenta Tons de Liberdade

Ana e Christian têm tudo: amor, paixão, intimidade, riqueza e um mundo de possibilidades a sua frente. Mas Ana sabe que o relacionamento não será fácil, e a vida a dois reserva desafios que nenhum deles seria capaz de imaginar. Ana precisa se ajustar ao mundo de opulência de Grey sem sacrificar sua identidade. E ele precisa aprender a dominar seu impulso controlador e se livrar do que o atormentava no passado. Estreia dia 8 de fevereiro.

Simon VS A agenda Homo Sapiens

Simon tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, o bobão da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte. O filme estreia em Março de 2018.

Jogador Número 1

Num futuro distópico, em 2044, Wade Watts, como o resto da humanidade, prefere a realidade virtual do jogo OASIS ao mundo real. No jogo, seus usuários devem descobrir a chave de um quebra-cabeça diabólico, baseado na cultura do final do século XX, para conquistar um prêmio de valor inestimável. Para vencê-lo, porém, Watts terá de abandonar a existência virtual e ceder a uma vida de amor e realidade da qual sempre tentou fugir. Dirigido pelo lendário Steven Spielberg, o filme estreia dia 29 de Março.

Filmes para rever | Tim Maia

Devido ao número exacerbado de produções nacionais ruins, poucas conseguem criar expectativa (falando do circuito popular). A exceção aconteceu quando foi divulgada a produção do longa-metragem sobre a vida de Tim Maia, baseado no livro Vale Tudo, de Nelson Motta. Primeiro porque é impossível não gostar da figura do cantor; segundo que o livro é um retrato cru da vida insana que ele levava fora do palco e que pouco gente tinha noção, eu por exemplo, e terceiro seria dirigido por Mauro Lima, de Meu Nome Não é Johnny. E a minha curiosidade cresceu porque li o livro e me peguei pensando se o conteúdo sem censura seria retratado na tela pelo diretor, como no seu outro filme de sucesso. Vamos devagar…
O filme conta a infância pobre de Tim na Tijuca, o trabalho como entregador de marmita para ajudar os pais, a amizade com Roberto Carlos, Erasmo, Jorge Ben e o nascimento do sonho de viver como quisesse, nesse caso viver pela música.
A trajetória segue com a viagem para os EUA sem dinheiro, sem falar inglês, apenas com o sonho americano de conseguir trabalho e dinheiro. Como recompensa, conseguiu alguns anos de prisão por furto. Porém foi lá que aconteceu o primeiro contato com o que seria seu maior mérito: fazer música negra, o funk e o soul. Passam-se os anos, o sucesso aparece junto com as polêmicas, os processos, a religiosidade excêntrica que resultou numa fase importante da carreira. Até chegar na decadência total pelo uso abusivo de drogas, e enfim a morte.
Posso dizer que Tim Maia – O Filme, é um dos maiores blockbusters já produzidos no Brasil e deixo claro que isso não é pecado, muito menos ruim. Se tantos outros tentaram com comédias ridículas, Mauro Lima conseguiu com a história do maior ícone da música funk/soul do país.
A produção é caprichadíssima, com retratação de épocas perfeitas, figurinos impecáveis, fotografia muito bem pensada, coloração que vai do P/B até tons quentes quando acontece a explosão da música. A trilha sonora é toda do Tim, óbvio, e vai acompanhando de maneira cronológica a história (conforme ele lança um disco, a música aparece).
A história é narrada por Cauã Reymond (que também é produtor do filme) que interpreta Fábio, amigo de Tim que o acompanhou em grande parte da sua carreira. A narração pode parecer batida, mas funciona muito bem, principalmente nos pontos mais dramáticos. Aline Moraes interpreta Janaína (personagem fictícia que condensou Janete e Geisa, os grandes amores reais de Tim), Robson Nunes vive Tim Maia adolescente, de forma impecável e o ponto altíssimo é o Tim Maia vivido por Babu Santana! Ele incorporou o síndico nos trejeitos, nos palavrões, o jeito malandro, fez aulas de canto (para quem não sabe Babu cantou quase todas as músicas do filme). E sem exageros, é uma atuação genial!
É impossível ao final do filme depois daquela viagem sensorial, insana e involuntária, não querer ouvir mais e mais seus clássicos. Muito mais do que isso, é um pouco inexplicável a mistura de alegria e tristeza ao ver um gênio que morreu consumido pelo próprio excesso. Talvez os excessos tenham construído essa imagem inesquecível e eterna mesmo depois de muito tempo de sua morte.
Fato é que agora existe um filme a altura do que Tim Maia significa para a música brasileira. Além do que, Tim Maia – O Filme, passou a significar muito para o cinema blockbuster nacional.
Título: Tim Maia – O Filme
Ano: 2014
Direção: Mauro Lima
Roteiro: Antônia Pellegrino
Duração: 120 minutos
Classificação: 16 anos
Gênero: Drama/Biografia

A sétima e penúltima temporada de Game Of Thrones (A Guerra dos Tronos) teve sua season finale há apenas dois meses e já estamos em abstinência. Ao que tudo indica a season 8 da série só será exibida em 2019, isso significa quase dois anos sem GoT!

D O I S  A N O S.

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A boa notícia é que durante o longo tempo em que viramos filhos da tormenta aguardando o retorno de uma das melhores séries da atualidade podemos descobrir mais sobre o universo e nos conectar com pessoas que também amam falar de GoT no aplicativo Thrones Amino, um app que é como um fórum, chat e comunidade, tudo em um lugar só!

Receba notícias, conheça outros fãs, converse sobre os episódios, temporadas e personagens em uma comunidade de espectadores ávidos da série.

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No Thrones você encontra enquetes, memes, quiz… também tem muita teoria e uma super Wiki com tudo sobre as casas, famílias e fatos históricos preenchida pelos próprios fãs. Também tem árvore genealógica e imagens de personagens dos livros que não estão na série – quem não tem curiosidade de saber como eles podem ser?

O Thrones Amino (que ganhou recentemente uma versão em português) pode ser baixado tanto no sistema Android quanto no IOS e é totalmente gratuíto.

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Filmes para rever | Medianeras

Martín e Mariana moram em prédios vizinhos quase com as paredes coladas. Eles formam o casal perfeito, separados apenas por um problema: ainda não se conhecem.
Esse romance argentino dirigido por Gustavo Taretto é sobre a solidão e a dependência da tecnologia que nos acomete. 
A narrativa do filme é muito interessante, ora rápida assim como as imagens que a ilustram, ora lenta e atordoada como toda situação que não parece ter fim.
Argentina e Espanha (países no qual o longa foi rodado) são os cenários. Países recheados de prédios, construções desordenadas, pessoas indo e voltando, céu cinza. E é nesse contexto que a história de Martín, um cara solitário e confinado na sua “caixa de sapato” (apartamento) e Mariana, uma mulher jovem que saiu de um relacionamento e que não sofre por isso, vão acabar se encontrando.
É impossível assistir Medianeras e não fazer uma breve semelhança com o filme 500 Dias com ela, por exemplo as estações do ano sendo visivelmente apresentadas na tela como se a partir daquilo surgisse algo novo, como os desenhos que viram cena real e o próprio romance em si. No caso do romance, a diferença é que no filme argentino não existe uma dependência por outra pessoa e sim a busca por alguém especial, inverso ao filme norte-americano.
A fotografia é muito bonita e dá para perceber que poucas cenas foram gravadas com câmera na mão. Esteticamente é um filme bem montado e muito bonito.
O roteiro detalhando e explicando toda e qualquer situação apesar de parecer cansativo, é funcional. O final é muito previsível. Inovador é como ele é apresentado.
Quem assistir Medianeras com certeza vai acabar se identificando em alguma situação do filme: seja a dependência pela tecnologia, seja a falta de tato com as relações humanas, a busca por alguém especial, a cidade que moramos sufocada por construções que não permite que enxerguemos algo do nosso lado. Belo filme!
Título: Medianeras
Ano: 2011
Direção: Gustavo Taretto
Roteiro: Gustavo Taretto
Duração: 95 minutos
Classificação: 12 anos
Gênero: Comédia/Drama

Arte de Eddie Redmayne

Edward John David, mais conhecido como Eddie Redmayne, desde pequeno está no mundo da arte tanto como modelo para sua paixão de atuar. Em quase toda sua carreira Eddie se baseia claramente nos personagens através de inspiração de outras pessoas, vejamos alguns filmes em que seus personagens ficaram reconhecidos e famosos, levando esse talentoso ator ao auge.

O desenveolvimento de seus personagens são pessoas reais, cujo suas histórias foram de muitas conquistas (Se analisarmos bem os filmes tem várias datas marcantes como as revoluções, socialização, guerras e a física se tornando cada vez maior o que trouxe muitos aspectos aos filmes). Vejamos algumas histórias onde Redmayne teve realmente seus conhecimentos e experiências para sua atuação.

Lés Misérables (Os Miseráveis)- 2012

O filme conta a história de Jean Valjean, um prisioneiro que chega à França nos tempos da Revolução de Julho. Valjean cuida de Cosette depois de decadência da sua mãe,e a formação da barricada onde meros trabalhadores se juntam para a liberdade de seu povo. Ele foi feito em comemoração aos 25 anos para a peça que exibe o mesmo nome.

Eddie Redmayne interpretou Marius uma jovem sonhador que luta pelo amor ao próximo se juntando aos da barricada. Nesse papel o ator teve que dar o melhor de si para cantar e ainda que cantava aos seus 12 anos Redmayne teve que obter técnicas vocais pois não tinha nenhuma experiência profissional, assim depois de suas aulas conseguiu mandar um video para o diretor executivo Tom Hooper, que um dia depois aprovou sua participação no filme.

The Theory Of Everything (A Teoria De Tudo)- 2014

O drama se passa em Cambridge, contando a história real do físico teórico Stephen Hawking com sua esposa Jane Hawking (ex-esposa desde 1995) enfrentando uma série de problemas envolventes com a doença de Stephen chamada de “Esclerose lateral amiotrófica “. O filme é de superação a realidade do que a teoria de “tudo” pode ser encontrada em pequenos afetos diante do amor de um casal para a física.

Eddie foi visitar um hospital onde pessoas paralíticas passam por esse problema todos os dias, e seu personagem foi tão prestígiado pelo público que o levou para o Oscar em 2014 ganhando como melhor ator.

The Danish Girl (A Garota Dinamarquesa)- 2015

Baseado em fatos reais, conta a história de Einar Wegener um pintor famoso da Dinamarca-Copenhagen (1930) nascido homem, mas sente que é uma mulher por alma, acaba sendo uma das primeiras pessoas da história a passar por uma cirurgia para mudar de gênero. Como naquela época não estavam de acordo e o racismo era muito visto, Gerda sua esposa o ajuda para tornar Lili Elbe possível mesmo sabendo que irá perder seu marido.

Redmayne visitou um hospital de Trans-gêneros para saber como é a socialização e como são vistos, para entrar no personagem gerando muita polêmica, entretanto uma grande emoção ao ficar como Lili.

Fantastic Beasts and Where to Find Them (Animais Fantásticos e Onde Habitam)- 2016

O universo de Harry Potter se torna maior com o novo sucesso de J.K Rowling em Animais Fantásticos e Onde Habitam. Dessa vez conta a história de uma magizoologista chamado Newton Scamander (Newton Ártemis Fido Scamander)que carrega uma maleta contendo animais extraordinários vindos de vários lugares do mundo. Porém pode ser um risco para os No-Maj (se refere aos trouxas “sem-magia“) descobrirem o mundo dos bruxos podendo causar uma confusão.

Para interpretar Newt, Eddie foi a um zoológico procurar especialista e cuidadores, visando ver como os animais tem seus tratamentos e cuidados para que ele conseguisse ter uma ampla base para criação.

Obs: Para a legenda em português deve clicar na Legenda oculta a direita!

 

Para concluir esse artigo podemos dizer que Eddie Redmayne sabe atuar e digo em todos os apesctos, porque todo bom ator busca um conhecimento válido para a vida toda, porém que tenha vários obstáculos pela frente a paixão por atuar é gratificante a todos os amantes do cinema, inclusive nós cinéfilos!

O Expressionismo Alemão foi um movimento advindo da corrente expressionista que surgia na Alemanha no período que sucedeu a I Guerra Mundial.
Para falar sobre tal vertente é necessário antes entender o contexto no qual a mesma terminou por surgir:
O país havia se estabelecido enquanto Império desde a sua unificação no ano de 1871, sendo sua estrutura nesse período de desenvolvimento muito semelhante a da Roma Antiga, uma vez que contavam com a existência de reis-vassalos.
Desde a instauração do Império, ocorreu a recomposição do país que tinha uma população infinitamente menor, uma economia relativamente baixa e sobretudo voltada para o que tangia os aspectos do crescimento rural, para um número demográfico que praticamente dobrou, trazendo consigo e com a II Revolução Industrial, uma realidade mais aprazível de prosperidade econômica, e de expansão urbana interna.

Berlim, 1871

Durante os 47 anos nos quais perduraram o Império, a Alemanha se destacou em inúmeras áreas da indústria e da ciência de modo geral, tendo a mesma recebido mais prêmios Nobel do que outras grande potências da época como Grã-Bretanha e Rússia.
Com o desenvolvimento e destaque de países tão específicos no seio europeu, aumentou o número de políticas imperialistas, o que associado a uma série de outros fatores, acabou por gerar a 1ªGrande guerra, também conhecida como I Guerra Mundial.

O que se desenrola ao longo do conflito não precisa ser explanado nesta crítica, mas somente o resultado final e posterior a essa contenda que teve como indicativo de um período tão brutal, a morte de cerca de 9 milhões de pessoas, além de estabelecer a vitória da Tríplice Entente (Reino Unido, França e Império Russo), e por conseguinte a derrota da Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-húngaro e Itália).
A significância por trás desses eventos históricos e a correlação objetiva que pode ser encontrada para a exposição de tais situações, se apresenta num cenário que se contrapõe para evidenciar o que era a Alemanha anterior ao surgimento da guerra e o que ela se tornou depois.
É através desse ponto de transição entre uma economia forte, bem estruturada, com um poderio altamente expansivo dentro do cenário europeu, para um país que foi derrotado na contenda, submetido as condições definidas no Tratado de Versalhes e coagido ao pagamento de multas de valores exorbitantes as nações vencedoras, que se evidencia o nascer de características e condições que corroboraram pro maior desenvolvimento do existencialismo como movimento artístico, o que naturalmente inclui o cinema.
Metrópolis – Fritz Lang

O Expressionismo alemão se evidenciou enquanto movimento, como uma força produtiva artística que se propunha a vanguarda, ainda que apesar de trazer inovações em relação a uma variedade de pontos, abraçava características de alguns movimentos mais antigos, como o romancismo.
Tendo como objetivo a busca de uma realidade mais profunda, o movimento acaba por sacrificar o realismo figurativo em prol do emocional, a partir da introdução de elementos que remetiam a questões amplamente subjetivas, ou até mesmo tratando de temas mais generalistas sobre uma ótica mais específica, considerando um grande número de variáveis correlacionadas a psiquê das personagens e ao contexto no qual se inseriam.
Considerando o período e a condição existente na Alemanha no momento, é possível notar que o movimento abarca uma multiplicidade de temáticas, mas que ainda que a variação possa se mostrar presente com uma certa frequência, nota-se sobre essas obras um conjunto de características que tendem a se repetir, e que podem ser justificadas a partir de uma análise sobre as mesmas.

Com o país em estado de desequilíbrio financeiro, e com os seus cidadãos sendo submetidos a uma nova conjuntura social, onde o desenvolvimento econômico, tecnológico e territorial que estava sendo visto até então, acabou por ser interrompido e ceifado no âmago do seu crescimento, o nascimento de sentimentos relacionados a um forte medo pelas incertezas do futuro, associado a uma recusa da figura do que era externo ao ser (o que acabou por promover uma onda nacionalista que termina por corroborar nos anos seguintes para o progresso da ideologia Nazista), os movimentos artísticos invariavelmente incorporaram o reverberar dessa sociedade, traduzindo isso na linguagem cinematográfica através de diferentes recursos que na fotografia foram trazidos através da utilização de uma estética mais sombria, e que no que diz respeito ao roteiro e as temáticas gerou a presença evidente de conflitos internos nas personas, e a existência de uma atmosfera que transitava entre o fantástico e o macabro.
A realidade que se fazia presente provocava uma forte recusa nos indivíduos, e no cinema isso foi demarcado através da implementação de uma noção não-realística do cenário, o qual era muitas vezes deformado, ou construído intencionalmente para o filme, sempre apontando uma fuga do que seria mais palpável em um universo concreto.
O Gabinete do Dr. Caligari – Robert Wiene

É importante perceber que antes do nascimento de tal movimento, a exploração da fantasia e da percepção do mistério de forma tão evidenciada só havia sido notada com maior destaque nos filmes de George Mélies, os quais foram representativos da utilização de meios tecnológicos no cinema, para a formatação do que hoje chamamos de efeitos especiais. Ainda que nos filmes de Mélies o cenário pudesse se construir de forma fantástica e completamente diferente do real, as diferenças no que tange o objetivo e a temática aplicada por trás deles, se diferem de forma dispare das do expressionismo.
No movimento expressionista, toda a força é aplicada para o sucumbir de um cenário que beirava o apocalíptico, não necessariamente por nortear um caminho para um destino final e imutável, mas sim pela evidenciação de um mundo que se mostra por si só como fantástico, uma vez que tudo que lhe diz respeito evoca a ideia do que é não-humano, ou demasiadamente introspectivo, caminhando bilateralmente entre o impensável no sentido presente, e o intocável no que se dirige ao âmago da psiquê humana e das possíveis idiossincrasias a nível individual.

Inúmeros filmes podem ser apontados como significativos para o Expressionismo, e coabita entre eles a utilização de recursos que servem inclusive para consolidar a ideia do movimento, porém, alguns em especiais se tornaram referência no que diz respeito a implementação da estética tão associada ao expressionismo. Dentre eles, destacam-se:

O Gabinete do Dr. Caligari (Robert Wiene, 1920)

 

O Estudante de Praga (Paul Wegener, 1913)

 

O Golem, Como Ele Veio ao Mundo (Paul Wegener, 1920)

 

M – O vampiro de Düsseldorf (Fritz Lang, 1931)

 

Metropolis (Fritz lang, 1927)

Nosferatu (F. W. Murnau, 1922)

Com o passar dos anos outros movimentos foram surgindo, e muitos filmes acabaram por não mais se enquadrar necessariamente dentro de alguns deles, contudo, ainda na atualidade é possível perceber incontáveis referências ao Expressionismo e a sua força em diversos trabalhos, reivindicando características específicas de perspectivas lançadas desde o período inicial do movimento.
Diante disso, para encerrar esse artigo, segue abaixo três filmes da atualidade (lê-se últimos 30 anos), que terminaram por nos agraciar com referências tão claras a esse que foi um dos mais importantes movimentos cinematográficos:

Edward Mãos de Tesoura (Tim Burton, 1991)

O Labirinto do Fauno (Guillermo Del Toro, 2006)

Sin City – A Cidade do Pecado (Frank Miller e Robert Rodriguez, 2005)

Obs: Esse artigo faz parte de um conjunto de outros artigos que serão aqui publicados, referente ao projeto Movimentos Cinematográficos

Resumo

A arte sempre foi uma forte arma de influência social e cultural em uma nação, e é sabido que o cinema aborda o pensamento de uma civilização, seja em um curto ou longo espaço de tempo. Seguindo essa ideia, o cinema alemão do período pré-hitlerista teve sucesso em visualizar de maneira premonitória, o declínio de sua nação e o prenúncio de tempos sombrios.

Como prova desse caráter profético do cinema alemão pré-hitlerista, o livro do sociólogo e historiador germânico Siegfried Kracauer “ De Caligari a Hitler – Uma história psicológica do cinema Alemão”, nos revela a relação do cinema com a sociedade como parte de um jogo de análise comportamental da Alemanha. O cidadão da época, caracterizado pelos personagens doentios e insanos dos filmes expressionistas (como será analisado através do filme “ O Gabinete do doutor Caligari”), funciona como uma alegoria da condição massificante do indivíduo que perde sua individualidade e personalidade, tornando-se uma peça da engrenagem do nazismo, totalmente alienado.

Através de obras cinematográficas como “ O triunfo da Verdade “, pretende-se analisar as características propagandísticas presentes nesses que foram importantes meios de proliferação dos ideais nazistas da época.

1.  Introdução

Tendo como coordenador o ministro da Propaganda e Conscientização Publica, Paul Joseph Goebbels, a propaganda nazista foi responsável pela realização de vários filmes com teor propagandístico e nacionalista, sempre exaltando o racismo e o ódio aos estrangeiros, principalmente ao povo judeu que eram mostrados como únicos culpados pela decadência da Alemanha. O cinema era a maneira mais eficiente para a proliferação de imagens, pois distraia a atenção da população para qualquer possível derrota do exército alemão.

O principal objetivo era vender Hitler, enaltece-lo como um herói da nação ariana, e espalhar suas ideias, como a de que os judeus eram os verdadeiros culpados pela decadência econômica da Alemanha e, por isso, deveriam ser vistos como subhumanos perigosos para a saúde pública, e, portanto, para que uma nova Alemanha se reerguesse, era necessário exterminar as “imperfeições”.

Nos dias de hoje, olhamos mais de 80 anos para o passado e nos questionamos sobre as estratégias usadas pelos nazistas na propaganda do partido.

O cinema foi pela primeira vez utilizado como instrumento de propaganda pelos nazistas, pois era uma forma fácil e eficiente para a divulgação de imagens que serviam para distrair o povo alemão. Inúmeros filmes e documentários foram produzidos, cujo objetivo era construir uma lenda por trás do monstro que era Adolf Hitler.

A estética apresentada pelas propagandas foi a principal responsável pela glória dos ideais nazistas alcançou. Estética que fazia o imaginário da população, levando-os a crer na existência de um mundo perfeito e ideal, completamente distante da realidade daquela época. O nazismo como movimento totalitário dominava a todos através da política do medo, moldando os próprios membros do partido em seres sem capacidade de pensamento ou escolha individual, apenas focalizando os interesses do partido.

Os nazistas investiram pesado na propaganda, até mesmo em aprisionamentos de judeus como em Auschwitz, era possível ler em sua fechada “ Arbeit macht frei”, O Trabalho Liberta. Uma clara e evidente maneira de persuadir os prisioneiros para realizar o trabalho desumano nas fabricas de armamentos, em busca de liberdade.

As pessoas com mais de 30 anos normalmente falam que: “na minha época era melhor, no meu tempo as coisas não eram assim”. Provavelmente este é o medo de envelhecer e não se adaptar ao novo. Porém uma única coisa que jamais será igual é a programação infantil da tv brasileira dos anos 80 e ínicio de 90. E neste ponto chegamos em Bingo: O Rei das Manhãs.

É a história real de Arlindo Barreto que interpretou o palhaço Bozo na emissora SBT. A história acompanha o pai amoroso, os desafios de entrar em uma grande emissora, o ascensão e a queda devido ao intenso vício em drogas.
A direção é de Daniel Rezende, que trabalhou como editor em Cidade de Deus. Bingo é seu primeiro longa e mesmo com experiência em cinema ele convocou uma equipe de peso: Luiz Bolognesi assina o roteiro e Lula Carvalho a direção de fotografia. E com esse time e a ousadia demonstrada por Daniel o resultadao é excelente!
Vladimir Brichta interpreta Augusto Mendes/palhaço Bingo, e a sua atuação é digna de abrir portas para o ator no mundo todo. Seu personagem tem muitas camadas: o ator em decadência, o pai amoroso, o palhaço em ascensão, o ser humano em queda e a redenção.


Bingo é o exemplo de filme que é muito bem escrito sendo o roteiro o ponto alto. Tudo tem importância, tem origem, tem desenvolvimento e você realmente cria afetividade com o que está vendo na tela. O elenco de apoio funciona e todos estão bem: Leandra Leal faz o de sempre que é nada menos do que excelência na atuação como a produtora/diretora Lucia, Emanuelle Araújo vive a Gretchen, Tainá Muller a ex-esposa de Augusto, Ana Lúcia Torre é Marta Mendes mãe de Augusto, além de uma participação muito especial de Domingos Montagner como o palhaço de circo que ajudou Augusto no desenvolvimento de Bingo.
A reconstituição de época é cuidadosamente pensada desde os cenários externos do centro de São Paulo, até o cenário do programa. O figurino muito bom e a fotografia é ótima. No último ato tem um plano sequência (você sabe que foi algum truque da direção/direção de fotografia porém impecável) que é digno de aplausos.
Bingo: O Rei das Manhãs é o melhor que o cinema nacional pode ser, bem executado tecnicamente, um roteiro excelente, atuações firmes e competentes, sem clichês baratos (e olha que para trilhar esse caminho mais fácil, o diretor tinha um prato cheio em mãos e não fez). É saudosista para quem viveu a Era Bozo, e é a melhor maneira de mostrar como era intrigamente a programação das crianças no passado para a nova geração.
No final tem uma justa e singela homenagem para Arlindo Barreto, sem alegorias ou demagogias.


Antes de assistir o filme, li e vi muita gente falando que este era o melhor filme nacional desde Cidade de Deus (falando do cinema de longo alcance, tirando o cenário independente da parada), e pensei que as pessoas pudessem estar exagerando. Felizmente não era exagero e você ficará com Bingo na sua mente por muito tempo e arrisco dizer que ele não sairá mais.
Viva o cinema nacional!

Trailer:

 

Kathy Bates que, só para citar alguns títulos, atuou em Titanic, American Horror Story, The Office, Midnight in Paris, Misery, apresenta mais uma personagem firme e independente. Ela faz pouco caso das regras sociais, e a única diferença para essa personagem é que, desta vez, ela está com um baseado na mão.

Disjointed é uma das séries dessa nova leva de títulos que a Netflix colocou no ar. A trama é a seguinte, Ruth Whitefeather gerência uma clínica de venda e consumo de Marijuana… Só isso. Tem graça? Muita.

Chuck Lorre é um dos criadores e só para refrescar a sua memória, esse nome também aparece nos créditos de The Big Bang Theory, Two and a Half Man, Mom e Mike&Molly, ou seja, em Disjointed você pode esperar pelo humor simples, leve e despretensioso característicos do produtor.

A Netflix tem apresentado um conteúdo muito bacana quando o assunto é diversidade social. Séries como Grace&Frankie e Atypical abordam temas interessantes e gostosos de assistir. Disjointed pode entrar no clubinho, já que trata do uso da Marijuana – que eu vou tomar a liberdade de não chamar de droga – além apresentar de forma bem humorada algumas qualidades e defeitos do seu consumo. Algumas cenas são francamente absurdas. Você vai ver pessoas fantasiadas de maconha e caixas de fósforos dançando em uma TV antiga, ou ainda animações saídas daquelas viagens de LSD dos anos 70. Os fãs da animação Rick and Morty poderão encontrar doses imensas de nonsense aqui. A parte negativa fica mesmo para as risadas da “plateia”, não sei como esse tipo de recurso ainda é utilizado nas séries.

Embora Disjointed não seja uma série para ser problematizada – e ela nem se propõe a isso – é bem divertido assistir a essa evolução. Pensar que os filmes que tratavam de divórcio já foram tabu (Kramer vs Kramer) e hoje nós temos a liberdade de assistir a uma comédia sobre o uso da maconha, que não apenas faz graça com isso, como em alguns bons momentos é até apologética.

Disjointed não tem uma grande produção e está longe de ser uma ótima série de comédia, de todo modo, é uma alternativa rápida (episódios de 30 minutos que passam voando) para dias em que você não tem nada/não sabe o que assistir.

Eu pensei em colocar o título dessa crítica de: “Disjointed – a nova série da Netflix que é muito melhor do que Friends”. Só para sabe, fazer você chegar aqui babando e descobrir que era brincadeira. Se bem que, se colocarmos na balança, não tem Marijuana em Friends então… bem, aí é você que está dizendo.

 

 

Showman, polêmico, andrógino, revolucionário…o camaleão David Bowie teve muitas facetas ao longo de sua prolífica carreira, e uma delas foi a de ator, provando que música e cinema podem caminhar lado a lado.

O artista inglês se destacou como uma das figuras mais irreverentes do rock, mas ao longo de seus 44 anos de carreira explorou amplamente seu talento para a atuação. Sem dúvidas, no mundo do cinema, seu personagem mais marcante foi o duende rei Jareth, de LABIRINTO – A MAGIA DO TEMPO, mas Bowie já foi Poncio Pilatos no épico religioso A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO, de Martin Scorcese, já foi um vampiro em FOME DE VIVER, ao lado de Catherine Deneuve, foi também um alienígena em O HOMEM QUE CAIU NA TERRA, e “interpretou” a si mesmo em ZIGGY STARDUST AND THE SPIDERS FROM MARS, e EU, CHRISTIANE F., 13 ANOS – DROGADA E PROSTITUÍDA.

O “camaleão” David Bowie

CARREIRA DE DAVID BOWIE COMO ATOR:

  • Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1973)
  • O Homem que Caiu na Terra (1976)
  • Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída (1981)
  • Furyo – Em nome da Honra (1983)
  • Fome de Viver (1983)
  • Um Romance Muito Perigoso (1985)
  • Labirinto – A Magia do Tempo (1986)
  • Absolute Begginers (1986)
  • A Última Tentação de Cristo (1988)
  • Dream On (Temporada 02 – Episódios 01 e 02) (1991)
  • Twin Peaks – Os Últimos Dias de Laura Palmer (1992)
  • Basquiat – Traços de Uma Vida (1996)
  • Everybody Loves Sunshine (1999)
  • Zoolander (2001)
  • O Grande Truque (2006)
  • Arthur e os Minimoys (2006)
  • Reação Colateral (2008)
  • High School Band (2009)
  • The Love We Make (2011)
  • David Bowie is Happening Now (2014)
  • B-Movie : Lust & Sound in West Berlin 1979-1989 (2015)
  • Twin Peaks (Temporada 03 – episódios 14 e 15) (2017)

 

Labirinto – A Magia do Tempo

Com uma carreira extensa nas artes, tanto no campo da música como também no cinema, David Bowie fez jus ao apelido de “camaleão” e deixou um rico legado que jamais será esquecido.

O gênio nos deixou em 10 de janeiro de 2016, vítima de câncer de fígado, porém sua obra permanece viva…

 

Ontem, 7 de setembro, foi comemorado o Dia da Independência no Brasil. A data desperta em alguns um sentimento nacionalista, ufanista. E muitos aproveitam o feriado para descansar (melhor ainda quando é prolongado, não é mesmo?).

Com isso, resolvemos fazer um levantamento dos brasileiros que estão fazendo sucesso por aí, sejam nas telonas ou nas TVs. Rodrigo Santoro, Wagner Moura e Alice Braga são nomes bem comuns de brasileiros reconhecidos em Hollywood. No entanto, alguns outros têm sangue “verde e amarelo” e talvez você nem saiba disso. Confira a lista abaixo:

Henry Zaga

Henrique “Henry” Zaga começou sua carreira há pouco tempo. Em 2015, Zaga mudou-se para os Estados Unidos com objetivo de começar seus projetos por lá. Conseguiu um papel regular na série de TV Teen Wolf. Nascido em 1993, o brasiliense ganhou mais destaque na série original da Netflix, 13 Reasons Why. Com a carreira em ascensão, o brasileiro está confirmado no próximo filme da franquia X-Men, onde interpretará Mancha Solar – personagem que também é brasileiro – em Novos Mutantes.

Morena Baccarin

A carioca Morena Baccarin começou sua carreira de atriz já nos Estados Unidos, afinal, saiu bem cedo do Brasil, aos sete anos de idade. Talvez por isso, seja mais conhecida lá fora do que por aqui. Morena Silva de Vaz Setta Baccarin tem 29 anos e é filha do jornalista brasileiro Fernando Baccarin com a atriz Vera Setta. Atuou em séries como Firefly, V: Visitantes, Homeland, The Mentalist, The O.C., Flash e Gotham. Nas telonas, ficou conhecida por Deadpool (2016) e A Espiã que Sabia de Menos (2015).

Lino Facioli

Quem assiste à série Game of Thrones certamente conhece Lino Facioli por ser uma criança nada agradável (não, não estamos nos referindo a Joffrey Baratheon). O ator nasceu em Ribeirão Preto no ano de 2000 e foi responsável por dar vida a Lord Robin Arryn, primo dos Starks e herdeiro do Ninho da Águia. Mudou-se para o Reino Unido com os pais quando tinha apenas quatro anos de idade.

Kaya Scodelario

Pois bem, Kaya Scodelario é apenas 50% brasileira. A atriz nasceu em 1992 no Reino Unido, filha de Katia Scodelario (mãe brasileira) e Roger Humphrey (pai britânico). Seus pais se separaram quando ainda era criança e Kaya foi criada então pela mãe, sendo inclusive fluente em português. A atriz sofreu bullying na adolescência e atuar foi uma forma de lidar com a situação. Ganhou reconhecimento pelo papel de Effy Stonem na série Skins e no papel de Teresa na franquia Maze Runner. Também teve papel de destaque no 5º filme da saga Piratas do Caribe, onde interpreta Carina Smyth, filha do capitão Barbossa.

Alfred Lewis Enoch

Assim como Kaya Scodelario, Alfred Lewis Enoch é só metade brasileiro. Nascido em 1988 no Reino Unido, seu pai é o ator britânico William Russell e sua mãe é brasileira, Balbina Gutierrez. O ator é fluente em português e já morou algum tempo em Salvador, na Bahia. Nas telonas, ficou conhecido por dar vida a Dino Thomas, da franquia Harry Potter, até hoje seu único trabalho nos cinemas, tendo participado de sete dos oito filmes da saga. Na TV, participou da série Sherlock e hoje é recorrente em How to Get Away with Murder, em que interpreta o estudante de direito Wes Gibbins.

Maiara Walsh

Maiara Walsh também tem o DNA dividido entre dois países. Filha de pai americano e mãe brasileira, nasceu em Seattle em 1988, mas passou boa parte da infância morando em São Paulo. Maiara mudou-se para Simi Valley, na Califórnia, aos 11 anos, para dar continuidade à carreira de atriz. Ainda mora nos Estados Unidos, mas vem constantemente ao Brasil para visitar seus familiares. Ficou conhecida por interpretar Meena Paroom na série Cory na Casa Branca. Em 2011, foi a vilã Mandi DuPont em Meninas Malvadas 2. Atualmente está na série Switched at Birth e já fez participações em Desperate Housewives, The Vampire Diaries e Agents of S.H.I.E.L.D.

E aí, sentiu falta de alguém? Tem alguma sugestão de brasileiro fazendo sucesso no exterior? Conte-nos!

Parte 1

Parte 2

A História é um artefato de conhecimento e demanda ser continuada. Se os filmes são recursos novos que auxiliam na construção do saber sobre algo, por que, então, não auxiliar também no envolvimento intrapessoal de quem assiste? É interessante voltarmos ao post Identifique-se com os filmes, aonde falo dessa relação do indivíduo que assiste e se conecta com o um filme específico de forma mágica, pessoal.

A guerra fria , foi usada aqui como estudo de caso para ser lembrada não só da sua força política, mas da força social. O que o faz ser individual. Ela não deve ser entendida somente pela leitura dos recursos impressos. É essencial, que seja entendida conforme o que o indivíduo receptor das imagens filmadas carrega em sua existência. Neste ponto, vale apresentar uma crítica quanto ao controle governamental e midiático sobre a população, durante a guerra, para a propagação “correta” do pensamento capitalista e a exaltação do american way of life.

Por vezes questionam-se o certo e o errado. A sociedade da metade do século XX, se atenta ao pensamento vigente em sua nação (Estados Unidos da América). O nascimento do Pós-modernismo nesta mesma época (o ano é relativo), – que envolveu o campo das Teorias e o campo das Artes – quis conter o questionamento no campo das perguntas. O que paradoxalmente resulta em ampliar. E ampliar dá respaldo à “qual é a minha visão de mundo?”. Cosmovisão.

O uso da história e da teoria é importante e não pode faltar. Da mesma forma, para o cinema, o artístico e o literário, também o são. O pós-modernismo para os filmes abre espaço para novos artigos a serem usados para visualizar e registrar novas versões da História. Mesmo que os filmes históricos tenham suas próprias estruturas de filmagem e montagem, os particularismos do público não irão ser abandonados. Pelo contrário, irão ser oportunos mediante a realidade registrada nas cenas cinematizadas.

O pós-estruturalismo emprestado do movimento pós-moderno na arte do cinema, elegantemente, explora a liberdade individual omitida e evoca uma seleta interpretação do real. Não quer dizer que a Guerra Fria mostrada nos filmes será vista como uma inversão dos fatos – como muitos professores de história inquietos alegam – mas poderá ser contextualizada com o indivíduo em sociedade.

Portanto, cinéfilos entendidos, temos dois pontos: primeiro, conhecimento (discurso do cinema) é acessível e exerce papel articulador de poder, e vice-versa; segundo, filmes produzem o efeito de interpretação e interiorização. Uau!!

Nota final

Para os cinéfilos que estudam Humanas e se interessam pela tríade história-política-teoria, estudar Cinema se torna mais revelador e cósmico, haha.

Utilizei nesta série o contexto que se estuda no curso de Relações Internacionais, principalmente o legado histórico e teórico que surge com a Guerra Fria.

Após nove anos do falecimento trágico de Heath Ledger, um documentário mostrando a vida do ator, ganhou um clipe na tarde desta quinta-feira (7). O vídeo tem nove minutos e mostra a preparação do ator para viver o seu personagem mais icônico nas telas do cinema, o Coringa.

Com direção de Derik Murray e produção do canal americano Spike tv and entertainment, o documentário “I am Heath Ledger” terá 90 minutos de duração e será exibido em um número limitado de cinemas estadunidenses no dia 3 de maio. dia 15 do mesmo mês a exibição acontece pelo canal Spike.

O material utilizado na produção é exclusivo e nunca foi a público antes. Entre os entrevistados estão a família do ator, o cineasta Ang Lee, a atriz Naomi Watts, com quem Ledger teve um relacionamento entre os anos de 2002 e 2004.

O ator faleceu em 2008 após uma overdose de medicamentos.

Agora você não vai conseguir descumprir a promessa de não assistir aquele seriado sozinho. Foi pensando em evitar um dos motivos modernos de briga de casais que os sorvetes Cornetto do Reino Unido criaram o “Commitment Ring”, uma aliança eletrônica que é sincronizada com o aplicativo do Netflix e só funciona caso os dois anéis estejam juntos. Ou seja, sem o anel do seu parceiro o episódio não funciona.

A tecnologia foi desenvolvida pela NFC (Near Field Communication) em parceria com o sorvete e oferece duas possibilidades. Existe a opção de travar o aplicativo e a opção de travar séries específicas. Os dois anéis funcionam com tecnologia Bluetooth e sincronizam com o aplicativo se estiveram lado a lado de seu Smartphone.

Ainda não se sabe em quais países o produto será comercializado. No portal, os interessados podem registrar seu e-mail para ter acesso a uma espécie de pré-venda, também sem data de início.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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