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BABEL: Filho de Saul

Sabe quando você dá uma dica de filme para uma pessoa, fala sobre a história do filme, ela fica toda interessada, mas quando você fala que é antigo ou de outro país que não fale inglês, ela já vira a cara e nem quer saber mais do filme?! Por isso começa agora a nova série de posts, BABEL, onde falo de filmes de outros países pra você sair dessa mesmice.

Que tal conhecer mais dos dramas latinos, o sentimentalismo francês, os filmes densos alemães e do leste europeu, os filmes-cabeça iranianos, os filmes perturbadores ou delicados asiáticos e muitos outros?! Para começar com o pé na porta, vamos falar de nada mais, nada menos que Filho de Saul (Saul fia), filme húngaro ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro desse ano, com todos os méritos.

Quando se fala em filme sobre a 2ª GM, chego até fazer careta, porque já fizeram tantos que acaba sendo mais do mesmo. Porém, por ser um cara que não deixa se levar pelas aparências (não é à toa que estamos nessa série), dei essa chance para Filho de Saul e não me arrependo nem um pouco. Um filme brilhante e que merece cada frame estar aqui por sair dessa mesmice.

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László Nemes, diretor de Filho de Saul

O filme conta a jornada de um pai húngaro, prisioneiro do exército alemão e que trabalha em um campo de concentração, em busca de um enterro digno para seu filho, encontrado por ele entre uma pilha de outros corpos que partiriam para fornalha. Não bastasse esse enredo pesado, o diretor e toda sua equipe, conseguem passar todo esse sentimento de encarceramento, desespero, sufocamento para o espectador e que te deixa mais incomodado que o ronco do senhor do seu lado (digo por experiência própria). O diretor consegue passar todo esse sentimento por ângulos das câmeras, muitas vezes posicionados rente às costas do personagem principal, além da ausência da trilha sonora e cenas pesadas psicologicamente sem cortes e em um silêncio sufocante que dura minutos, horas, meses… (não sei, muito tempo). Resumindo, um filme que te deixa no fundo do poço.

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Géza Röhrig, ator principal de Filho de Saul

Se pudéssemos comparar este com qualquer outro filme, não tem como não lembrarmos de outro filme estrangeiro, A Vida é Bela (La Vita è Bella). Os dois filmes funcionam quase como lados opostos da mesma moeda. Enquanto o filme italiano mostra um pai aprontando as maiores confusões para mostrar um lado colorido e fantasioso da guerra para seu filho, o filme húngaro mostra um pai enfrentando a realidade fria, escura e cruel da guerra para, pelo menos depois da morte, assegurar momentos de paz a seu filho.

Pensando bem, não sei se foi uma boa ideia dar como primeira dica um filme que vai te fazer sentir mal, mas agora já foi, não vou escrever outro agora que já estou no final. Enfim, um filme que sem dúvida vai entrar na sua lista de melhores/piores filmes de 2ª GM e que vai te surpreender por sair daqueles mesmos roteiros de sempre. Um drama em todos sentidos possíveis e que vai te deixar a todo momento perturbado, nervoso, preocupado, apreensivo, desconfortável e mesmo assim vai gostar (me joga na parede e me chama de lagartixa).

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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