Tag: Alemanha

Com a ganhadora do Oscar Alicia Vikander e James McAvoy, o filme estreia nesta quinta-feira, 17 de maio, em circuito nacional . (📷 Divulgação)

A mais recente criação do consagrado cineasta alemão Wim Wenders, 74, o drama Submersão, uma poética história de amor que tem as conturbações políticas e sociais da atualidade como pano de fundo, estreia nesta quinta-feira, 17 de maio, no Cinema de Arte do Cinépolis Shopping Santa Úrsula. Há um detalhe: insatisfeito com a versão exibida no Festival de San Sebastian-2017, Wenders a remontou e agora, em lançamento no mercado internacional, recebe a consagração da crítica.

No filme,a biomatemática Danielle Flinders (Vikander) busca concretizar um projeto de exploração dos oceanos à procura da origem da vida no planeta. De férias num resort remoto na Normandia, conhece o engenheiro hidráulico James More (McAvoy), surgindo uma paixão arrebatadora. E, enquanto ela desce em um submersível e perigoso desconhecido abismo no Ártico, ele, em uma missão na Somália, sob a acusação de ser um espião, é preso e torturado por jihadistas africanos. Com suas vidas em perigo, buscam conectar-se numa jornada espiritual.

Assista ao trailer:

Cinema de Arte / Cinépolis Shopping Santa Úrsula – Sala 2
De segunda a sexta-feira – 19h30
Sábados e domingos – 14h30
Mais informações: www.cinemadearte.com.br

Créditos: StudioCanal / Olczyk Jürgen

Baseado em uma história real, De Encontro com a Vida fala da vida de Saliya Kahawatte, filho de imigrantes, ele sonha em fazer cursos e trabalhar nos melhores hotéis da Alemanha.

A grande complicação da sua vida surge quando ele descobre que possuí uma particularidade nos genes, responsável por um descolamento da sua retina, o resultado: perda de 95% da visão.

Dedicado a não abrir mão dos seus objetivos e não desviar-se um milimetro do percurso que ele imaginou para si, Kahawatte resolve completar os estudos na sua escola comum (não em uma para portadores de necessidades especiais).

Créditos: StudioCanal / Olczyk Jürgen
📷 StudioCanal / Olczyk Jürgen

Se a escola já não foi fácil, o mercado de trabalho é quase insuperável. No início, Kahawatte contava aos seus analisadores sobre a sua deficiência, contudo, após perceber que eles jamais lhe dariam o emprego, resolve treinar os seus modos em casa com o objetivo de disfarçar completamente a sua condição.

Pronto, temos o nosso filme. Um jovem cheio de sonhos e ambições, 5% da visão e uma determinação a não deixar ninguém descobrir a sua deficiência.

Créditos: StudioCanal / Olczyk Jürgen
📷 StudioCanal / Olczyk Jürgen

Qual é o resultado?

De Encontro com a Vida é um filme delicioso, repleto de boas mensagens e cenas engraçadas. Uma produção alemã que trata de todo o contorno do drama com um realismo bem humorado.

Não é um daqueles filmes de comédia fácil, cenas nonsense e história em segundo plano. Muito longe disso, a vida de Saliya passa por transformações dramáticas e os seus problemas vão se desenrolando em acontecimentos angustiantes, contudo, a força do filme está na coragem e na superação do protagonista, que, ao encontrar apoio nas pessoas queridas, desenha uma história inspiradora.

Apesar de ser notadamente motivacional, o filme possui diversas camadas de tensão que encontram voz nos mais exigentes espectadores. Comédia, romance, drama, realismo e redenção, todos os quesitos estão presentes, bem encaixados e bem distribuídos. O roteiro funciona perfeitamente.

📷 StudioCanal / Olczyk Jürgen

É sempre bom poder assistir a produções que estão fora dos grandes circuitos de cinema, De Encontro com a Vida funciona em todos os aspectos. Uma curiosidade, o título em alemão é algo como Meu encontro cego com a vida, fazendo uma analogia a expressão Blind date (escolhida para ser o título nos países de língua inglesa), ou seja, mais uma vez, um título brasileiro passando longe de expressar o desejo dos realizadores.

O romance do filme também não comete o erro de cair nos moldes do clichê. Por estar baseado em fatos reais, a própria construção do casal é feita sem polimento, sem aquele verniz dos romances dos contos de fadas. Ela (Anna Maria Mühe, com a personagem Laura) possui suas histórias de vida e até um filho de outro relacionamento, ele, bem… para saber como ele se comporta você vai ter que ver o filme.

Aí você vai assistir ao filme e me falar “Ah, vai, esse filme foi real?” Olha só, não é um documentário contando passo a passo de uma vida, mas é sim um filme muito bem assentado em cenas plausíveis. Dúvida? Vá ver um romance de Hollywood.

📷 StudioCanal / Olczyk Jürgen

Excelente na construção da narrativa, ótimo na apresentação das personagens, com atuações convincentes e um arco dramático que, embora centralizado, funciona muito bem e não deixa pontas soltas.

Kostja Ullmann faz o personagem principal, Jacob Matschenz é Max (um personagem hilário). O terrível e exigente Kleinsschimidt é interpretado por Johann von Bülow. (não falei dele? Eu sei, veja o filme, só veja o filme)

De Encontro com a Vida estréia no dia 20 (sexta-feira) e lógico, vá assistir a esse filme. Divertido, leve, fácil e ótimo para fugir um pouco da fórmula do cinema (nada contra Hollywood, mas é sempre bom curtir outros sabores).

Já viu o filme? Concorda comigo? Discorda? Deixa o seu comentário, eu estou sempre lendo e conversando com vocês, obrigado.

Assista ao trailer:

Em Pedaços tem previsão de estreia para o dia 15 de março no Brasil, o thriller alemão foi à aposta da Alemanha para o Oscar 2018. A história acompanha Katja, uma alemã comum que vive, felizmente, com seu marido turco Nuri e seu filho Rocco, de sete anos. A vida de Katja muda quando uma bomba explode em frente ao serviço de Nuri, matando ele e o filho do casal. Katja então sai a procura de justiça, suspeitando que o ataque foi fruto de uma ação neonazista.

O filme é dividido em três atos, no primeiro o espectador conhece a dinâmica familiar da protagonista, no segundo acompanha-se a busca por justiça de Katja, e, no terceiro apresenta um desfecho surpreendente. O roteiro é construído de forma espetacular, a narrativa parece ser bem simples no início, mas vai se mostrando complexa conforme se aproxima do final. Os personagens não são polarizados, são multifacetados, com defeitos e virtudes que deixam a trama mais interessante.

Cena de “Em Pedaços”. (? Divulgação)

Diane Kruger (Troia), que interpreta a protagonista Katja, é sensacional. A atriz consegue expressar belamente tanto os momentos de raiva e angústia da personagem, quanto seus momentos mais introspectivos e doloridos. Não é à toa que Kruger levou para casa o prêmio de melhor atriz no festival de Cannes do ano passado. A direção de Arte e de Fotografia do filme também merecem uma atenção especial, a paleta de cores frias da arte juntamente com ângulos pouco usuais da câmera constroem muitíssimo bem a atmosfera agonizante do thriller. A trilha sonora, por outro lado é, por várias vezes, óbvia demais, com um tom melancólico nas cenas mais tristes e música inquietante nos momentos mais tensos da história.

Por fim, Em Pedaços apresenta um tema relevante e importante no cenário contemporâneo, onde extremistas e nacionalistas ganham forças e apoio popular. Roteirizado de forma brilhante e dirigido com muito primor, o filme merece ser assistido e refletido.

Entre os nove pré-selecionados para disputar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2018, Em Pedaços é o novo trabalho do diretor Fatih Akin, que está no pareô representando a Alemanha.

Contemplado anteriormente com importantes prêmios da indústria cinematográfica em três grandes festivais internacionais – em 2004 recebeu o Urso de Ouro no Festival de Berlim com Contra a Parede, em 2008 o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes por Do Ouro Lado, e o Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza em 2009 por Soul Kitchen – Akin apresentou Em Pedaços pela primeira vez no 70ª edição do Festival de Cannes, onde sua protagonista Diane Kruger saiu vencedora do prêmio de Melhor Atriz.

O filme conta a história de Katja Sekerci (Diane Kruger), uma alemã que leva uma vida normal ao lado do marido turco, Nuri, e do filho de 7 anos. Um dia, ela é surpreendida ao descobrir que ambos morreram devido a uma bomba colocada diante do escritório do marido. Desesperada, Katja decide lutar por justiça ao descobrir que os responsáveis foram integrantes de um grupo neonazista. A estreia está confirmada para o dia 8 de fevereiro.

Em Pedaços foi o vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro no último dia 7 de janeiro, e na mesma semana, recebeu o Critic’s Choice Awards da mesma categoria.

Em Pedaços transmite para as telas a fúria de Fatih Akin com os assassinatos cometidos pelo grupo de extrema direita da Alemanha, NSU, entre 2000 e 2006, e também sua revolta com a forma como a polícia e o Ministério Público agiram diante desses crimes, investigando os parentes das vítimas, e as transformando em criminosos no estágio inicial das investigações. Esse cenário serve como pano de fundo para a história da protagonista, que se transforma de uma mulher pacata para uma viúva com sede de vingança.

Este é o primeiro filme falado em alemão da carreira de Kruger, mais conhecida por seus trabalhos em Tróia (2004), como Helena de Tróia, Bastardos Inglórios (2009), onde foi dirigida por Quentin Tarantino, e Adeus, Minha Rainha (2012) de Benoîte Jacquot, onde viveu a polêmica rainha francesa Maria Antonieta. Modelo de grandes grifes de luxo como Dior, Chanel, H. Stern, Jaeger e Le Coultre, Diane Kruger dedicou seus últimos anos em sua carreira de atriz, e já tem mais uma parceria firmada com Fatih Akin, onde interpretará a lendária atriz alemã Marlene Diertich em uma serie de TV.

Assista ao trailer:

? Imovision / Divulgação

O ano ainda não acabou! No dia primeiro de dezembro a Netflix lançou sua mais nova série original: Dark. Criada por Baran bo Odar e Jantje Friese, a produção alemã conta a história de quatro famílias que vivem em uma pequena cidade onde o desaparecimento de um garoto desencadeia uma série de acontecimentos que afetará a todos.

Estrutura Narrativa

Já nos primeiros minutos do piloto somos surpreendidos pela morte de um personagem (plot ótimo para um início de enredo), ficamos curiosos por saber quem ele é e qual o motivo de sua morte. Logo depois são apresentados os integrantes dessas famílias e como eles estão relacionados, ao mesmo tempo em que pistas dos mistérios que acontecem na cidade são introduzidas.

Os três primeiros episódios – apesar de cada vez mais intrigantes – podem parecer longos e um pouco arrastados, porém são extremamente importantes para a construção da narrativa. A quantidade de personagens também pode ser um problema no início, mas com o passar dos episódios vamos conhecendo melhor a história pessoal de cada um e isso deixa de ser uma confusão.

A partir do episódio 4 as coisas começam a fluir em um ritmo mais acelerado e dai em diante a vontade é ver todos os eps um seguido do outro sem parar. Algumas questões vão ficando claras enquanto outras ainda mais enigmáticas surgem até chegarmos no último episódio que não revela quase nada dos maiores mistérios da trama deixando as perguntas para uma segunda temporada.

Isso seria um problema em muitas produções. Normalmente quando uma temporada de série termina com mais questões que respostas existe uma falha de roteiro, diferente do cinema em que o telespectador pode ver um filme com um final totalmente aberto para interpretações, em um seriado esse aspecto não é bom (ex: final de Lost) e pode, em alguns casos, até comprometer a obra – principalmente se ela não for renovada para uma próxima temporada. No entanto Dark não parece errar nesse ponto, a sensação é de que a primeira temporada é justamente a elaboração dessas perguntas para que na próxima elas sejam respondidas.

Personagens

Comentados o enredo e a estrutura da série, seguimos para o quão interessante são as personalidades dos personagens. Ponto fortíssimo da série! Cada um tem um jeito próprio e características, repito, extremamente interessantes, e importantes de serem representados. Obsessão, violência, bullying, surdez…

Ainda falando sobre os personagens, é de se notar a incrível semelhança de cada atriz/ator em cada tempo (seleção minuciosa feita pelo casting). Não só as características físicas que já são muito bem representadas, desde uma cicatriz, a um sinal ou uma verruga, trabalho sensacional da equipe de arte (que também traz ótimos figurinos e cenários próprios dos anos 50 e 80 e aquela capa de chuva amarela maravilhosa), mas nos gestos e características também (ótimas atuações do elenco). Charlotte, Hannah, Katharina, Ines, Helge… tudo muito verdadeiro.

Fotografia

A parte técnica não fica atrás, a direção de fotografia combina muito com atmosfera da série e é tão dark quanto o título. Cores frias, pouca luz e enquadramentos que compõe a narrativa: plano e contra plano rápido em uma discussão, close-ups sufocantes em uma revelação, tela dividida, muitos planos em zenital (de cima pra baixo em ângulo de 90º), planos gerais de tirar o fôlego mostrando o ambiente… Tudo é harmônico, tudo casa.

Som

Assim também acontece na sonografia, cada música, cada som e cada trilha instrumental encaixa de forma perfeita com o que acontece em cena. Além das músicas atuais super envolventes, o plot de viagem no tempo é aproveitado e temos hits dos anos 80 e clássicos dos anos 50, fora algumas canções na língua alemã que são muito boas também.

Avaliação

Dark têm 88% de avaliação positiva da crítica especializada e 94% do público no Rotten Tomatoes e 8.8 no IMDb. Esta não é uma série apenas de mistério, mas um enredo inteligente com doses equilibradas de suspense e drama e uma análise instigante do tempo e o que ele representa em nossas vidas. Além de tudo o que foi dito acima!

★★★★★ – EXCELENTE

“A distinção entre o passado, o presente e o futuro é só uma ilusão”.

Albert einstein

Resumo

A arte sempre foi uma forte arma de influência social e cultural em uma nação, e é sabido que o cinema aborda o pensamento de uma civilização, seja em um curto ou longo espaço de tempo. Seguindo essa ideia, o cinema alemão do período pré-hitlerista teve sucesso em visualizar de maneira premonitória, o declínio de sua nação e o prenúncio de tempos sombrios.

Como prova desse caráter profético do cinema alemão pré-hitlerista, o livro do sociólogo e historiador germânico Siegfried Kracauer “ De Caligari a Hitler – Uma história psicológica do cinema Alemão”, nos revela a relação do cinema com a sociedade como parte de um jogo de análise comportamental da Alemanha. O cidadão da época, caracterizado pelos personagens doentios e insanos dos filmes expressionistas (como será analisado através do filme “ O Gabinete do doutor Caligari”), funciona como uma alegoria da condição massificante do indivíduo que perde sua individualidade e personalidade, tornando-se uma peça da engrenagem do nazismo, totalmente alienado.

Através de obras cinematográficas como “ O triunfo da Verdade “, pretende-se analisar as características propagandísticas presentes nesses que foram importantes meios de proliferação dos ideais nazistas da época.

1.  Introdução

Tendo como coordenador o ministro da Propaganda e Conscientização Publica, Paul Joseph Goebbels, a propaganda nazista foi responsável pela realização de vários filmes com teor propagandístico e nacionalista, sempre exaltando o racismo e o ódio aos estrangeiros, principalmente ao povo judeu que eram mostrados como únicos culpados pela decadência da Alemanha. O cinema era a maneira mais eficiente para a proliferação de imagens, pois distraia a atenção da população para qualquer possível derrota do exército alemão.

O principal objetivo era vender Hitler, enaltece-lo como um herói da nação ariana, e espalhar suas ideias, como a de que os judeus eram os verdadeiros culpados pela decadência econômica da Alemanha e, por isso, deveriam ser vistos como subhumanos perigosos para a saúde pública, e, portanto, para que uma nova Alemanha se reerguesse, era necessário exterminar as “imperfeições”.

Nos dias de hoje, olhamos mais de 80 anos para o passado e nos questionamos sobre as estratégias usadas pelos nazistas na propaganda do partido.

O cinema foi pela primeira vez utilizado como instrumento de propaganda pelos nazistas, pois era uma forma fácil e eficiente para a divulgação de imagens que serviam para distrair o povo alemão. Inúmeros filmes e documentários foram produzidos, cujo objetivo era construir uma lenda por trás do monstro que era Adolf Hitler.

A estética apresentada pelas propagandas foi a principal responsável pela glória dos ideais nazistas alcançou. Estética que fazia o imaginário da população, levando-os a crer na existência de um mundo perfeito e ideal, completamente distante da realidade daquela época. O nazismo como movimento totalitário dominava a todos através da política do medo, moldando os próprios membros do partido em seres sem capacidade de pensamento ou escolha individual, apenas focalizando os interesses do partido.

Os nazistas investiram pesado na propaganda, até mesmo em aprisionamentos de judeus como em Auschwitz, era possível ler em sua fechada “ Arbeit macht frei”, O Trabalho Liberta. Uma clara e evidente maneira de persuadir os prisioneiros para realizar o trabalho desumano nas fabricas de armamentos, em busca de liberdade.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

© 2018 Cinerama Clube.

Todos os direitos reservados.

[email protected]

Developed By: Vedrak Devs