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4. O Gabinete do Dr.Caligari

É impossível assistir essa obra cinematográfica e não fazer certos paralelos
com a cultura Alemã: O Gabinete do Dr. Caligari trata de conflitos, figuras masculinas
poderosas, mães ausentes e desejos inalcançáveis. Como primeira ideia, a obra
pretendia ser uma crítica a autoridade, no entanto sua estética tortuosa que remete a
pesadelos, conseguiu criar um mundo de inquietação e desconforto que se relaciona
muito bem com a história contada. Tudo isso somado a atuação exagerada dos atores
usando maquiagens pesadas de grande impacto visual e, ao mesmo tempo, criando
uma fotografia deformadora, se juntam com uma narrativa que trata de sentimentos
destrutivos e a incansável luta contra a autoridade.
O enredo do filme acompanha o Dr.Caligari, um mestre da hipnose que chega
em uma pequena cidade do interior para se apresentar junto de seu assistente, Cesare.
Mediante suas técnicas de hipnose, Caligari consegue ordenar que Cesare faça
qualquer coisa. Na cidade começam a acontecer uma serie de crimes e, lógico, são
cometidos por Cesare sob estado de hipnose.
É importante analisar a obra não superficialmente, dando atenção aos crimes
e espetáculos executados pelo doutor Caligari e seu assistente, mas sim perceber a
forma genial com que o autor usa em sentido metafórico a hipnose para nos mostrar
que, mediante a artifícios que divertem o público, o dono do espetáculo hipnotiza não
só seu assistente, mas todo seu público. Se apoiando na máscara de alguém que
chega para mudar o modo de vida da pacata cidadezinha, o homem acaba iludindo
seus clientes, e aqui é que vemos o porquê esta obra, mesmo depois de tantos anos,
desperta a curiosidade de estudiosos a fim de entender como a Alemanha abraçou
o nazismo. O uso de técnicas psíquicas sob o comando de uma mente insana, pode
resultar no uso de tais práticas para fins antiéticos, imorais e egoísta, como é visto no
filme.
O Livro de Siegfried Kracauer, “ De Caligari a Hitler”, se apoiou na ideia desse
filme ser um presságio de um futuro sombrio e insano que a Alemanha viria a enfrentar,
um futuro onde o autoritarismo insano levaria a Alemanha à imortalidade nos livros de
guerras.

Esse marco cinematográfico do expressionismo alemão é, na visão de Kracauer,
marcado pela tentativa de investigar o inconsciente de um povo tentando reconsiderar
sua fé tradicional na autoridade. A metáfora do filme para com o câncer que ainda estava
em estado silencioso dentro do coração dos alemães é característica marcante desta
obra que prenunciava o futuro da Alemanha. Através de todas essas características, é
razoável pensar que “ O gabinete do doutor Caligari” parece ter como único objetivo,
fazer a Alemanha se acostumar com a autoridade, fazer com que o povo alemão abrace
a submissão diante de um líder.

4.1. Análise do cenário


O cenário de Caligari tem como único e exclusivo objetivo causar a inquietação
e o terror. A interpretação expressionista do filme teve êxito em evocar uma pequena
aldeia medieval, com passagens estreitas e casas arruinadas cujas paredes nunca
deixam a luz do sol penetrar. Sombras pesadas e janelas deformadas parecem destruir
a fachada e prenunciar um cenário pós-bélico. O Efeito de opressão é muito forte no
filme.
A respeito dos personagens, notamos que eles são perfeitamente adequados
aos preceitos expressionistas: o sonâmbulo, afastado de seu ambiente natural, afastado
de toda individualidade, criatura abstrata, mata sem motivo ou lógica, enquanto seu
mestre, o misterioso Dr.Caligari age com furiosa insensibilidade. 20 anos antes, a
situação de milhares de membros do Partido Nazista se fazia presente nas telas de
cinema da Alemanha através de “ O Gabinete do doutor Caligari” e o estado de espirito
de uma nação era revelado.

Resumo

A arte sempre foi uma forte arma de influência social e cultural em uma nação, e é sabido que o cinema aborda o pensamento de uma civilização, seja em um curto ou longo espaço de tempo. Seguindo essa ideia, o cinema alemão do período pré-hitlerista teve sucesso em visualizar de maneira premonitória, o declínio de sua nação e o prenúncio de tempos sombrios.

Como prova desse caráter profético do cinema alemão pré-hitlerista, o livro do sociólogo e historiador germânico Siegfried Kracauer “ De Caligari a Hitler – Uma história psicológica do cinema Alemão”, nos revela a relação do cinema com a sociedade como parte de um jogo de análise comportamental da Alemanha. O cidadão da época, caracterizado pelos personagens doentios e insanos dos filmes expressionistas (como será analisado através do filme “ O Gabinete do doutor Caligari”), funciona como uma alegoria da condição massificante do indivíduo que perde sua individualidade e personalidade, tornando-se uma peça da engrenagem do nazismo, totalmente alienado.

Através de obras cinematográficas como “ O triunfo da Verdade “, pretende-se analisar as características propagandísticas presentes nesses que foram importantes meios de proliferação dos ideais nazistas da época.

1.  Introdução

Tendo como coordenador o ministro da Propaganda e Conscientização Publica, Paul Joseph Goebbels, a propaganda nazista foi responsável pela realização de vários filmes com teor propagandístico e nacionalista, sempre exaltando o racismo e o ódio aos estrangeiros, principalmente ao povo judeu que eram mostrados como únicos culpados pela decadência da Alemanha. O cinema era a maneira mais eficiente para a proliferação de imagens, pois distraia a atenção da população para qualquer possível derrota do exército alemão.

O principal objetivo era vender Hitler, enaltece-lo como um herói da nação ariana, e espalhar suas ideias, como a de que os judeus eram os verdadeiros culpados pela decadência econômica da Alemanha e, por isso, deveriam ser vistos como subhumanos perigosos para a saúde pública, e, portanto, para que uma nova Alemanha se reerguesse, era necessário exterminar as “imperfeições”.

Nos dias de hoje, olhamos mais de 80 anos para o passado e nos questionamos sobre as estratégias usadas pelos nazistas na propaganda do partido.

O cinema foi pela primeira vez utilizado como instrumento de propaganda pelos nazistas, pois era uma forma fácil e eficiente para a divulgação de imagens que serviam para distrair o povo alemão. Inúmeros filmes e documentários foram produzidos, cujo objetivo era construir uma lenda por trás do monstro que era Adolf Hitler.

A estética apresentada pelas propagandas foi a principal responsável pela glória dos ideais nazistas alcançou. Estética que fazia o imaginário da população, levando-os a crer na existência de um mundo perfeito e ideal, completamente distante da realidade daquela época. O nazismo como movimento totalitário dominava a todos através da política do medo, moldando os próprios membros do partido em seres sem capacidade de pensamento ou escolha individual, apenas focalizando os interesses do partido.

Os nazistas investiram pesado na propaganda, até mesmo em aprisionamentos de judeus como em Auschwitz, era possível ler em sua fechada “ Arbeit macht frei”, O Trabalho Liberta. Uma clara e evidente maneira de persuadir os prisioneiros para realizar o trabalho desumano nas fabricas de armamentos, em busca de liberdade.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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