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2017 esta sendo o ano das adaptações do grande Rei do suspense na literatura, Stephen King. Algumas são extraordinárias, como é o caso de “It: A Coisa” e “Jogo Perigoso”, que impressionaram a todos, enquanto que “O nevoeiro” e “A Torre Negra” decepcionam. Sendo o sexto longa adaptado esse ano, distribuído pela Netflix, 1922 não foi tão divulgado mas chega para calar a boca de todos que esperavam mais um fiasco. Sendo mais um dos pesadelos retirados da cabeça de King, mas uma obra prima que ele nós proporciona.

Com direção e roteiro de Zak Hilditch, 1922 é baseada em um conto lançado pelo autor no livro Escuridão Total. Hilditch faz um bom trabalho ao nos introduzir no clima em que o filme passa, desenvolvendo bem a trama e seus personagens. E mesmo com um toque de suspense, a história está mais focada no drama vivido pelos personagens, te levando algumas vezes a sentir nojo ao invés de medo, que mexem com espectador, nós fazendo revirar o estomago, nós causando tensão é pavor. Não é necessariamente um terror.

O filme começa com Wilfred (Thomas Jane, que por acaso já participou de outra adaptação de King em O Nevoeiro de 2007) em algum momento no futuro, num monólogo sobre as ações no ano de 1922 que o levaram a matar sua esposa. Ela, Arlette (Molly Parker), acabara de herdar 40 hectares de terra do seu pai, e Wilf queria acrescentá-los aos outros 30 que ela já tinha. Como dito pelo próprio, “Em 1922 o orgulho de um homem era sua terra”. Com isso passaria tudo ao seu filho Henry (Dylan Schmid), após sua morte, como já era de costume a gerações. Porém descobre que ela tem o plano de divorciar-se, vender as terras e ir morar na cidade com seu filho.

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É possível acompanhar os pensamentos perturbados de Wilf, que vai de uma simples relação antagônica com sua mulher, até o homicídio da própria. O quão cego um homem pode ficar, na tentativa de cuidar do que é seu? E vemos até onde ele pode chegar para proteger o que acha ser mais precioso. Ele até convence o filho a ajudá-lo no crime, pois assim os dois ficariam com tudo e impediriam as mudanças drásticas que tal venda traria na vida deles.

Ao pensar que a bondade prevaleceria e que um marido não faria isso com sua esposa, somos surpreendidos com um pai e seu filho matando a “adorada” esposa e mãe. Mas isso era só o começo de uma reação em cadeia, onde uma série de desgraças aconteceria depois. Em minha opinião, o toque que mais realçou foi a volta de Arlette como um fantasma do passado a assombrar Wilf. Isso começa a desconstruir totalmente a sanidade mental do mesmo, apesar de não ficar claro se era realidade ou apenas ilusão. Em alguns momentos até é possível sentir empatia pelo personagem, mesmo sendo um assassino impiedoso. Mas o que realmente da um frio na espinha, são as verdadeiras estrelas do filme, os ratos. Juntos com Arlette, trazem um tom “assustador” à trama.

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Foram ótimas as atuações de Neal McDonough, Brian d’Arcy James e da propria Molly, que mesmo aparecendo pouco, foi essencial para os eventos do filme. Porém, o maior credito tem que ser dado a Thomas Jane, que se entrega total a Wilf, desde o seu sotaque de caipira, aos trejeitos dado por ele para o personagem, mostrando claramente um dos melhores papeis da sua carreira. Além disso, o excelente roteiro de Hilditch que se mostra mais uma vez o diretor magnífico que ele e, ajudou na construção do personagem, nos mostrando a decadência total dele ao longo da trama, entrando em uma jornada contra a sua própria sanidade.

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Mas o filme peca em alguns momentos, e a história assume um ritmo lento e arrastado. A falta de algo mais ativo pode ser sentida pelo público, embora seja normal e necessário para a construção da história. Também a atuação de Dylan Schmid não surpreende e deixa um pouco a desejar. Mas apesar de tudo isso, Zak Hilditch mostra um trabalho excelente ao passar, na medida certa, todo o tom melancólico e sombrio que a história deve ter. Com detalhes que aprimoraram o suspense, ele conseguiu fazer uma excelente adaptação da obra de King.

Carregando a força de uma história simples e direta, com um elenco escolhido a dedo e ótimas cenas de tensão psicológica, uma ótima atmosfera é criada, tanto na cinematografia quando na construção dos personagens. O melhor exemplo disso é o arrependimento de Wilf e de como ele vai regredindo de homem calculista, a alguém completamente transtornado. Sem duvidas umas das melhores adaptações de King do ano, e que certamente merece sua atenção.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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