Analisar mais profundamente o comportamento humano, ou ao menos tentar, pode trazer à tona fatos obscuros.

Após a Segunda Guerra Mundial, o pesquisador, professor e psicólogo social, Stanley Milgram (1933 – 1984) inicia um de seus experimentos mais notáveis de sua carreira, o qual tinha como objetivo medir o quanto uma pessoa estaria disposta a obedecer ordens, mesmo em circunstâncias de sofrimento alheio por suas ações. A partir desse estudo o diretor Michael Almeryda desenvolve o longa intitulado O experimento de Milgram (2015), com Peter Sarsgaard, Winona Ryder e Jim Gaffigan.

No ano de 1962, inicialmente 40 homens com idade de 20 a 50 anos aceitam participar de uma pesquisa na Universidade de Yale, EUA, cujo tema era a punição como método de aprendizagem. O participante ficava em uma sala lendo uma sequência de palavras, enquanto em outra sala o suposto aluno deveria repetir tal sequência, sem erros. Caso houvesse, o mesmo era punido com choques, os quais começavam em uma potência de 15 volts, aumentando até 450 volts.

A divisão de salas entre o participante e o suposto aluno permitiam que, a cada choque que o aluno recebia, o participante escutava o grito de sofrimento do aluno. E após isso, era reiniciado a atividade com uma nova sequência de palavras.

Durante o desenvolvimento do experimento, por mais gritos que os alunos dessem na sala ao lado, os participantes era orientados por um membro da equipe a prosseguir com a sequência de palavras, mas isso não os impediria de, se achassem correto, interromper suas próprias ações.

Também são inseridas mulheres no experimento, e nota-se que alguns padrões de comportamento em comparação com os de homens são distintos, revelando que as mulheres eram um pouco mais suscetíveis a interromper o procedimento por causa do sofrimento alheio.

Por se tratar de um estudo verídico, ainda mais da área da psicologia social, o longa foge do convencional, tanto no roteiro como nos planos de filmagem. Há constantes quebras de cenário, onde a cena se dispõem no segundo plano para que o foco seja o personagem principal, no caso, o próprio Milgram (Sarsgaard) explicando cada parte do processo do experimento.

Para aqueles que não se interessam por pesquisas na área da psicologia e do comportamento humano, esse pode não ser o filme mais indicado. Indiscutivelmente, o foco é o experimento de Milgram, pois através dele se aprofunda nas questões pertinentes ao comportamento humano, sociedade, mecanismos de desvio de personalidade, entre outros nesta linha.

Assista ao trailer: