Categoria: Literatura

Editora e Conan Properties International firmam parceria de longo prazo e editora passará a publicar todas as histórias em quadrinhos do personagem, no Brasil e em outros países. (📷 Reprodução)

A Panini Comics anunciou nesta quinta-feira, 21 de junho, que fechou parceria com a Conan Properties, detentora dos personagens criados por Robert E. Howard. A partir desta data, a empresa cede todos os direitos de publicação para a editora, com exceção dos produtos da língua inglesa.

A Panini é uma das mais antigas licenciadas da Conan Properties, publicando o portfólio de revistas em quadrinhos em territórios selecionados por quase 25 anos, inicialmente publicando os materiais clássicos da Marvel Comics durante a posse da Marvel, de 1994 a 2000, e, então, por meio de acordos diretos com a CPI e a Dark Horse.

O novo acordo estende o escopo da licença para todos os territórios – exceto países de língua inglesa – e, a partir de agora, a editora passará a publicar os novos quadrinhos em vários territórios como Brasil, Espanha, França, México, Alemanha, Itália, Escandinávia, Turquia e Sérvia. No futuro próximo, irá expandir para outros lugares, tanto diretamente quanto em parceria com outras editoras, enquanto continua mantendo vivo os conteúdos de arquivos históricos das coleções, revistas em quadrinhos e periódicos.

As publicações serão de todo o catálogo histórico do personagem apresentado em formato de revista em quadrinhos ou graphic novel, desde os revolucionários quadrinhos e revistas da Marvel de 1970 a 2000 (Conan the Barbarian, Savage Sword of Conan etc.), para as diversas séries e minisséries bem-sucedidas da Dark Horse Comics entre 2003 e 2018, e então para a novas e reinauguradas produções da Marvel que serão lançadas em 2019 nos Estados Unidos pela geração atual de estrelas da nona arte.

A Panini trabalhará em conjunto com a Conan Properties, que atualmente está em processo de expansão de Conan, o Bárbaro por meio de videogames (“Conan Exiles”, da Funcom) e a série de televisão live action, que estreará em breve, produzida para a Amazon Video, pelos melhores criadores de Hollywood (Miguel Sapochnik, de Game of Thrones). A editora também desenvolverá conteúdo original para os quadrinhos com artistas europeus e latinos, para complementar a variedade de histórias em quadrinhos existentes e futuras, com graphic novels que irão se aventurar em novos universos.

Com um crescente público internacional para o personagem Conan, estamos ansiosos para manifestar sua posição como um dos maiores ícones dos quadrinhos. Estamos impressionados com o crescimento da Panini ao redor do mundo e acreditamos que esse aumento de colaboração será ótimo para os fãs e para nossos outros parceiros”, comenta Fredrik Malmberg, presidente da CPI.

Estamos muito felizes em anunciar essa parceria e sermos os responsáveis por trazer as novidades e os relançamentos de Conan para os fãs brasileiros. O Grupo Panini está há quase 25 anos se dedicando as publicações de Conan e agora essa proposta será estendida para diversos outros países”, diz José Eduardo Martins, presidente da Panini Brasil.

O grande vencedor leva uma guitarra Tagima Rocker customizada. (📷 Reprodução / Panini Comics)

Os fãs tem motivos de sobra para comemorar! O best-seller da DC Comics nos Estados Unidos em 2017 finalmente chega ao Brasil pela Panini Comics. A dupla Scott Snyder e Greg Capullo se uniu para trazer as cinco edições especiais da saga Noites de Trevas: Metal. O novo título apresenta a origem das sete versões sombrias do super-herói Batman e promete surpreender os apaixonados por HQs. Para divulgar o primeiro volume da série, que será lançado neste mês, a Panini cria a campanha #duelometal.   Encabeçado pelo conhecido “Deus Metal”, o Detonator, personagem interpretado pelo humorista, ator e músico Bruno Sutter, o desafio busca conectar leitores de quadrinhos e amantes da música, principalmente aqueles que gostam de heavy metal. A ideia da campanha é selecionar os melhores guitarristas do Brasil para um duelo com o “Batman do mal”, que será representado pelo guitarrista do Detonator, e assim brincar com a ideia de salvar a humanidade da dominação do personagem.  Aqueles que se acharem dignos de enfrentar o “Batman do mal” deverão postar em seu Instagram, com o perfil público, de 15 a 29 de junho, um solo de guitarra da clássica música do Batman – a abertura da série de 1966 – usando a hashtag #duelometal.

Uma equipe de audição, composta por Detonator, entre outros integrantes da editora, selecionarão os quatro melhores solos de guitarra. “Capullo e Snyder criaram uma atmosfera onde o heavy metal está muito bem mesclado com o universo do Batman, inserido de maneira arrebatadora e alucinante. Achamos que isso é uma ótima oportunidade para que os fãs de Batman e de HQ mostrem suas habilidades na guitarra. Estamos ansiosos para conferir as versões da música de cada participante. Divulgaremos os quatro melhores no dia 3 de julho”, diz Caroline Ribeiro, marketing da Panini Comics.

Os escolhidos terão a oportunidade de se apresentar no Manifesto Bar, tradicional na cidade de São Paulo por receber bandas de rock, dia 12 de julho. Na ocasião, os participantes duelarão entre si, para que o melhor dos quatro dispute com o “Batman do mal” – guitarrista servo fiel do Detonator. O grande escolhido ganhará pela Panini, em parceria com a Tagima, uma guitarra Tagima Rocker customizada com as artes de Noites de Trevas: Metal.

Quem quiser acompanhar o evento poderá acessar a Live no Facebook da Panini @paninicomicsbrasil, dia 12/07, em horário a ser divulgado pela editora em suas redes sociais.  

Em Noites de trevas: Metal, Batman está prestes a enfrentar uma conspiração que nunca imaginou ser possível. Uma força maligna, maior do que tudo que o herói já encarou, está se infiltrando na realidade dos humanos e nem o Morcego, nem seus aliados têm certeza do que ela é capaz. Antigos amigos e adversários parecem estar profundamente envolvidos na trama, ainda com seus papéis indefinidos, mas uma coisa é certa: ninguém passará ileso pelo mal absoluto que está chegando ao mundo! Batman e todos os heróis da Liga da Justiça serão forçados além de seus limites para enfrentar a ameaça que ninguém jamais poderia imaginar.

O primeiro HQ da saga estará disponível a partir do dia 25/06 nas principais livrarias, comic shops e bancas de todo o país, além do e-commerce www.loja.panini.com.br. No site da editora, ainda estará disponível o pacote de assinatura do produto, e os 500 primeiros a assinarem ganharão uma camiseta exclusiva de Noites de Trevas: Metal.

Serviço #duelometal

Data para postar vídeo no Instagram: de 15 a 29 de junho

Apresentação no Manifesto Bar: 12 de julho

Mais informações em:www.panini.com.br

Ficha técnica Noites de Trevas: Metal

Licenciante: DC COMICS

Formato: 17 x 26 cm

Tipo de capa: cartão metalizada

Tipo de lombada: quadrada

Miolo: couché 90

Número de páginas: 112 + 4 páginas

Valor: R$ 20,90

Novidade da Panini Comics estará disponível a partir do dia 1º de junho. (📷 Reprodução / Panini Comics)

Os fãs de mangás poderão conferir novo título lançado pela editora Panini, líder mundial no setor de colecionáveis, cards e publicações, pelo selo Planet Manga: trata-se de One Piece Green. A partir de 1º de junho, o quarto guia da série One Piece estará disponível em bancas de jornal, livrarias, comic shops de todo País e no e-commerce loja.panini.com.br.

A novidade relembra mais de 60 volumes de aventuras e mistérios separados por diversos episódios, sob a supervisão direta de Eiichiro Oda. Além disso, o Secret log apresenta ao público preciosos rascunhos que enriquecerão ainda mais a experiência dos leitores com a série. Com informações sobre personagens, histórias, desenhos, entre outras curiosidades, One Piece Green traz uma carta escrita pelo autor no aniversário de oito anos do anime.

Ficha técnica:

Tamanho: 13,7 x 20 cm

Preço: R$ 18,90

Páginas: 388

Acabamento: capa fosca com hotstamping prateado, páginas preto e branco em jornal e coloridas em couché 90; pôster fixo colorido em couché incluso

Distribuição: bancas de jornal, livrarias, comic shops e loja on-line da Panini

Periodicidade: volume único

Lançamento: 01/06/2018

Ler um clássico é desafiador. A linguagem distante somada as referências incomuns criam uma barreira entre o leitor e o livro. Frankenstein ainda contém um obstáculo extra, é a ideia preconcebida incorreta a respeito do monstro.

A cultura pop usou esse nome de todas as maneiras possíveis. Ele aparece em desenhos animados, filmes, animações – até em embalagens de cereal – e para piorar, todas as suas aparições (ou pelo menos, 99,99%) estão incorretas, diferentes, e bem diferentes, de como ele foi apresentado no livro.

A trajetória desse monstro além do livro e importância da sua autora são questões que podem ser discutidas em outro momento. Até porquê, esta edição da Darkside da qual vamos falar, contém textos de apoio excelentes, de modo que o livro acaba ficando completo por si.

Focando na história: Frankenstein é um aluno universitário naturalista. Muito influenciado pelas descobertas da época na área de energia elétrica e evolução – estamos falando da época do avô do Darwin, não confundir – Frankenstein é um produto do seu tempo. Curioso ao ponto de se tornar obsessivo. O estudante elabora pesquisas e experiências com o intuito de animar um corpo artificial.

Dedicado ao aperfeiçoamento da condição humana, o cientista consegue animar um corpo que é, em todos os fatores, superior aos humanos. Rápido, resistente e com excelente capacidade cognitiva, o monstro criado por Frankenstein é uma aberração de enorme potência.

Renegado pelo seu criador, a criatura descobre o mundo sozinha. Isolado do convívio humano graças a sua aparência monstruosa, o monstro é obrigado a viver nas sombras e absorver as qualidades humanas por um filtro de rancor e desprezo.

Leitor ávido, ele elabora delicados pensamentos filosóficos, inclusive faz análises frias sobre a sua própria condição. Amargurado contra o seu criador, o monstro torna-se um pesadelo para Frankenstein.

Estamos nas primeiras décadas de 1800, o que faz com que o texto se enquadre nos quesitos do Romantismo. Contudo, Mary Shelley procurou incorporar as descobertas recentes da ciência em seu livro. O resultado é que, possivelmente, Frankenstein esteja entre os primeiros – se não, o primeiro – livro de ficção cientifica já lançado. (dependendo dos quesitos escolhidos).

A história é intensa, sua narrativa é carregada e eu não vou fingir que seja fácil para um leitor de 2018 encarar um romance Romântico de 1818. Mas, pense comigo, um livro que sobreviveu por 200 anos (e ainda tem muito conteúdo para viver por mais 200), certamente merece a sua atenção e é um desafio válido.

Esse é o lance com os grandes romances e com os grandes clássicos. A sua leitura pode ser áspera e difícil no começo, contudo, terminar um clássico é recompensador. Você sabe que enfrentou um ótimo livro e aperfeiçoou a sua capacidade como leitor.

Essa edição contém textos de apoio e outros contos da escritora. Um material ótimo para contextualizar o leitor e ainda serve para ilustrar a importância da narrativa. As imagens e a encadernação estão muito bem feitas, o que aumenta o poder de imersão do livro.

Se você quiser descobrir as origens dessa criatura que transborda pela indústria do cinema, não deixe de ler o livro de Mary Shelley e reaprender tudo o que você pensava saber sobre o assunto.

Quadrinhos são uma maneira diferente de experienciar uma história ou conto. Com peso-pesados como Watchman, Maus e Batman O Cavaleiro das Trevas, os quadrinhos estão presentes nas nossas livrarias contendo histórias tão – ou mais – negras e violentas quanto a suas séries ou filmes preferidos.

V de Vingança é um exemplo excelente do poder narrativo dos quadrinhos. Roteirizado por Alan Moore e a arte feita por David Lloyd, o quadrinho é dono de uma história potente e sem tempo para respirar.

O grande lance dos quadrinhos é que as cenas são resumidas ao extremo. Ele está no meio do caminho entre um livro e um filme. Todas as referências de imagens que você tem estão condensadas em um quadro único, com a função de demonstrar qual é a sensação daquele momento. Os balões de diálogos ou os trechos do narrador também estão concentrados e resumidos ao extremo, ou seja, a dinâmica da história ganha velocidade.

Em V de Vingança essa vantagem dos quadrinhos foi utilizada de maneira surpreendente e o resultado é uma história que te segura da primeira até a última página.

Nota-se uma paixão presente pela história que está sendo contada, David Lloyd e Alan Moore acreditavam naquela narrativa e mais do que produzir um simples quadrinho, eles procuraram produzir um protesto.

Lançada no final dos anos 80, o quadrinho trata o leitor como um adulto que ele é.

Vamos falar da história:

Não vou acreditar que você vai pegar esse quadrinho pela primeira vez sem ter visto o filme de 2005, contudo, não pretendo discutir o filme escrito pelos irmãos Wachowski – embora seja um filme que eu goste bastante – vou procurar manter o foco no quadrinho.

Ambientado em uma Inglaterra pós-guerra nuclear. A história é narrada do ponto de vista de alguns personagens, entre eles o próprio líder político (aqui, uma diferença clara quando comparado ao filme). E claro, pelo ponto de vista do anti-herói V.

V é um personagem cheio de contradições. Seu anarquismo poético funciona como uma força motriz para as suas ações, que torna as suas cenas tão interessantes. V não quer apenas derrubar o autoritarismo, ele quer passar uma mensagem. Seus modos de agir e os seus monólogos deixam claro que, mais do que explodir prédios e derrubar poderosos, V procura destruir os ideais que colocaram os autoritários no poder. De modo que, ele busca libertar a mente da população, ante de libertar o seu corpo.

V de Vingança é uma obra sobre a política. Assim como os livros de George Orwell, o quadrinho ganha camadas a medida que o leitor se interessar pelo assunto. Isso não significa que ele não possa ser lido apenas como uma história comum. Quem estiver procurando uma história de anti-herói encontrará uma boa, quem estiver procurando um estudo político sobre o Fascismo, também ficará feliz.

Com esse personagem que ganhou notoriedade e até algumas interpretações incorretas, desenvolvido por um grupo de jovens que sentiram a mão pesada de Margaret Thatcher nos anos 80 e repleto daquele medo/receio por um futuro incerto que atinge todas as gerações. V de Vingança é uma história bem contada, veloz e que não faria mal nenhum para você, independente do seu gosto político.

Carregado de sexo, depressão e traições. O quadrinho é sufocante, pesado, opressivo. Existe um mundo deformado e angustiante, as páginas parecem a descrição de um pesadelo.

O quadrinho V de Vingança é a história crua, matéria prima sem nenhum filtro. Vale a leitura.

Já leu? Gostou? Gosta das outras obras do mesmo autor? Deixa o seu comentário.

Com mais de 70 livros lançados, Stephen King tem as suas histórias transitando por todos os níveis do entretenimento. Cinema, séries, o autor é uma presença constante na indústria e o seu nome foi um dos mais citados de 2017. Se você é fã do autor, o livro Sobre a Escrita é uma visão da sua caixa de ferramentas. Uma espiada rápida na maneira como King cria e monta suas histórias.

Divido em 3 partes, duas delas com histórias particulares e uma com dicas práticas de como abordar a sua escrita. King distanciou o livro de um manual frio. Ele não fica te dizendo o que você deve fazer ou o que você não deve fazer. Ele aponta os caminhos que funcionaram na vida dele e as maneiras que ele escolheu para utilizar certos recursos da escrita.

Obviamente, apesar do livro não ser um manual arrogante sobre como escrever, King dá seus pitacos sobre certos bons costumes do escritor. Na parte dedicada às dicas práticas, o autor aponta todas as coisas que ele acredita fazerem parte de uma boa escrita e demonstra as que fazem parte de uma escrita ruim.

Sempre direto e passando longe de todo blá blá blá sentimental que um livro assim poderia trazer. King conta suas histórias particulares e traça um paralelo entre certos acontecimentos e o resultado na sua escrita. No fim, a mensagem é uma só. Esforce-se muito e escreva aquilo que só você pode escrever, pois você tem um kit único de experiências – isso ficou um pouco autoajuda, eu sei.

Uma conversa franca do autor com o seu público. King fala para quem quer se tornar escritor ou para aqueles que gostam da escrita, esse é o público alvo principal do livro. Contudo, se você admira Stephen King e gostaria de atingir camadas mais profundas sobre as suas histórias, o Sobre a Escrita é uma ótima fonte de informações e eu tenho certeza de que o livro mudará a forma como você analisa os livros dele – e talvez, de todos os autores que você admira.

Existem problemas na versão traduzida. Como algumas dicas funcionam melhor em inglês, a adaptação para o português faz com que certos detalhes da escrita percam um pouco o pulso, principalmente na parte onde ele analisa uma história e corrige ela ao vivo. Existe também, claro, a parte em que ele fala sobre procurar editores e as formas que ele fez isso, todas um tanto ultrapassadas, mas lembre-se, ele lançou o livro em 2009.

De todo modo, Sobre a Escrita é um autorretrato honesto.  Além de ser um livro de dicas sobre como escrever melhor e quais os caminhos para chegar até lá. Com alguns puxões de orelha e muitos insights, King presenteou seus fãs com uma biografia interessante e um bom companheiro para os leitores do autor.

E por fim, o ele termina com duas listas de indicações de livros, desafio você a checkar todos eles.

Gosta do Stephen King? Já leu esse livro? Deixa o seu comentário e vamos conversar. É sempre bom poder ouvir o que você tem a dizer.

Lançado em 1984, Neuromancer de William Gibson é um ponto de transição na ficção cientifica. Vencedor dos prêmios Hugo Award, Nebula Award e Philip K. Dick Award – a tríplice coroa da ficção científica. Livro classificado entre os 100 grandes romances de língua inglesa, pela revista Time. Neuromancer coleciona motivos para que você enfrente as suas páginas.

Ilustrações cyberpunk de Josan Gonzalez

E não pense que eu estou utilizando palavras atoa. O verbo é realmente enfrentar. Com cenários alucinantes e cenas de ação inacreditavelmente velozes. O livro é um soco na cara, seguido de um banho de água gelada e finalizado com um empurrão do precipício.

Imagine que você está em um avião. Quando, sem nenhum aviso, o autor chega, abre a porta, joga você lá de cima e depois joga uma mochila onde pode conter, ou não, um paraquedas. Essa é a sensação de ler Neuromancer. O autor segue engatilhando cena após cena sem se dar ao trabalho de fazer muitas explicações.

O mundo Cyberpunk é uma versão deteriorada dos nosso. É como se os episódios mais sombrios de Blackmirror tivessem se tornado verdade, todos ao mesmo tempo. Os personagens sobrevivem a base do uso indiscriminado de drogas. Seus corpos são transformados por implantes, garras, mutilações. Poderes mentais, inteligências artificiais, golpes de estado. William Gibson pegou todos os assuntos e fez deles o pano de fundo para um livro que vai testar o fôlego de qualquer leitor. Muitas vezes eu me vi obrigado a falar “calma, ok! Uau, caraca isso foi, isso foi, uau”.

Ilustrações cyberpunk de Josan Gonzalez

Temperado com questionamentos filosóficos, o livro é atual. Ele fala dos nossos problemas de hoje, das questões que enfrentamos hoje. Trata da inteligência artificial. Fala do poder quase inigualável das corporações e da sua maneira de atuar na vida dos seres humanos.

Questões que são seguidas por cenas de ação bem desenvolvidas e que passam longe de qualquer clichê. Gibson criou um cenário e estabeleceu um novo patamar para a ficção cientifica. Seu nome está entre os mais respeitados do cenário e o seu livro é um golpe na boca do estômago. Todo leitor que afirma gostar do gênero precisa aguentar esse livro.

Parte de uma trilogia chamada Spraw – contudo, o livro basta-se por si – a história de Neuromancer está focada em um cowboy, uma espécie de Hacker. Sua atividade acontece na Matrix. Ela é como a nossa internet, a diferença é que o cowboy insere a sua consciência na Matrix através de um dispositivo chamado deck, e assim, interage com os sites de maneira física. Ou física simulada, uma vez que o corpo do cowboy estará plugado e dormindo.

Usei a palavra site pois ela é familiar a você, no livro, o autor não determinou o nome das entidades que interagem com o cowboy na Matrix, na verdade, cada uma delas tem um nome próprio e características próprias. Enfim, é confuso, eu sei. Mas, vai valer a pena. Eu prometo!

Em uma edição muito amigável, com boas notas e um texto introdutório que ajuda a desvendar esse complexo mudo do Cyberpunk. Neuromancer está vivo (e bem vivo) após 20 anos do seu lançamento. O livro vai agradar aos fãs de ação, aos fãs de ficção cientifica e aos fãs de filosofia moderna. Na real! Vai agradar a qualquer leitor que goste de boas histórias.

Já leu o livro? Conhece a trilogia? Deixa o seu comentário na postagem e vamos conversar sobre o assunto.

Ilustrações cyberpunk de Josan Gonzalez

Lançado no Brasil em 2015, Joyland é um livro de suspense com toques de terror. Os personagens atuam como investigadores e a tensão é gradativa. Distante do horror de um Louca Obsessão ou das cenas frenéticas de um Novembro de 63, nesse livro, King trabalhou mais os aspectos psicológicos do seu personagem principal. Contudo, ainda é um livro de suspense e ainda é um livro do Stephen King.

A história se passa em um parque de diversões sazonal e na cidadezinha ao redor desse parque. Fonte de trabalho para jovens em período de férias, o parque tem o seu auge durante o verão, quando diversos adolescentes são atraídos pela grana extra.

David Jones é um desses jovens que foi contratado para trabalhar apenas pelo período de férias. Angustiado pela perda de um relacionamento recente, Jones usa o parque como válvula de escape para as suas frustrações.

Contudo, ao ser inserido na vida da comunidade ao redor do parque e receber elogios vindos do dono do lugar, Jones acaba criando um sentimento de pertencimento que faz com que ele fique apegado ao local. Assim, resolve ficar trabalhando pelo resto do ano, ou até que consiga decidir o que fazer da vida.

Stephen King é um autor que sabe transformar as questões comuns do cotidiano em matéria prima para personagens honestos e cheios de contradições. Jones é um pedacinho de cada um de nós, aquele pedacinho que sabe que algumas porradas da vida são doloridas para caramba.

Passando longe dos clichês e concentrado em uma boa trama, o autor desenvolveu bem os personagens secundários, de modo a inserir Jones e um mundo estranhamente familiar.

O cotidiano descrito pelo autor é muito palpável, é possível acreditar que a rotina de um parque seja daquela maneira – e o autor pede desculpas, caso ele tenha escrito alguma bobagem. A narrativa é contada com tanta confiança, que você cria um vínculo com aqueles personagens e suas tarefas. Você vira um colega de trabalho ali no parque de diversões. É o poder de um bom livro, fazer você testemunhar coisas incríveis apenas com as palavras.

A trama é direcionada em 2 caminhos. Em primeiro plano estão um assassinato e a busca, ou as lendas envolvendo, o assassino. Em segundo plano está o folclore em volta do fantasma da vítima. Os alicerces dessa trama são as dores da perda e a negação – presente no personagem principal e em uma personagem secundária.

King pega aqueles sentimentos que nós aprendemos a soterrar aos 17 anos e expõe tudo no papel. Cria diálogos francos sobre perder um namoro adolescente, fala claramente sobre a morte de uma pessoa querida e diz, sem passar a mão na cabeça, que está tudo bem, e que é normal sentir-se frustrado sobre os caminhos que a vida toma.

Se durante o livro King segurou todas as tensões e foi distribuindo elas gradativamente. O final é um Thriller de ação. O autor deixou todas as cenas potentes e dinâmicas para os momentos derradeiros da história. Prepare-se para chegar nos últimos capítulos e esquecer de comer, de conversar ou de responder o celular.

Um livro curto, com uma tradução bem agradável e leve – tanto em conteúdo, quanto fisicamente haha, fácil de levar daqui para lá e de lá para cá – Joyland é uma ótima escolha para todos aqueles que quiserem desligar as telinhas por 5 minutos.

Curtiu o livro? Gosta do autor? Deixa um comentário, Stephen King é sempre uma ótima fonte de discussões.

No Brasil, Neil Gaiman ainda não atingiu o patamar de reconhecimento que outros escritores como George R. R. Martin ou Stephen King atingiram. Mesmo com o sucesso do seu Sandman e do relativo sucesso atingido pelo livro Deuses Americanos, o autor ainda encontra obstáculos para atingir o grande público.

Nada que seja um problema maior, é só curioso observar como alguns bons escritores acabam encontrando dificuldade e perdem feito para as pataquadas escritas por Youtubers, que vendem igual água no Carnaval. Então estou pedindo a sua ajuda fã de Stephen King, George Martin e Tolkien. Na próxima vez que você for a uma livraria, procure um livro do Neil Gaiman. Depois me escreva o que você achou do livro.

Mitologia Nórdica é o recorte que Gaiman fez sobre os mitos que povoaram e influenciaram a vida dos povos Escandinavos e Germânicos.

Sem se deixar contaminar por um viés Hollywoodiano, o livro apresenta os deuses e as criaturas nuas. Expondo seus defeitos, suas falhas e os seus traços, quase, humanos.

Com uma abordagem leve e dividido em contos. O livro trata dos acontecimentos e lendas de maneira quase, eu disse quase, didática. A leitura é bem leve e, fazendo alguns ajustes, é possível que o livro seja lido por crianças de qualquer idade. Veja bem, um livro com linguagem infantil está longe de ser um livro para crianças. Vale lembrar que o imortal O Hobbit é um livro feito para o público infantil, mesmo assim a profundidade da sua narrativa encanta adultos até os dias de hoje – assim como tudo feito por Tolkien.

  • Deixa eu entender, então você está comparando Mitologia Nórdica com Tolkien??!! Eu começo a escrever um textão agora eu espero mais um pouco?!!

Só espera um pouco. Lógico que o Neil Gaiman não é um Tolkien e o seu Mitologia Nórdica não é um Hobbit mas, por trás das histórias mais simples e dos enredos mais singelos, o livro possuí mensagens profundas. Também preciso acrescentar um fato: nem sempre a história tem traços infantis, a parte em que o deus Loki é amarrado com as entranhas do próprio filho é um bom exemplo disso.

Mitologia Nórdica é um livro que mostra o retrato de um povo complexo e de uma terra distante. Para um brasileiro, poder contemplar esse mundo de invernos rigorosos e verões de dias sem fim é um privilégio. Gaiman foi respeitoso ao lidar com as lendas e a sua abordagem abre muito espaço para pesquisas.

Existe sangue, existe violência e existe sexo, mas, todos esses acontecimentos estão no plano de fundo. Utilizados apenas para demonstrar certas características daqueles deuses.

Se a sua única abordagem sobre Thor e Loki é de que eles são irmãos e trabalham para um cara de sobretudo e tapa-olho. Bem, você pode expandir um pouco o seu conhecimento e descobrir que eles são sobrinho e tio (mas se serve de consolo, o chefe deles ainda usa um tapa-olho).

Com uma encadernação bonita e um preço – até o momento dessa publicação – bem abaixo da média dos livros. Mitologia Nórdica é uma leitura leve, que serve muito bem para acompanhar as suas outras leituras, já que ele está dividido em pequenos contos e caso você se perca em algum momento, o livro tem um glossário no final explicando quem é quem desse universo místico de Asgard.

Continuação do livro Condenada, escrito pelo autor de O Clube da Luta, Maldita é o segundo livro que conta a história de Madison, a garota pré-adolescente que morreu e foi parar no inferno.

Elaborado de uma maneira diferente do primeiro, o livro percorre caminhos diversos na vida da personagem principal. Muito mais centrado em Madison, Maldita conta detalhes da vida dela e reproduz cenas do passado.

Com a mesma carga ácida e algumas das mesmas piadas, Maldita é um livro que flerta constantemente com o nonsense. O autor se livrou de todas as amarras – se é que ele tinha alguma – e traçou a sua história sem qualquer tentativa de obedecer a uma estrutura convencional. O livro não tem plot twists ou deus ex machina, ele é formado por isso.

Com cenas absurdas sobre cenas absurdas, a narrativa ganha peso e fica até indigesta em alguns momentos. Mas fique firme, mesmo que o livro pareça ridiculamente escatológico e – um tanto – apelativo, valerá continuar a sua leitura.

Condenada e Maldita são os dois livros de uma possível série que o autor está preparando. Apelidada de “A Divina Comédia de Chuck Palahniuk”, os livros fazem com que os leitores se sintam desconfortáveis e em alguns momentos francamente ofendidos.

Carregado de crítica social e apontando o dedo para as bizarrices do nosso cotidiano, Chuck utiliza a sua Madison para expor como somos patéticos e como é fácil fazer com que fiquemos na defensiva. E o livro faz isso mesmo, quando você menos esperar, estará reclamando – Puts Chuck, que cena absurda e idiota, que diálogo babaca, que humanos mais imbecis… que… puts! e nesse momento você cai na real, se o livro te ofendeu, é porque, talvez, ele esteja te criticando também.

Um pouco mais adulto que o anterior, Maldita é a continuação que a primeira história merecia. Com um final que vai fazer muitos leitores quererem pular da sacada, o livro é um teatro do absurdo. Madison habita um mundo deformado pelo sexo, drogas, violência, cultos religiosos e cineastas egocêntricos. Ou seja, Madison está presa no nosso mundo.

A história conta ainda com algumas descobertas ou amarra algumas pontas  que ficaram soltas no primeiro livro, mas não espere por muito. Longe de querer criar uma histórinha bem estruturadinha e personagens factíveis. O autor deu preferência para o bizarro e amarrou as suas pontas com doses e mais doses de humor debochado.

Leia o Maldita, porque, se o seu estômago aguentou o Condenada, não tem razão para parar por aqui.

O que achou o livro? Curtiu? Está pensando em comprar? Deixa o seu comentário e vamos falar sobre livros.

(a imagem não faz parte do projeto editorial do livro)

Condenada é o livro de 2013, lançado pela editora Leya e escrito por Chuch Palahniuk – mesmo autor do livro Clube da Luta que deu origem ao filme.

O livro faz parte de uma sequência, Condenada e Maldita (ambos pela Leya), e conta a história de uma pré-adolescente que morreu e foi parar no inferno.

Madison, por ser filha de milionários astros do cinema, acaba tendo uma vida incomum e está habituada a não manter raízes e nem possuir amigos. Ela morre em um colégio interno na Suíça e vai parar no inferno. Lá encontra um grupo de companheiros com as características típicas do filme O Clube dos Cinco (o autor faz referências ao filme).

Um punk, um esportista, uma líder de torcida e um nerd passam a ser os companheiros de Madison em um mundo habitado por demônios gigantescos. Tormentos infinitos – personagens que são devorados até os ossos só para depois se recomporem e serem devorados novamente – um mar de esperma, rios de suor. Enfim, o inferno é escatológico e completo.

O grande lance na narrativa de Chuck é transformar as coisas cotidianas em ferramentas de crítica social aguda. Com um humor negro – diria, com um humor absurdamente sem pudores – o autor apela para os sentidos de modo a criar um ambiente opressor.

Madison é uma personagem muito consciente de si. Ela procura analisar seus passos e o seu passado. Presa no inferno, a menina revisita diversos momentos da sua vida enquanto desvenda alguns acontecimentos. Existe aquela sensação de que Madison não sabe realmente por qual motivo foi parar no inferno e o livro vai desvendando esse mistério.

Mas Condenada não é somente um livro sobre autodescoberta da personagem principal. Ele também trata de alguns temas sociais importantes e faz piadas – muitas vezes escatológicas – sobre muitos problemas. O autor, que é conhecido por ser corrosivo como Diabo Verde, cria situações frenéticas para demonstrar como algumas das nossas certezas são ridículas. Assim como no Clube da Luta, Chuck usa suas páginas e a sua narrativa sem pudor para questionar certas verdades da sociedade.

Uma que vale mencionar: o autor diz que os vivos são muito arrogantes em relação aos mortos. Vejamos se eu consigo explicar: para o autor, sempre que você testemunha um acidente pela televisão, automaticamente, você acredita que a vítima morreu por que cometeu um erro. Acidente de carro com vítima fatal? Correu muito. O cara morreu de bicicleta? Correu pouco. Troca de tiros? Não prestava.

Pelo fato de você estar vivo, automaticamente, considera todos aqueles que morreram como estúpidos. É quase como uma arrogância automática dos vivos. Qual é a sacada? Que um dia você vai morrer, por motivos estúpidos ou não, você vai morrer. E aí? Portanto o autor chama os vivos de pré-mortos.

Com insights bacanas e uma narrativa bem fluída – aqui fica o mérito para os tradutores – Condenada é um livro interessante e fácil de terminar. Algumas piadas e cenas escatológicas podem incomodar à princípio. Mas tente ter em mente que o autor não procurou fazer um “American Pie”, ele na verdade usou a narrativa debochada para atingir o público, chamar a sua atenção.

Já leu, gostou do livro? Conhece o autor? Deixa um comentário na postagem.

Os autores adoram distopias. Existe uma infinidade de livros que tratam sobre o tema o fim dos tempos como o conhecemos. Muitos destes livros foram lançados em períodos de pré-guerra, durante uma guerra ou na iminência de uma guerra. E não é para menos, é comum as pessoas mais sensíveis procurarem entender o mundo em transformação através da criação de um outro mundo fictício. E por qual motivo eu estou falando isso?

Estou dizendo isso, pois, ao contrário do que você possa pensar, o livro Os Pássaros, escrito por Frank Baker em 1936 e lançando no Brasil pela Darkside em 2016 (que janelinha hein) não conta a história do filme do Hitchcock. Deixa eu repetir bem lentamente, o filme “Os Pássaros” do Alfred Hitchcock não tem a mesma história do livro. Independente de que a capa do próprio livro diga sobre o assunto. Agora, isso significa  que o livro seja ruim? Nem um pouco.

Ambientado em uma Inglaterra pós-apocalíptica, o livro conta a história dos dias finais da sociedade como a conhecemos através do ponto de vista de um personagem idoso que viveu os últimos momentos dessa sociedade.

Vivendo em um mundo turbulento e ameaçado por guerras, os cidadãos das grandes capitais do mundo recebem a visita de pássaros misteriosos que parecem dotados de uma missão própria. A dramaticidade da situação evolui de maneira bem gradativa e as cenas de ação são intercaladas por monólogos e análises filosóficas particulares do personagem.

Abordando os mais diversos temas e colocando o dedo na ferida de muitos assuntos, o livro faz um panorama geral da insegurança e da incerteza que estavam presentes no inicio do século XX. Lançado naquele período entre guerras, o livro é um recorte das angústias que viviam os moradores dos grandes centros urbanos.

Apesar de ser um livro reflexivo e temperado com críticas, o livro é uma história de suspense com toques de terror. Os pássaros invadem o cotidiano com um desprezo visível por tudo aquilo que os humanos prezam. Defecam nas estátuas de grandes líderes. Debocham das lideranças religiosas. E tornam a vida dos cidadãos insuportável. A força do livro está na sensação de claustrofobia que essas criaturas causam aos humanos. O personagem chega a se sentir como um rato que é perseguido por um falcão.

A edição é muito bem feita. Claro que existe um certo apelo feito ao filme do Alfred, mas não se engane. Os temas tratados no livro passam longe do filme de suspense.

Um livro muito interessante e uma história de distopia que foge do comum. É um daqueles livros que deixam muitas perguntas sem resposta e fazem o leitor decidir por si o que poderia ter acontecido ou não.

Repleto de cenas angustiantes, o livro será uma alternativa para todos aqueles que adoram Stephen King mas gostariam de tentar algo novo. Além de possuir insights filosóficos para os que gostam de marcar o livro e refletir sobre a história. Vale a leitura.

Se você já leu, quer ler ou apenas tem algo para compartilhar sobre o assunto, comenta aí na publicação e bora falar sobre livros.

 

Eu demoro horas escolhendo um livro. Não importa o assunto às opções transbordam pela internet. Para facilitar a sua vida, vou te passar 5 livros para aprender Cinema

Importante dizer, apenas ler não é garantia de sucesso, é preciso utilizar o conhecimento; sendo assim eu vou te indicar 5 tarefas para concluir junto com cada livro, pense nelas como 5 etapas que você precisa superar antes de começar o próximo livro. Quero deixar claro, essa lista não é para preguiçosos, você vai precisar ralar um pouquinho.

Resolvi deixar de fora os livros sem tradução para o Português, livros com a palavra práxis no título, livros focados somente nos filmes da Nouvelle vague. O objetivo é falar em bom português e de forma acessível sem perder a qualidade.

Joia, without further ado, aqui vão 5 livros para aprender Cinema (e como usá-los)

Robert Mckee – Story. Substância, Estrutura, Estilo e os Princípios da Escrita de Roteiro

Tudo começa pelo roteiro, ele é quem vai ditar as regras do filme. É sobre o roteiro que os Diretores vão trabalhar, um filme tecnicamente ruim pode ser salvo por um roteiro interessante, já o contrário…

Mckee explora a mecânica envolvida na criação da história, como estruturar as cenas, como pesar a carga emocional das personagens, qual o melhor modo de apresentar um diálogo. Longe dos assuntos técnicos, ele não ensina como preencher um cabeçalho, qual é a fonte correta, nada disso. Mckee esmiúça as ferramentas necessárias para construir uma história.

 Tarefa

Elabore uma lista com 5 conceitos aprendidos no livro e use eles para analisar qualquer cena de uma Série que você esteja acompanhando. Encaixou? Fez sentido? Depois de fazer isso algumas vezes você vai acabar viciando. E o melhor, entendendo a mecânica das cenas você vai compreender, e quem sabe, analisar melhor os filmes taxados de “paradões”.

Conversas com Scorsese – Richard Schickel

Scorsese é apaixonado por filmes e um grande Diretor, suas obras atingem diversos públicos e o seu nome é unanimidade entre os amantes do Cinema. O autor Richard Schickel é teórico do Cinema e amigo do Scorsese, nesta conversa eles e analisam o reflexo que a vida imprime nos filmes do Diretor e exploram como ele resolveu diversos problemas no set de filmagem.

Tarefa

Ter uma aula de Cinema com o Scorsese é privilégio dos maiores. Intercale os filmes do Diretor com a sua leitura, procure assistir aos mais antigos, tente traçar um paralelo entre o que está na tela e o que ele diz sobre aquele filme. Observe como um grande Diretor transforma problemas particulares em material vivo para o Cinema.

Conversas Com Kubrick – Michel Ciment

Talvez este seja o livro mais trabalhoso da lista, de todo modo, se você está aqui é porque não vai desistir na metade. Kubrick foi um gênio, simples assim. Você pode aceitar essa afirmação de cabeça baixa ou pode mergulhar no universo deste folclórico Diretor. Além da biografia, o livro contém entrevistas, matérias e análises feitas por profissionais que trabalharam para ele.

Tarefa

Assista aos filmes do Kubrick. Vou te propor começar pelo filme de 1957 “Glória Feita de Sangue” e caminhar até 1999 com o filme “De Olhos Bem Fechados”, a tarefa é a mesma, compare a crítica com o resultado na tela. Digerir Kubrick é aprender em uma única pílula Roteiro, Fotografia, Direção de Arte; aprender Kubrick é aprender Cinema.

História do Cinema: dos clássicos mudos ao Cinema moderno – Mark Cousins

Parabéns, não tem volta, esteja pronto para notar a diegése, analisar a mise-en-scène e jamais deixar de comentar as nuances da semiótica. Leitura fácil, Cousins aborda os mais diversos filmes, fala com entusiasmo das obras Africanas impossíveis de encontrar e dos filmes que você já assistiu diversas vezes. Passeio pela história do Cinema, fonte de muitas referências e leitura sem fim, cada visita é uma descoberta.

Tarefa

Você conhece o livro 1.000 Filmes para ver antes de morrer, faça o mesmo com este livro, só é preciso uma adaptação. Muitos filmes citados são impossíveis de encontrar, mesmo assim, você pode substitui-los por outros do mesmo país. Cousins cita um filme indiano de 1940, encontre filmes da mesma região lançados na mesma época, aproxime o máximo que puder. Vou te propor 5 filmes para cada continente. Combina uma coisa comigo, chega de preconceito, não adianta focar nos filmes conhecidos; é o momento de cavar fundo atrás do seu filme Iraniano preferido.

A Linguagem do Cinema– Robert Edgar-hunt

Para fecharmos os 5 livros para aprender Cinema (e como usá-los) vamos terminar com um manual

Aqui os autores explicam conceitos técnicos, sobretudo na Direção de Arte. Os exemplos são ilustrados com filmes acessíveis e o resultado é um manual de fácil absorção. Livrinho joia para fixar os conceitos, alguns dirão – ei, esse livro deveria vir em primeiro lugar – discordo, Cinema, como toda Arte, é para ser sentido antes de ser racionalizado.

Tarefa

Se você chegou até aqui é porque não precisa mais da minha ajuda. Depois de estudar Roteiro, analisar o Scorsese, conhecer a obra do Kubrick e dar espaço para os filmes estrangeiros desconhecidos; você não precisa mais de muitos conselhos sobre Cinema. Só nos resta bater um bom papo, a sua última tarefa é comentar o que você achou dessa experiência e dividir os seus 5 livros para aprender Cinema (e como usá-los).

É isso, dê suas dicas, comente, discuta, concorde e bons filmes.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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