Categoria: Recomendações

(📷GKIDSFilms)
Animação dirigida por Pedro Rivero e Alberto Vázquez (2015), voltada para adultos, trata de temas densos como a rejeição, a solidão e a morte. Todos esses aspectos são mostrados de forma crua, onde personagens são incitados ao ódio a todo momento, muitas vezes mortos pela ignorância e inocência alheia.
Três crianças decidem fugir da ilha pós-apocalyptica em que vivem buscando uma vida melhor, tanto em relação ao ambiente físico quanto à saúde emocional, mas durante o caminho se deparam com muitos imprevistos, encontrando pessoas dispostas a estragar todos seus planos.

Uma das crianças possui uma estranha conexão com uma criatura que vive em determinado local da ilha, onde ninguém frequenta por pensarem ser amaldiçoada. Essa criatura teria o bom e o ruim dentro de si, controlando-os por meio de remédios, mas não eram todos que sabiam dessa condição. Ao invés de tentarem compreendê-la, caçavam-a, do mesmo modo como fizeram com seu pai, o qual faleceu brutalmente.
A história das crianças se encontra com a da criatura, e todas as experiências que cada um deles obteve ao longo de suas jornadas pessoais irá fazer com que se encaminhe o desfecho de suas vidas, positiva ou negativamente.

Assista ao trailer:

Querendo ou não, vivemos em uma sociedade extremamente machista e racista. E apesar da gradativa mudança que o mundo vem passando, ainda existem muitas pessoas de mente fechada. Mas definitivamente Spike Lee não é uma delas. Há 30 anos atrás nos trazia o movimento feminista com ideia da mulher livre, sem pudor, dona e heroína de si mesma. Principalmente em uma das suas melhores obras: “Ela Quer Tudo” (1986).

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(NETFLIX / DIVULGAÇÃO)

A série foi inspirada no filme, obviamente, mas tem sua própria aura e alma adaptada para o mundo moderno. Ela traz diversos temas claramente sérios e presentes na sociedade atual. Spike tem uma forma única e linda de contar suas histórias, que são muito ricas em detalhes e com uma figura analítica brilhante sobre o negro e sua vida com a discriminação pelo racismo estrutural e social imposto. A netflix deu total liberdade criativa para Spike brincar com a série, trazendo uma magnifica trilha sonora e uma fotografia linda e viva que retrata no ponto correto a cidade de Nova Iorque. Tudo deu muito certo, e a experiencia de acompanhar a vida da protagonista em 10 episódios é revigorante.

A série acompanha a história de Nora Darling (DeWanda Wise), uma jovem mulher negra, artista e retratista do Brooklyn. Ela não só desafia os padrões da sociedade, como também os quebra. Dona de si mesma, do inicio ao fim, não permite que nada ou ninguém mande em sua vida, representando a imagem da mulher que todas olham e desejam ser. Ela mantém relações sexuais com três homens, em um romance poliamor. Cada um com características distintas e que, no contexto total, se completam no homem perfeito para ela. Jamie Overstreet (Lyriq Bent) é o mais velho, rico, sutilmente galante e eloquente. Uma pessoa bem protetora e educada. Greer Childs (Cleo Anthony) é atraente, ousado e vaidoso, com seu jeito francês galanteador, mas muito arrogante e egoísta. Típica síndrome de auto endeusamento. O outro é Mars Blackmon (Anthony Ramos), o mais jovem e engraçado, com um jeito único que ele não tem vergonha de mostrar. Apesar de muitas vezes agir sem pensar, é atencioso e preocupado com Nola, mesmo sendo o mais imaturo dos três.

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Da direita pra esquerda: Greer, Nola, Jamie e Mars. (NETFLIX/DIVULGAÇÃO)

A série peca por nos aprofundar em personagens e narrativas paralelas que parecem ter uma importância maior, mas que depois são simplesmente descartados. Nola é uma cinéfila de plantão, o que faz com que referências e easter eggs não faltem. Também ela usa isso muitas vezes para expresar-se na trama. Além da clara importância da trilha sonora para o bom desenvolvimento da história, que deixa tudo mais interessante, ainda é possível ver as capas dos discos das músicas tocadas.

Spike nos bota de frente a um “documentário” da vida sexual de Nola Darling, quebrando a quarta parede ao colocá-la conversando com o telespectador em divertidos e impressionantes monólogos. Mas sem spoilers, é uma série que vale a pena ser assistida. Com boas atuações, principalmente por DeWanda Wise que ficou magnifica no papel de Nola, consegue nos passar os melhores e piores sentimentos. Tendo em vista a representação da mulher que está em busca de ser e fazer o que deseja, em privado ou em sociedade, concluimos a cada segundo que Nola é uma mulher sensacional e poderosa. Créditos também para a divertida e rica atuação de Anthony Ramos, que rouba as atenções quando esta em cena. Com sua interpretação divertida e jeito descontraído, deixa tudo bem mais dinâmico e interessante.

“Ela quer tudo” pode não ser a melhor série que trata dos assuntos nela propostos. E apesar de exageros e erros em suas narrações, ela tem seu brilho. E faz, sim, um bom trabalho, te prendendo e entretendo do início ao fim. E consegue tratar de assuntos importantes e complexos, de forma divertida e envolvente.

Confira uma das muitas boas músicas tocadas na série:

A cerimônia contou com a presença de atores e diretores de diversos longas que serão exibidos no festival

Nesta quinta feira, 07 de junho, foi a abertura oficial do Festival Varilux de Cinema Francês no Cine Odeon, no Rio de Janeiro. A cerimônia foi apresentada pelos atores Gregório Duvivier e Camila Pitanga que com muita simpatia e bom humor, levaram o público a conhecer mais sobre o festival, seus filmes e toda a equipe e parceiros que fizeram o projeto ganhar vida. Além da cerimônia de abertura, também foi exibido o filme Carnívoras, dirigido pelos irmãos Jérémie e Yannick Renier.

Diversos convidados especias envolvidos nas 26 produções que estrearam no festival estavam presentes. O ator e diretor Jérémie Renier (O Amante Duplo), o diretor Yannick Renier e a atriz Zita Hanrot (Carnívoras); o diretor Fabien Gorgeart e a atriz Clotilde Hesme (O Poder de Diane); diretor Nabil Ayouch e a atriz e roteirista Maryam Touzani (Primavera em Casablanca); o ator Finnegan Oldfield (Marvin) estavam presentes na cerimônia.

A importância de se dar mais atenção a cultura cinematográfica no país foi um dos grandes pontos altos da noite, e é bem claro que o objetivo do festival é criar uma aliança cultural franco-brasileira.

Durante todo o evento serão ministrados workshops, debates, e espaços para a escolha de projetos colaborativos entre os dois países. O festival visa a disseminação do cinema, principalmente das produções independentes e uma maior assimilação da cultura francesa no Brasil.

O Festival Varilux de Cinema Francês vai até o dia 20 de junho em todo o Brasil. Ao todo serão quase seis mil exibições em 88 cidades do país, somando 117 cinemas envolvidos. A programação pode ser conferida no site do festival. http://variluxcinefrances.com/2018/

Nise da Silveira foi uma psiquiatra que através de metódos humanitários conseguiu resgatar um pouco da dignidade de alguns pacientes (clientes como ela preferia chamar) em um hospital do Rio de Janeiro na década de 50.
Este é o ponto de partida do longa metragem interpretado por Glória Pires e com a direção de Roberto Berliner, Nise – O coração da loucura.


O grande acerto no roteiro é não fazer uma biografia da Dra. Nise. Ele foca num momento da vida no qual ela voltava de alguns anos de afastamento para enfrentar todos os doutores do hospital e seus métodos violentos. Acerta em focar na força que ela teve de encarar e peitar o machismo da época (e que infelizmente ainda existe) e jamais abaixar a cabeça enquanto estava dentro do hospital. Se tivesse que desabar, o fazia em casa. A interpretação da Glória Pires é excelente! O elenco de apoio também está muito bem, afinal interpretar pessoas com problemas mentais não é tarefa fácil, ou você acerta ou vira piada.
Um ponto de evolução no cinema nacional é quanto a cinematografia. Este filme tem pouquíssimos cenários (hospital, casa da Dra Nise, um parque arborizado) e ainda assim não fica monótono, ponto para a direção de fotografia que explora todos os cantos desses poucos cenários em múltiplos ângulos.


Talvez um erro ou recurso preguiçoso na narrativa fica por conta do personagem Lima, enfermeiro que demonstra resistência com a chegada de Nise e seus comandos, que no início parecia um vilão incorrigível e no meio do filme se transforma sem muita explicação. Nada que estrague o desenvolvimento.
Este pode ser considerado um filme atemporal por dois motivos: não evoluímos em nada quando falamos de tratamentos psiquiátricos, principalmente no trato humano, o preconceito é declarado. E o machismo continua imperando.


Portanto peguem o exemplo de Nise da Silveira, e você mulher, independente da profissão que exerça ou do cargo que ocupe, jamais abaixe a cabeça ou submeta-se a humilhações. Lute e acredite em você.
Mais uma vez o cinema entrega mais do que um filme, entrega um ótimo material de conscientização.

Sabe aqueles filmes nacionais que vivem à margem do circuito comercial e são excelentes? Então, tenho mais um que preciso acrescentar na lista: O Último Cine Drive-in.
A direção é do Iberê Carvalho, sendo este seu primeiro filme. O longa é uma grande homenagem aos drive-ins, (estabelecimentos que exibiam filmes e tinham como teto as estrelas e que infelizmente não conheci nenhum), além das homenagens aos grandes clássicos do cinema. Homenagens estas sempre discretas, seja num pôster na parede ou uma cena projetada na tela. Também existe a crítica ao cinema blockbuster/artifical de shopping que engoliu os cinemas de rua.
Acrescente a isso uma tentativa quase remota de reconstruir uma família machucada por traumas do passado e um grave problema no presente.
O longa tem como cenário a capital do país. A fotografia do filme é belíssima e usa muito bem o céu de Brasília ensolarado para conseguir imagens que parecem pinturas (Terrence Malick ficaria com inveja), além dos enquadramentos que ora te dão a sensação de ser tão pequeno perante a cidade e ora fecha nos close-ups bem íntimos. Este filme pode ser considerado uma fábula moderna pois tem uma positividade intrínseca que te prende. Mas antes de chegar nisso passamos por cenas muito engraçadas indo em encontro a outras que cortam o coração.
Othon Bastos interpreta Almeida, o dono do drive in. Breno Nina vive Marlonbrando (isso mesmo!) e Rita Assemany dá vida a Fátima, mãe do “Brandinho“. O elenco de apoio também manda muito bem.
Portanto, assista esta magnífica e emocionante “aventura” o mais rápido possível. O filme abre com uma cena muito forte e triste, e encerra com outra que é humanamente impossível não chorar.
É o cinema brasileiro provando aos brasileiros que consegue ser muito mais do que comédias globais.

O Cinema brasileiro passa por constante ressignificação. Já foi alvo de críticas por sua “nudez excessiva”, ou sua “mania de falar apenas da favela”. Todas essas críticas injustas e até preconceituosas. Hoje, para o olhar desatento, ele se divide entre Cinema de Arte e comédias besteirol. E qual é a grande questão em relação ao documentário Todos os Paulos do Mundo? É que, através da vida de Paulo José, ator com 60 anos de carreira, é possível criar uma narrativa sobre o cinema e a televisão brasileira e assim desenvolver um vinculo, uma autorreflexão, sobre o conteúdo, analisando o que significam e quem são as produções nacionais.

Paulo atuou em peças, novelas e lógico no Cinema. Entre as suas obras mais conhecidas – para as novas gerações – está o filme O Palhaço (com Selton Mello). Em Todos os Paulos do Mundo é possível acompanhar como o ator preparava as suas atuações e incorporava o seu personagem. 📷 Vitrine Filmes / Divulgação

Além disso, o filme transita por toda a evolução das produções nacionais, apresentando as suas transformações e reformulações. Pelos olhos e pela voz de Paulo, pode-se acompanhar o caminho que o cinema nacional percorreu até chegar aos aclamados filmes de hoje. Se algum dia o Brasil ganhar um Oscar – indiscutivelmente um prêmio de grande visibilidade – documentários como esse serão fundamentais para as gerações futuras aprenderem de onde vinheram e para onde irão.

O documentário é narrado por grandes nomes do Cinema e da Televisão – Fernanda Montenegro, Selton Mello, Matheus Nachtergaele – o texto foi escrito pelo próprio ator e as cenas foram retiradas de diversas produções e programas em que ele participou.

O ritmo do filme é lento e os textos apresentados possuem um carácter mais reflexivo do que narrativo, o resultado é um filme que possa não agradar a todos os públicos.

Uma dica: faça um esforço. Conhecer o Cinema brasileiro é mergulhar na identidade de um povo do qual você faz parte. Não adianta o espectador assistir a todos os filmes estrangeiros, ouvir as musicas gringas e consumir apenas mídia importada. Você ainda é brasileiro e conhecer as produções locais faz parte do processo de autorreconhecimento como um povo. 📷 Vitrine Filmes / Divulgação

O filosofia apresentada no texto está polida de toda autoindulgência, não se trata de reflexões vazias sobre temas sem sentido. O filme busca uma verdadeira conexão com o espectador, apresenta o ator sem vernizes, sem sobras ou contos ficcionais.

Paulo José interpreta o último personagem da sua vida, a si mesmo. E nas palavras do ator “interpretar é fácil, a vida real é que é difícil . Um pouco sobre quem somos.”

Filme obrigatório para todos àqueles que se dizem cinéfilos e para todos os outros que apoiam o Cinema nacional. Peça fundamental no processo de criação desse Brasil, e por que não, uma ferramenta para entender, não apenas o momento cultural, como também o social e o politico brasileiro. Filme denso, e como tal, cheio de ótimas lições e reflexões.

Todos os Paulos do Mundo, a historia de um grande ator. Um personagem fundamental criação artística nacional e um espelho para que todos aprendam a reinterpretar essa qualidade que se tem em comum, ser brasileiros.

Trailer oficial:

Está chegando, nos dias 6 até 9 de Julho a cidade de São Paulo irá receber o Anime Friends, um dos maiores eventos de Anime do país e o Cinerama estará lá pela primeira vez para cobrir todos os shows, apresentações, entrevistas e trazer muitas fotos dos cosplays e das atrações.

Serão 4 dias no Pavilhão do Anhembi (Norte/Sul) o maior espaço já reservado para o evento. 57 mil metros quadrados dedicados a todos os samurais, gueixas, Saiyajins, mutantes e o que mais a imaginação mandar.

Se você acha que o Anime Friends é dedicado exclusivamente à cultura japonesa, está muito enganado. Jedis, X-Men, Mulher maravilha e até as Meninas Super Poderosas costumam circular por ele. É uma grande mistura de cultura pop, quadrinhos, mangá, filmes e series, games, a lista é imensa…

Serão 3 palcos, onde acontecerão batalhas épicas entre dubladores, apresentações, shows, concursos… enfim. Dias cheios, em que o principal será fôlego para nossa equipe acompanhar tudo.

Entre as atrações deste ano estão:

Blanc7

Além da apresentação no palco principal, os meninos também estarão interagindo com os fãs direto do evento e postando tudo em suas redes sociais. Com shows confirmados para os 4 dias, vale a pena conferir.

 

 

DEADLIFT LOLITA

Essa é indescritível, formada por Ladybear,  Idle da cultura japonesa, ex-dublê, vocalista de metal e lutador de wrestler. Com ele está Reika Saiki, bodybuilder e também lutadora de wrestler, juntos eles tocam um estilo chamado Kawaiicore. O som é impressionante e o talento dos integrantes é inegável. O DEADLIFT LOLITA promete ser um show de muita energia. Esteja pronto para sair pingando suor.

 

 

ORESKABAND

As garotas do ORESKABAND também estarão no palco principal, suas músicas misturam diversos estilos e possuem um ritmo muito bom, para quem quiser dançar e curtir um som mais solto, esse será o show.

 

Só isso? Nunca, existe ainda tantas outras atrações, nós vamos falar sobre cada uma delas em separado e dar mais informações sobre o evento, esteja atento.

Agora, se cabe uma última dica, CORRA, MAS ASSIM, COMEÇA A CORRER AGORA, por que os ingressos já estão no 4º lote, ou seja, daqui a pouco não vai ter mais.

(na verdade não precisa correr, você meio que pode comprar online, mas, o recado foi dado)

 

 

 

 

 

 

Dirigido pela premiada designer Marina Willer, Red Trees é um documentário sobre as origens de uma família. Willer dirigiu um filme sobre a vida de seu pai e como ele fez parte de uma das doze famílias que sobreviveram a invasão nazista em Praga (na atual Rep. Tcheca). O nome Red Trees (árvores vermelhas) é dado graças ao fato do seu pai ser daltônico, e portando, incapaz de enxergar o verde que nós enxergamos.

Em palavras é difícil descrever o que foi um sistema de extermínio tão intenso que levou a quase extinção de todos os judeus de Praga, a simples frase “apenas 12 famílias sobreviveram” não abraça todo o significado desse sentimento.

Visualmente contemplativo, o filme é uma obra para ser apreciada. Fotografias centralizadas, takes com imagens belíssimas acompanhados de uma narração pausada (feita por Marina, seu pai e o ator Tim Pigott-Smith, este último conhecido por seus papéis em V de Vingança e Alice no País das Maravilhas).

📷Cohen Media Group/Divulgação

Por ser um filme sobre a invasão Nazista, é possível supor que o ele está recheado de cenas antigas em preto-e-branco mostrando as atrocidades do regime, pois Marina não estava nem um pouco interessada nessa violência visual.

Buscando dialogar com as nossas gerações, a diretora elabora o documentário como uma conversa franca entre o passado e o presente. As cenas são feitas de maneira a causar nostalgia e uma certa estranheza. São imagens que falam muito mais com a saudade do que com o horror.

O tom da narração também evita o sensacionalismo, embora, em algumas cenas, os narradores descrevam o horror vivido pelos judeus de Praga, o volume e a maneira como essa descrição foi elaborada faz com que o filme não caia no clichê sentimentalista da maioria dos documentários com o mesmo tema.

📷Cohen Media Group/Divulgação

César Charlone, Fabio Burtin e Jonathan Clabburn trabalharam junto com a diretora para desenvolverem as cenas e criarem um filme minimalista e abstrato. Alguns takes longos de ruínas, cidades antigas ou grandes paisagens remetem a uma sensação de pequenez diante dos grandes acontecimentos e da monstruosidade do tempo. É uma reinvenção dos documentários sobre o Nazismo.

Essa abstração abraça o expectador e faz com que ele sinta-se conversando com Alfred Willer (pai da Marina, protagonista do filme), tornando a experiência bem intimista e agradável.

É um documentário para poucos gostos e eu não vou fingir que não seja.  Muito longe de encadear cenas velozes ou causar grandes impactos narrativos, o filme segue a uma sequência de narrativa linear e sem pressa.

📷Cohen Media Group/Divulgação

A composição das cenas é belíssima e a trilha sonora fecha bem esse pacote de experiência visual. Não dá para dizer que é um filme experimental ou arriscado, contudo, Marina passou longe de querer agradar aos grandes públicos (o filme inclusive só será projetado no circuito alternativo de Cinema). A dica é: vá assistir ao documentário, essa é uma excelente oportunidade para vencer alguns receios que o púbico mais jovem pode ter sobre o formato e ainda aprender muito sobre fotografia e estética visual.

Ainda tivemos a oportunidade de conversar com um dos produtores, Marcelo Willer, é irmão da diretora e filho do protagonista. Falamos sobre a importância desse filme para as novas gerações e em como derrubar muros, o resultado você vê aqui.

Red Trees é um filme para poucos e para todos. Se você tiver paciência poderá ter uma experiência tão boa quanto ler a um bom livro.

Jogador Nº 1 (Ready Player One), é o filme baseado no livro de ficção cientifica escrito por Ernest Cline que ganhou vida nas mãos de Steven Spielberg.

A história fala sobre o ano de 2044, um futuro distópico onde a sociedade vive em negação e gasta todo o seu tempo dentro de um jogo online chamado OASIS. OASIS é na verdade uma realidade virtual em que as pessoas ficam conectadas basicamente o tempo todo, enquanto o mundo real se desfaz em ferrugem e lixo empilhado – futuro distópico han, sei, tô acompanhando.

📷 Warner Bros. Pictures / Divulgação

Wade Watts é o jovem protagonista do filme, dentro do OASIS ele vive o personagem Parzival que busca vencer 3 desafios, deixados pelo criador do game. A promessa é de que aquele que vencer os três desafios será considerado o vencedor do jogo e poderá decidir os destinos de OASIS.

– Ah velho, logo vi, adolescente, futuro obscuro, grande recompensa no final, sério mesmo? Esse filme não deve ter NADA novo.

E você poderia estar coberto de razão, jovem comentador da internet, se o roteiro não tivesse caído nas mãos de um verdadeiro Gandalf cinematográfico chamado Steven Spielberg.

O nome de Spielberg está no altar de ouro dos anos 80, ele não apenas conhece bem o cenário como ajudou a construí-lo, e em Jogador Nº1, ele reinterpreta o cenário e dá novas cores para ele.

📷 Warner Bros. Pictures / Divulgação

O livro fonte para o filme é recheado de referências anos 80, com diversos games, personagens e citações. Spielberg pegou todas essas informações, misturou com referências atuais e amarrou tudo com os modos de consumo de mídia modernos – modo de consumo de mídia moderno? Não entendi nada – vem comigo.

Spielberg mostra que não é um dinossauro do cinema vagando por sets de filmagem sem nenhuma conexão com o nosso mundo. Ele sabe muito bem quais são as ânsias e as referências das novas gerações, sem perder de vista o saudosismo das gerações passadas, o resultado é um filme que dialoga com diversos públicos em níveis diferentes.

Um jogo de corrida onde o inimigo final é o King-Kong. Uma batalha épica em que os soldados Halo disparam laser contra O Gigante de Ferro (por favor, se você não lembra desse, clique no link, você vai adorar lembrar). Gundam batalhando contra Mechagodzilla, isso apenas para citar as referências mais óbvias. Um filme que fala muito sobre easter eggs contém diversos deles espalhados pelo roteiro.

📷 Warner Bros. Pictures / Divulgação

Ainda posso ver uma cara fechada, você deve estar pensando – Méh! Essa maçaroca toda, não vai ficar legal, tá mais para Detona Ralph isso aê – errado outra vez, porque, diferente de ser apenas uma salada de referências vazia, o filme possui uma estrutura narrativa muito agradável e uma boa história englobando tudo.

As referências passam longe de estarem em primeiro plano, o cerne do filme se encontra no mix entre a vida real e a vida no OASIS (dá para jogar umas teorias de Baudrillard aqui e conversar sobre o que é real ou não, mas nem vamos fazer isso), o importante é você saber que antes de ser bombardeado por saudosismo que, dependendo da sua idade, você não viveu, o filme vai primeiro te cativar com uma história bem construída.

Wade Watts com o seu Parzival vive todas as fases de um herói típico, suas dores, seus amores, seus dissabores. Também está presente o elemento de perdedor (presente apenas nos melhores heróis, Homem-Aranha rules), e aquela vontadezinha infinita de mudar o mundo. – E por que não? Eu te pergunto. Hoje nós vamos assistir a um filme de herói típico e com final feliz, qual é o problema? Sente-se e desfrute.

📷 Warner Bros. Pictures / Divulgação

O antagonista é o que ele precisa ser, poderoso, cruel e bem, malvado. Os aliados são o que eles precisam ser, leais, engraçados, surpreendentes e dispostos a fazer um sacrifício se for o caso. A mocinha é o que ela precisa ser, indefesa, inocente…. nem haha, nem brincando, ela mete a porrada, é legal para caramba.

É evidente que existem deslizes, particularmente, eu não gosto da mudança de comportamento vivida pelo personagem principal em alguns momentos. Ele começa muito singelo e até inocente, e quase que instantaneamente, assume a postura de herói, isso me incomodou um pouco, mas foi só um pouco.

O 3D e a computação gráfica estão impecáveis. A própria natureza do vídeo game faz com que você seja absorvido pelo mundo de OASIS sem nenhuma resistência. Jamais existiu a intenção de que essa realidade virtual seja parecida com o mundo fora dela, muito pelo contrário, ele é para ser fantástico e escapista.

📷 Warner Bros. Pictures / Divulgação

A trilha sonora é um teste de idade, quanto mais perto do começo dos anos 80 for a sua data de nascimento, mais você gostará das musicas que tocam no filme. Para os nascidos em dias recentes, saibam que vocês estarão ouvindo o que divertida jovens de tênis all-star, pôster na parede e dedos preparados para gravar canções em fitas K7, tenham respeito.

O filme não é a prova de críticas e o roteiro está longe de ser algo grandioso e glorioso, contudo, Jogador Nº1 é uma ótima novidade entre as distopias adolescentes e uma alternativa muito agradável ao tema (que sofre muito, muito, com filmes ruins/péssimos).

📷 Warner Bros. Pictures / Divulgação

Dica final: se puder assistir em 3D e legendado, faça isso. Você vai me agradecer depois.

Outra coisa, só para deixar bem claro, alguns ainda insistirão em torcer o nariz e falar “EH, QUE, IGUAL TAL DO TAL”, é o reflexo de uma geração absurda, que não sabe diferenciar os inventores de um gênero das cópias, pois bem, só para deixar claro. Steven Spielberg é um dos inventores do mundo que você conhece hoje, as séries, as músicas, os livros e até as camisetas que você usa e encontra pela rua, tudo isso têm o reflexo dos cenários que esse cara ajudou a construir, então, apenas sente e aproveite enquanto esse ele ainda está fazendo filmes.

Baseado no livro de mesmo nome de Ned Vizzini, com Keir Gilchrist (ator da série Atypical, também na Netflix), Lauren Graham (conhecida pelo papel de Lorelai Gilmore), Jim Gaffigan, Emma Roberts, Viola Davis e Zach Galifianakis. Ah este último, nós vamos falar um pouco sobre ele logo no início.

Zach é um dos atores dos filmes da série Se Beber, Não Case, filmes de comédia fácil que agradam a todos (eu mesmo, vejo qualidades neles), mas então, qual é a questão?

Graças a presença desse ator no elenco, o filme que se chama It’s Kind of a Funny Story (uma história meio engraçada, em tradução livre) saiu no Brasil com o ofensivo nome de “Se enlouquecer, não se apaixone” em uma tentativa absurda de criar uma ligação entre esse filme e os filmes da série Se Beber, Não case.

A simples escolha desse título quase me fez decidir não escrever sobre o filme, é francamente ofensivo ver um produto de qualidade (pois o filme tem qualidade, vamos falar sobre isso) ser embalado e vendido como uma coisa genérica qualquer, apenas pelo motivo dos dois filmes possuírem um ator em comum.

Vamos ao filme

Abordando aspectos da depressão, o filme fala sobre um adolescente que sente a pressão das cobranças da sua família e entra em uma crise de ansiedade. Com medo das consequências que a sua ansiedade poderia desencadear na sua vida – na real, ele temia perder o controle e cometer suicídio – o jovem pede uma internação na ala psiquiátrica de um hospital.

Fim, talvez seja apenas até aí onde eu posso falar sobre o filme sem te dar spoilers importantes.

se quiser que o público te leve a sério. Não dê nomes bobos para o filme.

Onde esse filme me prendeu?

No carisma inegável dos personagens, principalmente de Craig, o principal. O seu ponto de vista inocente à respeito de uma condição tão severa quanto a depressão, é uma aula de como conversar sobre temas difíceis utilizando abordagens simples.

Embora o filme possa ser enquadrado em muitas classificações, eu gosto muito de dizer que ele é uma dramédia. Um drama que possui elementos de comédia.

Cenas engraçadas, diálogos inteligentes e ótimos insights, It’s kind of a funny story é um verdadeiro achado na Netflix, sabe quando você quer ver algo bacana, que te deixe para cima, mas que não seja forçosamente raso? Pois é, esse é o filme.

Só um aviso às distribuidoras, ou seja lá quem decidiu dar esse nome em português ao filme, tenha mais respeito pelo seu público, nós seriamos muito capazes de assistir a um filme chamado “É uma história meio que engraçada”, sabe como eu sei disso? Esse é o nome do livro em português e ninguém morreu no processo.

 

Talvez um dos projetos mais corajosos e impressionantes dos últimos anos. Maria Madalena é a história de uma figura presente na religião cristã e encoberta em contradições.

Rooney Mara (📷 Universal Pictures / Divulgação)

O filme conta a história de uma jovem judia nascida na cidade de Magdala, da Galiléia. Um pequeno povoado de pescadores, onde a sobrevivência é uma luta diária e mesmo o mais rico entre os moradores do povoado mantém uma vida sem luxo.

Maria (Rooney Mara) é a única solteira em uma vasta família com irmãos e irmãs, todas casadas e todas com filhos. Vivendo em uma sociedade onde as mulheres não possuem direito aos próprios corpos, ou opiniões, Maria é forçada pelo pai e o irmão mais velho a aceitar um casamento.

Rooney Mara (📷 Universal Pictures / Divulgação)

Transtornada, a jovem foge da primeira tentativa de a casarem e graças a isso é acusada de possessão demoníaca. Então a família passa a buscar uma cura para a jovem Maria. A primeira tentativa é um exorcismo feito às margens do rio. Como o exorcismo não surte o efeito desejado, os irmãos de Maria vão em busca de um curador que está pela região. Ele é Jesus de Nazaré (Joaquin Phoenix), nesta parte da história, a sua figura é vista com ceticismo e preocupação por parte de muitos judeus.

Após conhecer Jesus, Maria desenvolve extremo carinho e afeição pelo pregador. Ela decide deixar Magdala para trás e assim acompanha-lo em suas peregrinações. Surge daí o nome Maria de Magdala, ou Maria Magdalena.

Joaquin Phoenix (📷 Universal Pictures / Divulgação)

A absorção das palavras do seu líder e as constantes batalhas para compreender o mundo são os pontos principais na vida de Maria. Ela luta para tentar compreender o verdadeiro significado das palavras de Deus, que surgem através dos lábios de Jesus, ao mesmo tempo em que procura iluminar a si mesma e as pessoas as redor.

O filme é composto por sangue e lágrimas. Não se trata de uma pregação vazia ou puro sentimentalismo evangélico. Independente da crença do expectador, o filme busca manter seus personagens feitos de carne, ossos e sofrimento, com isso, ganhar a simpatia do público para as angústias apresentadas na tela. Não é um filme para convertidos, é uma história contada para todos.

Chiwetel Ejiofor ( (📷 Universal Pictures / Divulgação)

Paulo (Chiwetel Ejiofor, 12 Anos de Escravidão) e Judas (Tahar Rahmin) são as duas figuras que complementam o grande quarteto de personagens que formam o filme. Com eles, a trama atinge dimensões maiores e assim explora diversos aspectos da condição humana.

Do ponto de vista crítico, é possível encontrar-se em diversos personagens. Embora todos queiram ser como Jesus e achem graça dos desejos e fantasias dos que não compreendem as suas palavras. Passando a limpo os nossos dias, vocês verão que temos muito mais relação com Judas do que o que esperamos. Estamos sujeitos aos mesmos medos, desejos, confusões e devaneios que tornam Judas uma figura absolutamente tão humana em seu desespero. É surpreendente o poder de fábula nessa personagem, no afã de tornar as coisas melhores ele acaba destruindo o que existe de belo e bom.

Paulo está presente em um outro espectro dessa confusão. Também dedicado, também devoto, também entregando-se de corpo e alma para um objetivo, e assim como Judas, também perdido em seus próprios devaneios.

Joaquin Phoenix e Tahar Rahmin (📷 Universal Pictures / Divulgação)

A verdade é que, comentar um filme com a carga religiosa tão intensa como em Maria Madalena, é uma verdadeira armadilha para o crítico. Espero que você entenda, o meu papel aqui é trazer uma sinopse rápida do filme e apresentar algumas reflexões. Com o intuito de te fazer ir assistir ao filme e daí tirar as suas próprias conclusões.

Um filme que tem no seu elenco Rooney Mara, Joaquin Phoenix, Chiwetel Ejiofor e Tahar Rahmin, não deve ser desprestigiado apenas por que, talvez, ele diga algumas coisas da qual você discorda ou foi ensinado diferente. A direção é de Garth Davis (muito elogiado pelo seu LION).

Rooney Mara e Tahar Rahmin (📷 Universal Pictures / Divulgação)

Com mensagens importantíssimas e difíceis de digerir (depois de sair da sala eu fiquei ainda algumas horas com o filme na minha cabeça, ele ficava voltando em ondas, é uma experiência completa, que faz refletir e muito sobre o peso das nossas intervenções e sobre como estamos enganados sobre nós mesmos).

Com estréia marcada para o dia 15 de março. Mary Magdalena, assista, reflita e depois comente o que você achou do filme. Lembre-se de assistir ao filme como um filme e não como uma propaganda ou uma ofensa pessoal. Se fizer isso, tenho certeza de que Maria Madalena encontrará ecos em você também.

Com a breve chegada do novo filme de Wes Anderson, Isle of Dogs (provavelmente no Brasil no meio deste ano), que tal revisitar outra obra do diretor também executada através da técnica de stop motion? Estou falando do EXCELENTE O Fantástico Sr. Raposo, 2009, que é baseada no livro do escritor britânico Roald Dahl. 

O instinto selvagem sempre falará mais alto, seja você humano ou animal. Esta é a maior lição do fabuloso filme O Fantástico Sr. Raposo, do diretor Wes Anderson.
Mr. Fox vive tranquilamente com sua família quando decide mudar de casa, isto porque ele quer muito roubar as fábricas de alimentos que ficam em frente a sua casa/árvore. Que fique claro, ele não precisa roubar para sobreviver, simplesmente o faz porque é seu instinto.


Com as reviravoltas do filme, os humanos decidem numa caçada insana buscar a raposa responsável pelo “estrago”. Aí entra a selvageria que homem é capaz de causar quando algo que ele faz com frequência se volta contra: invadir o espaço alheio, principalmente quando falamos de habitat animal.
Wes Anderson é caprichoso por excelência, e este seu filme em stop motion é absolutamente lindo. Falar dos aspectos técnicos dos filmes de Anderson é chover no molhado.


Portanto se quiser saber o que acontece com Mr. Fox, sua “gangue” e os humanos malucos, assista.
Se possível veja legendado, afinal George Clooney dubla Mr. Fox e Meryl Streep a Mrs. Fox.

Título: O Fantástico Sr. Raposo
Ano: 2009
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson e Noah Baumbach
Duração: 87 minutos
Classificação: 10 anos
Gênero: Animação, Aventura, Comédia

 

Os verdadeiros fãs de quadrinhos já devem conhecer a obra prima que é Sandman, e toda a genialidade de Neil Gaiman. Ele foi o criador de centenas de bons quadrinhos e livros, inclusive o que serviu de inspiração para o filme “Coraline”, e o conhecidissimo livro Neverwhere, “Lugar nenhum”. Sandman faz parte do selo Vertigo da DC. O famoso quadrinho pra adulto.

O objetivo desse artigo não é analisar cada um dos seus arcos e sim tentar te introduzir ao mundo tão complexo, abrangente e incrível de Sandman. Não se trata de uma simples história focada em apenas um único personagem. Claro que temos um protagonista, onde a maioria das histórias giram em torno dele, mas nem todas elas giram em torno do Sonho. O rei do sonhar, protagonista de Sandman, é o mesmo a dar o nome a hq. Ao interagir com o universo, com humanos, Perpétuos, Deuses, entre outras criaturas, vemos o seu ponto de vista. Em muitas histórias ele é apenas o coadjuvante, num universo de personagens muito bem introduzidos e desenvolvidos pelo autor. Nada jogado a toa para o leitor, como no arco “Terra dos sonhos”, que tem 4 histórias diferentes e totalmente independentes umas das outras. Trata-se de uma pausa na trama principal feita por Neil Gaiman dentro da grandiosidade que é Sandman, cheia de simbolismos e cultura envolvidos. Mas quem seria o “sonho”? Ele faz parte de um grupo de entidades chamadas perpétuos que não são deuses, e sim representações antropomórficas de seus nomes e dos aspectos da vida relaciona a nós humanos. No total existem 7 perpétuos, comandando 7 reinos. Cada um deles é absoluto e independente, sem qualquer interferência dos outros, e contendo seus próprios símbolos que os representam.

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Perpétuos
Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desespero e Delírio. Eles não podem ser mortos, pois seria a mesma coisa que matar um conceito, o que seria impossível. Ao terem uma morte cósmica, suas essências procuram novos hospedeiros que passarão a portar suas memórias e personalidade.

Destino

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O mais velho dos perpétuos. Como seu próprio nome já diz, ele é a representação do destino e de tudo que vai acontecer ou que já aconteceu. É representado por um homem cego com um capuz, mas que, embora cego, ele pode ver a tudo e a todos. Tudo está registrado num livro que fica acorrentado ao seu pulso. Ele sabe todas as coisas, e nada foge ao destino. Aparenta ser o mais sábio e dedicado entre os perpétuos, e apesar de ser mais conhecido pelas histórias do sandman, sua primeira aparição foi na Weird Mystery Tales.

Morte

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Podemos dizer que a morte é o porteiro do mundo, e que vai estar lá pra fechar seus “portões”. Ela levará até o último mortal e, no fim dos tempos, estará junto com destino entre os últimos perpétuos do planeta. Ela é a segunda mais velha dos perpétuos, apenas superada por Destino. Dizem que a Morte encontra com cada mortal duas vezes, sendo a primeira em seu nascimento e depois na hora de suas últimas palavras. Ela é uma das personagens mais famosas e amadas de Sandman, ganhando até uma série própria de quadrinhos. Diferente do que muitos podem pensar, ela é um dos perpétuos mais bem humorados e otimistas da trama. Com uma aparência jovem, estilo gótico, e vestida de preto, muitas vezes ajuda o Sonho quando ele precisa. Não apenas por ser um perpétuo, mas como uma irmã mais velha, que tem Sonho como seu irmão mais próximo. A Morte controla o ciclo da vida do universo DC, ou seja, ela não pode ser morta em hipótese alguma, tendo o poder até de matar imortais. A cada cem anos a morte toma a forma de um mortal e morre nessa vida. Assim aprende mais e sente na pele como é ser levada por ela mesma, a morte não julga, cor, raça, etnia, a morte é pra todos. Seu símbolo é o seu colar com a cruz de Ankh, que na cultura popular significa ressurreição, mas os povos egípcios o tinham como símbolo da vida.

Sonho

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Finalmente chega a hora dele, o Sonho. Morpheus, Oneiros, rei do sonhar ou o próprio Sandman. Vários nomes entrelaçados a ele, várias culturas ou interpretações diferentes. Você deve se perguntar o porquê de Sandman. Isso vem da sua areia mágica no folclore Europeu (reconhecido em todo mundo), que fazia com que as crianças, com dificuldade de dormir, adormecessem ao jogá-la no rosto. Um personagem nobre, mas com uma aparência bastante melancólica e sempre com ar pensativo, inspirado no vocalista da banda The cure (Robert Smith). Um ser racional que pensa antes de agir, mas que as vezes se deixa levar pelos sentimentos. Ele dispõe de algumas ferramentas mágicas usadas para facilitar o seu trabalho, como um saco com areia mágica infinita, um rubi onde o seu poder pode ser canalizado, e um elmo feito de ossos de um deus morto, que usa para viagens e algumas outras coisas. Quando dormimos nossa alma vai para o reino do sonhar, onde o próprio Sonho toma conta das imagens, ideias e sonhos que iremos ter. Lá existe uma biblioteca dos livros jamais escritos, idéias e deveres criados, mas nunca aplicados.

Destruição

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O mais poderoso dos perpétuos, e o mais intrigante também. Sempre representado por um homem grande, forte, de barba e cabelos ruivos, e com a aparência similar a um viking. Diferente de seu nome, ele sempre espera que o bem se sobressaia ao mal. Extrovertido, inocente e sempre muito otimista, ele é talvez o mais animado dos perpétuos e está sempre tentando alegrar a todos, além de ajudar muito a Morpheus. Porém a muitos séculos decidiu largar o seu papel de perpétuo, sendo isso ainda uma grande interrogação por não se saber o porque. Isso enfurece muito alguns dos seus irmãos, pois, sem sua presença, eles teriam que assumir seus deveres. Tem como símbolo uma espada.

Desejo e Desespero

Eu botei os dois juntos não só porque são irmãos gêmeos, mas também por serem o oposto um do outro, já que quando não satisfazemos um desejo, vem o desespero. Não podemos definir o desejo como homem ou mulher, pois sua aparência parece tanto de um quanto do outro. Definido com uma beleza inconfundível e única, está sempre bem vestido, apresentado e fumando muito. É o mais egoísta e perverso dos perpétuos, sempre querendo interferir na vida de seus irmãos. Tem uma rixa maior com o Sonho, e seu símbolo é um coração de vidro. A Desespero mostrada como uma mulher baixinha, desnuda, com a pele pálida e escamada, e de cabelos negros curtos. Na mão esquerda traz um anel com um gancho, que usa para rasgar a própria pele. Esse é também o seu símbolo. Diferente do/da Desejo, ela parece sentir empatia pelos outros perpétuos, mesmo quando ambos tramam contra perpétuos mais velhos.

Desejo

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Desespero

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Delírio

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Delírio é a mais nova dos perpétuos, e a única que não podemos definir uma aparência exata ou personalizada. É geralmente baixa e magra, mas sua aparência muda constantemente, e a forma e contorno de sua sombra não têm necessariamente relação com a do corpo que esteja usando. Diz-se que ela cheira a suor, vinho azedo, noites tardias e couro velho. Ela tem um olho azul e o outro verde, salpicado de estrelas. Dessa forma vê o mundo de sua própria e única visão. Uma grande frustração de Delírio é que mesmo sendo quase mais velha que a própria criação, continua sendo a mais jovem dos perpétuos. Quem não sente isso dos seus irmãos mais velhos? Um tom superior sempre, chegando a ser tratada muitas vezes como uma “criança”. Antes Delírio já foi Deleite, mas por algum motivo traumático relacionado ao Lúcifer Morningstar, não explicado nos quadrinhos, ela virou Delírio. Seu símbolo é uma bolha abstrata colorida e sem formato definido.

Sim, vocês não leram errado. Lúcifer Morningstar é um dos seres mais poderosos acima dos perpétuos, que são mais poderosos que Deuses, e um dos mais poderosos da própria DC. Já existente também na Weird Mystery Tales, vem também ganhando fama em Sandman, principalmente no 4 arco “Estação das Brumas” onde tem mais destaque. Lúcifer se cansa dos seus deveres como Senhor do inferno, e expulsa todos os demônios de lá. Claro que tem toda uma ideologia a respeito do livre arbitrio, e se cansar de ser submisso a Deus. Assim inicia sua série própria de quadrinhos, onde desce a terra com sua serva Mazikeen e abre um pianos bar. A série da Tv Lúcifer, muito conhecida, é baseada nestes quadrinhos.

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Só pela introdução aos perpétuos, deveras resumida, já deu para notar que esse universo é bem complexo e rico. Não, não é uma história chata. Ela prende, e muito, o leitor, e o coloca para pensar, no meio de tantas filosofias, pensamentos e questionamentos. E não é apenas nas aparências. Sandman é uma história com um ar bem gótico e até obscuro muitas vezes.

Publicadas entre janeiro de 1989 e março de 1996, Sandman possuiu 75 capítulos. Lançados mais tarde em edições de capa dura, e tendo seus arcos divididos, todos tem começo meio e fim, além de fazerem parte de uma história do mesmo universo e cronología, interligados com excessões. São 10 arcos principais, cada um com uma história fechada e distinta, mas todos eles se ligam de alguma forma. O primeiro é “Prelúdios e Noturnos”, onde um mago tenta capturar a Morte, com desejo na imortalidade, e acaba por engano capturando o rei do sonhar, pessoas não conseguindo dormir e pessoas não conseguindo acordar e muitos que não mais dormem o sono merecido. Sem saber o que fazer ele o deixa preso, tirando seus itens. Morpheus fica assim por exatamente 70 anos, e ao sair e se deparar com seu reino em pedaços, tenta recuperar seus itens e seu poder para reerguê-lo. Os arcos seguintes quase sempre serão uma consequência desses anos em que o Sonho ficou aprisionado, sendo também uma jornada do seu autodescobrimento, após todos esses anos Morpheus tinha mudado, se tornando mais reflexivo é questionador, questionando até si mesmo.

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Como o Sonho é o Rei do sonhar, ele sabe os desejos mais íntimos e também os mais obscuros das pessoas, o que os torna mais e mais reais, nos fazendo simpatizar muito com os personagens, é por um lado nós identificando. E nesse primeiro arco temos inúmeras referências a cultura pop, de muitas que virão por diante, teorias da conspiração aos montes, além de diversas culturas e religiões. Com uma ótima premissa inicial, uma ótima trama bem amarrada, oque da aquele prazer maior de ler, qualidade que só aumenta ao decorrer dos volumes. Gaiman traz a tona temas que na época não eram muito explorados, trazendo temas atuais e muito delicados até a hoje, lá nos anos 90, trazendo fortes discussões e reflexões.

Sandman pode ser encontrado em diversos lugares da cultura pop, sendo muito homenageado e elogiado por todos que tem o prazer de ler, misturando horror, religião, misticismo, fantasia, surrealismo, muitas coisas sobre a psicanálise, filosofias e muitas outras coisas. É considerada uma das melhores sagas do gênero já escritas, consagrando Neil Gaiman como um deus quando o assunto é quadrinhos. Para alguns pode parecer uma leitura chata e com um ritmo lento. Mas para os que conseguem ler todos os arcos, sempre fica o desejo de conhecer as, também magníficas, histórias dos outros personagens de Sandman. Com certeza todo fã de quadrinhos que se preze, tem que ter lido essa obra de arte. Tudo que eu disse não passou de uma mera sinopse de tudo que Sandman é e representa. Gaiman nunca teve a intenção de criar um super-herói, seu personagem estava a cima do bem e do mal, ele era um Perpétuo, existente desde no início de tudo, sem o pudor da moralidade ou ética, era nada mais nada menos que o Sonho.

Chris Hemsworth (muito conhecido pelo personagem Thor) dá vida ao Capitão Mitch Nelson, líder da primeira operação americana no Afeganistão após os ataques do 11 de Setembro.

(📷 Diamond Films / Divulgação)

Ted Tally e Peter Craig adaptaram o livro Horse Soldiers de Doug Stanton (no Brasil o livro recebe o mesmo nome do filme), Nicolai Fulgsig foi o responsável pela direção.

O cast ainda conta com nomes fortes como Michael Shannon (A Forma da Água, Animais Noturnos), Michael Peña (American Hustle, Crash), e Trevante Rhodes (Moonlight, Westworld).

(📷 Diamond Films / Divulgação)

A história

12 soldados voluntários são enviados para o Afeganistão com a missão de se aliarem à um antigo rival do Talibã e auxiliarem os ataques aéreos americanos. Na prática, os 12 soldados devem fazer um reconhecimento de campo e enviar informações sobre os locais que devem ser bombardeados na primeira missão americana após o 11 de Setembro.

Navid Negahban interpreta o General Dostum, líder de um grupo paramilitar afegão, Dostum se alia aos americanos com o objetivo de eliminar o grupo extremista Talibã da cidade de Mazar-e Sharif, na época, fortaleza das forças Talibãs.

(📷 Diamond Films / Divulgação)

Existem complicações e meandros na política do Oriente Médio que seriam impossíveis de cobrir agora. O filme simplifica alguns conceitos e diz apenas que Dostum faz parte de um trio de entidades que ficou conhecida como A Aliança do Norte, esse grupo tinha por objetivo comandar o país e por fim às guerras civis.

O filme relata um recorte específico dos combates, quando os americanos, com a ajuda do exército de Dostum, dominaram cerca de 5 cidades e retomaram o controle de Mazar-e Sharif, enfraquecendo de maneira crítica o grupo extremista Talibã.

Navid Negahban e Chris Hemsworth (📷 Diamond Films / Divulgação)

Vamos falar de Cinema

Nicolai Fulgsig dirigiu um filme patriota. Com personagens bem demarcados e cenas características do gênero, o filme traz pouca novidade ao quesito filmes de guerra. As cenas de combate, os diálogos e as interpretações, todas elas estão dentro do esperado para um filme do gênero vingança contra o inimigo.

Os antagonistas têm pouco espaço no filme, o líder Talibã aparece em poucas cenas como um personagem ativo e o filme jamais toca nas motivações deste. O enredo está muito mais centrado na tensão entre o Capitão Mitch Nelson (líder da operação americana) e o General Dostum, afegão responsável pela Aliança do Norte.

(📷 Diamond Films / Divulgação)

As cenas de combate são feitas seguindo bem a cartilha, não existe nada que seja prejudicial, os fãs do gênero sairão do cinema recompensados. Talvez esse não seja um filme para todos os gostos (e qual o é?), mas aqueles que curtem cenas de ação e personagens patriotas, encontrarão doses generosas nesse filme.

Em 12 Heróis a construção dos personagens secundários é feita sem um arco aparente, com exceção do Capitão Mich, todos os outros personagens saem do filme quase como entraram. Isso não é particularmente ruim, o diretor se preocupou mais em fazer com que o público se importe com a vida desses personagens do que criar um arco narrativo para cada um deles.

(📷 Diamond Films / Divulgação)

A grande força do filme reside em fazer você desejar que os 12 soldados enviados para o combate sobrevivam, esse é o pilar de apoio onde se sustenta o interesse do público. Todas as questões políticas ficam em segundo plano. O filme está preocupado em demonstrar como os 12 soldados estão em um ambiente hostil e sobre as dificuldades que eles terão que superar para voltarem vivos para os Estados Unidos da América.

A introdução do filme é uma montagem utilizando cenas reais, o que aumenta a imersão do público no sentimento desejado pelos produtores.

Com distribuição Diamond, 12 Heróis é para todos aqueles que gostam de filmes de guerra. O filme apresenta um cardápio completo no gênero, com heroísmo, frases de efeito e cenas de batalha eletrizantes. Se você gosta de filmes de ação, esse é o seu filme.

Sobre o filme

Medo Profundo, com lançamento pela PlayArte, escrito por Johannes Roberts e Ernest Rivera, fala de duas irmãs que estão de férias no México e curtindo todas as mordomias que um bom comercial de turismo poderia apresentar. Baladas, bares, piscinas, drinks. Lisa (Mandy Moore) é a mais centrada e Kate (Claire Holt) é a aventureira. Quando Kate descobre que o relacionamento de Lisa foi para o espaço, ela resolve convencer a irmã a se jogar de cabeça nas aventuras que as férias proporcionam.

Conhecendo dois moradores locais, (Yani Gellman como Javier e Santiago Segura como Benjamin), as garotas são instigadas a praticar um mergulho com tubarões – sabe aqueles dentro de uma gaiola, em alto mar? Desses – Lisa, relutante, procura motivos para não ir. Kate, a destemida, usa todas as artimanhas para fazer com que a irmã entre na gaiola e mergulhe com os peixinhos carnívoros enormes.

Mandy Moore; Claire Holt; Yani Gellman e Santiago Segura(📷 PlayArte Pictures / Divulgação)

E lógico – como você pode descobrir pelo trailer – a brincadeira deu errado e elas vão parar no fundo do mar (para ser mais exato, ficam à 47 metros da superfície, daí o nome em inglês).

O filme é apresentado como suspense, mas, em muitas cenas ele flerta com terror visual bem aparente. Sabe quando o diretor resolve fazer a criatura caçar a mocinha? Pois bem, isso também acontece aqui.

Sobre o diretor

Johannes Roberts é reconhecido por diversos filmes. Antes de Medo Profundo, ele escreveu e dirigiu “Do Outro Lado da Porta”, um suspense sobrenatural, produzido pela Fox International.

Ele ainda é o roteirista do filme F, aclamado pela crítica, lançado nos cinemas do Reino Unido no verão de 2010. Também dirigiu o filme televisivo Roadkill (produzido pela NBC). Pela Universal Pictures, Johannes dirigiu Storage 24, estrelado por Noel Clarke (vencedor do prêmio Bafta), lançado no Brasil em 2012. Em Medo Profundo, o diretor procurou expandir as suas habilidades e testar novas maneiras de impressionar o público. Funcionou?!

Mandy Moore; Claire Holt; Yani Gellman; Matthew Modine e Santiago Segura(📷 PlayArte Pictures / Divulgação)

A narrativa

A estrutura narrativa do filme é dinâmica e ele não fica engessado em apenas um problema. Eu contei cerca de 20 minutos até o fim do primeiro ato – quando a gaiola cai na água – sendo assim, é possível dizer que, apesar de algumas falhas, o filme não é monótono.

As personagens funcionam. Não existe uma interpretação memorável em nenhuma das atrizes, mas, as duas personagens principais (em cena por mais de 90% do filme) seguraram bem a barra.

A tensão pode funcionar. Apesar de possuir alguns jumpscares telegrafados, o filme trabalha bem o sistema de “deixa/conclusão”. Um personagem diz algo em uma cena e depois, na cena seguinte, o resultado aparece.

A trilha sonora feita pela equipe Tomandandy é… bom é uma trilha sonora de um filme de suspense com um tubarão como antagonista. Ou seja, ela faz pausas repentinas. Abre respiros. Torna algumas cenas extremamente barulhentas e confusas para depois terminar tudo em um momento súbito de silêncio. Não é fantástica, mas não compromete o filme.

É bom dizer que o diretor não apelou para a sexualidade das atrizes. Apesar dele possuir duas mulheres em trajes de mergulho, o diretor não vendeu o filme usando o corpo delas. Toda a sexualidade que está presente nas cenas é orgânica e natural da atividade que elas estão praticando.

Os personagens secundários são apagados ou francamente irrelevantes. Com exceção do capitão Taylor (Matthew Modine), a voz dele representa a redenção das personagens e o fim do sofrimento.

Eu gosto especialmente da escalada de acontecimentos negativos. Mais de uma vez você se pega pensando – ah!, ok, vai terminar assim, é, bom, pois é – e do nada – UAU, OUTRA COISA DANDO MUITO ERRADO, CARACA, ELAS VÃO MORRER MESMO DESSA VEZ.

Com elementos de Gravidade (2013) e algumas boas sacadas. Medo Profundo (47 Meters Down) é um filme que pode funcionar para a grande maioria do público. Não será um filme imortal, contudo, é um filme que pode se encaixar no gosto de diversas pessoas.

Com lançamento pela PlayArte, Medro Profundo tem data de estreia marcada para 8 de março aqui no Brasil. Depois diga o que você achou do filme.

Abaixo você pode conferir o trailer:

Adicionais:

A PlayArte preparou a cabine de Imprensa no Aquário de São Paulo. Para você que é da cidade, o Aquário é responsável pela preservação de diversas espécies marinhas e terrestres. Visitar o Aquário de São Paulo será uma experiência muito diferente da de visitar um zoológico. Bem estruturado e com monitores dispostos a tirar todas as suas dúvidas, o local é uma atração muito interessante. Visitamos lá e eu pude conhecer e conversar sobre os tubarões, ursos polares, pinguins – tem até uns camaradinhas bem simpáticos, que você conhece do desenho O Rei Leão – os suricatos. Essa dica é grátis e nós do Cinerama não estamos fazendo nenhuma propaganda paga para o local. Só estou acrescentando esse adento, pois acredito e me encantei pelo projeto.

Então, vá assistir ao filme, depois separe um final de semana para conhecer o Aquário de São Paulo.

Ler um clássico é desafiador. A linguagem distante somada as referências incomuns criam uma barreira entre o leitor e o livro. Frankenstein ainda contém um obstáculo extra, é a ideia preconcebida incorreta a respeito do monstro.

A cultura pop usou esse nome de todas as maneiras possíveis. Ele aparece em desenhos animados, filmes, animações – até em embalagens de cereal – e para piorar, todas as suas aparições (ou pelo menos, 99,99%) estão incorretas, diferentes, e bem diferentes, de como ele foi apresentado no livro.

A trajetória desse monstro além do livro e importância da sua autora são questões que podem ser discutidas em outro momento. Até porquê, esta edição da Darkside da qual vamos falar, contém textos de apoio excelentes, de modo que o livro acaba ficando completo por si.

Focando na história: Frankenstein é um aluno universitário naturalista. Muito influenciado pelas descobertas da época na área de energia elétrica e evolução – estamos falando da época do avô do Darwin, não confundir – Frankenstein é um produto do seu tempo. Curioso ao ponto de se tornar obsessivo. O estudante elabora pesquisas e experiências com o intuito de animar um corpo artificial.

Dedicado ao aperfeiçoamento da condição humana, o cientista consegue animar um corpo que é, em todos os fatores, superior aos humanos. Rápido, resistente e com excelente capacidade cognitiva, o monstro criado por Frankenstein é uma aberração de enorme potência.

Renegado pelo seu criador, a criatura descobre o mundo sozinha. Isolado do convívio humano graças a sua aparência monstruosa, o monstro é obrigado a viver nas sombras e absorver as qualidades humanas por um filtro de rancor e desprezo.

Leitor ávido, ele elabora delicados pensamentos filosóficos, inclusive faz análises frias sobre a sua própria condição. Amargurado contra o seu criador, o monstro torna-se um pesadelo para Frankenstein.

Estamos nas primeiras décadas de 1800, o que faz com que o texto se enquadre nos quesitos do Romantismo. Contudo, Mary Shelley procurou incorporar as descobertas recentes da ciência em seu livro. O resultado é que, possivelmente, Frankenstein esteja entre os primeiros – se não, o primeiro – livro de ficção cientifica já lançado. (dependendo dos quesitos escolhidos).

A história é intensa, sua narrativa é carregada e eu não vou fingir que seja fácil para um leitor de 2018 encarar um romance Romântico de 1818. Mas, pense comigo, um livro que sobreviveu por 200 anos (e ainda tem muito conteúdo para viver por mais 200), certamente merece a sua atenção e é um desafio válido.

Esse é o lance com os grandes romances e com os grandes clássicos. A sua leitura pode ser áspera e difícil no começo, contudo, terminar um clássico é recompensador. Você sabe que enfrentou um ótimo livro e aperfeiçoou a sua capacidade como leitor.

Essa edição contém textos de apoio e outros contos da escritora. Um material ótimo para contextualizar o leitor e ainda serve para ilustrar a importância da narrativa. As imagens e a encadernação estão muito bem feitas, o que aumenta o poder de imersão do livro.

Se você quiser descobrir as origens dessa criatura que transborda pela indústria do cinema, não deixe de ler o livro de Mary Shelley e reaprender tudo o que você pensava saber sobre o assunto.

Quadrinhos são uma maneira diferente de experienciar uma história ou conto. Com peso-pesados como Watchman, Maus e Batman O Cavaleiro das Trevas, os quadrinhos estão presentes nas nossas livrarias contendo histórias tão – ou mais – negras e violentas quanto a suas séries ou filmes preferidos.

V de Vingança é um exemplo excelente do poder narrativo dos quadrinhos. Roteirizado por Alan Moore e a arte feita por David Lloyd, o quadrinho é dono de uma história potente e sem tempo para respirar.

O grande lance dos quadrinhos é que as cenas são resumidas ao extremo. Ele está no meio do caminho entre um livro e um filme. Todas as referências de imagens que você tem estão condensadas em um quadro único, com a função de demonstrar qual é a sensação daquele momento. Os balões de diálogos ou os trechos do narrador também estão concentrados e resumidos ao extremo, ou seja, a dinâmica da história ganha velocidade.

Em V de Vingança essa vantagem dos quadrinhos foi utilizada de maneira surpreendente e o resultado é uma história que te segura da primeira até a última página.

Nota-se uma paixão presente pela história que está sendo contada, David Lloyd e Alan Moore acreditavam naquela narrativa e mais do que produzir um simples quadrinho, eles procuraram produzir um protesto.

Lançada no final dos anos 80, o quadrinho trata o leitor como um adulto que ele é.

Vamos falar da história:

Não vou acreditar que você vai pegar esse quadrinho pela primeira vez sem ter visto o filme de 2005, contudo, não pretendo discutir o filme escrito pelos irmãos Wachowski – embora seja um filme que eu goste bastante – vou procurar manter o foco no quadrinho.

Ambientado em uma Inglaterra pós-guerra nuclear. A história é narrada do ponto de vista de alguns personagens, entre eles o próprio líder político (aqui, uma diferença clara quando comparado ao filme). E claro, pelo ponto de vista do anti-herói V.

V é um personagem cheio de contradições. Seu anarquismo poético funciona como uma força motriz para as suas ações, que torna as suas cenas tão interessantes. V não quer apenas derrubar o autoritarismo, ele quer passar uma mensagem. Seus modos de agir e os seus monólogos deixam claro que, mais do que explodir prédios e derrubar poderosos, V procura destruir os ideais que colocaram os autoritários no poder. De modo que, ele busca libertar a mente da população, ante de libertar o seu corpo.

V de Vingança é uma obra sobre a política. Assim como os livros de George Orwell, o quadrinho ganha camadas a medida que o leitor se interessar pelo assunto. Isso não significa que ele não possa ser lido apenas como uma história comum. Quem estiver procurando uma história de anti-herói encontrará uma boa, quem estiver procurando um estudo político sobre o Fascismo, também ficará feliz.

Com esse personagem que ganhou notoriedade e até algumas interpretações incorretas, desenvolvido por um grupo de jovens que sentiram a mão pesada de Margaret Thatcher nos anos 80 e repleto daquele medo/receio por um futuro incerto que atinge todas as gerações. V de Vingança é uma história bem contada, veloz e que não faria mal nenhum para você, independente do seu gosto político.

Carregado de sexo, depressão e traições. O quadrinho é sufocante, pesado, opressivo. Existe um mundo deformado e angustiante, as páginas parecem a descrição de um pesadelo.

O quadrinho V de Vingança é a história crua, matéria prima sem nenhum filtro. Vale a leitura.

Já leu? Gostou? Gosta das outras obras do mesmo autor? Deixa o seu comentário.

Com mais de 70 livros lançados, Stephen King tem as suas histórias transitando por todos os níveis do entretenimento. Cinema, séries, o autor é uma presença constante na indústria e o seu nome foi um dos mais citados de 2017. Se você é fã do autor, o livro Sobre a Escrita é uma visão da sua caixa de ferramentas. Uma espiada rápida na maneira como King cria e monta suas histórias.

Divido em 3 partes, duas delas com histórias particulares e uma com dicas práticas de como abordar a sua escrita. King distanciou o livro de um manual frio. Ele não fica te dizendo o que você deve fazer ou o que você não deve fazer. Ele aponta os caminhos que funcionaram na vida dele e as maneiras que ele escolheu para utilizar certos recursos da escrita.

Obviamente, apesar do livro não ser um manual arrogante sobre como escrever, King dá seus pitacos sobre certos bons costumes do escritor. Na parte dedicada às dicas práticas, o autor aponta todas as coisas que ele acredita fazerem parte de uma boa escrita e demonstra as que fazem parte de uma escrita ruim.

Sempre direto e passando longe de todo blá blá blá sentimental que um livro assim poderia trazer. King conta suas histórias particulares e traça um paralelo entre certos acontecimentos e o resultado na sua escrita. No fim, a mensagem é uma só. Esforce-se muito e escreva aquilo que só você pode escrever, pois você tem um kit único de experiências – isso ficou um pouco autoajuda, eu sei.

Uma conversa franca do autor com o seu público. King fala para quem quer se tornar escritor ou para aqueles que gostam da escrita, esse é o público alvo principal do livro. Contudo, se você admira Stephen King e gostaria de atingir camadas mais profundas sobre as suas histórias, o Sobre a Escrita é uma ótima fonte de informações e eu tenho certeza de que o livro mudará a forma como você analisa os livros dele – e talvez, de todos os autores que você admira.

Existem problemas na versão traduzida. Como algumas dicas funcionam melhor em inglês, a adaptação para o português faz com que certos detalhes da escrita percam um pouco o pulso, principalmente na parte onde ele analisa uma história e corrige ela ao vivo. Existe também, claro, a parte em que ele fala sobre procurar editores e as formas que ele fez isso, todas um tanto ultrapassadas, mas lembre-se, ele lançou o livro em 2009.

De todo modo, Sobre a Escrita é um autorretrato honesto.  Além de ser um livro de dicas sobre como escrever melhor e quais os caminhos para chegar até lá. Com alguns puxões de orelha e muitos insights, King presenteou seus fãs com uma biografia interessante e um bom companheiro para os leitores do autor.

E por fim, o ele termina com duas listas de indicações de livros, desafio você a checkar todos eles.

Gosta do Stephen King? Já leu esse livro? Deixa o seu comentário e vamos conversar. É sempre bom poder ouvir o que você tem a dizer.

Lançado em 1984, Neuromancer de William Gibson é um ponto de transição na ficção cientifica. Vencedor dos prêmios Hugo Award, Nebula Award e Philip K. Dick Award – a tríplice coroa da ficção científica. Livro classificado entre os 100 grandes romances de língua inglesa, pela revista Time. Neuromancer coleciona motivos para que você enfrente as suas páginas.

Ilustrações cyberpunk de Josan Gonzalez

E não pense que eu estou utilizando palavras atoa. O verbo é realmente enfrentar. Com cenários alucinantes e cenas de ação inacreditavelmente velozes. O livro é um soco na cara, seguido de um banho de água gelada e finalizado com um empurrão do precipício.

Imagine que você está em um avião. Quando, sem nenhum aviso, o autor chega, abre a porta, joga você lá de cima e depois joga uma mochila onde pode conter, ou não, um paraquedas. Essa é a sensação de ler Neuromancer. O autor segue engatilhando cena após cena sem se dar ao trabalho de fazer muitas explicações.

O mundo Cyberpunk é uma versão deteriorada dos nosso. É como se os episódios mais sombrios de Blackmirror tivessem se tornado verdade, todos ao mesmo tempo. Os personagens sobrevivem a base do uso indiscriminado de drogas. Seus corpos são transformados por implantes, garras, mutilações. Poderes mentais, inteligências artificiais, golpes de estado. William Gibson pegou todos os assuntos e fez deles o pano de fundo para um livro que vai testar o fôlego de qualquer leitor. Muitas vezes eu me vi obrigado a falar “calma, ok! Uau, caraca isso foi, isso foi, uau”.

Ilustrações cyberpunk de Josan Gonzalez

Temperado com questionamentos filosóficos, o livro é atual. Ele fala dos nossos problemas de hoje, das questões que enfrentamos hoje. Trata da inteligência artificial. Fala do poder quase inigualável das corporações e da sua maneira de atuar na vida dos seres humanos.

Questões que são seguidas por cenas de ação bem desenvolvidas e que passam longe de qualquer clichê. Gibson criou um cenário e estabeleceu um novo patamar para a ficção cientifica. Seu nome está entre os mais respeitados do cenário e o seu livro é um golpe na boca do estômago. Todo leitor que afirma gostar do gênero precisa aguentar esse livro.

Parte de uma trilogia chamada Spraw – contudo, o livro basta-se por si – a história de Neuromancer está focada em um cowboy, uma espécie de Hacker. Sua atividade acontece na Matrix. Ela é como a nossa internet, a diferença é que o cowboy insere a sua consciência na Matrix através de um dispositivo chamado deck, e assim, interage com os sites de maneira física. Ou física simulada, uma vez que o corpo do cowboy estará plugado e dormindo.

Usei a palavra site pois ela é familiar a você, no livro, o autor não determinou o nome das entidades que interagem com o cowboy na Matrix, na verdade, cada uma delas tem um nome próprio e características próprias. Enfim, é confuso, eu sei. Mas, vai valer a pena. Eu prometo!

Em uma edição muito amigável, com boas notas e um texto introdutório que ajuda a desvendar esse complexo mudo do Cyberpunk. Neuromancer está vivo (e bem vivo) após 20 anos do seu lançamento. O livro vai agradar aos fãs de ação, aos fãs de ficção cientifica e aos fãs de filosofia moderna. Na real! Vai agradar a qualquer leitor que goste de boas histórias.

Já leu o livro? Conhece a trilogia? Deixa o seu comentário na postagem e vamos conversar sobre o assunto.

Ilustrações cyberpunk de Josan Gonzalez

Lançado no Brasil em 2015, Joyland é um livro de suspense com toques de terror. Os personagens atuam como investigadores e a tensão é gradativa. Distante do horror de um Louca Obsessão ou das cenas frenéticas de um Novembro de 63, nesse livro, King trabalhou mais os aspectos psicológicos do seu personagem principal. Contudo, ainda é um livro de suspense e ainda é um livro do Stephen King.

A história se passa em um parque de diversões sazonal e na cidadezinha ao redor desse parque. Fonte de trabalho para jovens em período de férias, o parque tem o seu auge durante o verão, quando diversos adolescentes são atraídos pela grana extra.

David Jones é um desses jovens que foi contratado para trabalhar apenas pelo período de férias. Angustiado pela perda de um relacionamento recente, Jones usa o parque como válvula de escape para as suas frustrações.

Contudo, ao ser inserido na vida da comunidade ao redor do parque e receber elogios vindos do dono do lugar, Jones acaba criando um sentimento de pertencimento que faz com que ele fique apegado ao local. Assim, resolve ficar trabalhando pelo resto do ano, ou até que consiga decidir o que fazer da vida.

Stephen King é um autor que sabe transformar as questões comuns do cotidiano em matéria prima para personagens honestos e cheios de contradições. Jones é um pedacinho de cada um de nós, aquele pedacinho que sabe que algumas porradas da vida são doloridas para caramba.

Passando longe dos clichês e concentrado em uma boa trama, o autor desenvolveu bem os personagens secundários, de modo a inserir Jones e um mundo estranhamente familiar.

O cotidiano descrito pelo autor é muito palpável, é possível acreditar que a rotina de um parque seja daquela maneira – e o autor pede desculpas, caso ele tenha escrito alguma bobagem. A narrativa é contada com tanta confiança, que você cria um vínculo com aqueles personagens e suas tarefas. Você vira um colega de trabalho ali no parque de diversões. É o poder de um bom livro, fazer você testemunhar coisas incríveis apenas com as palavras.

A trama é direcionada em 2 caminhos. Em primeiro plano estão um assassinato e a busca, ou as lendas envolvendo, o assassino. Em segundo plano está o folclore em volta do fantasma da vítima. Os alicerces dessa trama são as dores da perda e a negação – presente no personagem principal e em uma personagem secundária.

King pega aqueles sentimentos que nós aprendemos a soterrar aos 17 anos e expõe tudo no papel. Cria diálogos francos sobre perder um namoro adolescente, fala claramente sobre a morte de uma pessoa querida e diz, sem passar a mão na cabeça, que está tudo bem, e que é normal sentir-se frustrado sobre os caminhos que a vida toma.

Se durante o livro King segurou todas as tensões e foi distribuindo elas gradativamente. O final é um Thriller de ação. O autor deixou todas as cenas potentes e dinâmicas para os momentos derradeiros da história. Prepare-se para chegar nos últimos capítulos e esquecer de comer, de conversar ou de responder o celular.

Um livro curto, com uma tradução bem agradável e leve – tanto em conteúdo, quanto fisicamente haha, fácil de levar daqui para lá e de lá para cá – Joyland é uma ótima escolha para todos aqueles que quiserem desligar as telinhas por 5 minutos.

Curtiu o livro? Gosta do autor? Deixa um comentário, Stephen King é sempre uma ótima fonte de discussões.

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