Categoria: Críticas

Crítica | O Orgulho

Filme tem estreia marcada nesta quinta-feira, 19 de julho. (📷 Pandora Filmes / Divulgação)

Neïla Salah (Camélia Jordana) é uma jovem descendente árabe que mora no distrito de Créteil, uma zona marginalizada de Paris. Seu sonho é se tornar advogada e ela se matricula na Universidade de Assas, conhecida por ser uma escola de extrema direita. Na sua primeira aula, o reconhecido professor Pierre Mazard (Daniel Auteuil) a insulta pelo seu gênero e descendência árabe. O professor não se desculpa, mas Neïla rebate as acusações e é apoiada pelos colegas de sala.

A diretoria da escola pressiona o professor a se redimir ao treinar Neïla para um importante concurso de retórica entre universidades francesas. Pierre aceita meio relutante e convence Neïla a participar do concurso e ser tutorada pelo professor, apesar de não ter conhecimento de suas verdadeiras motivações. Em paralelo, Neïla ainda lida com sua paixão pelo seu amigo de infância Mounir (Yasin Houicha). O romance entre os dois é fortemente afetado pelas aulas e conhecimento adquirido de Neïla em sala.

A direção do franco-israelense de Yvan Attal é pouco inspirada e lhe falta ousadia. A narrativa do filme é um pouco clichê, mas possui diálogos bem construídos e excelentes atuações da atriz Camélia Jordana e do ator Daniel Auteuil, que não são bem aproveitados com seus personagens bidimensionais. Enquanto o papel do professor é desprezível o filme todo, o papel de Neïla, uma mulher de personalidade forte, é por vezes incoerente nas ações que a personagem escolhe (como aceitar ser tutorada pelo professor sem muito questionamentos).

O final do filme é um tanto polêmico. Pode construir discussões acerca do fato de que se o discurso de ódio do professor é realmente punido ao longo da projeção. Fica um questionamento se a moral da trama é que se pode aprender lições valiosas, mesmo de pessoas fascistas. Além de uma cena completamente desnecessária e controversa da Neïla em seu futuro como advogada burocrata.

O Orgulho aborda uma temática importante e relevante no contexto contemporâneo da França e da Europa com seus imigrantes muçulmanos. Entretanto, a direção e roteiro é incoerente e infeliz nas suas abordagens ao tema.

Assista ao trailer: 

“O Doutor da Felicidade”, produção francesa com o ator Omar Sy, estreia direto em Streaming no dia 19/07. (📷 Mars Films / Divulgação)

O caminho percorrido por um filme para chegar aos cinemas é tortuoso. Em meio à festivais, patrocínio, visibilidade e concorrência, muitos acabam não conseguindo um lugar ao sol, ou melhor, nos cinemas. Isso acaba sendo ainda mais comum com aqueles fora do eixo Hollywood, e a solução é o lançamento direto em Home Video ou Streaming.

O filme O Doutor da Felicidade, uma produção francesa, faz parte desta fatia, e será lançado diretamente em streaming nesta quinta-feira, dia 19 de Julho.

Dirigido pela francesa Lorraine Levy (O Filho do Outro), o longa-metragem tem em seu elenco os atores Omar Sy (Intocáveis), Alex Lutz (O Que as Mulheres Querem) e Ana Girardot (Grandes Amigos).

O elenco é encabeçado pelo ator francês Omar Sy, sem dúvida o nome mais famoso na produção, após seu “estouro” no filme Intocáveis, papel que lhe rendeu visibilidade e participações em filmes maiores, como por exemplo Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros (2015), Inferno (2016), e Transformers – O Último Cavaleiro (2017).

Em O Doutor da Felicidade ele interpreta o médico Knock, um charlatão que atua em uma aldeia francesa, e convence os habitantes do lugar de que eles estão sofrendo de doenças na maioria das vezes inexistentes. Entre eles está a bela jovem Adele (Ana Girardot), por quem Knock acaba se apaixonando.

📷 Mars Films / Divulgação)

O roteiro é simples, e gira em torno de Knock, visto como um forasteiro desconhecido no início, mas que logo vai ganhando a simpatia dos habitantes, que com o tempo passam a respeitá-lo. Knock logo deixa para trás a desconfiança dos aldeões e passa a ser digno da amizade deles, através de seus métodos de trabalho um tanto incomuns.

O grande destaque é a atmosfera leve e descontraída, que permeia praticamente todos os 114 minutos da projeção. Nenhuma situação, por pior que seja, consegue atravessar o clima gracioso. Alguns desdobramentos na história até pedem um pouco mais de seriedade, mas ela é logo deixada de lado. É como se O Doutor da Felicidade tivesse a missão de se manter sempre centrado em seu clima calmo, e nunca se permitisse perturbar essa calmaria.

A trilha sonora é elegantemente divertida. Aliás, diversão é a palavra chave aqui. O humor está sempre presente, e isso rende interpretações quase caricatas em alguns momentos, o que leva o filme a um nível de comédia quase pastelão.

Com um destaque maior à diversão, O Doutor da Alegria acaba investindo pouco na história de amor entre Knock e Adele. O resultado é um romance morno e mal desenvolvido, que acaba deixando a desejar e gerando pouca empatia na plateia, e leva a uma sensação de “tanto faz”.

No fim das contas, o filme é só mais uma produção alegre e divertida entre tantas outras, e não possui nada de extraordinário. Mas vale a distração.

Assista ao trailer:

5 to 7  é um filme romântico americano com direção e roteiro de Victor Levin, estrelado por Anton Yelchin , Bérénice Marlohe ,Olivia Thirlby , Lambert Wilson , Frank Langella e Glenn Close 

A premissa da película foi inspirada por um casal francês em um casamento aberto que Levin conheceu na década de 1980. Embora ele tenha completado o primeiro rascunho do filme em 2007, o projeto permaneceu em desenvolvimento por mais sete anos devido a questões de elenco. Diane Kruger foi inicialmente escalada como Arielle, mas foi substituída por Marlohe. As filmagens começaram em maio de 2013 em Nova York e aconteceram principalmente no Upper East Side de Manhattan. A trilha sonora do filme foi composta por Danny Bensi e Saunder Jurriaans.

5 a 7 foi estreada no Tribeca Film Festival em 19 de abril de 2014. Também foi exibido no 2014 Traverse City Film Festival , onde ganhou o prêmio do público de Melhor Filme Americano. O filme foi lançado nos cinemas em 3 de abril de 2015 pela IFC Films . Ele arrecadou US $ 674.579 nas bilheterias mundiais e recebeu críticas positivas dos críticos.

Alguns dos melhores escritos de Nova York não estão em livros, filmes e peças, mas no banco do Central Park.“, narra Brian a frase que inicia a trama do filme… o banco do Central Park é o local onde a Arielle e Valéry escreveram um trecho dos seus votos de casamento: — I Will Hold Your Heart More Tenderly Than My Own.  Desde o início Valéry foi assim com Arielle: sólido, substancioso e bondoso. Fica claro que sentimento existe, Valéry ama Arielle, fez a promessa de um ser movido pela racionalidade e pelo maior sentimento, o amor. Só o amor é capaz de compreender as necessidades do outro, só o amor é capaz de perdoar a traição, só o amor nos torna capaz de nos fazer conviver com a pessoa que amamos, mesmo sabendo que nós mesmos, tão somente, não somos unicamente a razão pela qual se explica o brilho dos olhos da pessoa amada. Há uma terceira pessoa sobre a qual estamos disposto a conviver para tornar a pessoa que amamos mais feliz. É a redenção, é a promessa de colocar o coração do outro em primeiro lugar, mesmo que isso custe a sua própria felicidade. Por mais absurdo que pareça, amar alguém que possui paixão por outra pessoa que não é você, parece triste, mas na prática, não é mais triste do que perdê-la para outra pessoa. Como dizia Vinicius de Moraes “é melhor sofrer junto que viver feliz sozinho“.

O sentimento do filme não é algo comum entre a nossa cultura monogâmica. Brian é um rapaz de 24 anos que não está preocupado em ter amigos ou namoradas, tudo o que ele fazia antes de conhecer Arielle se resumia em escrever, ler e resmungar para si mesmo. Mas existe uma lenda que diz que “em Nova York nunca estamos mais que 6m de distância de alguém que conhecemos, ou alguém que deveríamos conhecer”
Existem pessoas que não acreditam em amor a primeira vista, e, existe o Brian e a Arielle para nos mostrar que esse é o único amor verdadeiro. 
Quando encontramos o amor das nossas vidas, o coração acelera, falta o ar, temos a sensação de ter borboletas no estômago é como ser adolescente novamente, é como o poema Presságio de Fernando Pessoa:

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente

Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…
(…)

A atuação de Anton Yelchin é realmente algo louvável, ele compreendeu o personagem, ele sentiu cada detalhe e conseguiu transmitir as emoções para o espectador. É possível saber o que ele sente através da respiração e da pausa, o grande teatrólogo, dramaturgo, Nelson Rodrigues dizia que “A maioria das pessoas imaginam que o mais importante no diálogo é a palavra. Engano: o mais importante é a pausa. É na pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão.”

A ansiedade que nos induz ao primeiro encontro não permite que nada na natureza interrompa o amor. É debaixo de dois guarda-chuvas que Brian e Arielle têm o primeiro encontro. E é um teste, para saber com qual tipo de pessoa estão lidando. No decorrer do passeio no parque, existe um distanciamento comportamental no Brian quando Arielle revela que é casada. Em seu discuso nota-se indignação, ele está realmente intrigado por aquela bela mulher ser comprometida. Arielle tece críticas aos americanos, diz que estes precisam de sinais visíveis para poder manter a situação em controle e diz que algumas coisas podem ser subentendidas.
Essas críticas devem ser mencionadas porque são duas culturas diferentes e esse é um dos pontos interessantes, onde os franceses conhecidos pela libertinagem do famoso Marquês de Sade entram em contato com a cultura conservadora dos americanos. Fica claro nos diálogos que Arielle tenta moldar os costumes de Brian. De alguma forma, Brian começa a pensar fora da caixinha, largando um pouco da moral e da ética que tanto preservava.

“Um relacionamento 5 às 7, é um relacionamento extraconjugal”, nessa frase Arielle apresenta ao Brian a liberdade do seu casamento aberto e os limites. A regra nunca deve ser descumprida. Isso nos mostra que toda regra tem sua exceção, mas que a exceção também utiliza regras. 

No Brasil, Nelson Rodrigues escreveu a crônica “Curiosa”, inserida no livro “A Vida Como Ela É” e mais tarde representada na série de mesmo nome, na GLOBO… onde Carvalhinho afirmou “Mulher não se rejeita, ainda mais mulher casada. A mulher casada é uma desiludida.”. E ao contrário dos franceses que traem das 17h às 19h, na série Carvalhinho indicava ao Serafim para marcar o encontro extraconjugal às 09h da manhã, “nenhum marido desconfia da mulher às 09h00 da manhã”. É compreensível, no caso do nosso casal francês (Arielle e Valéry) o relacionamento extraconjugal é um acordo mútuo, ambos sabem que existe uma terceira pessoa. E uma das regras da exceção é justamente essa: saber o horário definido para que essa relação possa acontecer. O Valéry não só desconfia, como tem a certeza de que  sua esposa está acompanhada. Dessa forma, Valéry sente que tem o controle da situação. Enquanto souber o que Arielle faz, com quem faz, e a hora que faz, Valéry sente-se seguro. É como o pacto de Simone de Beauvoir e Jean-Paul Satre. Uma forma que os franceses têm de não aderir aos costumes burgueses. O que eles nunca entendem é que o desejo da posse, é algo inerente ao ser humano, todos nós possuímos independentemente de classes sociais, regras, exceções das regras, ou regras das exceções. Para o poliamor dá certo, é necessário que todos tenham em mente a ideia clara que o amor não obedece limites, e que se A, B e C querem ficar juntos, de forma harmoniosa, todos devem ter os mesmos direitos, sem que A diga a B como deve ser o relacionamento com C. O amor deve ser compartilhado com todos, sem intervenções, como no filme de Woody Allen “Vicky Cristina Barcelona”, Maria Elena, Cristina e Juan Antonio viveram um poliamor; ou como escreveu Jorge Amado em Dona Flor e Seus Dois Maridos, os personagens Dona Flor e Vadinho se amavam quando dava vontade… sendo que, nesse caso para ser concreto, é preferível que estejam todos vivos, para que exista um diálogo e ninguém se sinta enganado. 

“Foi assim que escolhemos viver… temos nossas razões para as escolhas que fizemos”, disse Arielle. Isso foi um acordo mútuo, amar e ser amado e respeitar as paixões sobre a qual não temos o controle. Os dois têm esse controle, mas a terceira pessoa que entrar nesse relacionamento vai ter que se encaixar e se conformar com o pouco que lhe é oferecido. 

Mais uma vez Arielle enfatiza a diferença cultural entre eles:

— Está chocado com tudo isso, não está?
— Eu… estou.
— Devo dizer que na minha cultura, isso não é julgado tão duramente.
—Mas não estamos na sua cultura. Estamos na minha cultura e nela, se não tivéssemos coisas para julgar, não saberíamos o que fazer o dia todo.
— Talvez a sua cultura precise se desenvolver. Talvez exista outra maneira de olhar a vida. Talvez haja pessoas com quem nos casamos, e outras que amamos.

Nesse diálogo entre Arielle e Brian, fica claro como os franceses e os americanos enxergam os relacionamentos. Os americanos estão mais preocupados em julgar do que em conciliar. E os franceses, nem sempre casam com as pessoas que amam (isso não acontece só na frança)  que é algo compreensível. Todo mundo já amou um dia, e como cantou Zé Ramalho “Quem tem amor na vida, tem sorte”, mas nem todo mundo casou com a pessoa amada . São vários os motivos que nos separam do grande amor das nossas vidas: interesses diferentes, morte, amor não correspondido, orgulho… como disse Nelson Rodrigues “Tudo nos induz ao equívoco do amor. A educação, o ambiente social, familiar, a comodidade nunca nos levam ao amor total. E o amor, até agora, só se tem realizado por acaso. E é muito perseguido por todos, porque ninguém admite que alguém seja bem-sucedido no amor”.

Outro diálogo cultural interessante:

— Sempre olhe a pessoa nos olhos quando brindar.
— Eu sei. 7 anos de azar.
— Azar? Essa é a versão americana?
— Isso. Qual é a francesa?
— 7 anos de sexo ruim.

Uma coisa existe em comum: superstição.

“Fico feliz que ela o conheceu, Brian. No pouco tempo em que ela conheceu você, percebi um brilho no olhar dela que nunca tinha visto antes. E fico muito feliz por isso. Quero lhe agradecer.”, disse Valéry. 
Esse brilho nos olhos da Arielle, que o marido enxergava, tinha nome e tinha forma, era o Brian. Valéry fez questão de encontrar com ele, para conhecer de perto e familiarizar o Brian com as regras. Foi uma atitude inesperada, o que sente uma pessoa a ficar frente a frente com o amante da pessoa amada? Por maior preparo psicológico que possua, deve ser inquietante por dentro. Valéry via um brilho nos olhos da esposa que não era causado por ele, mas por outro homem. Isso certamente entristecia o seu coração, mas ele jurou colocar o coração dela em primeiro lugar, e cumpriu. 

“Esqueça os conceitos sobre as pessoas, Brian. O mundo o surpreenderá com coisas boas, se permitir.”, disse Arielle para Brian quando ele falou que se sentia culpado em ficar com ela, depois de ter conhecido o seu marido. 
É interessante também observar que no jantar, a câmera passa a observar com os olhos de Brian, o filme tem início com a sua narração. Agora, o cenário do jantar familiar com a presença de filhos, amantes e amigos, passa a ser observado com olhos do Brian  certamente isso tem um significado. A câmera tem o olhar mais próximo sob o ponto de vista do personagem, esse olhar passa a ser o olhar do espectador, nós passamos a ser o Brian nesse momento. Isso é algo intencional, no início eu falei da boa atuação do Anton, de como ele nos transmite os sentimentos, agora, o diretor transmitiu ao espectador a deliciosa viagem ao cenário do filme. Quando a câmera deixa de enxergar pelos olhos de Brian e passa a focar no ambiente e nas expressões das outras pessoas, estamos com a mesma expressão que o Brian quando a Arielle fala que o jantar está servido.
E isso é algo incrível, é um truque de mestre do Victor Levin, desde o início tudo o que o diretor quis foi nos colocar no lugar do Brian. 

A carta de despedida que Arielle escreveu para o Brian é muito emocionante, ela fala que não casou apaixonada, que nunca havia se apaixonado e que agora que realmente está apaixonada, não vai poder viver esse amor. O que Arielle conhecia como amor, não possuía o fogo da paixão. O tempo separou Arielle e Brian por causa dos interesses familiares. Não foi a diferença de idade, de cultura, nem a crença, ou as opiniões que impediram a realização desse amor. Foi a promessa “Cuidarei com mais carinho do seu coração do que do meu”.



Resumo do filme
Brian Bloom ( Anton Yelchin ), um escritor de 24 anos que luta na cidade de Nova York, conhece uma mulher francesa de 33 anos chamada Arielle Pierpoint ( Bérénice Marlohe ). Eles se sentem poderosamente atraídos um pelo outro. Depois do segundo encontro, Arielle revela que é casada com um diplomata, Valéry ( Lambert Wilson ), e eles têm dois filhos pequenos. Arielle e Valéry concordam que cada um pode ter casos extraconjugais, desde que estejam limitados ao horário entre as 17h e as 19h, durante a semana. Brian fica perplexo com essa informação e diz a Arielle que ele não pode continuar o relacionamento com ela, acreditando que é um assunto antiético. Arielle diz que, se ele mudar de ideia, ela continuará a fumar nas sextas-feiras no mesmo lugar em que se encontraram.

Depois de três semanas, Brian decide se encontrar novamente com Arielle. Ela lhe dá uma chave do hotel e à noite no quarto do hotel consumam seu relacionamento. Eles começam a se reunir regularmente no mesmo quarto de hotel à noite. Valéry, que está ciente do caso de Brian com Arielle, se aproxima dele na rua e convida Brian para sua casa para o jantar. No jantar, Brian conhece os filhos de Arielle e Valéry e é apresentado à amante de Valéry, uma editora de 25 anos chamada Jane ( Olivia Thirlby ). Arielle mais tarde conhece os pais de Brian, Sam ( Frank Langella ) e Arlene ( Glenn Close). Ao saber que Arielle é uma mãe casada de dois filhos, Sam diz a Brian que ele desaprova o relacionamento, enquanto Arlene aceita que eles se amam apesar das circunstâncias. Quando Brian é convidado para uma cerimônia nova-iorquina para receber um prêmio por um de seus contos, ele é acompanhado por Arielle, Valéry, Jane e seus pais. Jane diz a Brian que seu chefe, Galassi ( Eric Stoltz ), um editor, leu sua história e quer que Brian escreva um romance.

Brian encontra Arielle no hotel e pede que ela se case com ele, dando-lhe um anel. Brian insiste que ele está verdadeiramente apaixonado por ela, e Arielle aceita sua proposta, dizendo-lhe para encontrá-la no dia seguinte no hotel. Valéry aparece no apartamento de Brian naquela noite; Ele bate Brian e expressa a raiva pela traição de Brian das regras e limites de um casamento aberto. Ele então dá a Brian um cheque de US $ 250.000 para Brian dar a Arielle a vida que ela merece e deixa. No dia seguinte, o porteiro do hotel entrega a Brian uma carta de Arielle na qual ela explica que, embora o ame profundamente, não pode deixar o marido e os filhos e pede que ele não entre em contato novamente.

Jane depois termina seu relacionamento com Valéry porque parece uma traição à sua amizade com Brian, e o primeiro romance de Brian é publicado por Galassi. Depois de alguns anos, Brian está andando pela rua com sua esposa, Kiva (Jocelyn DeBoer), e seu filho de dois anos de idade. Eles se deparam com Arielle, Valéry e seus filhos agora adolescentes fora do Guggenheim. Valéry pergunta sobre Jane e Brian diz que ela é casada e tem um filho. Arielle mostra Brian sutilmente que ela ainda usa o anel que ele deu a ela antes de se separarem novamente.


Um dos mais aguardados filmes do gênero, estreia nesta quinta-feira, 05 de julho, em circuito nacional. (📷Marvel Studios / Divulgação) 

Nesta quinta-feira, dia 5 de julho,  Homem-Formiga e a Vespa chega aos cinemas. O longa-metragem que é o primeiro a ter o nome de uma super-heroína no titulo em toda historia dos filmes da Marvel, vem com força total e essa sequencia definitivamente supera as expectativas.

Após os eventos ocorridos depois de Capitão América: Guerra Civil, Scott Lang sofre grandes consequências, e seu lance com Hope não é mais o mesmo.

A trama não perde tanto tempo se explicando, partindo para a ação e essa escolha do roteiro foi fundamental. Entre  perseguições e lutas, o espectador entende os motivos dos personagens, e as escolhas que o fizeram chegar até aqui.

O ritmo é bom, as coreografias são bem ensaiadas, Hope (Evangeline Lilly) tem seu destaque merecido, mas ainda é ofuscada com a presença de Scott (Paul Rudd) aparecendo eventualmente para ”salva-la do mal”, ainda falta muito (ou até 2019?) para se ter uma super-heroína. Coisa que não acontece, por exemplo, no relacionamento de Scott e sua filha Cassie, que é retratado na tênue linha entre amor fraternal e o altamente piegas, isso funciona? Funciona, pois Abby Ryder é muito carismática e suas cenas são todas muito bem dirigidas. 

O longa ainda conta com alguns vilões, destaque para Hannah John-Kamen e a sua personagem, que está de arrepiar. Uma pena que sem o disfarce a atuação da atriz seja muito caricata. Walton Goggins aparecendo só para ser o ”malvado do crime organizado”, e mesmo com tantos personagens, o final de cada trama é bem satisfatório.

Enfim, você deve está imaginando que se o primeiro ato do filme já começa acelerado, mostrando ao que veio, já se pode imaginar como o terceiro ato termina, não é? A formula do final feliz.  Bom.. não nesse caso. A cena final de Homem-Formiga e a Vespa é um soco no estômago, e tem aquela fórmula Marvel que te faz implorar por uma continuação.

Assista ao trailer: 

Longa-metragem ganhou estreia no Festival Varilux de Cinema Francês. (

O cinema francês é recheado de tesouros que muitas vezes passam despercebidos pelo grande público, esse é o caso de Carnívoras, filme dirigido pelos irmãos Jérémie e Yannick Rennier,  exibido em todo Brasil no Festival Varilux de Cinema Francês 2018.

O filme conta a história de Mona (Leïla Bekhti), um mulher de meia-idade que tenta a todo custo alavancar uma carreira de atriz. Devido a sua difícil situação financeira, ela é forçada a ir morar com Samia (Zita Hanrot), sua irmã que tem uma uma carreira cinematográfica consolidada, um bom marido e um filho pequeno. Mona começa a ver e viver a realidade que ela tanto sonhou na vida da irmã e começa e perceber que talvez Samia não dê tanto valor ao que tem.

Quando Samia consegue um papel extremamente difícil no filme de um conceituado e exigente diretor e o papel começa a exigir cada vez mais da jovem atriz, ela ”contrata” a irmã para ser sua assistente e ajudá-la na preparação para o papel, fazendo com que a irmã seja responsável pelas principais áreas de sua vida.

A estréia dos irmão Renier na direção é bastante madura, e o roteiro, que também assinado por ambos é bem estruturado e coeso. A questão central do filme não é tratada abertamente, mas fica com o espectador durante muito tempo. Quando um assume as responsabilidades do próximo, o que acontece? Conforme o filme vai passando, o público começa a perceber que Samia apenas segue sua vida, sem tomar responsabilidade por nada e sem se comprometer com ninguém e sem se importar com as pessoas que a rodeiam, e Mona, ao desejar tudo aquilo que a irmã tem, toma todas essas responsabilidades. Se todos são responsáveis pelo que cativam, como devem lidar quando cativam coisas de outra pessoa, isso é ajuda, é roubo ou é uma anulação pessoal?

Apoiado nas atuações extremamente fortes de suas protagonistas, Carnívoras é um filme que consegue ser visceral e subjetivo, prendendo o espectador até seu último momento.

Você pode verificar datas e horários no site do festival:

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A legalização da vingança de sangue.

O FILME
Abril Despedaçado, de Walter Salles

Abril 1910  – Na Geografia desértica do sertão brasileiro (Riacho das Almas), uma camisa manchada de sangue balança com o vento. Tonho (Rodrigo Santoro), filho do meio da família Breves, é impelido pelo pai (José Dumont) a vingar a morte do seu irmão mais velho, vítima de uma luta ancestral entre famílias pela posse da terra. Se cumprir sua missão sua missão, Tonho sabe que a sua vida ficará partida em dois: os 20 anos que ele já viveu, e o pouco tempo que lhe restará para viver. Ele será então perseguido por um membro da família rival, como dita o código de vingança da região. Angustiado pela perspectiva da morte e instigado pelo seu irmão menor, Pacu (Ravi Ramos Lacerda), Tonho começa a questionar a lógica da violência e da tradição. É quando dois artistas de um pequeno circo itinerante cruzam o seu caminho e essa realidade passa a ser esquecida pelos irmãos Breves.


O LIVRO

 Abril Despedaçado é um filme baseado no romance Prilli i Thyer de Ismail Kadare, adaptado por Karim Aïnouz. O enredo narra a história de uma vingança e do matador encarregado de executá-la. Passa-se na Albânia rural, por volta de 1930, na região do Rrafsh, um maciço de montanhas no Norte do país. Um conjunto de leis não escritas, o Kanuni, rege a vida dos montanheses num vilarejo em Shködra. O Kanuni diz que o sangue que for retirado de um clã, tendo um membro de sua família morto, deveria recobrá-lo, matando um membro da família devedora.


ANÁLISE SOB A LUZ DO KANUNI

A história da película inicia com a narração de Pacu, explicando como funciona o serviço de “tocar os bois”, o cenário mostra que a família Breves sobrevive com dificuldades a seca e a pobreza, através do cultivo da cana de açúcar, da produção e da venda de rapadura.
A mãe costuma dizer que Deus não manda um fardo maior do que nós pode carregar. Conversa fiada! Às vez ele manda um fardo tão grande que ninguém guenta” – Pacu.

O drama da história começa no jantar da família Breves, o patriarca fala para o filho do meio (Tonho) que a camisa amarelou – a camisa é do irmão mais velho de Tonho que foi morto pela família Rival (Ferreira), seguindo o código de vingança, o código kanuni, que legaliza a vingança de sangue. Rituais são feitos antes e depois do homicídio, a fim de verificar a sua natureza (institucional e técnica). Cada família tem o direito de vingar a morte de seus membros. Vingança de sangue (gjak, gjakmarrje) é exercido pela família da vítima de acordo com o Kanuni. Este último estipula rigorosamente as condições em que vingança de sangue deve obedecer. As disputas de sangue geralmente procedem da seguinte forma: quando um homicídio ocorre, a família da vítima exige retribuição de sangue, os membros masculinos do assassino automaticamente tornam-se alvo de um novo assassinato. Eles se refugiam em suas casas que são consideradas invioláveis sob Kanuni. Durante pelo menos 40 dias em busca de perdão. Se o perdão é concedido ou uma vida é tomada em retaliação, a disputa termina. Caso contrário, o período de isolamento ou sair de casa pode continuar indefinidamente.

O Kanuni é o código dos padrões tradicionais albaneses, é transmitido há milênios oralmente. Diferencia-se de uma tribo para outra, adaptadas para condições históricas e sociais, tem resistido a introdução de diferentes religiões e permitiu a tolerância entre o Islã, Catolicismo e Ortodoxia que os albaneses sempre afirmaram. A antiguidade deste código também nos faz entender as suas peculiaridades. A versão mais completa, a de Lek Dukagjini, foi publicado em 1933, como resultado das pesquisas do Pai Franciscan Gjekov Constantino, natural de Kosovo, que coletou histórias, provérbios, testemunhas na província de Shkodra. Os membros desta comunidade consideram-se todos iguais, eles estão unidos por um conceito religioso de sangue. O direito consuetudinário é, no entanto, não só uma característica da cultura albanesa. A influência romana sobre o direito costumeiro albanês pode ser facilmente observado através da semelhança do papel pater familias, no direito romano. Na ausência de uma estrutura, de um Estado organizado, pater familias é uma espécie de autoridade do Estado, com poderes para punir, adotar e banir membros da família. O conceito de “besa” e “juramento solene” no Kanuni é notavelmente semelhante ao conceito de “stipulatio” e “juramento promissório” da lei canônica (eclesiástico) da Igreja Católica.

Preste atenção, menino. Teu avô, teus tios, o teu irmão mais velho. Eles tudo morreram por nossa honra e por essa terra. E um dia pode ser tu. Tu é um Breves. Eu também já cumpri minha obrigação. Se não morri foi porque Deus não quis.” – Fala o pai para Pacu.

A aplicação do Kanuni é uma questão de honra, dignidade e fé para os albaneses. Estabelece as regras sobre a qual a cultura se baseia, com foco no conceito de honra. Noel Malcolm resume os princípios básicos desta forma: “ A fundação de tudo isso é o princípio da honra pessoal. A igualdade das pessoas vem a seguir. A partir desses fluxos um terceiro princípio, a liberdade de cada um para agir de acordo com sua própria honra, dentro dos limites da lei, sem estar sujeito a de outro comando e o quarto princípio é a palavra de honra, o Bese (BESA), que cria uma situação de confiança inviolável”.

Tonho, tu vai com cuidado no amanhecer, e não se esqueça: tua obrigação é só com quem matou o teu irmão. Negócio de homem pra homem, olho por olho.” – Fala o pai para Tonho, que agora vai fazer valer a vendetta

A chave para o Kanuni é um homem BESA, que é o significado de honra, onde a promessa, ou a palavra BESA vai além da sepultura. BESA exige respeito a promessa, aos amigos, aos hóspedes, é um juramento solene, o que existe de mais sagrado. No direito consuetudinário albanês, esta palavra sere como garantia de que o lesado não vai recorrer à vingança contra um assassino durante um determinado período de tempo. No decurso em que o assassino é protegido por “BESA”, ele e toda a sua família pode se locomover livremente, sem que seja surpreendido pela vingança. BESA é uma coisa sagrada, que significa lealdade, manter a palavra mesmo depois da morte, ou seja, aquele que deu sua palavra, que fez uma promessa, deve cumpri-la, mesmo após a sua morte, essa garantia será gerada pelos seus familiares.

“Pra chegar nos Ferreira, Tonho vai pisar em chão que já foi nosso. Os Ferreira tomaram e nós tomamos dos Ferreira. Agora é deles de novo. Foi assim que começou a briga. O pai disse que é olho por olho. E foi olho de um, por olho de outro… que todo mundo acabou ficando cego. Em terra de cego, quem tem um olho só, todo mundo acha que é doido.”  Pacu.

As mulheres eram isentas da vendetta. É importante compreender que o objetivo deste feudo de sangue não é punição por assassinato, mas a satisfação da própria honra, por ela ter sido poluída. Se a retribuição, fosse o verdadeiro objetivo, ou seja, se fosse apenas o desejo de vingança, então, apenas aqueles que são responsáveis pelo crime, pela desonra, pelo insulto, seriam os potenciais alvos. O que não ocorrre, o Kanuni dá o direito da pessoa ofendida derramar o sangue/matar qualquer membro masculino da família do ofensor original, e o sangue derramado dessa vítima, em seguida, clama a sua própria família para purificação. Exemplo: A ofendeu B, B tem o direito de matar A ou qualquer membro da familía de A que seja do sexo masculino. B conseguindo atingir o seu objetivo, poderá sofrer as mesmas consequências se um familiar de A quiser vingar o seu sangue.


Kanuni, (HAKIMARIA) código familiar que vale há 500 anos, prega que ‘sangue deve ser pago com sangue’. Desde o fim do comunismo em 1991, 9.500 pessoas foram mortas em brigas de famílias (vinganças).

Christian Luli, um rapaz de 17 anos de voz tranquila, passou os últimos dez anos preso dentro da pequena casa de sua família, porque tem medo de que ele seja morto a tiros se sair da porta de casa. Para passar o tempo, ele joga videogame e desenha projetos de casas. Como não pode frequentar a escola, o nível de leitura de Christian é o de um garoto de 12 anos. Uma namorada está fora de cogitação. Ele queria ser arquiteto, mas tem muito medo de que seu futuro seja permanecer trancado em casa, olhando para as mesmas quatro paredes. “Essa é a situação da minha vida. Não conheci nada, além disso, desde que era garoto”, diz Christian, olhando através da janela para um mundo proibido lá fora. “Sonho com a liberdade, com poder ir à escola. Se não tivesse tanto medo, poderia sair de casa. Viver assim é pior do que uma pena de prisão.” Christian Luli (à dir.) em casa com sua família na cidade albanesa de Shkoder em 13 de junho. A desgraça de Christian é ser filho de um pai que matou um homem nessa pobre região no norte da Albânia, onde o antigo ritual de disputas sangrentas entre famílias ainda persiste. De acordo com o Kanun, código de conduta da Albânia transmitido de geração a geração por mais de 500 anos, “sangue deve ser pago com sangue”, sendo a família da uma vítima autorizada a se vingar de um assassinato matando qualquer um dos parentes homens do assassino. A influência do Kanun está em declínio, mas, durante séculos, funcionou como a constituição do país, com regras orientando vários aspectos, como direito de propriedade, matrimônio e assassinato. O Comitê Nacional de Reconciliação, uma organização sem fins lucrativos da Albânia que trabalha para acabar com as rixas familiares, estima que 20 mil pessoas estiveram envolvidas em lutas entre famílias desde que elas ressurgiram, após o colapso do comunismo em 1991, com 9.500 mortos e quase mil crianças impedidas de frequentar a escola por estarem trancadas dentro de casa. 

Por tradição, qualquer rapaz jovem o suficiente para manusear um rifle de caça é considerado um alvo para a vingança, deixando vulneráveis 17 homens da família de Christian. A única restrição é que os limites da casa de família não sejam ultrapassados. Mulheres e crianças têm imunidade, apesar de que alguns, como Christian, que amadureceram fisicamente mais cedo, começam seu confinamento enquanto garotos. Membros da família da vítima são geralmente os vingadores, apesar de que algumas famílias terceirizam o assassinato para matadores de aluguel. Lutas sangrentas entre famílias têm dominado outras sociedades, como as vinganças da máfia no sul da Itália e a violência retaliatória entre famílias xiitas e sunitas no Iraque. Mas o fenômeno tem sido particularmente notável na Albânia, um país extremamente pobre que está lutando para adotar as regras da lei após décadas de ditadura stalinista. Enterrados vivos essas lutas familiares quase desapareceram aqui durante o governo de 40 anos de Enver Hoxha, ditador comunista albanês, que declarou a prática ilegal, às vezes enterrando vivo quem não obedecia, nos próprios caixões das vítimas. Mas especialistas jurídicos na Albânia afirmam que as brigas que explodiram novamente após a queda do comunismo levaram a um novo período de anarquia e desrespeito às leis. Quase mil homens envolvidos em lutas familiares fugiram para o exterior, alguns deles solicitando asilo. Mesmo assim, dezenas de pessoas foram perseguidas fora do país e mortas por vingança. Ismet Elezi, professor de direito criminal da Universidade de Tirana, que aconselha o governo e a polícia sobre como enfrentar esse problema, disse que mudanças recentes no código penal da Albânia – incluindo penas de 25 anos na prisão para quem comete homicídio por rixa familiar e penalidades rígidas para aqueles que ameaçam retaliar – ajudaram a diminuir essa prática. Porém, ele observou que alguns ainda acreditam mais no Kanun do que no sistema judiciário, muitas vezes com consequências sociais devastadoras. “A geração mais nova não acredita mais nos códigos de conduta da antiga geração”, ele disse. “Mas rixas familiares ainda causam sofrimento porque os homens presos dentro de suas próprias casas não podem trabalhar, as crianças não podem ir à escola, e famílias inteiras são privadas do mundo exterior.” Alexander Kola, mediador que trabalha para resolver lutas entre famílias, disse que o caso mais comum são disputas em relação a propriedades e terra. Ele observou que as rixas também podem surgir de afrontas aparentemente sem importância. Há um caso recente no qual doze homens foram forçados a ficar trancados em casa depois que um homem da família matou um comerciante que se negou a vender um sorvete ao filho dele. Em outro caso, uma briga explodiu quando uma ovelha pastou na terra de um vizinho, causando uma luta mortal. Sociólogos daqui disseram que as brigas inverteram papéis tradicionais de gêneros na Albânia rural, já que as mulheres se tornaram as principais provedoras da família, enquanto os homens foram forçados a ficar em casa e fazer o trabalho doméstico. A mãe de Christian, Vitoria, de 37 anos, conta que mandou o rapaz ficar dentro de casa quando ele fez sete anos, depois que seu marido e seu irmão mataram um homem na vila por causa de uma briga de bar. Ela disse que seu outro filho, Klingsman, sete anos, frequentava a escola, mas logo seria forçado a se juntar ao irmão na vida de confinamento doméstico. Seu marido e seu cunhado estão na prisão, cumprindo pena de 20 anos por assassinato. “Eu vivo com uma ansiedade e um medo constantes de que Christian seja morto, de que eles estejam à caça do meu filho”, diz Luli, que depende de caridade para se manter, com seus dois meninos e duas meninas. “Espero que alguém da outra família mate alguém da nossa família, assim esse pesadelo finalmente vai acabar.” 

Ela conta ter enviado um mediador para tentar obter o perdão por parte da outra família, sem êxito. A família da vítima, Simon Vuka, se recusou a comentar. Mas Kola, que está intermediando o caso, disse que a família não estava preparada para perdoar a rixa porque a vítima tinha dois filhos pequenos que ficaram órfãos de pai. “Muitas famílias de vítimas acham que aprisionar todos os homens da família do assassino em suas próprias casas é uma vingança melhor do que matá-los.” Kola, ex-instrutor de ginástica olímpica que estudou resolução de conflitos na Noruega, afirmou ter tentado reconciliar rixas ao identificar amigos ou parentes influentes da vítima que poderiam implorar à família para perdoar e esquecer. Ele disse que o pedido de perdão geralmente era acompanhado por uma oferta de moedas de ouro ou outros presentes por parte da família do assassino. “Eu digo às famílias das vítimas que o perdão é mais importante que a vingança”, contou. Christian, com uma maturidade maior que sua idade, disse que culpa o pai dele, seu tio e um código de conduta obsoleto por destruir sua vida. Ele acha injusto estar sendo punido pelos crimes cometidos por parentes. Seu único contato com o mundo exterior acontece uma vez por mês, quando um grupo de freiras que fazem trabalho de caridade na comunidade forma um círculo de proteção ao redor dele e o leva em uma viagem de carro de 30 minutos para um centro comunitário próximo. Ele conta que sonha escapar da Albânia, mas sua família é muito pobre para mandá-lo para o exterior. Ele poderia se armar e fugir, mas teme que os riscos sejam mortais. “O Kanun é cheio de regras idiotas”, “É completamente injusto e sem sentido.” 

Brigas entre famílias afetaram os jovem, assim como os membros mais velhos da população da Albânia; alguns deles ficam sem cuidados médicos adequados porque não podem sair de suas casas. Sherif Kurtaj, de 62 anos, foi forçado a viver com um tumor nas costas não tratado e um dente podre porque ficou trancado em sua casa durante os últimos oito anos, desde que seus dois filhos mataram um vizinho que ridicularizou os planos dos rapazes de migrar para a Alemanha. Ele contou que precisava de uma cirurgia que salvaria sua vida, mas temia que, se fosse ao hospital, seria morto a balas por vingança. Kurtaj disse que seus dois filhos, cada um condenado a 16 anos de prisão, estão foragidos desde o assassinato. Mesmo que eles se entreguem, lamentou, ainda assim seria obrigado a permanecer trancado em casa. Ele conta que seus amigos tinham muito medo de visitá-lo, preocupados em serem acidentalmente baleados. Kurtaj disse que a rixa o tornou totalmente dependente da esposa. “Sou um homem do Kanun e fui criado para ser o homem da casa. Mas hoje minha mulher é tudo para mim.” Kurtaj poderia apresentar uma queixa, de acordo com as leis do país, contra a família da vítima por tê-lo ameaçado de morte; esse delito implica uma pena de até três anos de prisão. Mas Kurtaj contou ter medo de que isso só traga represálias. “O Kanun tem que ser obedecido”, disse. “O sangue precisa ser vingado.” 

Antes das alterações introduzidas pelo regime comunista, na década de 1940, os albaneses eram um povo tribal, que viviam em unidades de família denominadas FIS. Essas FIS possuíam tradições antigas tais como a “VINGANÇA” ou feudos de sangue, que poderiam perdurar por muitas e indefinidas gerações. Para sua proteção, durante esses feudos, as famílias viviam em fortalezas de pedra chamadas de KULAS. O piso térreo das kulas era construído com fendas em vez de janelas enquanto o piso superior possuía janelas que podiam ser fechadas. No período do regime comunista, praticamente não se escutava sobre a “VINGANÇA”, mas após a queda do comunismo esse costume ou tradição retornou, mais especificamente no norte da Albânia. Hoje mais de 3.000 famílias têm os seus homens presos em seus próprios lares. Os homens de qualquer idade são prisioneiros em suas próprias casas, sem direito à escola, assistência médica ou qualquer outra atividade. Apenas o sexo feminino tem liberdade de ir e vir, para exercer qualquer atividade fora do lar. 




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Referência:

Malcolm, Noel. “Kosovo Uma Breve História”. New York: New York University Press, 1998.

Teuta Vodo, Universite Libre de Bruxelles. O sistema judicial albanês na frente do direito consuetudinário: dependência caminho e Painel de conjunturas ECPR crítica: Estado pratica Dublin / Irlanda 2010/09/02

Elta ALIMEMA Universita di Padova, Ligji dhe Jeta (Law and Life), o Comitê de Vida de Nationwide Reconciliação

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Amy Schumer é a protagonista de “Sexy Por Acidente”, divertida comédia sobre autoaceitação. Filme estreia dia 28 de junho em circuito nacional. (📷 Paris Filmes / Divulgação)

Em tempos de autoafirmação, busca pelo sucesso, e do cultivo da imagem perfeita, a indústria do cinema vem dando ênfase a um tema indiscutivelmente em alta nos últimos anos: a valorização da autoestima. O assunto se tornou queridinho dos estúdios, e está sempre presente em alguma produção aqui, outra acolá.

Se valendo deste discurso, chega aos cinemas brasileiros em 28 de junho o filme Sexy por Acidente, novo lançamento da Paris Filmes. Com direção da dupla Abby Kohn e Mark Silverstein (Idas e Vindas do Amor), o filme tem em seu elenco a comediante Amy Schumer (Viagem das Loucas), além de  Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar) e Rory Scovel (A Casa Caiu : Um Cassino na Vizinhança).

Schumer interpreta Renee, uma mulher comum e cheia de medos e inseguranças que trabalha na divisão online de uma grande marca de cosméticos. Um dia, Renee sofre um acidente e passa a se enxergar de forma diferente (literalmente), o que a leva a assumir uma nova postura, totalmente autoconfiante.

A grande sacada do filme é Amy Schumer. Totalmente à vontade naquilo que sabe fazer de melhor (comédia), a atriz carrega o filme nas costas e provoca muitas risadas nas situações mais inusitadas. Michelle Williams   dá vida à estereotipada Avery Leclair, responsável pela marca, e Rory Scovel (A Casa Caiu: Um Cassino na Vizinhança) interpreta Ethan, o interesse romântico de Renee.

Sexy Por Acidente é um prato cheio para quem gosta de uma boa comédia e está a fim de dar boas risadas. A direção estável e a leveza do roteiro são alguns de seus pontos positivos. Além disso, algumas características servem para destacá-lo positivamente: a trilha sonora é bem construída através de músicas que passam toda a diversão que se vê na tela. Algumas referências oitentistas marcam presença, além de uma participação especial da modelo Naomi Campbell, que dá um tom glamouroso ao longa-metragem.

Talvez a maior cartada do filme seja exatamente o discurso de autoaceitação e a forma como ele é conduzido. Enxergando além das palhaçadas de Schumer na telona, o que se vê é uma mensagem estrategicamente implantada, e bem sucedida em sua intenção. Sexy Por Acidente mostra que é sim possível ser feliz sem toda a pressão e cobrança pela perfeição que a sociedade exige, e expõe o medo e insegurança presentes até mesmo naquelas pessoas que parecem “perfeitas”. E…quer saber? Tudo bem!

Certamente ao final da sessão, muitas pessoas sairão sentindo-se melhores consigo mesmas, além de carregar um involuntário sorriso no rosto, provocado por um filme que, muito além de uma comédia, é uma ode à aceitação.

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Crítica | Birthmarked

Uma comédia que desafia os padrões estabelecidos. (📷 Buzz)

Sabe aquela história de que o indivíduo é influenciado pelo meio? Talvez não seja bem assim, é o que este filme vem propor. Uma comédia com toques sutis de drama, dirigido por Emanuel Hoss-Desmarais (2018), tendo no elenco Fionnula Flanagan, Toni Collette, Matthew Goode, Michael Smiley e Andreas Apergis. Dois cientistas, Catherine (Collette) e Ben (Goode) decidem criar seus três filhos de maneira que sua herança genética não interfira na construção de sua personalidade, mostrando que a educação se sobrepõe à natureza.

Cada uma das crianças desenvolvem talentos e interesses distintos, como o domínio da matemática, a facilidade em compôr músicas expressando seus sentimentos mais profundos, e ainda a sensibilidade com questões ligadas à existência humana. Mas o que acontece ao longo dos anos é que os irmãos acabam, de maneira muito natural, compreendendo-se mutualmente e passando pelo período turbulento pelo qual todo adolescente precisa passar. Com isso, a vida que eles levavam por causa dessa experiência científica acaba fazendo com que eles se sintam sufocados, presos por apenas terem contato apenas com seus pais e agentes que participavam do estudo. Essa instabilidade também acontece com Catherine (Collette) e Ben (Goode), que percebem o quanto a vontade de fazer algo pelo mundo pode ter acabado com a possibilidade de terem sua família e sua própria vida.

Este é um filme que a todo momento apresenta um conflito o qual é evitado e que logo se instaura em cada um dos personagens, fazendo com que sua personalidade seja modificada, expressando o que é, de fato, verdadeiro. Dessa forma, instiga à pensar na própria conduta como indivíduo e sobre toda a construção e definição de sociedade.

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Com estreia prevista para o dia 07 de Junho, o novo longa metragem de direção de Gary Ross, mesmo diretor Jogos Vorazes, é um dos grandes destaques de estreias de 2018. Dando uma espécie de seguimento ao filme Onze homens e um Segredo, o trabalho se propõe a contar a história de Debbie Ocean (Sandra Bullock), que é irmã do personagem Danny Ocean, interpretado por George Clooney  no primeiro filme. 

Com um movimento de câmera extremamente dinâmico, o filme dificilmente se torna cansativo para o telespectador, introduzindo continuamente as personagens, e promovendo progressivamente o desenrolar da trama, sem se delongar em uma única temática ou se prender a algum arco narrativo. Ainda que o desenvolvimento do roteiro não traga uma inventividade inovadora, é bem construída a narrativa cinematográfica, e tirando alguns meros deslizes no mesmo, tudo termina bem amarrado no final.

O grande ponto de destaque, que por sinal foi trabalhado em exaustão pela equipe publicitária do filme, foi o elenco. Contando com nomes renomados do cinema americano, como Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, dentre outros, o filme conseguiu atrair uma grande número de pessoas para as telas de cinema, colocando-o em uma boa posição de bilheteria nas estreias americanas. 

Ainda que inevitavelmente o trabalho tenha abusado dos clichês para a estruturação de uma identidade feminina em alguns momentos, o filme não foi pretensioso, não se propondo a condensar e reproduzir de forma padrão uma concepção única de feminilidade, e justamente por levar a temática com uma leveza bem característica da obra, acabou passando de forma sutil por esse ponto.

Divertido, leve, e carregado de uma estética que se referiu continuamente a indumentária feminina, e a indústria de luxo existente por trás de grandes eventos, como o tradicional baile do Metropolitan Museum of Art, o filme consegue agregar uma idealização do senso comum, e ainda assim abarcar uma certa individualidade nas personagens, fazendo dessa uma obra super acessível ao público de modo geral. 

“No Olho do Furacão”, novo filme do diretor de “Velozes e Furiosos”, mistura cinema de ação com cinema catástrofe. (📷Imagem Filmes/Divulgação)

Rob Cohen é um cineasta de ação por excelência. Na filmografia do diretor americano de 69 anos, destacam-se títulos famosos entre os fãs do gênero, como o próprio Velozes e Furiosos (2001), Triplo X (2002) e Daylight (1996).

Em seu novo filme No Olho do Furacão, distribuído pela Imagem Filmes e estreia nesta quinta-feira, dia 07 de Junho, em circuito nacional. Cohen mistura dois gêneros cinematográficos que sempre mexem com a imaginação e o entusiasmo de boa parte do público: ação e catástrofe.

Um breve resumo do enredo: O filme começa em 1992, onde dois jovens irmãos presenciam um violento furacão que passa pela cidade destruindo tudo o que toca. De volta aos dias atuais, acompanha-se novamente os irmãos, que ficam frente a frente com um furacão ainda mais forte, enquanto se vêem no meio de uma tentativa de assalto ao tesouro americano.

Um desses irmãos é Will, interpretado por Toby Kebbell (Kong – A Ilha da Caveira, Planeta dos Macacos – A Guerra), um simpático meteorologista que parece ser o único a perceber que o fenômeno climático que se aproxima será muito mais forte do que o esperado. Mesmo avisando constantemente seus colegas da gravidade da situação, Will é sempre ignorado (previsível, não?).

Também estão no elenco a atriz Maggie Grace (Busca Implacável 3), na pele da policial Casey, e o ator Ryan Kwanten (Jogada de Mestre), que dá vida à Breeze, o irmão de Will.

📷Imagem Filmes/Divulgação

Para quem gosta de adrenalina na telona e não se preocupa tanto com qualidade técnica, No Olho do Furacão é um prato cheio. A fórmula usada é a mesma dos filmes citados no início do texto, o que inclui uma série de explosões e tiroteios, além de perseguições em alta velocidade.

O roteiro é um tanto vulnerável e extremamente previsível, fato que fica mais evidente em algumas tomadas. Apesar disso, é de fácil entendimento e consegue incrivelmente impôr um tímido dinamismo, o que faz com que o filme se desenrole de uma forma um pouco mais leve.

Os irmãos protagonistas também ajudam um pouco no desenrolar da trama, gerando uma certa empatia que é muito bem-vinda.

Talvez a falta grave de No Olho do Furacão esteja em seus efeitos visuais. O “furacão” do título precisa dividir a atenção com os atores em cena, e a forma que encontraram para dar destaque ao fenômeno na tela foi dar ênfase ao exagero. A mão pesou, e muito! O resultado foi uma sequência de cenas descabidas e com efeitos mal acabados, o que acabou levando “pelos ares” todo o esforço inútil em conceber um filme que mesmo com todas as suas falhas, fosse levado a sério.

O longa-metragem talvez agrade aos fãs de ação, mas expectativas de assistir a um grande filme não cabem aqui.

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Filme de horror brasileiro, estreia nesta quinta-feira, 07 de junho. (📷 Imovision / Divulgação) 

O cinema de gênero nacional está voltando ao mercado com força e boa qualidade. É o caso de Motorrad, que fez a abertura de 2018 e surpreendeu pela boa produção. No próximo ano, é aguardado o terror Recife Assombrado, de Adriano Portela. Mas nesta quinta-feira, 07 de junho, estreia o filme do gênero horror, As Boas Maneiras.

Na sinopse, Clara, enfermeira solitária da periferia de São Paulo, é contratada pela rica e misteriosa Ana como babá de seu futuro filho. Uma noite de lua cheia muda para sempre a vida das duas mulheres.

A dupla Juliana Rojas e Marco Dutra (Trabalhar Cansa) que se conheceram ainda na Universidade e sempre realizam seus trabalhos em parceria, criam um universo lendário, baseado no lobisomem, de uma forma muito exitosa. O espectador conhecerá uma obra diferente de tudo o que já leu. O roteiro e direção de Rojas e Dutra criam um ambiente novo para contar a história, já conhecida através das lendas brasileiras. Eles substituem a zona rural pela urbana com edifícios, escolas, grande número de população, centros de compras etc. O que contribui para a essência da trama.

📷 Imovision / Divulgação

Utilizando as técnicas de animação bem desenvolvida, a protagonista Ana (Marjorie Estiano) narra uma história sinistra para Clara (Isabél Zuaa), explicando como conseguiu aquela gravidez. Não sabem elas, o que Ana carrega em seu ventre. O garoto Joel, filho de Ana e criado por Clara, vivido por Miguel Lobo, também não decepciona e retrata uma criança com seus sonhos, suas brincadeiras, amizades e malcriações também. 

As protagonistas desempenham um ótimo papel e, juntas, carregam a química necessária para passar toda a carga dramática das personagens para o espectador. E tanto Estiano, quanto Zuaa conseguem mostrar uma ótima interpretação. 

Um ponto forte da produção está nos efeitos visuais. A criação do lobisomem é bem fiel e não parece artificial, o que já é muito bom. O personagem que interpreta o lobisomem se apresenta como humano e também no processo de transformação e tudo é mostrado com perfeição na tela grande.   

As Boas Maneiras é um filme do gênero horror, lançado para provar que de gênero o cinema nacional também entende e consegue realizar. Claro que com todas as dificuldades, mas com boa qualidade.

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Crítica | Nostalgia

“Intenso, realista e tocante!” (📷Bleecker Street)

Drama dirigido por Mark Pellington (2018), estrelado por Hugo Armstrong, Ellen Burstyn, Catherine Keener, Annalise Basso, Jon Hamm e John Ortiz. A trama conta várias histórias que, de alguma forma, se conectam, tendo a perda de um ente querido em comum. A relação com os objetos materiais daqueles que faleceram é trabalhada de maneira intensa, explorando todos os sentimentos da relação entre as pessoas, quando ainda vivas, e como as que ficaram se sustentam com tamanha perda. É um enredo bastante denso, onde os sentimentos e as atitudes de sofrimento são mostradas intensamente. Cada estágio da dor é apresentada sem excessos, detalhada, justamente para que se consiga compreender como aquilo se inicia e acompanhar todo o processo até a aceitação.

📷Bleecker Street

O longa já se inicia com uma conversa entre Daniel (Ortiz), que trabalha avaliando objetos antigos, e uma garçonete, elogiando-a quanto ao seu colar, o que faz com que a moça o diga que era de sua avó. Com isso, a moça comenta sobre algumas outras recordações que o colar e outros adereços a trazem, situando muito bem sobre do que se tratará as próximas cenas.

Uma filha, afastada de seu pai, pede para que Daniel (Ortiz) vá até o encontro dele para avaliar o que tem na casa. Durante a visita, em meio a tantos objetos de família, como fotos, câmeras e livros fica nítido que o valor de tantos objetos materiais não se compara com o valor de toda uma vida.

📷Bleecker Street

Helen (Burstyn) perdeu quase tudo após um incêndio em sua casa, restando apenas alguns poucos objetos e muitas lembranças. Com o ocorrido muda-se para a casa de seu filho, que se solidariza vendo como sua mãe esta. Helen não se sente à vontade com a situação, principalmente porque para ela ninguém consegue compreender a dimensão de toda sua perda. Decide vender um de seus objetos mais valiosos, uma bola de beisebol que era de seu marido. Mesmo relutante por guardar tantas lembranças com aquele objeto ela entra em contato com um comprador, Will (Hamm), quem escuta toda a história de Helen (Burstyn) e compra a bola. Depois da compra ele viaja até a casa de seus falecidos pais, para fazer a limpeza da casa com sua irmã, Donna (Keener), selecionando os objetos que irá guardar, vender e se desfazer. Desde quando entram na casa até a retirada de tudo a sensação de nostalgia é trabalhada a todo o momento, nas cenas com o enquadramento nos cômodos da casa e nos móveis, até nas conversas entre os irmãos. Essas partes acabam servindo como preparação para o drama ainda maior que viria em seguida, possibilitando uma crescente de sofrimento ao longo do filme. Dentro da categoria no qual é classificado, sem dúvidas esta é uma daquelas preciosidades que todos precisariam assistir. Intenso, realista e tocante.

 

 

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Crítica | Fahrenheit 451

ADAPTAÇÃO DA OBRA DE RAY BRADBURY, FAHRENHEIT 451 MOSTRA UMA REALIDADE UTÓPICA, TECNOLÓGICA E OPRESSIVA. (📷HBO)

Distribuído pela HBO (2018), com Michael B. Jordan, Michael Shannon e Sofia Boutella, o longa trata sobre a total repressão contra os livros impressos, principalmente os de literatura. Segundo o atual sistema imposto na sociedade, altamente desenvolvida quanto aos avanços tecnológicos existentes, todos os pensamentos dos autores, poetas e filósofos apenas serviam para causar a loucura e a falta de discernimento naqueles que liam suas obras. Por isso, o papel do bombeiro neste contexto é reversa, onde ao invés de apagar o incêndio são eles que o causam. Montag (Jordan) é um deles, o braço direito do comandante da frota, e um dos melhores bombeiros já treinados por ele.

Em uma das missões de caça aos livros e àqueles que os escondiam, Montag (Jordan) sente-se desconfortável quando uma senhora prefere ser queimada junto das suas obras literárias do que viver sem elas. Para ele não fazia nenhum sentido, o que o fez começar a pensar que talvez era ele quem estaria errado. Esse pensamento começa a ganhar mais força após o encontro dele com Clarisse (Boutella), uma mulher cheia de segredos e que o despertou a atenção. Ambos acabam se aproximando, o que ajuda Montag (Jordan) a começar a entender qual era realmente seu papel dentro da sociedade, questionando suas próprias ações e encontrando seu verdadeiro caminho em meio ao caos estabelecido.

O longa, por ser uma adaptação de obra literária, esta sujeito a comparação. O foco da trama não foi alterado, a questão do combate aos livros e a todos que insistiam escondê-los é mostrada de maneira enfática, mas alguns excessos ao longo do filme o acabam desvalorizando, como a insistência em mostrar a atitude metódica e repetitiva dos bombeiros. Mas isso se explicaria com a necessidade da farça que a própria utopia, inserida tanto no livro quanto no filme, demonstra. Algumas das cenas da queima dos livros poderiam ter sido melhores aproveitadas, principalmente quanto aos efeitos visuais, que ficaram bem inferiores do que se esperava.

Para aqueles que leram a obra e esperavam uma adaptação à altura se decepcionaram, já os que apenas assistirem ao filme sem ter essa base pode ser um bom filme, ainda mais por despertar o interesse em ler o livro de Bradbury.

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“Eu Só Posso Imaginar”, novo lançamento da Paris Filmes, conta a história por trás da música de sucesso “I Can Only Imagine”, da banda MercyMe. (📷 Paris Filmes / Divulgação)

Em Agosto de 2001, a banda MercyMe lançou a música I Can Only Imagine. A canção foi o primeiro single do álbum de estreia da banda, e se tornou um grande sucesso, alcançando posições de destaque em várias paradas musicais.

O filme Eu Só Posso Imaginar, distribuído pela Paris Filmes e com lançamento marcado para o dia 31 de Maio, em circuito nacional, é baseado na vida de Bart Millard, vocalista da MercyMe, e retrata a história por trás da canção. Estão no elenco os atores J. Michael Finley, Denis Quaid (Quatro Vidas de Um Cachorro) e Trace Adkins (O Poder e a Lei).

Bart Millard (Finley), é um garoto maltratado pelo pai, Arthur (Quaid), e com o sonho de ser um artista. Nutrindo um amor proibido pela música, Bart busca forças através de Deus para tentar equilibrar sua vida familiar e correr atrás de seu sonho, em uma jornada que se desenrola através dos anos.

📷Paris Filmes / Divulgação

Com direção dos irmãos Erwin (Talento e Fé), o filme tem uma pegada road movie gospel que rende bons momentos.

A ambientação é caprichada, e recheada de elementos dos anos 1980 e 1990, época em que se passa o filme.

J. Michael Finley interpreta seu primeiro papel em um longa-metragem, e mostra competência na composição de Bart. Devido o comportamento abusivo de seu pai, o personagem é recluso e se comporta como um animal ferido, eventualmente afastando as pessoas que se aproximam, e Finley explora essas nuances muito bem.

Denis Quaid está ótimo como Arthur, o pai de Bart. O ator transparece toda a ira do personagem, e sua atuação aliada à atuação de Finley, rende bons embates através de diálogos intensos e eficientes.

📷Paris Filmes / Divulgação

Duas esferas principais compõem o filme: a busca de Bart pelo sucesso, e a batalha pessoal que enfrenta com o pai. Ao passo em que as cenas que retratam sua luta em busca de seu sonho, soam um pouco arrastadas e cansativas em alguns momentos…a força maior do filme se concentra na relação de Bart com seu pai. É nesse momento que o filme mostra suas melhores partes, com momentos de pura emoção e reflexão, que sensibilizam naturalmente, sem precisar de muito esforço. Essa relação é mais explorada na parte final do filme, e é definitiva na escolha do caminho que o mesmo toma.

Outro ponto positivo é a trilha sonora, imposta através de acordes melódicos e sensíveis, ajudando a criar a atmosfera necessária. Alguns bons números musicais também estão presentes.

Mais do que um “filme gospel”, no final das contas Eu só Posso Imaginar é um filme sensível, inspirador e agridoce, que tem como temas principais o perdão, e a transformação de seres humanos cheios de falhas através da música, e acima de tudo…da fé .Uma bela história, com uma bela mensagem.

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“Não se Aceitam Devoluções”, nova comédia estrelada por Leandro Hassum, é uma adaptação de filme mexicano de sucesso. (📷 Fox Film do Brasil / Divulgação)

Em 2013 foi lançado o filme mexicano Não Aceitamos Devoluções. Dirigido e protagonizado por Eugenio Derbez, o longa-metragem teve um orçamento de 5 milhões de dólares e rapidamente se tornou um grande sucesso comercial. A boa campanha abriu as portas para que o filme obtivesse destaque e notoriedade em outros países, o que resultou em um faturamento global de pouco mais de US$ 100 milhões.

A história singela, de cunho familiar e enfoque no amor entre pai e filha, conquistou admiradores em todos os lugares e isso serviu para catapultar o filme ao posto de maior bilheteria da história do México à época.

É adaptado deste projeto de sucesso, que está entra em cartaz na quinta-feira, dia 31 de Maio o nacional Não se Aceitam Devoluções, distribuído pela Fox Film do Brasil.

Como protagonista da versão brasileira, na pele do personagem Juca Valente, está o ator Leandro Hassum (Até Que a Sorte nos Separe). Também participam do projeto o ator Jarbas Homem de Mello (O Duelo), a atriz cubana Laura Ramos (Viva Sapato!), e a revelação Manuela Kfouri, como a garota Emma, filha do protagonista.

Dirigido pelo cineasta André Moraes (Entrando Numa Roubada), o filme conta a história de Juca Valente (Hassum). Mulherengo incorrigível, que só quer saber de aproveitar a vida, Juca um dia se depara com uma de suas ex-namoradas, a americana Brenda (Laura Ramos), que bate à sua porta com a filha a tiracolo, dizendo que ele é o pai da garota. Apavorado com a ideia de ter que cuidar de uma criança, Juca viaja até os EUA atrás de Brenda e aos poucos vai descobrindo uma afeição cada vez maior pela menina.

(📷 Fox Film do Brasil / Divulgação)

É uma tarefa muito difícil não associar este filme ao original (ao menos  para quem assistiu), e isso pode ser uma característica positiva ou negativa, dependendo do ponto de vista.

Antes de mais nada, precisa-se dizer que o roteiro foi muito bem adaptado, e é bastante fiel ao filme mexicano. Percebe-se que houve um cuidado e uma dedicação em manter a história intacta, e por ser uma adaptação, isso é bom.

O “trânsito” da história entre as cidades do Rio, Los Angeles e Nova York propicia o uso de uma fotografia em tons dourados, propositalmente pensada para dar um ar “californiano” às cenas. Ainda dentro do contexto destas ambientações diversificadas, percebe-se que isso em alguns momentos atrapalha um pouco o andamento do filme, já que o excesso de “vai e vem”, somado à diálogos em português e inglês, e o uso de algumas liberdades artísticas, acabam confundindo em certas cenas.

Leandro Hassum é o fanfarrão de sempre, e projeta o humor característico em seu personagem, o que resulta em uma interpretação batida, mas com alguns momentos de destaque realmente cômico. Uma faceta que o ator explora mais neste papel, já que há essa liberdade no roteiro, é o drama e prova que pode fazer um trabalho “ok” em cenas que exigem intensidade emocional. Laura Ramos chama mais a atenção por sua beleza elegante, e na interpretação de Brenda, faz um trabalho morno. O destaque ficou com Manuela Kfouri, atriz revelação que dá vida à Emma, a filha de Brenda. Divertida e totalmente à vontade, a garota rouba a cena.

Com uma notável variação que vai da comédia ao drama no desenrolar da história, Não se Aceitam Devoluções tem o potencial dramático subestimado ao exagerar nas cenas tristes com chororôs excessivos e apelativos, que incomodam um pouco ao invés de emocionar. Apesar disso, tem bons momentos.

No geral, o filme é sim um programa famíliar para se curtir no cinema, e deve usar isso como trunfo, já que em questão de qualidade não sai da zona de conforto das produções cômicas brasileiras, o que é uma pena.

Assista ao trailer:

Deadpool está de volta! (📷 20th Century Fox / Divulgação) 

Em Deadpool 2, que estreia nesta quinta-feira, 17 de maio, em circuito nacional, dois dos (sendo um, pouco anti) heróis volta com o seu super poder mais aguçado: o deboche. Com piadas geniais e seu senso auto-crítico, o primeiro ato da sequencia falha um pouco na apresentação dos novos personagens, exceto pela maravilhosa Zazie Beetz (Dominó), é difícil criar um vinculo logo de cara, e isso atrapalha um pouco o ritmo do filme.

Ryan Reynolds continua sendo uns dos maiores acertos da produção, a acidez e carisma que seu personagem carrega, conquista fácil o espectador. Não pode-se dizer o mesmo do vilão Cable, interpretado por Josh Brolin (Thanos, de Vingadores: Guerra Infinita), ele não é lá um dos mais originais.  E o argumento pra sua existência é bem parecido com o Exterminador do Futuro tudo o que já se viu por ai.

Mas é claro que o próprio filme não deixa de debochar disso, e de forma consciente deixa claro mais de uma vez que-isso-que-você-está-assistindo-não-é-pra-levar-tão-a-sério-assim.  A prova é que boa parte do segundo ato só serve para fazer uma grande piada. Já o terceiro é um pouco mais longo do que devia, daria pra tirar, pelo menos, 20 minutos do longa-metragem  

Na parte técnica é bem válido elogiar a trilha sonora com composições de Celine Dion, A-HA e AC/DC estão inclusos e sincroniza bem com todos os momentos. Há muitos filmes que colocam musicas clássicas em cenas de forma bem forçada (como o caso de Atômica), isso passa longe de acontecer aqui, o público sairá da exibição querendo baixar todas no Spotify.

O CGI também é muito bom, e algo que vale a pena destacar, por que faz a platéia esquecer totalmente daquele fiasco que foi a apresentação do primeiro Deadpool, na época de Wolverine Origins.

Em suma Deadpool 2, é uma sequência pouco ousada, com um roteiro bem convencional, mas que cumpre com excelência sua principal função: entreter e divertir.  Continua tão bom, quanto o primeiro filme, exceto pela parte que a musa Morena Baccarin, aparece bem menos no novo filme.

Uma dica, ainda não dá pra assistir com a mãe do lado. Outra dica, não saia antes dos créditos finais. A sala de cinema inteira aplaudiu a cena.

Assista ao trailer: 

Crítica | Deadpool 2

Deadpool foi um grande tiro no escuro na época de seu lançamento. Sua estruturação e produção duraram vários anos, o filme vinha sendo barrado por questões sobre o tom, faixa etária e até onde se poderia ir em um filme de ‘’super-herói’’. Então, após um sinal verde, em 2016 finalmente o filme foi lançado, tendo Ryan Reynolds (Dupla Explosiva) na pele do Mercenário Tagarela. O filme quebrou barreiras misturando cenas de ação super pesadas, piadas sujas e um linguajar definitivamente impróprio para menores e acabou arrecadando uma bilheteria muito acima de seu curto orçamento. Agora, dois anos depois, o espectador tem a oportunidade de conferir Deadpool 2, que estreia em circuito nacional, nesta quinta-feira,  dia 17 de maio, distribuído pela 20th Century Fox!

Após um incidente que o desestabiliza, Deadpool precisa enfrentar Cable (Josh Brolin, de Vingadores: Guerra Infinita) um soldado que vem do futuro para uma missão assassina. Impedir Cable, começa a colocar Deadpool em uma posição que o faz pensar sobre o que é ser um herói e como suas atitudes podem transformar ele em um ou não. Para vencer o soldado, o mercenário precisa recrutar uma equipe um tanto quanto inusitada.

Deadpool 2 acerta muito em puxar as cordas do primeiro longa, usando ganchos deixados, frases ditas e amarrando os dois filmes, trazendo algo que tem sido um pouco difícil de se ver em sequências de filmes de herói: um desenvolvimento real de seu protagonista.

📷 20th Century FOX / Divulgação 

Ambientado de forma mais confiante seu protagonista no universo dos X-Men, o filme é uma caixinha de surpresas, expandindo os personagens secundários e dando forma a uma equipe muito diferente da qual o público está acostumado a ver em ação. Recheado de referências maravilhosas e surpresas que farão os fãs entrarem em êxtase, Deadpool retorna em sua melhor forma, apoiado por uma trilha sonora sensacional.

Ryan Reynolds novamente brilha como Wade Wilson, e seus momentos falando com o espectador continuam sendo seus melhores e apoiado por um elenco secundário muito bom, consegue trazer todas as camadas do personagem, seus conflitos, sua irresponsabilidade e suas ações que sempre levantam a mesma questão: “isso me torna um herói ou apenas alguém bagunçando tudo?“.

Aproveitando da melhor forma possível a oportunidade que foi conseguida com tanta dificuldade e trazendo um filme muito melhor que seu antecessor Deadpool 2 vem com a irreverência já conhecida, as piadas sujas, os palavrões e as cenas que, as vezes, são difíceis de acreditar que foram filmadas.

Deadpool 2 vem quebrando tudo, totalmente seguro de si e de seu público e conquistando um lugar merecido entre as melhores adaptações de quadrinhos dos últimos tempos.

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Para falar sobre o filme Colheita Amarga é preciso analisar duas situações. O filme que deveria ter acontecido, o alvo onde os produtores, os atores e os diretores miraram. E o filme que aconteceu… esse bem… vamos começar.

A história se passa no período entre a Primeira e Segunda Guerra Mundial. O cenário é a Ucrânia. O filme conta a transformação do país ao longo da Revolução Bolchevique, iniciando a narrativa no período do Czar, passando pela vida de Lenin e terminando nos terríveis crimes perpetrados por Stalin.

Colheita Amarga apresenta uma Ucrânia parecida com a “Vila dos Hobbits”. Habitantes simpáticos, trabalhadores, cheios de amor. Com pouco conforto, mas habituados a vida em uma sociedade linda e maravilhosa, vivendo da terra e distribuindo sorrisos – é, é um filme, né?

Claramente, o filme tinha a intenção de se tornar um drama de proporções épicas. Com heroísmo, personagens instigantes, reviravoltas, dores. Desespero (muito desespero), discursos inflamados e plotes secundários de grande efeito.

📷 Califórnia Filmes / Divulgação

E sejamos justos, Colheita Amarga tem alguns desses elementos. Uma trilha sonora bem composta, cenários belíssimos e bem construídos, e o mais importante, um plano de fundo que daria para transformar quase qualquer coisa em uma grande produção. Com essa receita, era impossível errar… mas o filme erra.

Começando pelo roteiro, ele é qualquer coisa, exceto coerente. Para tentar ilustrar, a impressão é que o diretor sentou com um grupo de roteiristas e disse “ok, vamos lá, vamos todos dar ideias para esse filme” e aí veio aquela enxurrada de cenas, algumas boas, algumas ruins, algumas ridículas. Depois de ouvir todas elas o diretor deve ter dito “É isso, nós vamos gravar TODAS, podemos começar”.

📷 Califórnia Filmes / Divulgação

Pois, não existe outra maneira de descrever a inacreditável sucessão de acontecimentos do filme em determinados momentos. Ele é tão abundantemente confuso que me faltam exemplos para apontar o erro mais grave.

Em uma cena onde a mocinha (a protagonista) está a uma situação difícil com o vilão, a cena estava se desdobrando de maneira tensa e, diga-se, habitual, eis que sem aviso o filme toma um rumo completamente esquisito e absurdo. É uma curva tão brusca e despropositada que você fica sem saber qual será a nova direção da narrativa. Era um filme histórico dramático, agora entrou em algo interno e psicológico, para onde vamos? E sabe para onde o filme vai? Para lugar nenhum.

Então, na cena seguinte, a mocinha se junta a um grupo de amiguinhos dela para enfim, criarem uma resistência, e a cena mais uma vez toma um desfecho abrupto e difícil de aceitar.

Isso se repete ao longo de toda a narrativa. Personagens são construídos e substituídos na velocidade da luz. Problemas são criados e resolvidos tão rapidamente que é impossível se apegar a qualquer um deles. Na próxima cena já tem um personagem novo, fazendo algo importante para a narrativa, sendo esquecido no instante seguinte.

📷 Califórnia Filmes / Divulgação

Problema absurdo número 2: a escolha dos atores. Sem entrar em detalhes sobre a produção ou sobre o investimento que esse filme recebeu. Mas alguns atores foram escolhidos de maneira tão ruim, tão ruim, que é difícil ficar preso na trama.

Um filme deve prender o público. Ele deve acessar aquele botãozinho no cérebro que desliga temporariamente a sensação do eu. Abrir essa janela para uma história, que de tão incrível, engloba por inteiro aquele momento de experiência.

Filmes épicos têm o dobro de responsabilidade nesse sentido, eles são projetados para inspirarem e arrancarem grandes emoções do público. Colheita Amarga é terrível nesse quesito. Os atores mal escolhidos, o roteiro confuso e a quantidade de falas autoindulgentes. Tudo isso faz com que o filme seja visto como algo a ser superado, em determinados momentos pensa-se – e aqui o redator vai ter que se sobrepor ao canal e falar por si – vamos lá cara, você já está aqui, já deve ter passado pelo menos uns 5 dias de filme, aguenta, aguenta aí que logo acaba.

📷 Califórnia Filmes / Divulgação

Colheita Amarga é um filme que tinha tudo para ser incrível e inspirador. Um ótimo plano de fundo, boas ideias isoladas e a chance de trazer respiro a um tema que acabou sendo saturado. Contudo, graças a uma sucessão de absurdos e um a roteiro preguiçoso. Uma chuva indefensável de cenas ridículas – estou me lembrando da “luta épica de espadas” no meio de um tiroteio. O filme acabou virando algo duro de aceitar.

Desorganizado, mal interpretado e mal dirigido. Com estréia marcada para o dia 24 de maio, veja por sua conta e risco.

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Crítica | Tully

“Tully”, novo filme dos criadores de “Juno”, explora as dores e as delícias da maternidade. (📷 Diamond Films / Divulgação)

A roteirista Diablo Cody e o diretor Jason Reitman formam uma dupla e tanto. Quando há uma reunião entre esses dois, há de se esperar algo no mínimo curioso.

São frutos desta parceria os ótimos Juno (Oscar de Melhor Roteiro Original em 2008), e Jovens Adultos (filme que foi mal nas bilheterias, mas está longe de ser ruim).

A coisa fica ainda melhor com a adição da talentosa Charlize Theron (também presente em Jovens Adultos). Aqui, mais uma vez o espectador tem a chance de ver a bela dando uma “pausa” em projetos grandiosos e de orçamentos multimilionários, e emprestando seu brilho a algo mais modesto e fora do circuito dos blockbusters.

Tully, novo lançamento da Diamond Films, que estreia no dia 24 de maio, em circuito nacional, apresenta um enredo simples, trivial: Marlo (Theron) é mãe de duas crianças e aguarda o seu terceiro filho. Quando o bebê nasce, Marlo se vê exausta e precisa trabalhar sua relutância em aceitar a ajuda da babá Tully (Mackenzie Davis).

Num primeiro momento, o filme, com uma trama tão simplória e comum, pode passar a impressão de bobo, e não ser levado a sério, e é justamente aí que reside toda a sua competência e força.

Tully já monopoliza a atenção logo na primeira cena: uma linda tomada acompanhada pela música Ride Into The Sun, da banda The Velvet Underground, que mostra um momento de cumplicidade entre Marlo e um de seus filhos.

A trilha sonora, aliás, é um dos destaques da película: as músicas se encaixam perfeitamente nas cenas do filme, e dão a impressão de terem sido compostas especialmente para este projeto.

O roteiro de Cody é de extrema inteligência, e consegue manter a atenção e o interesse da plateia na maior parte do tempo. A habilidade da roteirista em trabalhar a estrutura de cenas cotidianas, de forma a torná-las atraentes, é o ponto positivo da mesma, e talvez um dos segredos de seu estilo de sucesso.

Como complemento, os diálogos são repletos de tiradas cômicas, e trazem leveza através de sucessivas piadas que, apesar da profusão constante, não são cansativas.

Na pele de Marlo, Charlize Theron (Monter – Desejo Assassino, Mad Max – Estrada da Fúria) apresenta um relato sincero da maternidade. Tudo está presente: o esgotamento físico e emocional, as inseguranças, e os medos. Charlize, sempre muito talentosa e dona de uma técnica quase impecável, rouba a cena e faz o público acreditar que de fato é uma mãe em crise.

Notável também o trabalho de Mackenzie Davis como a personagem-título. Davis (Blade Runner 2049) é graciosa e dinâmica na tela, a antagonista perfeita de Theron.

Muito mais do que “babá” e “patroa”, Tully e Marlo desenvolvem uma relação de amizade, cumplicidade e apoio mútuo. Num primeiro momento, Tully parece ser a heroína de Marlo, mas conforme o filme avança, percebe-se a importância de ambas e o que parece ser uma relação unilateral, passa a ser abertamente recíproca.

Quebrando um pouco a hegemonia agradável do filme, a porção final traz uma duvidosa surpresa, que deixa algumas pontinhas soltas e também algumas questões no ar, o que gera uma pequena confusão no entendimento do longa-metragem. Mesmo assim, nada tão sério que ameace a totalidade do projeto.

No geral, Tully é divertido, gracioso e competente e tem a marca registrada de Diablo Cody e Jason Reitman: a trivialidade vista com lentes de aumento e uma porção generosa de ironia. O cinema “indie” agradece!

Assista ao trailer:

Crítica | Hafis & Mara

7° Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo começou na última terça-feira (08/05) e se estende até o dia 21 de maio. Os filmes serão exibidos no CineSesc e no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em São Paulo. Hafis & Mara, filme dirigido pelo sírio Mano Khalil, abre a programação da Mostra. O diretor está no Brasil e irá participar de dois debates após as sessões do dia 10 de maio, às 18h30 no CCBB; e novamente no dia 12 de maio, às 19h30, no CineSesc.

O documentário gira em torno dos últimos anos do casal Hafis e Mara Bertschinger, em uma casa do interior da Suiça. Hafis é um artista plástico suíço-libanês que viajou o mundo e que mesmo na velhice continua criando obras de arte, apesar de nunca ter obtido reconhecimento pelo seu trabalho. Mara é a esposa fiel e recatada de Hafis, que dedicou sua vida ao marido apoiando-o tanto financeiramente, como artisticamente e nunca o acompanhou em suas aventuras pelo mundo. O que une esse casal, aparentemente tão diferente em suas personalidades, é o amor mútuo à arte, que nunca os retribuiu com igual atenção.

Hafis é um artista frustrado, porém satisfeito com sua vida de aventuras, enquanto Mara revela aos poucos seus sentimentos contraditórios há muito tempo guardados. Enquanto Hafis vivia sempre longe de casa, tendo inclusive relações sexuais com outros homens, Mara abdicou de uma vida melhor pelo marido. O papel de Mara é um tanto problemático, sendo a maior incentivadora do trabalho do marido, ela parece ter vivido em sua função, apesar de ser um ponto importante, essa característica é pouco explorada na narrativa do filme.

Hafis & Mara se concentra principalmente no tema do envelhecimento de um artista que nunca foi reconhecido, e circulando esse tema com boas reflexões sobre quais são as prioridades na vida e qual o papel que a família exerce sobre a todos.

O documentário tem um ritmo lento, mas cativante e não chega a ficar enfadonho em nenhum momento, apesar do seu quesito contemplativo. O uso da fotografia no filme também é muito bem utilizado, com enquadramentos bem significativos que exploram as emoções na tela ao longo da trama. Apesar da narrativa clássica do cinema documental e de uma certa falta de profundidade em alguns temas relevantes na complicada trajetória do casal que dá nome ao filme, o documentário faz o público refletir junto a sabedoria adquirida ao longo dos oitenta anos de vida do protagonista.

Hafis & Mara é um filme sobre a dedicação à arte que causou tanta dor em ambos os envolvidos.

SERVIÇO: | 7º Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo

>> CineSESC
De 09 a 16 de maio.

Rua Augusta, 2075 | CEP.: 01413-000 | Cerqueira César.
Tel.: (11) 3087 0500.
Site Oficial: https://www.sescsp.org.br.
Lugares: 273 lugares.
Ingressos: R$12 (inteira), R$6 (meia), R$3,50 (credencial plena SESC).

Ingressos à venda nas Unidades do Sesc e no Portal: www.sescsp.org.br.
Prefira transporte público.

>> Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
De 09 a 21 de maio.

Rua Álvares Penteado, 112 | CEP 01012-000 | Centro.
(Acesso ao calçadão pelas estações Sé e São Bento do Metrô)
TEL.: (11) 3113 3651 | 3652 
Ingressos: R$10,00 (inteira) | R$5,00 (meia). 
Lugares: 70 lugares.
[email protected]  |  www.bb.com.br/cultura  |  www.twitter.com/ccbb_sp  |
www.facebook.com/ccbbsp | www.instagram.com/bancodobrasil

Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h.
Prefira transporte público.

Acesso e facilidades para pessoas com deficiência | Ar-condicionado | Cafeteria e Restaurante | Loja
Estacionamento conveniado: Estapar – Rua Santo Amaro, 272.
Traslado gratuito até o CCBB. No trajeto de volta, a van tem parada na estação República do Metrô.
Valor: R$ 15 pelo período de 5 horas.
É necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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