Autor: Vinicios Lombardi

Estudante de jornalismo, escrevo por compulsão e vejo filmes pelo mesmo motivo, às vezes é o contrário. Me arrisco em curtas metragens, até já me deixaram gritar "corta" e me chamaram de diretor em um set de filmagem, vai entender.

Filme produzido por Danial van Hoogstraten (o mesmo de “Fala Comigo”), vence prêmio em Cannes. (📷 Vitrine Filmes / Divulgação) 

E o cinema nacional? Está excelente. Talvez você não saiba, mas nos últimos anos os brasileiros estão encantando Cannes e ganhando espaço no cinema internacional.

Isso é mais mais evidente quando os brasileiros participam de coproduções. O premiado da vez foi o filme Diamantino, uma coprodução brasileira, francesa e portuguesa.

O filme, que foi rodado em Portugal, trata de assuntos atuais como o culto à celebridade, o crescimento dos extremismos e a crise de refugiados.

O longa-metragem conta a história de Diamantino, um ex-jogador de futebol português, que fora dos gramados entra em crise e busca motivações para a sua vida.

📷 Vitrine Filmes / Divulgação

Entre elas está a adoção de um refugiado, e é aí que o filme ganha corpo. Enquanto Diamantino busca evoluir, suas irmas gêmeas não querem perder a vida de luxo que o ex-jogador de futebol proporcionava a elas.

O filme foi exibido em Cannes e premiado com o Grande Prêmio da Semana em Cannes, um feito extraordinário.

Nas palavras do produtor: “É inacreditável, emocionante! Estou extremamente feliz e honrado com o Grande Prêmio da Crítica de Cannes. O reconhecimento é a recompensa ao trabalho árduo, complexo, e à ousadia de um filme que derruba barreiras e paradigmas.

Produzido pela Syndrome Films e distribuído pela Vitrine Filmes, é uma ótima notícia para ajudar a fortalecer o cinema e os produtores nacionais.

Confira o cartaz: 

Ficha Técnica

Direção: Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt
Produzido por: Daniel van Hoogstraten, Justin Taurand e Maria João Mayer
Produtora: Maria & Mayer (Portugal) / Les Films du Belier (França)
Coprodução: Syndrome Films (Brasil)
Roteiro: Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt
Elenco: Carloto Cotta, Cleo Tavares, Anabela Moreira, Margarida Moreira, Joana Barrios, Maria Leite
Direção de Fotografia: Charles Ackley Anderson
Direção de Arte: Bruno Duarte e Cypress Cook
Montagem: Raphaëlle Martin-Holger
Edição de Som: Daniel Turini e Fernando Henna
Mixagem: Benjamin Viau
Música original: Ulysse Klotz & Adriana Holtz

Para falar sobre o filme Colheita Amarga é preciso analisar duas situações. O filme que deveria ter acontecido, o alvo onde os produtores, os atores e os diretores miraram. E o filme que aconteceu… esse bem… vamos começar.

A história se passa no período entre a Primeira e Segunda Guerra Mundial. O cenário é a Ucrânia. O filme conta a transformação do país ao longo da Revolução Bolchevique, iniciando a narrativa no período do Czar, passando pela vida de Lenin e terminando nos terríveis crimes perpetrados por Stalin.

Colheita Amarga apresenta uma Ucrânia parecida com a “Vila dos Hobbits”. Habitantes simpáticos, trabalhadores, cheios de amor. Com pouco conforto, mas habituados a vida em uma sociedade linda e maravilhosa, vivendo da terra e distribuindo sorrisos – é, é um filme, né?

Claramente, o filme tinha a intenção de se tornar um drama de proporções épicas. Com heroísmo, personagens instigantes, reviravoltas, dores. Desespero (muito desespero), discursos inflamados e plotes secundários de grande efeito.

📷 Califórnia Filmes / Divulgação

E sejamos justos, Colheita Amarga tem alguns desses elementos. Uma trilha sonora bem composta, cenários belíssimos e bem construídos, e o mais importante, um plano de fundo que daria para transformar quase qualquer coisa em uma grande produção. Com essa receita, era impossível errar… mas o filme erra.

Começando pelo roteiro, ele é qualquer coisa, exceto coerente. Para tentar ilustrar, a impressão é que o diretor sentou com um grupo de roteiristas e disse “ok, vamos lá, vamos todos dar ideias para esse filme” e aí veio aquela enxurrada de cenas, algumas boas, algumas ruins, algumas ridículas. Depois de ouvir todas elas o diretor deve ter dito “É isso, nós vamos gravar TODAS, podemos começar”.

📷 Califórnia Filmes / Divulgação

Pois, não existe outra maneira de descrever a inacreditável sucessão de acontecimentos do filme em determinados momentos. Ele é tão abundantemente confuso que me faltam exemplos para apontar o erro mais grave.

Em uma cena onde a mocinha (a protagonista) está a uma situação difícil com o vilão, a cena estava se desdobrando de maneira tensa e, diga-se, habitual, eis que sem aviso o filme toma um rumo completamente esquisito e absurdo. É uma curva tão brusca e despropositada que você fica sem saber qual será a nova direção da narrativa. Era um filme histórico dramático, agora entrou em algo interno e psicológico, para onde vamos? E sabe para onde o filme vai? Para lugar nenhum.

Então, na cena seguinte, a mocinha se junta a um grupo de amiguinhos dela para enfim, criarem uma resistência, e a cena mais uma vez toma um desfecho abrupto e difícil de aceitar.

Isso se repete ao longo de toda a narrativa. Personagens são construídos e substituídos na velocidade da luz. Problemas são criados e resolvidos tão rapidamente que é impossível se apegar a qualquer um deles. Na próxima cena já tem um personagem novo, fazendo algo importante para a narrativa, sendo esquecido no instante seguinte.

📷 Califórnia Filmes / Divulgação

Problema absurdo número 2: a escolha dos atores. Sem entrar em detalhes sobre a produção ou sobre o investimento que esse filme recebeu. Mas alguns atores foram escolhidos de maneira tão ruim, tão ruim, que é difícil ficar preso na trama.

Um filme deve prender o público. Ele deve acessar aquele botãozinho no cérebro que desliga temporariamente a sensação do eu. Abrir essa janela para uma história, que de tão incrível, engloba por inteiro aquele momento de experiência.

Filmes épicos têm o dobro de responsabilidade nesse sentido, eles são projetados para inspirarem e arrancarem grandes emoções do público. Colheita Amarga é terrível nesse quesito. Os atores mal escolhidos, o roteiro confuso e a quantidade de falas autoindulgentes. Tudo isso faz com que o filme seja visto como algo a ser superado, em determinados momentos pensa-se – e aqui o redator vai ter que se sobrepor ao canal e falar por si – vamos lá cara, você já está aqui, já deve ter passado pelo menos uns 5 dias de filme, aguenta, aguenta aí que logo acaba.

📷 Califórnia Filmes / Divulgação

Colheita Amarga é um filme que tinha tudo para ser incrível e inspirador. Um ótimo plano de fundo, boas ideias isoladas e a chance de trazer respiro a um tema que acabou sendo saturado. Contudo, graças a uma sucessão de absurdos e um a roteiro preguiçoso. Uma chuva indefensável de cenas ridículas – estou me lembrando da “luta épica de espadas” no meio de um tiroteio. O filme acabou virando algo duro de aceitar.

Desorganizado, mal interpretado e mal dirigido. Com estréia marcada para o dia 24 de maio, veja por sua conta e risco.

Assista ao trailer:

Crítica | Paris 8

Paris 8 é o filme para quem gosta de Cinema Europeu e está acostumado com o seu ritmo incomum e as suas atuações diferenciadas.

O filme francês, dirigido por Jean Paul Civeyrac é indicado a todos os cinéfilos originais e dedicados.

Afirma-se isso sem qualquer sobra de autoindulgência, pois, por se tratar de um filme em preto e branco, e com um ritmo quase monótono e toda uma atmosfera de silêncio e contemplação, a experiência pode deixar a desejar para os públicos habituados ao cinema de Hollywood. 

Em Paris 8, os personagens discutem e se relacionam com situações filosóficas e socioculturais intensas. Toda a tensão da narrativa caminha através dos sub-textos e das trocas intelectuais entre os personagens.

Uma atmosfera bucólica e carregada mantém o filme com um ar sempre presente de angústia. Forçosamente, é possível dizer que o filme tem ares de sonho (ou pesadelo).

Não é uma grande produção, os atores demonstram interpretações sofríveis, contudo, esse não é o primeiro plano da narrativa. É preciso vencer a barreira inicial e mergulhar na realidade do filme para depois poder digerir as suas mensagens.

Um filme verdadeiramente para cinéfilos, daqueles que assistem aos filmes iranianos com um sorriso de orelha a orelha. Não estará presente nos grandes circuitos e em momento algum o diretor se preocupou em agradar ao grande público.

Suas mensagens intelectualizadas e os questionamentos levantados, além da visão crua sobre a realidade, torna o filme um tanto incômodo. Sem floreios, sem falsas promessas, uma vida de dores e escolhas aparece diante do personagem principal.

O presente texto não abordará detalhes sobre esse personagem, e isso é proposital. Você deve ver o filme e fazer um esforço para compreender as suas nuances, só assim conseguirá encontrar elementos de identificação com esse aluno de cinema, que protagoniza o filme.

Talvez essa produção seja uma ferramenta importante como porta de entrada aos grandes filmes de arte europeus. Sim, esse termo “filme de arte” gera infinitas discussões e não cabe aqui definir quem é ou quem não é filme de arte. Contudo, é inegável o distanciamento deste filme em relação a um filme de linguagem voltada ao público em geral.

Como dia final, apenas pode-se dizer que se o espectador já está acostumado com o cinema europeu. Já derrubou bons filmes do gênero e se sente pronto para dar um passo adiante nesse dialeto tão distante dos grandes centros. Certamente encontrará em Paris 8 qualidades e boas reflexões. Estréia no dia 17 de maio, com lançamento pela Cinearte Filmes.

Fica a dica.

Assista ao trailer:

O Cinema brasileiro passa por constante ressignificação. Já foi alvo de críticas por sua “nudez excessiva”, ou sua “mania de falar apenas da favela”. Todas essas críticas injustas e até preconceituosas. Hoje, para o olhar desatento, ele se divide entre Cinema de Arte e comédias besteirol. E qual é a grande questão em relação ao documentário Todos os Paulos do Mundo? É que, através da vida de Paulo José, ator com 60 anos de carreira, é possível criar uma narrativa sobre o cinema e a televisão brasileira e assim desenvolver um vinculo, uma autorreflexão, sobre o conteúdo, analisando o que significam e quem são as produções nacionais.

Paulo atuou em peças, novelas e lógico no Cinema. Entre as suas obras mais conhecidas – para as novas gerações – está o filme O Palhaço (com Selton Mello). Em Todos os Paulos do Mundo é possível acompanhar como o ator preparava as suas atuações e incorporava o seu personagem. 📷 Vitrine Filmes / Divulgação

Além disso, o filme transita por toda a evolução das produções nacionais, apresentando as suas transformações e reformulações. Pelos olhos e pela voz de Paulo, pode-se acompanhar o caminho que o cinema nacional percorreu até chegar aos aclamados filmes de hoje. Se algum dia o Brasil ganhar um Oscar – indiscutivelmente um prêmio de grande visibilidade – documentários como esse serão fundamentais para as gerações futuras aprenderem de onde vinheram e para onde irão.

O documentário é narrado por grandes nomes do Cinema e da Televisão – Fernanda Montenegro, Selton Mello, Matheus Nachtergaele – o texto foi escrito pelo próprio ator e as cenas foram retiradas de diversas produções e programas em que ele participou.

O ritmo do filme é lento e os textos apresentados possuem um carácter mais reflexivo do que narrativo, o resultado é um filme que possa não agradar a todos os públicos.

Uma dica: faça um esforço. Conhecer o Cinema brasileiro é mergulhar na identidade de um povo do qual você faz parte. Não adianta o espectador assistir a todos os filmes estrangeiros, ouvir as musicas gringas e consumir apenas mídia importada. Você ainda é brasileiro e conhecer as produções locais faz parte do processo de autorreconhecimento como um povo. 📷 Vitrine Filmes / Divulgação

O filosofia apresentada no texto está polida de toda autoindulgência, não se trata de reflexões vazias sobre temas sem sentido. O filme busca uma verdadeira conexão com o espectador, apresenta o ator sem vernizes, sem sobras ou contos ficcionais.

Paulo José interpreta o último personagem da sua vida, a si mesmo. E nas palavras do ator “interpretar é fácil, a vida real é que é difícil . Um pouco sobre quem somos.”

Filme obrigatório para todos àqueles que se dizem cinéfilos e para todos os outros que apoiam o Cinema nacional. Peça fundamental no processo de criação desse Brasil, e por que não, uma ferramenta para entender, não apenas o momento cultural, como também o social e o politico brasileiro. Filme denso, e como tal, cheio de ótimas lições e reflexões.

Todos os Paulos do Mundo, a historia de um grande ator. Um personagem fundamental criação artística nacional e um espelho para que todos aprendam a reinterpretar essa qualidade que se tem em comum, ser brasileiros.

Trailer oficial:

Está chegando, nos dias 6 até 9 de Julho a cidade de São Paulo irá receber o Anime Friends, um dos maiores eventos de Anime do país e o Cinerama estará lá pela primeira vez para cobrir todos os shows, apresentações, entrevistas e trazer muitas fotos dos cosplays e das atrações.

Serão 4 dias no Pavilhão do Anhembi (Norte/Sul) o maior espaço já reservado para o evento. 57 mil metros quadrados dedicados a todos os samurais, gueixas, Saiyajins, mutantes e o que mais a imaginação mandar.

Se você acha que o Anime Friends é dedicado exclusivamente à cultura japonesa, está muito enganado. Jedis, X-Men, Mulher maravilha e até as Meninas Super Poderosas costumam circular por ele. É uma grande mistura de cultura pop, quadrinhos, mangá, filmes e series, games, a lista é imensa…

Serão 3 palcos, onde acontecerão batalhas épicas entre dubladores, apresentações, shows, concursos… enfim. Dias cheios, em que o principal será fôlego para nossa equipe acompanhar tudo.

Entre as atrações deste ano estão:

Blanc7

Além da apresentação no palco principal, os meninos também estarão interagindo com os fãs direto do evento e postando tudo em suas redes sociais. Com shows confirmados para os 4 dias, vale a pena conferir.

 

 

DEADLIFT LOLITA

Essa é indescritível, formada por Ladybear,  Idle da cultura japonesa, ex-dublê, vocalista de metal e lutador de wrestler. Com ele está Reika Saiki, bodybuilder e também lutadora de wrestler, juntos eles tocam um estilo chamado Kawaiicore. O som é impressionante e o talento dos integrantes é inegável. O DEADLIFT LOLITA promete ser um show de muita energia. Esteja pronto para sair pingando suor.

 

 

ORESKABAND

As garotas do ORESKABAND também estarão no palco principal, suas músicas misturam diversos estilos e possuem um ritmo muito bom, para quem quiser dançar e curtir um som mais solto, esse será o show.

 

Só isso? Nunca, existe ainda tantas outras atrações, nós vamos falar sobre cada uma delas em separado e dar mais informações sobre o evento, esteja atento.

Agora, se cabe uma última dica, CORRA, MAS ASSIM, COMEÇA A CORRER AGORA, por que os ingressos já estão no 4º lote, ou seja, daqui a pouco não vai ter mais.

(na verdade não precisa correr, você meio que pode comprar online, mas, o recado foi dado)

 

 

 

 

 

 

Créditos: StudioCanal / Olczyk Jürgen

Baseado em uma história real, De Encontro com a Vida fala da vida de Saliya Kahawatte, filho de imigrantes, ele sonha em fazer cursos e trabalhar nos melhores hotéis da Alemanha.

A grande complicação da sua vida surge quando ele descobre que possuí uma particularidade nos genes, responsável por um descolamento da sua retina, o resultado: perda de 95% da visão.

Dedicado a não abrir mão dos seus objetivos e não desviar-se um milimetro do percurso que ele imaginou para si, Kahawatte resolve completar os estudos na sua escola comum (não em uma para portadores de necessidades especiais).

Créditos: StudioCanal / Olczyk Jürgen
📷 StudioCanal / Olczyk Jürgen

Se a escola já não foi fácil, o mercado de trabalho é quase insuperável. No início, Kahawatte contava aos seus analisadores sobre a sua deficiência, contudo, após perceber que eles jamais lhe dariam o emprego, resolve treinar os seus modos em casa com o objetivo de disfarçar completamente a sua condição.

Pronto, temos o nosso filme. Um jovem cheio de sonhos e ambições, 5% da visão e uma determinação a não deixar ninguém descobrir a sua deficiência.

Créditos: StudioCanal / Olczyk Jürgen
📷 StudioCanal / Olczyk Jürgen

Qual é o resultado?

De Encontro com a Vida é um filme delicioso, repleto de boas mensagens e cenas engraçadas. Uma produção alemã que trata de todo o contorno do drama com um realismo bem humorado.

Não é um daqueles filmes de comédia fácil, cenas nonsense e história em segundo plano. Muito longe disso, a vida de Saliya passa por transformações dramáticas e os seus problemas vão se desenrolando em acontecimentos angustiantes, contudo, a força do filme está na coragem e na superação do protagonista, que, ao encontrar apoio nas pessoas queridas, desenha uma história inspiradora.

Apesar de ser notadamente motivacional, o filme possui diversas camadas de tensão que encontram voz nos mais exigentes espectadores. Comédia, romance, drama, realismo e redenção, todos os quesitos estão presentes, bem encaixados e bem distribuídos. O roteiro funciona perfeitamente.

📷 StudioCanal / Olczyk Jürgen

É sempre bom poder assistir a produções que estão fora dos grandes circuitos de cinema, De Encontro com a Vida funciona em todos os aspectos. Uma curiosidade, o título em alemão é algo como Meu encontro cego com a vida, fazendo uma analogia a expressão Blind date (escolhida para ser o título nos países de língua inglesa), ou seja, mais uma vez, um título brasileiro passando longe de expressar o desejo dos realizadores.

O romance do filme também não comete o erro de cair nos moldes do clichê. Por estar baseado em fatos reais, a própria construção do casal é feita sem polimento, sem aquele verniz dos romances dos contos de fadas. Ela (Anna Maria Mühe, com a personagem Laura) possui suas histórias de vida e até um filho de outro relacionamento, ele, bem… para saber como ele se comporta você vai ter que ver o filme.

Aí você vai assistir ao filme e me falar “Ah, vai, esse filme foi real?” Olha só, não é um documentário contando passo a passo de uma vida, mas é sim um filme muito bem assentado em cenas plausíveis. Dúvida? Vá ver um romance de Hollywood.

📷 StudioCanal / Olczyk Jürgen

Excelente na construção da narrativa, ótimo na apresentação das personagens, com atuações convincentes e um arco dramático que, embora centralizado, funciona muito bem e não deixa pontas soltas.

Kostja Ullmann faz o personagem principal, Jacob Matschenz é Max (um personagem hilário). O terrível e exigente Kleinsschimidt é interpretado por Johann von Bülow. (não falei dele? Eu sei, veja o filme, só veja o filme)

De Encontro com a Vida estréia no dia 20 (sexta-feira) e lógico, vá assistir a esse filme. Divertido, leve, fácil e ótimo para fugir um pouco da fórmula do cinema (nada contra Hollywood, mas é sempre bom curtir outros sabores).

Já viu o filme? Concorda comigo? Discorda? Deixa o seu comentário, eu estou sempre lendo e conversando com vocês, obrigado.

Assista ao trailer:

Alicia Vikander e James McAvoy formam um casal extremamente atraente, isso já deve ser dito logo de saída. Ela está presente no filme “A Garota Dinamarquesa” e recentemente encarnou Lara Croft, substituindo Angelina Jolie, no filme Tomb Rider. Ele é conhecido por seu papel em Split, de 2016, e no maravilhoso O Último Rei da Escócia, de 2006.

Em Submersão a sexualidade minimalista do casal torna as cenas encantadoras e cria uma dinâmica entre eles muito agradável. Vikander interpreta Danielle Flinder, uma Oceanógrafa que está em fase preparatória para uma experiência/pesquisa, que, se for bem sucedida, poderá colocar o seu nome no hall da fama dos grandes cientistas.

📷 Califórnia Filmes / Divulgação

Ele é uma espécie de agente secreto, eu digo isso pois o filme não foca exatamente no que ele faz (vamos falar adiante), que pretende investigar e desarticular uma célula do Estado Islâmico na Somália.

O ponto de encontro dos dois é uma pousada saída do sonho de um arquiteto romântico que passou muitos dias em um pub. Rústica, silenciosa, o lugar é uma experiência saudosista e até, em certos aspectos, etérea. Quase como um pedaço de irrealidade no intervalo entre dois mundos.

A construção arquitetônica do ambiente em que eles estão descansando torna o mundo algo leve, uma aparência que vai entrar em contraste direto com os tons carregados de tristeza das cenas futuras. As cores, as texturas e o volume das sombras prendem os personagens em um livro romântico sem melodrama.

📷 Califórnia Filmes / Divulgação

Pois bem, o filme é de fato baseado em um livro e o diretor teve todo o cuidado do mundo para construir um relacionamento tão singelo e real que chega a ser quase palpável. As cenas em que eles estão juntos, interagindo e construindo essa relação, são simplesmente impecáveis, mas… o diretor gostou tanto, tanto desse relacionamento, que ficou por aí.

A narrativa do filme é construída misturando flashbacks dos personagens. Ele, preso pelo Estado Islâmico e sofrendo torturas, lembra-se dos diversos momentos com ela, que agora está imersa em sua experiência.

Qual é a grande questão? Após apresentar o casal, coloca-los juntos e demonstrar como eles estão apaixonados, o filme deixa de caminhar e apenas estaciona.

📷 Califórnia Filmes / Divulgação

As cenas de tortura, privação, dor, etc. vividas por ele, não tem, nem de longe, a profundidade psicológica das cenas de romance. Isso sem mencionar os antagonistas completamente unidimensionais que aparecem na vida de ambos (dele e dela), estão ali apenas para falarem coisas óbvias como “esqueça ele e foque na sua carreira” ou “Alá é grande, nós somos os certos, você é mal, blá blá bá”. Perdão, essa última fala não existe de fato no filme, mas as falas dos seguidores do Estado Islâmico são tão formulaicas e óbvias que flertam com a ofensa.

Veja bem, Wim Wnders não é ruim, “Paris, Texas” é testemunho da grande competência do diretor, entretanto, a impressão que eu tenho é que ele se apaixonou muito pelo projeto e quis fazer um filme focado apenas nesse romance minimalista de poucos momentos.

Um toque, um sorriso, uma troca de gracinhas, o filme faz muito bem essas cenas e repito, a química do casal é contagiante, contudo, quando ele aponta a câmera para a vida fora do mundo mágico nada acontece, tudo é extremamente previsível e os diálogos são, no melhor dos casos, aceitáveis.

📷 Califórnia Filmes / Divulgação

A personagem Danielle ainda encontra alguns flashes de reflexão falada, sabe quando o personagem começa a divagar e filosofar, mas é só. Depois volta a fórmula, volta o básico e ficamos por isso mesmo. O filme também encaixa algumas referências artísticas, como a famosa obra de Caspar David Friedich (se não conhece pelo nome, conhecerá pela imagem acima, “o cara com o pé na mala”), mas não se desenvolve, mesmo com todo esforço artístico e estético o filme não respira longe do casal.

Que isso fique claro, filmes com cenas minimalistas, diálogos inteligentes e abordagens artísticas, devem ter um pulmão estabelecido pelo roteiro e pela montagem, que, sem apresentar certa coesão construtiva, acaba virando somente uma experiência visual ou intelectual. Eu não quero um filme apenas soltando frases pretensiosas acompanhadas de uma bela fotografia. Eu quero tudo isso inserido em uma ótima história.

📷 Califórnia Filmes / Divulgação

Submersão, como filme de romance, é excelente, bem construído, com personagens atraentes e uma narrativa gostosa. Quando ele caí no thriller, aí os problemas aparecem e o filme perde todo o pulso.

Vale saber o que você quer ver no cinema. O filme estréia no dia 12 deste mês e eu te aconselho a ir assistir, pois, mesmo que não seja de todo incrível, a experiência faz valer o tempo.

 

Documentário sobre o extermínio Nazista em Praga e com reflexões sobre o nosso cotidiano, Red Trees vai ao ar no circuito alternativo de cinemas pelo Brasil. Nós tivemos a oportunidade de conversar com um dos produtores (irmão da Diretora e filho do protagonista do documentário) Marcelo Willer falou conosco sobre os diálogos entre esse filme e a geração dos filmes de heróis.

Conversei com o Marcelo em um cafézinho muito simpático localizado dentro do cinema onde a cabine de imprensa foi organizada:

Vinicios/Cinerama: Marcelo, faço parte da equipe do Cinerama e o nosso público tende a ser mais novo, entre 15 e 25 anos. Como cobrimos filmes de heróis e cultura pop, eles acabam abraçando esse cenário de vilão x mocinho, como você acha que o documentário pode conversar com esse público?

Marcelo: Eu acredito que o tema do documentário seja sobre a intolerância. E a intolerância é um tema bem atual. O que no passado era incorporada no Nazismo e outros movimentos, hoje ela está na forma do Brexit, do muro do Trump, etc.

Nós tínhamos as imagens do meu pai e quando começou essa onda, essa guinada de intolerância pelo mundo, foi quando nós pensamos “Opa, tá na hora de usar isso aqui e fazer algo que fale com eles”. Pois, o filme não é para falar sobre as dores do meu pai ou da minha família, sabe, não é olhar para o próprio umbigo, mas sim para demonstrar como as coisas acontecem e aconteceram.

A nova geração nasceu com uma perspectiva de que, por exemplo, você pode nascer no Brasil, estudar nos Estados Unidos e ir trabalhar na Europa. Se nada for feito, isso vai acabar. Pois agora existe o Brexit, existe o Trump com suas políticas, enfim.

O mundo está se fechando, fechando portas por todos os lados e acho que antes de falar apenas de nós mesmos é demonstrar como é um mundo de portas e janelas fechadas. A nova geração sabe intelectualmente como é, mas não internalizou, ela não internalizou o que é a censura, o que é a perseguição. Ela sabe como é de um modo abstrato, cabe a nós conversarmos sobre isso para tentar explicar um pouco mais.

Vinicios/Cinerama: Eu notei que a vida deles já era muito mais limitada se comparada a nossa. Quero dizer, eles trabalhavam em uma fábrica, e moravam em casas dá fábrica, compravam em mercadinhos também dá fábrica. Ou seja, a vida era aquele pequeno círculo.

Marcelo: Exatamente, como você viu no documentário. O meu  vô, ou seja, pai do meu pai, sobreviveu graças a fórmula que ele tinha para garantir que a fábrica continuasse trabalhando. Era aquele pedaço de papel que garantia uma vida para ele. Os Nazistas afastaram os judeus da fábrica, e como você disse, isso significava perder toda a vida. Mas, de tempos em tempos as máquinas paravam de funcionar, então ia o meu vô ia lá e arrumava. E assim por diante… quero dizer. É algo que talvez escape a nós hoje em dia, entender como era essa vida completamente voltada para uma fábrica.

É muito incrível o que as pessoas dessa geração passaram. Existe um elemento surreal. Quer dizer, para a morte do Governador de Praga (referência ao Açougueiro de Praga, responsável Nazista).Existiu um plano inventivo e arriscado. Tem um filme chamado Operação Antropoide que conta essa história, é incrível. Então, acho que o Documentário também fala disso, sobre essa vida no passado e como, apesar dela encontrar ecos nas nossas atitudes, ela era fantástica.

Vinicios/Cinerama: No filme você fala que o seu pai dizia “conhecer outros idiomas é como conhecer outras camadas de si mesmo”. Queria que você falasse um pouco sobre isso, será que esse é o nosso caminho, para vencer esses muros?

Marcelo: É exatamente isso. Se a gente puder ser mais internacional e menos tacanho, menos bairrista. Esse é certamente é um dos caminhos.

Muitos dos nossos conflitos são artificiais, você coloca os Estados Unidos contra o México, sendo que 40% de algumas cidades americanas são compostas por mexicanos. Quer dizer, é encontrar os fatores de link entre nós e não o que nos separa.

Vinicios/Cinerama: Marcelo, se a mensagem do filme pudesse ser condensada em apenas uma mensagem. Uma mensagem para esse público mais jovem, acostumado com filmes rápidos. Qual seria essa mensagem?

Marcelo: O que eu acho é assim, não importa muito como você vê o mundo. Por exemplo, o meu pai era daltônico e via as folhas vermelhas (daí o nome do documentário), e todas as outras pessoas viam o mundo de maneira “correta”. Contudo, o meu pai virou arquiteto e enfim, ele não deixou essa visão de mundo dele atrapalhar.

O que quero dizer é, não importa muito qual é o seu filtro para o mundo, nós temos os nossos e os nazistas tinham um filtro deles. O que importa é você entender que outras pessoas veem o mundo diferente de você e você não pode obriga-las a ver do seu modo. Acho que essa é a mensagem. Não obrigue os outros a serem como você, a verem o mundo pelo seu filtro. Cada um tem um filtro próprio. Saiba disso e aceite isso, sem querer impor a sua maneira, a sua visão.

Vinicios/Cinerama: Obrigado Marcelo, obrigado pela experiência.

Marcelo: Obrigado por ter vindo.

Dirigido pela premiada designer Marina Willer, Red Trees é um documentário sobre as origens de uma família. Willer dirigiu um filme sobre a vida de seu pai e como ele fez parte de uma das doze famílias que sobreviveram a invasão nazista em Praga (na atual Rep. Tcheca). O nome Red Trees (árvores vermelhas) é dado graças ao fato do seu pai ser daltônico, e portando, incapaz de enxergar o verde que nós enxergamos.

Em palavras é difícil descrever o que foi um sistema de extermínio tão intenso que levou a quase extinção de todos os judeus de Praga, a simples frase “apenas 12 famílias sobreviveram” não abraça todo o significado desse sentimento.

Visualmente contemplativo, o filme é uma obra para ser apreciada. Fotografias centralizadas, takes com imagens belíssimas acompanhados de uma narração pausada (feita por Marina, seu pai e o ator Tim Pigott-Smith, este último conhecido por seus papéis em V de Vingança e Alice no País das Maravilhas).

📷Cohen Media Group/Divulgação

Por ser um filme sobre a invasão Nazista, é possível supor que o ele está recheado de cenas antigas em preto-e-branco mostrando as atrocidades do regime, pois Marina não estava nem um pouco interessada nessa violência visual.

Buscando dialogar com as nossas gerações, a diretora elabora o documentário como uma conversa franca entre o passado e o presente. As cenas são feitas de maneira a causar nostalgia e uma certa estranheza. São imagens que falam muito mais com a saudade do que com o horror.

O tom da narração também evita o sensacionalismo, embora, em algumas cenas, os narradores descrevam o horror vivido pelos judeus de Praga, o volume e a maneira como essa descrição foi elaborada faz com que o filme não caia no clichê sentimentalista da maioria dos documentários com o mesmo tema.

📷Cohen Media Group/Divulgação

César Charlone, Fabio Burtin e Jonathan Clabburn trabalharam junto com a diretora para desenvolverem as cenas e criarem um filme minimalista e abstrato. Alguns takes longos de ruínas, cidades antigas ou grandes paisagens remetem a uma sensação de pequenez diante dos grandes acontecimentos e da monstruosidade do tempo. É uma reinvenção dos documentários sobre o Nazismo.

Essa abstração abraça o expectador e faz com que ele sinta-se conversando com Alfred Willer (pai da Marina, protagonista do filme), tornando a experiência bem intimista e agradável.

É um documentário para poucos gostos e eu não vou fingir que não seja.  Muito longe de encadear cenas velozes ou causar grandes impactos narrativos, o filme segue a uma sequência de narrativa linear e sem pressa.

📷Cohen Media Group/Divulgação

A composição das cenas é belíssima e a trilha sonora fecha bem esse pacote de experiência visual. Não dá para dizer que é um filme experimental ou arriscado, contudo, Marina passou longe de querer agradar aos grandes públicos (o filme inclusive só será projetado no circuito alternativo de Cinema). A dica é: vá assistir ao documentário, essa é uma excelente oportunidade para vencer alguns receios que o púbico mais jovem pode ter sobre o formato e ainda aprender muito sobre fotografia e estética visual.

Ainda tivemos a oportunidade de conversar com um dos produtores, Marcelo Willer, é irmão da diretora e filho do protagonista. Falamos sobre a importância desse filme para as novas gerações e em como derrubar muros, o resultado você vê aqui.

Red Trees é um filme para poucos e para todos. Se você tiver paciência poderá ter uma experiência tão boa quanto ler a um bom livro.

Jogador Nº 1 (Ready Player One), é o filme baseado no livro de ficção cientifica escrito por Ernest Cline que ganhou vida nas mãos de Steven Spielberg.

A história fala sobre o ano de 2044, um futuro distópico onde a sociedade vive em negação e gasta todo o seu tempo dentro de um jogo online chamado OASIS. OASIS é na verdade uma realidade virtual em que as pessoas ficam conectadas basicamente o tempo todo, enquanto o mundo real se desfaz em ferrugem e lixo empilhado – futuro distópico han, sei, tô acompanhando.

📷 Warner Bros. Pictures / Divulgação

Wade Watts é o jovem protagonista do filme, dentro do OASIS ele vive o personagem Parzival que busca vencer 3 desafios, deixados pelo criador do game. A promessa é de que aquele que vencer os três desafios será considerado o vencedor do jogo e poderá decidir os destinos de OASIS.

– Ah velho, logo vi, adolescente, futuro obscuro, grande recompensa no final, sério mesmo? Esse filme não deve ter NADA novo.

E você poderia estar coberto de razão, jovem comentador da internet, se o roteiro não tivesse caído nas mãos de um verdadeiro Gandalf cinematográfico chamado Steven Spielberg.

O nome de Spielberg está no altar de ouro dos anos 80, ele não apenas conhece bem o cenário como ajudou a construí-lo, e em Jogador Nº1, ele reinterpreta o cenário e dá novas cores para ele.

📷 Warner Bros. Pictures / Divulgação

O livro fonte para o filme é recheado de referências anos 80, com diversos games, personagens e citações. Spielberg pegou todas essas informações, misturou com referências atuais e amarrou tudo com os modos de consumo de mídia modernos – modo de consumo de mídia moderno? Não entendi nada – vem comigo.

Spielberg mostra que não é um dinossauro do cinema vagando por sets de filmagem sem nenhuma conexão com o nosso mundo. Ele sabe muito bem quais são as ânsias e as referências das novas gerações, sem perder de vista o saudosismo das gerações passadas, o resultado é um filme que dialoga com diversos públicos em níveis diferentes.

Um jogo de corrida onde o inimigo final é o King-Kong. Uma batalha épica em que os soldados Halo disparam laser contra O Gigante de Ferro (por favor, se você não lembra desse, clique no link, você vai adorar lembrar). Gundam batalhando contra Mechagodzilla, isso apenas para citar as referências mais óbvias. Um filme que fala muito sobre easter eggs contém diversos deles espalhados pelo roteiro.

📷 Warner Bros. Pictures / Divulgação

Ainda posso ver uma cara fechada, você deve estar pensando – Méh! Essa maçaroca toda, não vai ficar legal, tá mais para Detona Ralph isso aê – errado outra vez, porque, diferente de ser apenas uma salada de referências vazia, o filme possui uma estrutura narrativa muito agradável e uma boa história englobando tudo.

As referências passam longe de estarem em primeiro plano, o cerne do filme se encontra no mix entre a vida real e a vida no OASIS (dá para jogar umas teorias de Baudrillard aqui e conversar sobre o que é real ou não, mas nem vamos fazer isso), o importante é você saber que antes de ser bombardeado por saudosismo que, dependendo da sua idade, você não viveu, o filme vai primeiro te cativar com uma história bem construída.

Wade Watts com o seu Parzival vive todas as fases de um herói típico, suas dores, seus amores, seus dissabores. Também está presente o elemento de perdedor (presente apenas nos melhores heróis, Homem-Aranha rules), e aquela vontadezinha infinita de mudar o mundo. – E por que não? Eu te pergunto. Hoje nós vamos assistir a um filme de herói típico e com final feliz, qual é o problema? Sente-se e desfrute.

📷 Warner Bros. Pictures / Divulgação

O antagonista é o que ele precisa ser, poderoso, cruel e bem, malvado. Os aliados são o que eles precisam ser, leais, engraçados, surpreendentes e dispostos a fazer um sacrifício se for o caso. A mocinha é o que ela precisa ser, indefesa, inocente…. nem haha, nem brincando, ela mete a porrada, é legal para caramba.

É evidente que existem deslizes, particularmente, eu não gosto da mudança de comportamento vivida pelo personagem principal em alguns momentos. Ele começa muito singelo e até inocente, e quase que instantaneamente, assume a postura de herói, isso me incomodou um pouco, mas foi só um pouco.

O 3D e a computação gráfica estão impecáveis. A própria natureza do vídeo game faz com que você seja absorvido pelo mundo de OASIS sem nenhuma resistência. Jamais existiu a intenção de que essa realidade virtual seja parecida com o mundo fora dela, muito pelo contrário, ele é para ser fantástico e escapista.

📷 Warner Bros. Pictures / Divulgação

A trilha sonora é um teste de idade, quanto mais perto do começo dos anos 80 for a sua data de nascimento, mais você gostará das musicas que tocam no filme. Para os nascidos em dias recentes, saibam que vocês estarão ouvindo o que divertida jovens de tênis all-star, pôster na parede e dedos preparados para gravar canções em fitas K7, tenham respeito.

O filme não é a prova de críticas e o roteiro está longe de ser algo grandioso e glorioso, contudo, Jogador Nº1 é uma ótima novidade entre as distopias adolescentes e uma alternativa muito agradável ao tema (que sofre muito, muito, com filmes ruins/péssimos).

📷 Warner Bros. Pictures / Divulgação

Dica final: se puder assistir em 3D e legendado, faça isso. Você vai me agradecer depois.

Outra coisa, só para deixar bem claro, alguns ainda insistirão em torcer o nariz e falar “EH, QUE, IGUAL TAL DO TAL”, é o reflexo de uma geração absurda, que não sabe diferenciar os inventores de um gênero das cópias, pois bem, só para deixar claro. Steven Spielberg é um dos inventores do mundo que você conhece hoje, as séries, as músicas, os livros e até as camisetas que você usa e encontra pela rua, tudo isso têm o reflexo dos cenários que esse cara ajudou a construir, então, apenas sente e aproveite enquanto esse ele ainda está fazendo filmes.

Luzes no Céu será exibido hoje (20 de março) na Anime Night do Cinemark. Obra dirigida por Akiyuki Shinbo e Nobuyuki Takeuchi. Escrita por Shunji Iwai e Hitoshi Ône. Os dubladores principais são Suzu Hirose, Masaki Suda, Mamory Miyano, Takako Matsu. Nomes que não são conhecidos fora do círculo de aficionados por Anime.

📷 Divulgação

Sobre o filme

O filme é uma história de amor que tem como personagem principal Norimichi Shimada, um adolescente que vive em uma pequena cidade japonesa. Focado em mostrar os dissabores adolescentes dos personagens, a trama se prende nas pequenas nuances entre o personagem de Shimada, Azumi (seu melhor amigo) e Nazuna, uma garota que ambos estão apaixonados.

Azumi e Shimada formam uma dupla escolar típica, são uma espécie de líderes do seu grupo de amigos e amarram tudo com as brincadeiras entre si. A relação entre eles e  os amigos não apresenta nada de diferente. Nazuna é a menina reclusa e invisível da sala. Fechada em si mesma, ela é aquela personagem misteriosa capaz de cativar apenas os mais sensíveis entre os alunos.

Envolta em problemas particulares, Nazuna encontra um globo de vidro na praia onde vai para refletir. Esse objeto insere um elemento de fantasia na história, quando arremessado, é capaz de fazer com que o portador vá parar em uma outra versão da própria vida. Certamente, em algum momento da sua vida você se perguntou “e se tal coisa não tivesse acontecido?”, pois bem, a esfera de vidro transporta o personagem para um mundo paralelo, lá ele pode conhecer o que teria ou não acontecido.

Um jovem sensível, um amigo apaixonado pela mesma garota, uma menina com problemas particulares e um elemento de fantasia. Temos tudo necessário para uma boa história, pena que…

📷 Divulgação

O primeiro problema está nas animações. Eu não vou entrar no mérito do investimento ou tentar discutir à respeito da equipe técnica, vou apenas comentar o que eu vi na tela. Algumas animações simplesmente não funcionam. Falta fluidez, falta um cuidado extra com elas. O filme não é sempre assim, mas em diversos momentos você será arrancado da história graças a uma animação sem qualquer senso estético de movimento. É nítida a dificuldade da equipe técnica para tornar algumas cenas mais atraentes, um exemplo aparece logo no inicio do filme, quando os personagens estão andando de bicicleta.

Agora vamos falar sobre as escolhas dos diretores

Se um personagem está calado e contemplativo sobre alguma coisa dramática do filme, coisa essa que é reforçada por um close e pela trilha sonora, então isso funciona, torna aquela cena mais intensa, joga a força da cena lá no alto. Agora, quando esse recurso é repetido uma, duas, cinco vezes, aí realmente fica cansativo.

O diretores não souberam dosar o que era para ser intenso ou não no filme, chega um momento em que a impressão que dá é que era para ser tudo dramático. A repetição de cenas com a mesma intenção narrativa acaba cansando o expectador e tirando a força de todas elas.

Isso sem contar que em alguns momentos as escolhas estéticas dos diretores são de péssimo gosto. Uma cena que mistura elementos 3D e animação convencional quase me tirou da sala.

O roteiro apresenta problemas estruturais básicos. Coincidências que facilitam a narrativa tornam a história toda insossa. Em geral, o filme apresenta boas ideias, mas as soluções escolhidas pelos diretores acabou tirando todo o brilho. O resultado é uma história que não cativa.

A trilha sonora não apresenta problemas. Quem conhece o gênero está habituado com canções bonitas acompanhando cenas singelas e tocantes, e o filme conta com esse elemento e o faz bem, da primeira vez. O maior problema mais uma vez está na insistência em utilizar uma mesma ferramenta até a exaustão.

📷 Divulgação

O filme é repetitivo em todos os aspectos. O último ato é praticamente um looping de uma mensagem apresentada de 4 ou 5 jeitos diferentes. É um ato cansativo. São os diretores falando “hei, olhe para isso que intenso, e isso, e isso, ah! e mais isso, nossa, e isso…” então você começa a bocejar.

Por fim, Luzes no Céu é para convertidos. Se você é um aficionado por animações japonesas e gosta de conhecer vários filmes do gênero, então encontrará qualidades. Agora, se você for um expectador “convencional”, aconselho a deixar passar esse filme e esperar pelas próximas animações, pois, Luzes no Céu não apresenta nada novo ou cativante que vá te agradar na sala de cinema.

📷 Divulgação

Baseado no livro de mesmo nome de Ned Vizzini, com Keir Gilchrist (ator da série Atypical, também na Netflix), Lauren Graham (conhecida pelo papel de Lorelai Gilmore), Jim Gaffigan, Emma Roberts, Viola Davis e Zach Galifianakis. Ah este último, nós vamos falar um pouco sobre ele logo no início.

Zach é um dos atores dos filmes da série Se Beber, Não Case, filmes de comédia fácil que agradam a todos (eu mesmo, vejo qualidades neles), mas então, qual é a questão?

Graças a presença desse ator no elenco, o filme que se chama It’s Kind of a Funny Story (uma história meio engraçada, em tradução livre) saiu no Brasil com o ofensivo nome de “Se enlouquecer, não se apaixone” em uma tentativa absurda de criar uma ligação entre esse filme e os filmes da série Se Beber, Não case.

A simples escolha desse título quase me fez decidir não escrever sobre o filme, é francamente ofensivo ver um produto de qualidade (pois o filme tem qualidade, vamos falar sobre isso) ser embalado e vendido como uma coisa genérica qualquer, apenas pelo motivo dos dois filmes possuírem um ator em comum.

Vamos ao filme

Abordando aspectos da depressão, o filme fala sobre um adolescente que sente a pressão das cobranças da sua família e entra em uma crise de ansiedade. Com medo das consequências que a sua ansiedade poderia desencadear na sua vida – na real, ele temia perder o controle e cometer suicídio – o jovem pede uma internação na ala psiquiátrica de um hospital.

Fim, talvez seja apenas até aí onde eu posso falar sobre o filme sem te dar spoilers importantes.

se quiser que o público te leve a sério. Não dê nomes bobos para o filme.

Onde esse filme me prendeu?

No carisma inegável dos personagens, principalmente de Craig, o principal. O seu ponto de vista inocente à respeito de uma condição tão severa quanto a depressão, é uma aula de como conversar sobre temas difíceis utilizando abordagens simples.

Embora o filme possa ser enquadrado em muitas classificações, eu gosto muito de dizer que ele é uma dramédia. Um drama que possui elementos de comédia.

Cenas engraçadas, diálogos inteligentes e ótimos insights, It’s kind of a funny story é um verdadeiro achado na Netflix, sabe quando você quer ver algo bacana, que te deixe para cima, mas que não seja forçosamente raso? Pois é, esse é o filme.

Só um aviso às distribuidoras, ou seja lá quem decidiu dar esse nome em português ao filme, tenha mais respeito pelo seu público, nós seriamos muito capazes de assistir a um filme chamado “É uma história meio que engraçada”, sabe como eu sei disso? Esse é o nome do livro em português e ninguém morreu no processo.

 

Talvez um dos projetos mais corajosos e impressionantes dos últimos anos. Maria Madalena é a história de uma figura presente na religião cristã e encoberta em contradições.

Rooney Mara (📷 Universal Pictures / Divulgação)

O filme conta a história de uma jovem judia nascida na cidade de Magdala, da Galiléia. Um pequeno povoado de pescadores, onde a sobrevivência é uma luta diária e mesmo o mais rico entre os moradores do povoado mantém uma vida sem luxo.

Maria (Rooney Mara) é a única solteira em uma vasta família com irmãos e irmãs, todas casadas e todas com filhos. Vivendo em uma sociedade onde as mulheres não possuem direito aos próprios corpos, ou opiniões, Maria é forçada pelo pai e o irmão mais velho a aceitar um casamento.

Rooney Mara (📷 Universal Pictures / Divulgação)

Transtornada, a jovem foge da primeira tentativa de a casarem e graças a isso é acusada de possessão demoníaca. Então a família passa a buscar uma cura para a jovem Maria. A primeira tentativa é um exorcismo feito às margens do rio. Como o exorcismo não surte o efeito desejado, os irmãos de Maria vão em busca de um curador que está pela região. Ele é Jesus de Nazaré (Joaquin Phoenix), nesta parte da história, a sua figura é vista com ceticismo e preocupação por parte de muitos judeus.

Após conhecer Jesus, Maria desenvolve extremo carinho e afeição pelo pregador. Ela decide deixar Magdala para trás e assim acompanha-lo em suas peregrinações. Surge daí o nome Maria de Magdala, ou Maria Magdalena.

Joaquin Phoenix (📷 Universal Pictures / Divulgação)

A absorção das palavras do seu líder e as constantes batalhas para compreender o mundo são os pontos principais na vida de Maria. Ela luta para tentar compreender o verdadeiro significado das palavras de Deus, que surgem através dos lábios de Jesus, ao mesmo tempo em que procura iluminar a si mesma e as pessoas as redor.

O filme é composto por sangue e lágrimas. Não se trata de uma pregação vazia ou puro sentimentalismo evangélico. Independente da crença do expectador, o filme busca manter seus personagens feitos de carne, ossos e sofrimento, com isso, ganhar a simpatia do público para as angústias apresentadas na tela. Não é um filme para convertidos, é uma história contada para todos.

Chiwetel Ejiofor ( (📷 Universal Pictures / Divulgação)

Paulo (Chiwetel Ejiofor, 12 Anos de Escravidão) e Judas (Tahar Rahmin) são as duas figuras que complementam o grande quarteto de personagens que formam o filme. Com eles, a trama atinge dimensões maiores e assim explora diversos aspectos da condição humana.

Do ponto de vista crítico, é possível encontrar-se em diversos personagens. Embora todos queiram ser como Jesus e achem graça dos desejos e fantasias dos que não compreendem as suas palavras. Passando a limpo os nossos dias, vocês verão que temos muito mais relação com Judas do que o que esperamos. Estamos sujeitos aos mesmos medos, desejos, confusões e devaneios que tornam Judas uma figura absolutamente tão humana em seu desespero. É surpreendente o poder de fábula nessa personagem, no afã de tornar as coisas melhores ele acaba destruindo o que existe de belo e bom.

Paulo está presente em um outro espectro dessa confusão. Também dedicado, também devoto, também entregando-se de corpo e alma para um objetivo, e assim como Judas, também perdido em seus próprios devaneios.

Joaquin Phoenix e Tahar Rahmin (📷 Universal Pictures / Divulgação)

A verdade é que, comentar um filme com a carga religiosa tão intensa como em Maria Madalena, é uma verdadeira armadilha para o crítico. Espero que você entenda, o meu papel aqui é trazer uma sinopse rápida do filme e apresentar algumas reflexões. Com o intuito de te fazer ir assistir ao filme e daí tirar as suas próprias conclusões.

Um filme que tem no seu elenco Rooney Mara, Joaquin Phoenix, Chiwetel Ejiofor e Tahar Rahmin, não deve ser desprestigiado apenas por que, talvez, ele diga algumas coisas da qual você discorda ou foi ensinado diferente. A direção é de Garth Davis (muito elogiado pelo seu LION).

Rooney Mara e Tahar Rahmin (📷 Universal Pictures / Divulgação)

Com mensagens importantíssimas e difíceis de digerir (depois de sair da sala eu fiquei ainda algumas horas com o filme na minha cabeça, ele ficava voltando em ondas, é uma experiência completa, que faz refletir e muito sobre o peso das nossas intervenções e sobre como estamos enganados sobre nós mesmos).

Com estréia marcada para o dia 15 de março. Mary Magdalena, assista, reflita e depois comente o que você achou do filme. Lembre-se de assistir ao filme como um filme e não como uma propaganda ou uma ofensa pessoal. Se fizer isso, tenho certeza de que Maria Madalena encontrará ecos em você também.

Richard Linklater (Boyhood, o filme que levou 12 anos para ficar pronto), apresenta a sua adaptação do livro Last Flag Flying (sem edição brasileira), o livro contra a história de 3 ex combatentes do Vietnã que se reúnem para prestar as últimas homenagens o filho de um deles, morto na guerra do Iraque contra Saddam Hussein.

Bryan Cranston (Breaking Bad), Steve Carell e Laurence Fishburne formam o elenco principal. Bryan interpreta o ex-fuzileiro Sal Nealon, Laurance dá vida ao ex-fuzileiro Mueller, agora, reverendo Richard e Steve é Larry ‘Doc’ Shepherd, pai do jovem morto.

Bryan Cranston, Steve Carell e Laurence Fishburne (📷 Imagem Filmes / Divulgação)

O filme

Existe uma leitura dentro do filme que talvez soe um tanto contraditória. O filme fala sobre a batalha interna em que vivem os jovens militares e sobre as sombras do patriotismo em suas vidas. Ao mesmo tempo, ele faz uma crítica, bem dosada, sobre a incapacidade de separar o soldado do ser humano que está dentro da farda.

Os três ex combatentes parecem procurar respostas para todas as grandes questões que guiaram suas vidas nos anos da guerra. O filme não toca na consciência pesada de maneira rasteira, antes, ele procura analisar a realidade vivida pelos jovens americanos e os motivos particulares que faz destes jovens soldados.

Bryan Cranston, Steve Carell e Laurence Fishburne (📷 Imagem Filmes / Divulgação)

Traçando paralelos entre as suas vidas no Vietnã e as vidas dos soldados no Iraque, o filme cria uma reflexão sobre qual é o papel do governo e qual deveria ser o papel do soldado diante dos acontecimentos. Contudo, longe de ser apenas uma crítica política, a história explora a característica psicológica desses personagens que, ora se sentem traídos pelo seu país, ora sentem o ardor patriota e o orgulho de fazerem parte de um algo maior.

Os três personagens são formas distintas de uma mesma realidade. Um deles é o insatisfeito, contrariado em suas crenças, ele luta diariamente para tentar reaver um pouco do vigor que acabou perdendo ao largar a farda.

Outro é a imagem típica do negacionista do passado. Inserido em uma nova vida, procura sepultar diariamente quem ele foi e o que ele fez, tentando dessa maneira diminuir as dores vividas ou, ao menos, não ressuscitar velhos fantasmas.

Bryan Cranston, Steve Carell e Laurence Fishburne (📷 Imagem Filmes / Divulgação)

Já o terceiro é a imagem da perda permanente. Sempre falando baixo e com trejeitos indefesos, o personagem é um retrato da saudade e um símbolo de tudo o que parece ter dado de errado no sistema da qual eles fizeram (e fazem) parte.

Lento, o ritmo do filme não faz qualquer questão de atravancar os acontecimentos. Com algumas exceções, as cenas são contadas em voz baixa, o que torna a experiência do filme algo confortável.

(📷 Imagem Filmes / Divulgação)

Outro ponto forte do filme está em sua trilha sonora, composta em sua maioria de musicas folk (inclusive, conta com uma canção do Bob Dylan), a trilha dá o tom para o ritmo do filme e vai manter você no espírito certo.

Com lançamento marcado para o dia 22 de março, A Melhor Escolha é um filme ideal para quem está cansado de barulho ou algazarra no cinema; e só quer relaxar e assistir a uma história tocante e bem contada.

 

Chris Hemsworth (muito conhecido pelo personagem Thor) dá vida ao Capitão Mitch Nelson, líder da primeira operação americana no Afeganistão após os ataques do 11 de Setembro.

(📷 Diamond Films / Divulgação)

Ted Tally e Peter Craig adaptaram o livro Horse Soldiers de Doug Stanton (no Brasil o livro recebe o mesmo nome do filme), Nicolai Fulgsig foi o responsável pela direção.

O cast ainda conta com nomes fortes como Michael Shannon (A Forma da Água, Animais Noturnos), Michael Peña (American Hustle, Crash), e Trevante Rhodes (Moonlight, Westworld).

(📷 Diamond Films / Divulgação)

A história

12 soldados voluntários são enviados para o Afeganistão com a missão de se aliarem à um antigo rival do Talibã e auxiliarem os ataques aéreos americanos. Na prática, os 12 soldados devem fazer um reconhecimento de campo e enviar informações sobre os locais que devem ser bombardeados na primeira missão americana após o 11 de Setembro.

Navid Negahban interpreta o General Dostum, líder de um grupo paramilitar afegão, Dostum se alia aos americanos com o objetivo de eliminar o grupo extremista Talibã da cidade de Mazar-e Sharif, na época, fortaleza das forças Talibãs.

(📷 Diamond Films / Divulgação)

Existem complicações e meandros na política do Oriente Médio que seriam impossíveis de cobrir agora. O filme simplifica alguns conceitos e diz apenas que Dostum faz parte de um trio de entidades que ficou conhecida como A Aliança do Norte, esse grupo tinha por objetivo comandar o país e por fim às guerras civis.

O filme relata um recorte específico dos combates, quando os americanos, com a ajuda do exército de Dostum, dominaram cerca de 5 cidades e retomaram o controle de Mazar-e Sharif, enfraquecendo de maneira crítica o grupo extremista Talibã.

Navid Negahban e Chris Hemsworth (📷 Diamond Films / Divulgação)

Vamos falar de Cinema

Nicolai Fulgsig dirigiu um filme patriota. Com personagens bem demarcados e cenas características do gênero, o filme traz pouca novidade ao quesito filmes de guerra. As cenas de combate, os diálogos e as interpretações, todas elas estão dentro do esperado para um filme do gênero vingança contra o inimigo.

Os antagonistas têm pouco espaço no filme, o líder Talibã aparece em poucas cenas como um personagem ativo e o filme jamais toca nas motivações deste. O enredo está muito mais centrado na tensão entre o Capitão Mitch Nelson (líder da operação americana) e o General Dostum, afegão responsável pela Aliança do Norte.

(📷 Diamond Films / Divulgação)

As cenas de combate são feitas seguindo bem a cartilha, não existe nada que seja prejudicial, os fãs do gênero sairão do cinema recompensados. Talvez esse não seja um filme para todos os gostos (e qual o é?), mas aqueles que curtem cenas de ação e personagens patriotas, encontrarão doses generosas nesse filme.

Em 12 Heróis a construção dos personagens secundários é feita sem um arco aparente, com exceção do Capitão Mich, todos os outros personagens saem do filme quase como entraram. Isso não é particularmente ruim, o diretor se preocupou mais em fazer com que o público se importe com a vida desses personagens do que criar um arco narrativo para cada um deles.

(📷 Diamond Films / Divulgação)

A grande força do filme reside em fazer você desejar que os 12 soldados enviados para o combate sobrevivam, esse é o pilar de apoio onde se sustenta o interesse do público. Todas as questões políticas ficam em segundo plano. O filme está preocupado em demonstrar como os 12 soldados estão em um ambiente hostil e sobre as dificuldades que eles terão que superar para voltarem vivos para os Estados Unidos da América.

A introdução do filme é uma montagem utilizando cenas reais, o que aumenta a imersão do público no sentimento desejado pelos produtores.

Com distribuição Diamond, 12 Heróis é para todos aqueles que gostam de filmes de guerra. O filme apresenta um cardápio completo no gênero, com heroísmo, frases de efeito e cenas de batalha eletrizantes. Se você gosta de filmes de ação, esse é o seu filme.

Sobre o filme

Medo Profundo, com lançamento pela PlayArte, escrito por Johannes Roberts e Ernest Rivera, fala de duas irmãs que estão de férias no México e curtindo todas as mordomias que um bom comercial de turismo poderia apresentar. Baladas, bares, piscinas, drinks. Lisa (Mandy Moore) é a mais centrada e Kate (Claire Holt) é a aventureira. Quando Kate descobre que o relacionamento de Lisa foi para o espaço, ela resolve convencer a irmã a se jogar de cabeça nas aventuras que as férias proporcionam.

Conhecendo dois moradores locais, (Yani Gellman como Javier e Santiago Segura como Benjamin), as garotas são instigadas a praticar um mergulho com tubarões – sabe aqueles dentro de uma gaiola, em alto mar? Desses – Lisa, relutante, procura motivos para não ir. Kate, a destemida, usa todas as artimanhas para fazer com que a irmã entre na gaiola e mergulhe com os peixinhos carnívoros enormes.

Mandy Moore; Claire Holt; Yani Gellman e Santiago Segura(📷 PlayArte Pictures / Divulgação)

E lógico – como você pode descobrir pelo trailer – a brincadeira deu errado e elas vão parar no fundo do mar (para ser mais exato, ficam à 47 metros da superfície, daí o nome em inglês).

O filme é apresentado como suspense, mas, em muitas cenas ele flerta com terror visual bem aparente. Sabe quando o diretor resolve fazer a criatura caçar a mocinha? Pois bem, isso também acontece aqui.

Sobre o diretor

Johannes Roberts é reconhecido por diversos filmes. Antes de Medo Profundo, ele escreveu e dirigiu “Do Outro Lado da Porta”, um suspense sobrenatural, produzido pela Fox International.

Ele ainda é o roteirista do filme F, aclamado pela crítica, lançado nos cinemas do Reino Unido no verão de 2010. Também dirigiu o filme televisivo Roadkill (produzido pela NBC). Pela Universal Pictures, Johannes dirigiu Storage 24, estrelado por Noel Clarke (vencedor do prêmio Bafta), lançado no Brasil em 2012. Em Medo Profundo, o diretor procurou expandir as suas habilidades e testar novas maneiras de impressionar o público. Funcionou?!

Mandy Moore; Claire Holt; Yani Gellman; Matthew Modine e Santiago Segura(📷 PlayArte Pictures / Divulgação)

A narrativa

A estrutura narrativa do filme é dinâmica e ele não fica engessado em apenas um problema. Eu contei cerca de 20 minutos até o fim do primeiro ato – quando a gaiola cai na água – sendo assim, é possível dizer que, apesar de algumas falhas, o filme não é monótono.

As personagens funcionam. Não existe uma interpretação memorável em nenhuma das atrizes, mas, as duas personagens principais (em cena por mais de 90% do filme) seguraram bem a barra.

A tensão pode funcionar. Apesar de possuir alguns jumpscares telegrafados, o filme trabalha bem o sistema de “deixa/conclusão”. Um personagem diz algo em uma cena e depois, na cena seguinte, o resultado aparece.

A trilha sonora feita pela equipe Tomandandy é… bom é uma trilha sonora de um filme de suspense com um tubarão como antagonista. Ou seja, ela faz pausas repentinas. Abre respiros. Torna algumas cenas extremamente barulhentas e confusas para depois terminar tudo em um momento súbito de silêncio. Não é fantástica, mas não compromete o filme.

É bom dizer que o diretor não apelou para a sexualidade das atrizes. Apesar dele possuir duas mulheres em trajes de mergulho, o diretor não vendeu o filme usando o corpo delas. Toda a sexualidade que está presente nas cenas é orgânica e natural da atividade que elas estão praticando.

Os personagens secundários são apagados ou francamente irrelevantes. Com exceção do capitão Taylor (Matthew Modine), a voz dele representa a redenção das personagens e o fim do sofrimento.

Eu gosto especialmente da escalada de acontecimentos negativos. Mais de uma vez você se pega pensando – ah!, ok, vai terminar assim, é, bom, pois é – e do nada – UAU, OUTRA COISA DANDO MUITO ERRADO, CARACA, ELAS VÃO MORRER MESMO DESSA VEZ.

Com elementos de Gravidade (2013) e algumas boas sacadas. Medo Profundo (47 Meters Down) é um filme que pode funcionar para a grande maioria do público. Não será um filme imortal, contudo, é um filme que pode se encaixar no gosto de diversas pessoas.

Com lançamento pela PlayArte, Medro Profundo tem data de estreia marcada para 8 de março aqui no Brasil. Depois diga o que você achou do filme.

Abaixo você pode conferir o trailer:

Adicionais:

A PlayArte preparou a cabine de Imprensa no Aquário de São Paulo. Para você que é da cidade, o Aquário é responsável pela preservação de diversas espécies marinhas e terrestres. Visitar o Aquário de São Paulo será uma experiência muito diferente da de visitar um zoológico. Bem estruturado e com monitores dispostos a tirar todas as suas dúvidas, o local é uma atração muito interessante. Visitamos lá e eu pude conhecer e conversar sobre os tubarões, ursos polares, pinguins – tem até uns camaradinhas bem simpáticos, que você conhece do desenho O Rei Leão – os suricatos. Essa dica é grátis e nós do Cinerama não estamos fazendo nenhuma propaganda paga para o local. Só estou acrescentando esse adento, pois acredito e me encantei pelo projeto.

Então, vá assistir ao filme, depois separe um final de semana para conhecer o Aquário de São Paulo.

Ler um clássico é desafiador. A linguagem distante somada as referências incomuns criam uma barreira entre o leitor e o livro. Frankenstein ainda contém um obstáculo extra, é a ideia preconcebida incorreta a respeito do monstro.

A cultura pop usou esse nome de todas as maneiras possíveis. Ele aparece em desenhos animados, filmes, animações – até em embalagens de cereal – e para piorar, todas as suas aparições (ou pelo menos, 99,99%) estão incorretas, diferentes, e bem diferentes, de como ele foi apresentado no livro.

A trajetória desse monstro além do livro e importância da sua autora são questões que podem ser discutidas em outro momento. Até porquê, esta edição da Darkside da qual vamos falar, contém textos de apoio excelentes, de modo que o livro acaba ficando completo por si.

Focando na história: Frankenstein é um aluno universitário naturalista. Muito influenciado pelas descobertas da época na área de energia elétrica e evolução – estamos falando da época do avô do Darwin, não confundir – Frankenstein é um produto do seu tempo. Curioso ao ponto de se tornar obsessivo. O estudante elabora pesquisas e experiências com o intuito de animar um corpo artificial.

Dedicado ao aperfeiçoamento da condição humana, o cientista consegue animar um corpo que é, em todos os fatores, superior aos humanos. Rápido, resistente e com excelente capacidade cognitiva, o monstro criado por Frankenstein é uma aberração de enorme potência.

Renegado pelo seu criador, a criatura descobre o mundo sozinha. Isolado do convívio humano graças a sua aparência monstruosa, o monstro é obrigado a viver nas sombras e absorver as qualidades humanas por um filtro de rancor e desprezo.

Leitor ávido, ele elabora delicados pensamentos filosóficos, inclusive faz análises frias sobre a sua própria condição. Amargurado contra o seu criador, o monstro torna-se um pesadelo para Frankenstein.

Estamos nas primeiras décadas de 1800, o que faz com que o texto se enquadre nos quesitos do Romantismo. Contudo, Mary Shelley procurou incorporar as descobertas recentes da ciência em seu livro. O resultado é que, possivelmente, Frankenstein esteja entre os primeiros – se não, o primeiro – livro de ficção cientifica já lançado. (dependendo dos quesitos escolhidos).

A história é intensa, sua narrativa é carregada e eu não vou fingir que seja fácil para um leitor de 2018 encarar um romance Romântico de 1818. Mas, pense comigo, um livro que sobreviveu por 200 anos (e ainda tem muito conteúdo para viver por mais 200), certamente merece a sua atenção e é um desafio válido.

Esse é o lance com os grandes romances e com os grandes clássicos. A sua leitura pode ser áspera e difícil no começo, contudo, terminar um clássico é recompensador. Você sabe que enfrentou um ótimo livro e aperfeiçoou a sua capacidade como leitor.

Essa edição contém textos de apoio e outros contos da escritora. Um material ótimo para contextualizar o leitor e ainda serve para ilustrar a importância da narrativa. As imagens e a encadernação estão muito bem feitas, o que aumenta o poder de imersão do livro.

Se você quiser descobrir as origens dessa criatura que transborda pela indústria do cinema, não deixe de ler o livro de Mary Shelley e reaprender tudo o que você pensava saber sobre o assunto.

Quadrinhos são uma maneira diferente de experienciar uma história ou conto. Com peso-pesados como Watchman, Maus e Batman O Cavaleiro das Trevas, os quadrinhos estão presentes nas nossas livrarias contendo histórias tão – ou mais – negras e violentas quanto a suas séries ou filmes preferidos.

V de Vingança é um exemplo excelente do poder narrativo dos quadrinhos. Roteirizado por Alan Moore e a arte feita por David Lloyd, o quadrinho é dono de uma história potente e sem tempo para respirar.

O grande lance dos quadrinhos é que as cenas são resumidas ao extremo. Ele está no meio do caminho entre um livro e um filme. Todas as referências de imagens que você tem estão condensadas em um quadro único, com a função de demonstrar qual é a sensação daquele momento. Os balões de diálogos ou os trechos do narrador também estão concentrados e resumidos ao extremo, ou seja, a dinâmica da história ganha velocidade.

Em V de Vingança essa vantagem dos quadrinhos foi utilizada de maneira surpreendente e o resultado é uma história que te segura da primeira até a última página.

Nota-se uma paixão presente pela história que está sendo contada, David Lloyd e Alan Moore acreditavam naquela narrativa e mais do que produzir um simples quadrinho, eles procuraram produzir um protesto.

Lançada no final dos anos 80, o quadrinho trata o leitor como um adulto que ele é.

Vamos falar da história:

Não vou acreditar que você vai pegar esse quadrinho pela primeira vez sem ter visto o filme de 2005, contudo, não pretendo discutir o filme escrito pelos irmãos Wachowski – embora seja um filme que eu goste bastante – vou procurar manter o foco no quadrinho.

Ambientado em uma Inglaterra pós-guerra nuclear. A história é narrada do ponto de vista de alguns personagens, entre eles o próprio líder político (aqui, uma diferença clara quando comparado ao filme). E claro, pelo ponto de vista do anti-herói V.

V é um personagem cheio de contradições. Seu anarquismo poético funciona como uma força motriz para as suas ações, que torna as suas cenas tão interessantes. V não quer apenas derrubar o autoritarismo, ele quer passar uma mensagem. Seus modos de agir e os seus monólogos deixam claro que, mais do que explodir prédios e derrubar poderosos, V procura destruir os ideais que colocaram os autoritários no poder. De modo que, ele busca libertar a mente da população, ante de libertar o seu corpo.

V de Vingança é uma obra sobre a política. Assim como os livros de George Orwell, o quadrinho ganha camadas a medida que o leitor se interessar pelo assunto. Isso não significa que ele não possa ser lido apenas como uma história comum. Quem estiver procurando uma história de anti-herói encontrará uma boa, quem estiver procurando um estudo político sobre o Fascismo, também ficará feliz.

Com esse personagem que ganhou notoriedade e até algumas interpretações incorretas, desenvolvido por um grupo de jovens que sentiram a mão pesada de Margaret Thatcher nos anos 80 e repleto daquele medo/receio por um futuro incerto que atinge todas as gerações. V de Vingança é uma história bem contada, veloz e que não faria mal nenhum para você, independente do seu gosto político.

Carregado de sexo, depressão e traições. O quadrinho é sufocante, pesado, opressivo. Existe um mundo deformado e angustiante, as páginas parecem a descrição de um pesadelo.

O quadrinho V de Vingança é a história crua, matéria prima sem nenhum filtro. Vale a leitura.

Já leu? Gostou? Gosta das outras obras do mesmo autor? Deixa o seu comentário.

Com mais de 70 livros lançados, Stephen King tem as suas histórias transitando por todos os níveis do entretenimento. Cinema, séries, o autor é uma presença constante na indústria e o seu nome foi um dos mais citados de 2017. Se você é fã do autor, o livro Sobre a Escrita é uma visão da sua caixa de ferramentas. Uma espiada rápida na maneira como King cria e monta suas histórias.

Divido em 3 partes, duas delas com histórias particulares e uma com dicas práticas de como abordar a sua escrita. King distanciou o livro de um manual frio. Ele não fica te dizendo o que você deve fazer ou o que você não deve fazer. Ele aponta os caminhos que funcionaram na vida dele e as maneiras que ele escolheu para utilizar certos recursos da escrita.

Obviamente, apesar do livro não ser um manual arrogante sobre como escrever, King dá seus pitacos sobre certos bons costumes do escritor. Na parte dedicada às dicas práticas, o autor aponta todas as coisas que ele acredita fazerem parte de uma boa escrita e demonstra as que fazem parte de uma escrita ruim.

Sempre direto e passando longe de todo blá blá blá sentimental que um livro assim poderia trazer. King conta suas histórias particulares e traça um paralelo entre certos acontecimentos e o resultado na sua escrita. No fim, a mensagem é uma só. Esforce-se muito e escreva aquilo que só você pode escrever, pois você tem um kit único de experiências – isso ficou um pouco autoajuda, eu sei.

Uma conversa franca do autor com o seu público. King fala para quem quer se tornar escritor ou para aqueles que gostam da escrita, esse é o público alvo principal do livro. Contudo, se você admira Stephen King e gostaria de atingir camadas mais profundas sobre as suas histórias, o Sobre a Escrita é uma ótima fonte de informações e eu tenho certeza de que o livro mudará a forma como você analisa os livros dele – e talvez, de todos os autores que você admira.

Existem problemas na versão traduzida. Como algumas dicas funcionam melhor em inglês, a adaptação para o português faz com que certos detalhes da escrita percam um pouco o pulso, principalmente na parte onde ele analisa uma história e corrige ela ao vivo. Existe também, claro, a parte em que ele fala sobre procurar editores e as formas que ele fez isso, todas um tanto ultrapassadas, mas lembre-se, ele lançou o livro em 2009.

De todo modo, Sobre a Escrita é um autorretrato honesto.  Além de ser um livro de dicas sobre como escrever melhor e quais os caminhos para chegar até lá. Com alguns puxões de orelha e muitos insights, King presenteou seus fãs com uma biografia interessante e um bom companheiro para os leitores do autor.

E por fim, o ele termina com duas listas de indicações de livros, desafio você a checkar todos eles.

Gosta do Stephen King? Já leu esse livro? Deixa o seu comentário e vamos conversar. É sempre bom poder ouvir o que você tem a dizer.

Lançado em 1984, Neuromancer de William Gibson é um ponto de transição na ficção cientifica. Vencedor dos prêmios Hugo Award, Nebula Award e Philip K. Dick Award – a tríplice coroa da ficção científica. Livro classificado entre os 100 grandes romances de língua inglesa, pela revista Time. Neuromancer coleciona motivos para que você enfrente as suas páginas.

Ilustrações cyberpunk de Josan Gonzalez

E não pense que eu estou utilizando palavras atoa. O verbo é realmente enfrentar. Com cenários alucinantes e cenas de ação inacreditavelmente velozes. O livro é um soco na cara, seguido de um banho de água gelada e finalizado com um empurrão do precipício.

Imagine que você está em um avião. Quando, sem nenhum aviso, o autor chega, abre a porta, joga você lá de cima e depois joga uma mochila onde pode conter, ou não, um paraquedas. Essa é a sensação de ler Neuromancer. O autor segue engatilhando cena após cena sem se dar ao trabalho de fazer muitas explicações.

O mundo Cyberpunk é uma versão deteriorada dos nosso. É como se os episódios mais sombrios de Blackmirror tivessem se tornado verdade, todos ao mesmo tempo. Os personagens sobrevivem a base do uso indiscriminado de drogas. Seus corpos são transformados por implantes, garras, mutilações. Poderes mentais, inteligências artificiais, golpes de estado. William Gibson pegou todos os assuntos e fez deles o pano de fundo para um livro que vai testar o fôlego de qualquer leitor. Muitas vezes eu me vi obrigado a falar “calma, ok! Uau, caraca isso foi, isso foi, uau”.

Ilustrações cyberpunk de Josan Gonzalez

Temperado com questionamentos filosóficos, o livro é atual. Ele fala dos nossos problemas de hoje, das questões que enfrentamos hoje. Trata da inteligência artificial. Fala do poder quase inigualável das corporações e da sua maneira de atuar na vida dos seres humanos.

Questões que são seguidas por cenas de ação bem desenvolvidas e que passam longe de qualquer clichê. Gibson criou um cenário e estabeleceu um novo patamar para a ficção cientifica. Seu nome está entre os mais respeitados do cenário e o seu livro é um golpe na boca do estômago. Todo leitor que afirma gostar do gênero precisa aguentar esse livro.

Parte de uma trilogia chamada Spraw – contudo, o livro basta-se por si – a história de Neuromancer está focada em um cowboy, uma espécie de Hacker. Sua atividade acontece na Matrix. Ela é como a nossa internet, a diferença é que o cowboy insere a sua consciência na Matrix através de um dispositivo chamado deck, e assim, interage com os sites de maneira física. Ou física simulada, uma vez que o corpo do cowboy estará plugado e dormindo.

Usei a palavra site pois ela é familiar a você, no livro, o autor não determinou o nome das entidades que interagem com o cowboy na Matrix, na verdade, cada uma delas tem um nome próprio e características próprias. Enfim, é confuso, eu sei. Mas, vai valer a pena. Eu prometo!

Em uma edição muito amigável, com boas notas e um texto introdutório que ajuda a desvendar esse complexo mudo do Cyberpunk. Neuromancer está vivo (e bem vivo) após 20 anos do seu lançamento. O livro vai agradar aos fãs de ação, aos fãs de ficção cientifica e aos fãs de filosofia moderna. Na real! Vai agradar a qualquer leitor que goste de boas histórias.

Já leu o livro? Conhece a trilogia? Deixa o seu comentário na postagem e vamos conversar sobre o assunto.

Ilustrações cyberpunk de Josan Gonzalez
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