Crítica | Com Amor, Simon “Love, Simon”

A fórmula das comédias românticas teen está cada dia mais ultrapassada, o número de produções do gênero tem caído e as histórias simplesmente parecem não saber aonde ir. Como revitalizar um gênero de forma original e repaginada para uma nova geração? Talvez a resposta tenha estado sempre na nossa cara. Baseado no livro Simon e a Agenda Homo Sapiens da escritora Becky Albertalli e publicado no Brasil pela Editora Intrínseca, o filme Com amor, Simon chega em diversos cinemas selecionados nesta quinta-feira, 22 de março, e estreia no dia 05 de abril em circuito nacional. Produzido e distribuído pela 20th Century Fox, o longa-metragem promete arrebatar uma legião de fãs do gênero, abordando um assunto extremamente pertinente aos dias atuais.

Simon Spier (Nick Robinson, de Jurassic World) é um adolescente como outro qualquer, morador de uma cidade pequena, ele vive uma vida feliz. Ele tem pais amorosos e compreensivos, uma irmã que ele adora e os melhores amigos do mundo. O único problema é que Simon guarda um segredo sobre si: ele é gay e não sabe muito bem como lidar com isso. Um dia, no blog de fofocas da escola, alguém posta um desabafo sobre como é estar dentro do armário no ensino médio. Ocultando suas identidades, Simon e o garoto começam a trocar e-mails, e de forma inevitável ele começa a se apaixonar pela pessoa do outro lado da tela e usa as poucas informações que possui pra tentar descobrir quem é o rapaz misterioso. Em um momento de distração, Simon deixa seu e-mail aberto no computador da escola, e quando um aluno insuportável vê, começa a chantagear o garoto, ameaçando vazar os e-mails no blog de fofoca caso Simon não o ajude a conquistar uma amiga.

Com leveza e simplicidade, Com amor, Simon aborda todas as questões conflitantes da adolescência sem deixar passar a verdade sobre essa época de transição. A questão da sexualidade do protagonista não poderia ser mostrada de forma mais real. Ele é um menino feliz, que tem tudo mas que não se sente seguro para se posicionar e se afirmar. Ainda hoje, sair do armário ainda é um desafio envolvendo segurança, maturidade e respeito. O longa é tão sensível (sem tirar os pés do chão) ao abordar todos os lados da situação que é praticamente impossível o espectador não se envolver com os personagens.

Com amor, Simon é muito poderoso no sentido de mostrar que todas aquelas situações são normais. A forma que Simon se posiciona cedendo a chantagem, as reações de sua família, as confusões com seus amigos. Tudo isso pode estar acontecendo em qualquer lugar. E mais importante que isso, ele afirma que o poder de se afirmar deveria estar unicamente nas mãos da própria pessoa.

O sorriso tímido de Simon, as personalidades diferentes e ainda que pouco exploradas de sua família e amigos e a representatividade presente em cada um dos personagens tem uma carga emocional muito forte no filme. É impossível sair do cinema sem sentir seu coração aquecido. Com amor, Simon acerta em cheio em seu maior alvo: Seja você mesmo.

Assista ao trailer:

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Pedro Azevedo

Escritor, estudante de jornalismo, redator chefe do @conversaurbana e colunista do blog @parperfeito. Louco por livros.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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