Critica 2 | “Maria Madalena” narra acontecimentos bíblicos, a partir da perspectiva de uma mulher

Segundo a Bíblia Sagrada, Maria Madalena é descrita, no Novo Testamento, como uma pecadora que se redimiu e tornou-se uma das discípulas mais dedicadas de Jesus Cristo. É considerada santa pelas diversas denominações cristãs e sua festa é celebrada no dia 22 de julho.

Alguns exegetas atribuí a ela a famosa e polêmica perícope a respeito de uma mulher que seria julgada por ter sido surpreendida em ato de adultério. Na ocasião, Jesus perguntou aos Mestres da Lei e aos fariseus que clamavam pela pena capital, conforme previsto na Lei de Moisés. Na verdade, eles queriam criar uma armadilha para acusar Cristo de ser contra a Lei Romana ou a Lei Judaica.

Então, o Messias se limitou a escrever no chão: “Quem dentre vós não tiver pecado, que atire a primeira pedra'”, foi o bastante para fazer com que os acusadores ficassem sem argumentos para uma acusação formal e sem moral perante a multidão que assistia a cena.

Mas, quem realmente foi Maria Madalena? Prostituta arrependida, rica, seguidora, discípula, companheira de Jesus, adúltera, símbolo da fragilidade das mulheres, objeto de veneração?… essas perguntas poderão ou não serem elucidadas (dependendo no que o espectador crê) em Maria Madalena, produção da Universal Pictures, que estreia nesta quinta-feira, 15 de maço, em circuito nacional.

Na cinebiografia, contrariada pelas hierarquias, Maria Madalena (Rooney Mara) desafia sua família tradicional ao decidir não aceitar um casamento arranjado e parte para uma jornada ao lado de Jesus de Nazaré (Joaquin Phoenix). Ela logo encontrá um lugar para si mesma dentro de um movimento que a levará para Jerusalém.

Em todos os questionamentos levantados para definir Maria Madalena (Madalena não é o seu sobrenome, mas derivado de Magdala, sua cidade localizada na costa ocidental do Mar da Galileia), um fato: trata-se de uma personagem que extrapola os textos religiosos e a própria Igreja, ela continua sendo uma figura misteriosa e, ao mesmo tempo, fascinante.

(📷 Universal Pictures / Divulgação)

Pegando carona nesse lançamento cinematográfico, a Editora Zahar aproveitou para lançar também nesta quinta-feira (15/03), Maria Madalena – Da Bíblia ao Código Da Vinci: Companheira de Jesus, Deusa, Prostituta, Ícone Feminista, do historiador Michael Haag, que traz uma análise da forma como Madalena tem sido reinterpretada a cada época – desde os tempos bíblicos até os dias atuais.

No dia 08 de março, a imprensa especializada em cinema, foi convidada a conferir o filme, em cabines de imprensa promovidas pela Universal Pictures Brasil. Assistir Maria Madalena naquele dia, proporcionou a reflexão da importância do fortalecimento da mulher na sociedade atual. Essa é uma luta atemporal. No momento, o mundo discute o respeito as mulheres, a igualdade de gênero, igualdade de condições trabalhistas e salariais, posicionamento da mulher na política e no mercado, entre tantas questões debatidas todos os dias.

A indicada ao Oscar Rooney Mara (Carol), foi a escolha perfeita para viver uma personagem tão importante para as questões atuais como o empoderamento e uma mulher tão recheada de controvérsias. Ao lado de Mara, outro indicado ao Oscar, Joaquin Phoenix (O Mestre), apesar de interpretar Jesus Cristo, divide o protagonismo num filme, cujas atenções, são mais voltadas para sua protagonista. Não pelo filme carregar no título seu nome, mas o trabalho que ela entrega aos espectadores, dão a ela esse direito. Todavia, Phoenix funciona melhor como um coadjuvante muito importante, em uma atuação séria e concentrada, nunca vista em nenhum filme.

Além dos indicados ao Oscar, a produção ainda conta com as interpretações de Chiwetel Eijofor, como Pedro, e Tahar Rahim, como Judas, no elenco, esses são os outros dois destaques ativos no longa-metragem.

Philippa Goslett (Poucas Cinzas) e Helen Edmundson (An Inspector Calls) escreveram uma história forte, independente da original, com diálogos cheio de empoderamento. Garth Davis (Lion – Uma Jornada Para Casa), mais uma vez realiza uma produção em parceria com Rooney Mara. Davis não se rende a religiosidade para contar sua história. Não afeta nem afronta a fé dos mais religiosos, mas poderá abalar os cristão evangélicos mais praticantes da doutrina e sua obra será acusada de heresia.

Nos quesitos mais técnicos, a fotografia faz um bom trabalho ao mostrar competentes enquadramentos nos cenários desérticos da Sicília, que se passam pela Terra Santa. Na trilha sonora, um dos últimos e excelentes trabalhos entregues pelo saudoso compositor Jóhann Jóhannsson (A Teoria de Tudo). A ótima edição favorece muito o trabalho de interação entre a protagonista e seus demais colegas nas cenas. Mas o figurino contém as mesmas cores e padrões de sempre.

No final das contas, Maria Madalena presta uma homenagem as mulheres, ao apresentar um roteiro totalmente voltado para a perspectiva da sua protagonista, que por sinal, Rooney Mara foi uma ótima escolha. A parte técnica dessa obra cinematográfica, o que inclui som, fotografia e edição, estão competentíssimas. A direção inova, ao apresentar uma nova forma para contar a história de Jesus Cristo. Do ponto de vista religioso, principalmente, as ideologias cristãs, será considerado herege.

Assista ao trailer:

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Alyson Fonseca

É um grande e verdadeiro apreciador da sétima arte.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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