Crítica | Maria Madalena (Mary Magdalene)

Talvez um dos projetos mais corajosos e impressionantes dos últimos anos. Maria Madalena é a história de uma figura presente na religião cristã e encoberta em contradições.

Rooney Mara (📷 Universal Pictures / Divulgação)

O filme conta a história de uma jovem judia nascida na cidade de Magdala, da Galiléia. Um pequeno povoado de pescadores, onde a sobrevivência é uma luta diária e mesmo o mais rico entre os moradores do povoado mantém uma vida sem luxo.

Maria (Rooney Mara) é a única solteira em uma vasta família com irmãos e irmãs, todas casadas e todas com filhos. Vivendo em uma sociedade onde as mulheres não possuem direito aos próprios corpos, ou opiniões, Maria é forçada pelo pai e o irmão mais velho a aceitar um casamento.

Rooney Mara (📷 Universal Pictures / Divulgação)

Transtornada, a jovem foge da primeira tentativa de a casarem e graças a isso é acusada de possessão demoníaca. Então a família passa a buscar uma cura para a jovem Maria. A primeira tentativa é um exorcismo feito às margens do rio. Como o exorcismo não surte o efeito desejado, os irmãos de Maria vão em busca de um curador que está pela região. Ele é Jesus de Nazaré (Joaquin Phoenix), nesta parte da história, a sua figura é vista com ceticismo e preocupação por parte de muitos judeus.

Após conhecer Jesus, Maria desenvolve extremo carinho e afeição pelo pregador. Ela decide deixar Magdala para trás e assim acompanha-lo em suas peregrinações. Surge daí o nome Maria de Magdala, ou Maria Magdalena.

Joaquin Phoenix (📷 Universal Pictures / Divulgação)

A absorção das palavras do seu líder e as constantes batalhas para compreender o mundo são os pontos principais na vida de Maria. Ela luta para tentar compreender o verdadeiro significado das palavras de Deus, que surgem através dos lábios de Jesus, ao mesmo tempo em que procura iluminar a si mesma e as pessoas as redor.

O filme é composto por sangue e lágrimas. Não se trata de uma pregação vazia ou puro sentimentalismo evangélico. Independente da crença do expectador, o filme busca manter seus personagens feitos de carne, ossos e sofrimento, com isso, ganhar a simpatia do público para as angústias apresentadas na tela. Não é um filme para convertidos, é uma história contada para todos.

Chiwetel Ejiofor ( (📷 Universal Pictures / Divulgação)

Paulo (Chiwetel Ejiofor, 12 Anos de Escravidão) e Judas (Tahar Rahmin) são as duas figuras que complementam o grande quarteto de personagens que formam o filme. Com eles, a trama atinge dimensões maiores e assim explora diversos aspectos da condição humana.

Do ponto de vista crítico, é possível encontrar-se em diversos personagens. Embora todos queiram ser como Jesus e achem graça dos desejos e fantasias dos que não compreendem as suas palavras. Passando a limpo os nossos dias, vocês verão que temos muito mais relação com Judas do que o que esperamos. Estamos sujeitos aos mesmos medos, desejos, confusões e devaneios que tornam Judas uma figura absolutamente tão humana em seu desespero. É surpreendente o poder de fábula nessa personagem, no afã de tornar as coisas melhores ele acaba destruindo o que existe de belo e bom.

Paulo está presente em um outro espectro dessa confusão. Também dedicado, também devoto, também entregando-se de corpo e alma para um objetivo, e assim como Judas, também perdido em seus próprios devaneios.

Joaquin Phoenix e Tahar Rahmin (📷 Universal Pictures / Divulgação)

A verdade é que, comentar um filme com a carga religiosa tão intensa como em Maria Madalena, é uma verdadeira armadilha para o crítico. Espero que você entenda, o meu papel aqui é trazer uma sinopse rápida do filme e apresentar algumas reflexões. Com o intuito de te fazer ir assistir ao filme e daí tirar as suas próprias conclusões.

Um filme que tem no seu elenco Rooney Mara, Joaquin Phoenix, Chiwetel Ejiofor e Tahar Rahmin, não deve ser desprestigiado apenas por que, talvez, ele diga algumas coisas da qual você discorda ou foi ensinado diferente. A direção é de Garth Davis (muito elogiado pelo seu LION).

Rooney Mara e Tahar Rahmin (📷 Universal Pictures / Divulgação)

Com mensagens importantíssimas e difíceis de digerir (depois de sair da sala eu fiquei ainda algumas horas com o filme na minha cabeça, ele ficava voltando em ondas, é uma experiência completa, que faz refletir e muito sobre o peso das nossas intervenções e sobre como estamos enganados sobre nós mesmos).

Com estréia marcada para o dia 15 de março. Mary Magdalena, assista, reflita e depois comente o que você achou do filme. Lembre-se de assistir ao filme como um filme e não como uma propaganda ou uma ofensa pessoal. Se fizer isso, tenho certeza de que Maria Madalena encontrará ecos em você também.

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Vinicios Lombardi

Estudante de jornalismo, escrevo por compulsão e vejo filmes pelo mesmo motivo, às vezes é o contrário. Me arrisco em curtas metragens, até já me deixaram gritar "corta" e me chamaram de diretor em um set de filmagem, vai entender.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
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