Black Mirror – Sociedade obscura e um visor preto à frente dela (Parte 1 )

A pós-modernidade parece ser o melhor da geração atual. Uma internet disponível em qualquer lugar (quando o wifi é liberado); rapidez em atendimentos do cotidiano com pressa; e até ¨nossos melhores momentos¨ registrados em nuvens, caixas virtuais, timelines. E ainda, como que um extra para quem NÃO QUER perder tempo, dar um clique ali, ativar uma bomba aqui, apagar um arquivo revelador, deletar a memória de um dito cujo lá… Coisa simples. Prático. Não se incomode leitor, este post quer apenas fazer você trocar rapidinho de lugar o cenário da  realidade social que te cerca, para o cenário futurista pesado de uma série bem feita.

 

O tema

Black Mirror – já online desde 2011 pela BBC – foi feita para descrever uma sociedade, a SUA sociedade.

O britânico, creative mind, Charlie Brooker utiliza de condutas bem humanas e satiriza-as de um jeito bem sombrio, examinando a sociedade moderna/tecnológica, e despertando questões como: ela está progredindo ou está exterminando?

Diversos blogs e websites atentos à produção não tão fictícia, pautaram o tema explorando textos e estudos sobre o comportamento e mente humana, relacionando o futuro já gritante à nossa volta.  Acredita-se que o tema não está presente baseado apenas em mais um mistério, e sim, em realidades tão próximas que aceleram o choque interpessoal e social, levando ao clima de abismo tecnológico.

Não é de estar surpreso com a intenção do título, ao aludir à uma tela digital, escura, vidrada. Reflete, diz, grita, quebra.

 

Episódios

Consiste em duas temporadas de 3 à 5 capítulos cada. O enredo não segue um tempo cronológico em sua programação, sendo somente correlacionado o tema do humano e do tecnológico. Cada episódio apresenta um cast e uma história diferentes. Para encurtar a missa, vou listar os episódios em frases que expressam o foco de cada história.

Temp.1Ep.1 The National Anthem (Hino nacional) – História política difícil de ser vista, mas corajosa em chocar. Já digo que foi o mais satírico de toda a série. Aqui cabe a pergunta até que ponto vai a autoridade de um político em mãos erradas?

Ep.2 Fifteen Million Merits (Quinze milhões de méritos) – Acordar. Levantar. Faça um movimento de touchscreen no ar pra desligar o despertador. TV logo cedo. Propaganda. Futilidades. Touchscreen. Perder. Ganhar. Exercício. Físico. Exercício físico.  Méritos em moedas virtuais. TV.  VT. Rotina do dia. Dormir. Quarto de quatro paredes em telas. Prisão. Uma espécie de reality show inteligente com uma crítica fortíssima.
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Ep.3 The Entire History of You (Toda a sua história) – Uma historinha  sobre como guardar toda sua identidade em um lugar seguro e ainda provar que a mente humana é traiçoeira. Como a realidade…. e um pouco de ciúme e obsessão também.Resultado de imagem para black mirror

Temp.2 Ep.1 Be Right Back (Volto já) – Ok. Aqui a gente tem uma considerável demonstração de como a tecnologia pode ir além. Tipo, além da morte. Com atuação do gracioso Domhnall Gleeson (Questão de Tempo; Ex Machina).  Resultado de imagem para be right back black mirror

Ep.2 White Bear (Urso branco) – Uma moça acorda em um cenário apocalíp… isso mesmo, estilo seriados da FOX. Lembra uma caça às bruxas em algum país nórdico. Todos estão atrás dela. Inclusive as câmeras de celular. 10 Mysteries, Passions, and Hauntings to Obsess Over If You Like ‘Serial’:

Ep.3 The Waldo Moment (Momento Waldo) – Uma sátira em que o próprio Brooker chamou, em setembro de 2016, de ¨a campanha de Donald Trump¨. Sem papas na língua, Waldo faz fama brincando de política. Mas pera. Waldo não é uma pessoa.

Ep.4 White Christmas (Natal) – Lançado como episódio especial à parte, justamente no mês do natal para abusar do espírito sentimental propício da época e entrar na mente. Perturba a ponto de causar colapso em quem somos e quem achamos que somos. Falo do personagem, é claro. Tsc, tsc.

 

A já grande, Netflix, acreditou na série e em 2015 encomendou novos episódios. A terceira temporada já é, a partir de hoje (21/10), estréia imperdível na plataforma. E já veio ostentando 6 episódios de cara pra provar que o assunto é denso e convincente.

Fale de Black Mirror com seus familiares e amigos, ou use em uma pesquisa ou experimento. Faça um TCC. Uma palestra. Faça do seu jeito, usando a tecnologia. Só não posta. Senão quebra.

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Letícia Nunes

Cinema: artefato preferido // [email protected]

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