Crítica | Café Society, um filme bonito, porém insatisfatório

Woody Allen, muitas vezes é um diretor interessante e perspicaz, cujos filmes, independentemente de como eles saem geralmente são ótimos, tem grandes trilhas sonoras e muitas vezes ele sabe como conseguir performances fortes dos atores, juntamente dos seus intensos roteiros que nos provoca fortes pensamentos.

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Café Society não é um dos seus melhores filmes. Os tempos de glória de Allen começou no final dos anos 60 e foi até o início dos anos 90, com os anos 70 e 80 (que fomos apresentados a obras-primas como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Crimes e Pecados e Manhattan, por exemplo) que são particularmente grandes décadas. A partir de meados dos anos 90 em diante tornou-se imprevisível, com as suas maiores obras Meia-Noite em Paris e Blue Jasmine, mas geralmente seus dias de glória ficaram para trás.

Tanto quanto seus filmes a partir de 2010, como Meia-Noite em Paris e Blue Jasmine são muito superiores, mas Café Society se sai melhor do que Para Roma com Amor e Você Vai Conhecer O Homem Dos Seus Sonhos. Café Society não é um grande filme, mas não é um pobre, geralmente Allen faz pior (quase todos eles sendo nos últimos vinte anos ou mais), mas esse realmente não é um de seus melhores filmes.

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O seu melhor trunfo é a magnífica fotografia, com takes de tirar o fôlego torna-se um filme muito bonito de se assistir. A trilha sonora também é um ajuste ideal, dando um sentido real da época, bem como sendo uma trilha sonora maravilhosa por conta própria. Há tons perceptíveis de Allen no roteiro, há alguns momentos muito engraçados, alguns dos mais tocantes e ele faz evocar vários pensamentos depois que você termina.

A história é simples, mas dificilmente maçante, e foi um longo caminho, que será detalhado mais tarde no meu texto, para o filme conseguir manter meu interesse. É bem dirigido por Allen. As atuações variam. Blake Lively conseguiu me convencer com a sutação e Steve Carrell mostra que ele é adepto a comédia e drama em um papel que exige ambos ao extremo. E eu fui realmente surpreendido com a performance da Kristen Stewart, confesso que eu não esperava muito dela, mas esta é a prova de que, com o papel certo o ator pode mostrar o que se tem de melhor. Porém, Stewart fez um papel mais interessante do que ele merecia estar. Acredito que esse papel ficaria melhor nas mãos da Blake Lively.

Já Jesse Eisenberg não funcionou para mim, ele consegue ter os mesmo trejeitos em todo filme que atua, ele só é apenas um alter ego jovem de Woody Allen e ele só sai como uma má representação sem ser nem engraçado ou charmoso, em vez disso, é irritante e as neuroses são exageradas. Corey Stoll também se sente muito fora do lugar, não consegui vê-lo como um mafioso por um minuto se quer, em primeiro lugar o papel não combinava com ele e não se encaixava muito bem.

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Além de tudo isso, o script e a execução da história não são perfeitos. Principalmente o script que é muito agradável, mas algumas piadas eram de mau-gosto, especialmente quando eles se divertiam fazendo piadas sobre os judeus. A narração de Allen é irritante, usada em demasia e explicações um pouco confusas, tendo muitas cenas do que explicações, consequentemente dando a ‘Café Society “uma confusa sensação. A história sofre por ter muitos personagens, e o que acontece é que acaba que nenhum personagem tem um bom desenvolvimento, tornando as relações centrais não tão convincentes como deveriam ter sido, e enquanto eu não me importava com o fato de que o filme tinha um final lento eu fiquei um pouco decepcionado com as fracas conclusões sobre os personagens que o filme me entregou, e deu o sentido de que Allen ficou indeciso quanto ao modo de concretizar o filme.

Em conclusão, é um filme bonito que possui alguns elementos agradáveis, mas um tanto insatisfatório. Nota 6/10.

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Caio Augusto

Estudante, 21 anos, apresentador do canal Cinerama TV, e o maior fã do Scorsese que você respeita.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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