Crítica | Gaby Estrella

Em 2006, Miley Cyrus estrelou a sitcom Hannah Montana. O seriado, exibido pelo canal pago Disney Channel, mostrava o cotidiano de uma garota que tem vida dupla: de um lado ela é Leonor Miley Stewart Mendes, uma garota comum que ainda frequenta a escola, enquanto de outro, ela é a popstar Hannah Montana.

Em 2009, o programa ganhou uma adaptação cinematográfica: Hannah Motana – O Filme. A história mostra como a popularidade de Miley Stewart/Hannah Montana começa a controlar sua vida, deixando de lado a convivência familiar e com os amigos de lado. Aconselhada pelo pai, Miley viaja até sua cidade natal, em Crowley Corners, no Tennessee, para conseguir uma perspectiva do que é mais importante para ela. Foi um sucesso de bilheteria. Antes de We Can´t Stop, Cyrus fez sucesso no filme/sitcom, com suas canções, dentre elas The Climb.

O filme foi produzido para um novo perfil de público, que até tempos atrás, pertencia ao universo literário. Hoje em dia, o cinema também lucra com o segmento infanto-junvenil. O Brasil vem produzindo, nos últimos meses, filmes para este público como Carrossel – O Filme (2015), a sequência Carrossel 2 – O Sumiço de Maria Joaquina e o mais recente, Detetives do Prédio Azul (D.P.A).

Seguindo esse estilo, estreia nesta quinta-feira, 18 de janeiro, Gaby Estrella. O longa-metragem é baseado na série homônima produzida pela RioFilmeChatrone e Panorâmica para o Gloob.

No filme, Gaby (Maitê Padilha) é uma cantora de grande sucesso. Mas o aparecimento de uma rival pode acabar com a sua fama e vida glamourosa. Sem inspiração e tempo para amigos e família, ela precisa encontrar um jeito de voltar ao topo das paradas. Para isso é aconselhada, pela sua mãe, a voltar para a fazenda da sua avó, para se redescobrir.

Qualquer semelhança com Hannah Motana – O Filme não é mera coincidência. Aqui tudo se parece com o longa americano, mas com a diferença de ser uma produção brasileira. E esse é o problema de Gaby Estrella. A essência não é de um filme, tudo parece uma novela, daquelas adaptadas dos países da América Latina como Floribella, Chiquititas  ou Cúmplices de um Resgate.

Mas para realizar uma filme, com o espírito de telenovela, na tela gigante, nada melhor do que um diretor de… telenovelas. Cláudio Boeckel (diretor de novelas como A Força do Querer, Império e da própria série Gaby Estrella), faz sua estreia para o cinema. Com o roteiro da própria produtora Carina Schulze (Festa no Céu) e de Paulo Cursino (O Candidato Honesto), o diretor bebeu da fonte de Hannah Montana – O filme.

Só que a produção do Disney Channel fez sucesso nas bilheterias, mas ganhou críticas variadas. Já Gaby Estrella vai fazer até algum sucesso nas bilheterias, com ajuda do seu público-alvo, crianças e adolescentes curtindo as férias, mas as críticas…

Faltou a Maitê Padilha (intérprete da personagem-título), oferecer ao espectador uma atuação no mesmo nível da Miley Cyrus. Mas, ao invés disso, entregou uma mistura de Larissa Manoela com Selena Gomez. Sua rival (a “grande” vilã da história), Natasha, vivida por Luiza Prochet, é uma mistura desastrosa de Anitta com Demi Lovato.

Este que vos escreve segue uma linha de que, Youtuber não é ator, principalmente, de cinema. Por ter alguns seguidores, Victor Lamoglia, foi convidado para fazer número e garantir algum público, sua participação não se justifica. Do elenco teen, apenas Bárbara Maia (A Lei e o Crime), que vive a anti-heroína Rita Estrella, prima de Gaby, quem salva o núcleo.

Atuações de destaque ficam com a mais experiente Adriana Prado (A Lei e o Crime), que vive a mãe de Gaby e, a veterana Regina Sampaio (Depois Daquele Baile), essa atua como a avó da protagonista. Os demais, não são tão memoráveis para serem citados.

Apesar de não conseguir sair dessa essência mais novelesca, Gaby Estrella vai ser um sucesso nas férias. Com certeza, as crianças e adolescentes vão pirar e lotar muitas salas. Afinal de contas, a produção respeita o seu numeroso público-alvo.

Assista ao trailer:

? Divulgação

 

 

Etiquetas: , , , , , , , , , , ,


Alyson Fonseca

É um grande e verdadeiro apreciador da sétima arte.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

© 2018 Cinerama Clube.

Todos os direitos reservados.

CONTATO | ANUNCIE

Developed By: Vedrak Devs