Crítica | Kimi no na wa (Your Name)

Kimi no na wa (Your Name) chegou até o público Brasileiro em Outubro de 2017. Escrito e dirigido por Makoto Shinkai, que também é o autor do livro da qual o anime foi inspirado.

No Brasil, as animações japonesas não costumam atingir a um grande público. Pode-se argumentar que o cenário é vasto e que existem diversos eventos voltados para o público fã de anime, mas, quando comparado com os números de uma animação da Pixar, é possível ter uma visão geral da discrepância – isso sem mencionar que os números destes eventos são engrossados pelos fãs de heróis e séries dos EUA.

Até agora, poucos nomes conseguiram alcançar o patamar estabelecido por Hayao Miyazaki, tanto em matéria de qualidade, quanto em absorção do grande público – se você não for fã do gênero, é provável que não saiba de quem eu estou falando, mas, se eu disser A Viagem de Chihiro ou O Castelo Animado, certamente, você já vai começar a entender um pouco mais.

Satoshi Kon foi outro grande diretor do gênero, ganhou notoriedade no Brasil pelos excelentes Paprika (2006) e Perfect Blue (1997). Agora, podemos incluir na lista o nome de Makoto Shinkai com o seu, maduro, Kimi no na wa.

A narrativa japonesa nos escapa. Não é fácil compreender o espírito de um povo que luta para se manter preservado. Entender a importância do seu folclore é um desafio, e você precisa ter todas essas questões em mente quando for analisar essa animação.

Se cairmos vítimas do formulaico e resolvermos jogar a narrativa dentro de um molde. Medindo o tamanho dos atos, os pontos de virada, as regras para o diálogo e a melhor maneira de criar um voz over, então perderemos toda a essência dessa obra.

A simplicidade da história se dissolve na imensidão das suas mensagens

Cenas minimalistas se misturam com diálogos expositivos. O que aparentemente pode ser confundido com um ponto fraco, na cena seguinte ganha tons de Haikai. É a incapacidade do Hollywoodiano de compreender as nuances das folhas de cerejeira caindo sobre um lago.

Kimi no na wa é poesia sem pedantismo. Com uma trilha sonora desenvolvida para disparar seus déjà vu. O filme conta várias histórias, entre elas, o romance de dois adolescentes. Fala sobre a passagem do tempo e a nossa incapacidade de compreender seus fios em trama que se torcem e se sobrepõem. Fala sobre pedacinhos de si mesmo em outros corpos. Fala sobre sonhos e como é horrível acordar deles.

A composição das cenas é impecável (fruto da ótima escola oriental). O filme faz jogos de simbolismo, instigando o público e apresentando uma história agradável de acompanhar e bela de assistir.

Makoto Shinkai é um nome para ser acompanhado de perto e o seu Kimi no na wa é uma bela animação. Com uma história agradável, personagens carismáticos, o filme não deve em nada aos nomes de peso da animação moderna que povoam o nosso Cinema. Você pode encontra-lo no catálogo da Netflix e vale como dica para quem estiver interessado em testar o paladar com novos sabores.


Vinicios Lombardi

Estudante de jornalismo, escrevo por compulsão e vejo filmes pelo mesmo motivo, às vezes é o contrário. Me arrisco em curtas metragens, até já me deixaram gritar "corta" e me chamaram de diretor em um set de filmagem, vai entender.

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