O Destino de Uma Nação – O eco memorável das possibilidades

Sinopse: Winston Churchill (Gary Oldman) está prestes a encarar um de seus maiores desafios: tomar posse do cargo de Primeiro Mnistro da Grã-Bretanha. Paralelamente, ele começa a costurar um tratado de paz com a Alemanha nazista que pode significar o fim de anos de conflito.

Dirigido por Joe Wright, já aclamado por seu trabalho em filmes como Orgulho e Preconceito, e Anna Karenina, com estreia marcada para o dia 11 de Janeiro no Brasil, O Destino de Uma Nação foi bem recebido pelas críticas estrangeiras, sendo inclusive nomeado a diversos prêmios, dentre eles o Globo de Ouro, na categoria de melhor ator de filme de drama para Gary Oldman, que nesse dia 08 de Janeiro foi revelado o ganhador da categoria.

O filme se passa durante o período da II Guerra Mundial, em um momento onde o poderio alemão avançava, e a Inglaterra se via pressionada diante do ataque feito a Polônia, que era um significativo da imersão direta do país no conflito. Em tal momento de instabilidade, quem assume o cargo de Primeiro Ministro é Winston Churchill, célebre político inglês, conhecido pela sua oratória excelente, e pelo seu posicionamento incisivo durante o contexto de guerra ao nazismo, e é justamente esse poder do discurso, e as percepções e decisões que envolveram Churchill que acabam construindo progressivamente a narrativa da história.

Apesar da grande dedicação de Gary Oldman ao personagem, e ao destaque incomensurável que ele obtém diante da trama, o filme tem o potencial de construir a sua narrativa rumo ao desfecho da perspectiva histórica, se valendo de recursos muito pontuais que impedem que a trama tome um caráter biográfico, ou ao menos tentam impedir. Com um número de dias específicos, tendo a construção temporal bem demarcada durante um momento pontual, a história evolui e se mantém atrelada a figura do forte estadista e nas decisões que envolviam seu cargo, mas ainda que seja intimista ao ponto em que demonstra detalhes mais precisos sobre a personalidade de Winston e sobre sua vida, termina por culminar na resolução daquela contenda, voltando a atenção, acima de tudo. para o potencial de ação do mesmo diante daquele espaço/tempo.

Com uma abordagem que tende ao mais realístico, ainda que beba invariavelmente da fonte do nacionalismo ao construir uma crescente oratória sobre aqueles que seriam por fim os vencedores do conflito, e com isso gere uma atmosfera final que remete ao nacionalismo (de um jeito muito mais refinado que os americanos), o trabalho se mostra eficaz em sua proposta na medida em que consegue gerir um contexto histórico muito bem aplicado, ao remeter o telespectador, ainda que não tão próximo da dimensão que se deu por trás da II Guerra, ao peso e a grandiosidade daquele evento.

O problema nasce na existência de personagens que são invariavelmente maiores do que as histórias que eles se desenvolvem. A interpretação de Gary Oldman está incrível, e em alguns momentos era muito fácil confundir a sua presença com a do político Churchill, contudo, dada sua entrega absoluta a personagem, é evidente que Joe Wright deixou-se envolver em demasia pelo espetáculo que se deu, cometendo o deslize de explorar ao máximo a sua persona, e ignorar o valor de outras figuras relevantes, como a mulher do político, interpretada por Kristin Scott. Tal feito não diminui o valor do trabalho, contudo, acaba menosprezando a eficácia de outros pontos, porque ainda que o político tenha sido uma figura de extrema relevância, o conflito em si, é invariavelmente mais grandioso do que a sua condição.

Com uma fotografia bem escura, com planos abertos aproveitados em espaços claustrofóbicos, e uma elaboração imagética bem eficaz (como por exemplo na cena em que Churchill liga para o presidente americano), a história se molda pouco a pouco tendo a persona principal como base, e falha em explorar com mais veemência todo o caos existente e a inquietude social vivenciada no período.

Dito isso, O Destino de Uma Nação termina por romantizar seu personagem, na medida em que lhe confere uma força superior ao conflito que ele se encontra, contudo, como a dialética da imagem e do discurso do filme (assim como o do próprio personagem) se mostram fortes e bem elaborados, o trabalho se mantém com sua força e originalidade, ainda que deixe a desejar em alguns pontos.

 


William Diniz

Um jovem estudante do cinema e de toda a sua complexidade, que se debruça diariamente diante daquilo que mais ama, e se entrega com eloquência a 7ª Arte. Aprendiz de cineasta, amante de uma profusão de diretores e pseudo cinéfilo.

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