9 Obras Primas Caídas No Esquecimento

9 Obras Primas Caídas No Esquecimento

 

São muitos os filmes que, por varias razões, caem no esquecimento ou que quase ninguém nota ou vê, muitas deles obras-primas. Num mercado saturado por blockbusters (que quase nunca merecem o reconhecimento), é preciso parar para apreciar os filmes mais pequenos, que nos mostram o ser humano e a sua condição de formas novas e profundas, e que são o que permite a continuação desta forma de arte que nos, cinéfilos, tanto amamos, o cinema.

 

ORDET (1954)

 

Carl Theodor Dreyer, talvez mais conhecido por ter dirigido o filme La passion de Jeanne d’Arc, precisou de muitos poucos filmes para cimentar o seu nome como um dos maiores artistas da história da 7ª arte. No entanto nenhum dos seus outros trabalhos chega a magistralidade de Ordet, que um crítico descreveu como “a mais bela e apaixonante expressão da religião que o cinema já viu”. Baseado numa peça de teatro dinamarquesa do começo dos anos 20, o filme é incrivelmente escrito, minuciosamente realizado, atuado e fotografado de forma excecional.

Sinopse: A história de duas famílias religiosas, o filho de uma delas deseja se casar com a filha da outra mas por problemas religiosos o pai da moça não aceita o jovem. Enquanto isso, Inger (esposa de Mikkel) está gravida. O irmão de Mikkel, Johannes, é taxado como louco por acreditar que é Jesus Cristo.

 

THE CREMATOR (1969)

 

Um trabalho visual ao nível dos melhores alguma fez feitos, The Cremator, proveniente da Republica Checa, é normalmente descrito como um comédia, no entanto (e apesar de usar muitos elementos cómicos para contar a sua historia) dizer que o é apenas uma comédia é redundante ao um nível extremo. O filme explora a absurdidade e perversidade da mente humana e do seu comportamento e evolução, fazendo-o num dos períodos mais negros da humanidade, o Holocausto. Dirigido e atuado de forma brilhante, principalmente pelo ator principal (Rudolf Hrusínský) que entrega uma das melhores atuações da década, não há como negar que The Cremator é uma obra-prima.

Sinopse: Em uma Tchekoslovakia prestes a ser invadida pelas forças alemãs durante a guerra, cremador nacionalista, crente que a cremação alivia o sofrimento terreno, se contamina pela ideologia nazista e passa gradualmente a demonstrar comportamento estranho e obsessivo para com seus compatriotas e sua família. A situação se complica quando ele descobre que sua esposa pode ter sangue judeu.

 

BLEAK MOMENTS (1971)

 

O diretor inglês Mike Leigh, é um hoje um nome bastante conhecido do publico cinéfilo, tendo produzido alguns dos filmes mais interessantes das últimas três décadas. Naquele que é o seu primeiro filme como diretor, Bleak Moments, passou totalmente despercebida na época, e pode muito bem ser o seu melhor filme. Uma viagem a uma existência sombria e monótona, Mike Leigh consegue de forma engenhosa construir um retrato da vida da protagonista através de detalhes, gestos e por vezes até a ausência destes. A atriz principal, Anne Raitt, tem aqui a atuação de uma vida.

Sinopse: Momentos da existência intransigentemente sombria de uma secretária, sua irmã intelectualmente incapacitada, o seu namorado distante e desconfortável, vizinho estranho e o irritante companheiro de trabalho.

TWO-LANE BLACKTOP (1971)

 

A década de 70 tem sido muitas vezes descrita como a melhor para o cinema americano, algo completamente distante da verdade, no entanto é inegável que produziu várias obras-primas, entre as melhores esta Two-Lane Blacktop, o “road movies” mais fascinante que já vi. Poucos são os filmes que conseguem captar uma geração como este filme consegue, Two-Lane Blacktop consegue tirar o prazer e a emoção do mundano, não tanto dos grandes acontecimentos das viagens, mas sim dos momentos existencialistas da estrada e do “viajar”. Absolutamente absorvente

Sinopse: Um mecânico e um piloto viajam pelos Estados Unidos em um Chevy 55 à procura de competições de corrida. Num posto de gasolina os dois – agora acompanhados da garota mal humorada que encontraram pelo caminho – conhecem G.T.O , um homem tão viciado em velocidade quanto eles. Eles travam uma corrida até Washington e quem chegar primeiro ficará com o carro perdedor.

THE AGE OF EARTH (1980)

 

Talvez a joia na coroa do cinema brasileiro, A Idade Da Terra de Glauber Rocha (aquele que viria a ser o ultimo trabalho) é a obra de ambição colossal, o filme consiste de cenas largas, maioritariamente improvisadas, que tentam explorar, nas palavras do próprio Glauber Rocha, “a vida de Cristo no 3º mundo”. Composto por grandes arranjos musicais, imagens arrojadas e alguma da edição mais brilhante já vista na 7ª arte, A Idade Da Terra é uma arrojada examinação ao Brasil e aos seus demónios e virtudes.

Sinopse:  “O filme mostra um Cristo-pescador, interpretado pelo Jece Valadão, um Cristo – negro interpretado por Antonio Pitanga; mostra o Cristo que um conquistador português Dom Sebastião interpretado por Tarcísio Meira e mostra o Cristo Guerreiro-Ogum de Lampião, interpretado por Geraldo Del Rey. Quer dizer os quatro Cavaleiros do apocalipse que ressuscitam o Cristo do terceiro mundo, recontando o mito através de dos quatro evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João, cuja identidade e revelada no filme quase como se fosse um terceiro testamento. E o filme assume um tom profético, realmente bíblico e religioso.” — Glauber Rocha

 

THE CONSTANT FACTOR (1980)

 

É quase que difícil que acreditar que The Constant Factor foi feito há quase 40 anos atrás, um trabalho profundamente pessoal e ironicamente devastador. Zanussi, o diretor polaco do filme, já se provou muitas vezes como um dos melhores diretores que já viveram, e este filme é talvez o melhor da sua carreira. Uma “investigação” sobre o azar e miséria humana, impecavelmente dirigida e atuada, e com uma fotografia que se destaca com uma das melhores (senão mesmo a melhor) da história do cinema, este é um filme intransigente sobre um homem intransigente.

Sinopse: Um homem que se depara com a morte da sua mãe, encontra o seu sonho de escalar os Himalaias ameaçado por problemas no trabalho.

A BORROWED LIFE (1994)

 

O melhor filme dos anos 90, A Borrowed Life é o mais belo tributo alguma vez feito a um pai. Pouco são os filmes que conseguem tão fielmente e delicadamente evocar um lugar e um grupo como este. A Borrowed Life é, de certo modo, um memorial a uma geração inteira, a sua cultura e a sua perceção da cultura que a antecedeu. Concebido de forma poética, o filme mostra apenas o suficiente, sendo que o resto é captado pela musica e pelas suas imagens poderosas. A atuação de Chen-Nan Tsai como o pai do nosso protagonista é uma das melhoras a alguma vez aparecer no grande ecrã.

Sinopse: A difícil relação entre um pai e um filho numa pobre vila em Taiwan, bem como a dificuldade da criança em entender a afeição do seu pai para com a cultura japonesa.

AN EXPERIENCE WORTH DYING FOR (1995)

 

Quando se fala dos melhores diretores asiáticos o nome de Ki-young Kim merece ser colocado ao lado dos maiores como Akira Kurosawa ou Kar-Wai Wong. O seu ultimo filme,  An Experience Worth Dying For é um dos seus melhores trabalhos. Um filme visceral, que mescla horror com drama, esta é uma das mais intensas experiencias cinemáticas pela qual já passei.

Sinopse: Duas mulheres presas em casamentos infelizes e violentes aceitam matar o marido uma da outra.

UNDERTOW (2004)

 

Estranhamente belo, Undertow tem um sentimento quase que espiritual na sua fusão do meio rural americano com um conto místico gótico. David Gordon Green, o diretor por detrás desta obra-prima, mostra um controlo total sobre o que esta a mostrar, poucos são os filmes com um ritmo tão próprio e sedutor. Lirico, magnético, brilhantemente dirigido, atuado, fotografado e com uma trilha fenomenal, Undertow é o melhor filme de 2004.

Sinopse: Chris e Tim são dois irmãos que moram com o pai, em uma cidade no sul dos Estados Unidos. A chegada de Deel, o seu tio ex-presidiário, muda completamente a vida de todos. Ao tentar se apossar de uma coleção de velhas moedas mexicanas, Deel mata a sangue frio o seu próprio irmão. Testemunhas, Chris e Tim fogem com as moedas, mas esquecem a arma do crime. Eles passam então a fugir da polícia e também de Deel, que deseja matá-los a todo custo.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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