O Rei do Show – Uma ode à aceitação

Sinopse: De origem humilde e desde a infância sonhando com um mundo mágico, P.T. Barnum (Hugh Jackman) desafia as barreiras sociais se casando com a filha do patrão do pai e dá o pontapé inicial na realização de seu maior desejo abrindo uma espécie de museu de curiosidades. O empreendimento fracassa, mas ele logo vislumbra uma ousada saída: produzir um grande show estrelado por freaks, fraudes, bizarrices e rejeitados de todos os tipos.

Musicais tem a capacidade consideravelmente pontual de nos transportar para uma perspectiva mais lúdica de mundo, onde todas as questões que são evidenciadas ganham um caráter mais vivaz, com envolvimento rítmico e potencial alastrador. Em O Rei do Show, esse poder dos musicas foi bem explorado, conduzindo o telespectador ao simbólico circense desenvolvido no trabalho.

Se por um lado a capacidade de elevar o telespectador a um estado considerável de envolvimento é algo plausível nesse gênero, por outro é necessário evidenciar que piruetas, vozes estridentes, passos demarcados e todo o glamour por trás desse processo acabam construindo também uma atmosfera de idealização, fantasia, e as vezes, demasiadamente, romance.

Em O Rei do Show, Hugh Jackman entregou um personagem bem conciso, com força o suficiente para conquistar todos os espaços amplos a ele condizentes, e dotado de humanidade, o que não significa necessariamente bondade, e isso é algo que deve ser ovacionado.

Ao tratar de uma temática deveras complicada, abordando a estruturação de uma noção burlesca dos freak shows, que basicamente eram circos com pessoas que eram marginalizadas socialmente, tanto pela sua condição na estrutura social quanto por deformidades físicas e problemas que as incapacitavam de se “enquadrar” dentro dos padrões aceitos, o filme poderia ter tomado rumos de romantização de uma vida dura, entregando um mundo idealizado com personagens construídos sob um pretexto incoerente de “busca da felicidade”, e “completa satisfação pela condição”, contudo, ao decorrer da narrativa O Rei do Show se mostra forte por não só evidenciar as problemáticas de uma vida reclusa, mas também por construir a perspectiva da aceitação de um jeito sólido, atrelada as tragédias e casualidades negativas que tendem a se desenvolver ao longo de qualquer vida humana.

Alguns personagens não foram tão demarcados, como por exemplo a contorcionista interpretada por Zendaya, contudo, a atriz conseguiu evidenciar uma presença de cena tão significativa, que inevitavelmente os holofotes se voltam para ela em diversos momentos, o que termina por conferir mais vivacidade a sua persona.

A trilha sonora foi muitíssimo bem elaborada, e não seria de se espantar se acaso “This is me”, faixa que promove um brinde a auto aceitação e ao amor próprio, fosse naturalmente indicada por melhor canção original no tão almejado Oscar.

Além disso, a fotografia foi bem trabalhada, e todo o envolvimento promovido pelo lúdico foi explorado com maestria, ainda que a atmosfera as vezes se mostrasse muito vibrante, quando poderia ter tido tons mais soturnos, sobretudo diante das cenas que se propuseram a trazer o sentimento de recusa que é vivenciado pelos personagens.

Dito isso, é preciso pontuar que O Rei do Show foi uma surpresa agradável, e que contando com uma boa direção e com a atuação de nomes como Hugh Jackman, e o tão conhecido astral de musicais, Zac Efron, o filme conseguiu alcançar um destaque notável.


William Diniz

Um jovem estudante do cinema e de toda a sua complexidade, que se debruça diariamente diante daquilo que mais ama, e se entrega com eloquência a 7ª Arte. Aprendiz de cineasta, amante de uma profusão de diretores e pseudo cinéfilo.

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