Crítica | Dark – A Nova Série Original da Netflix

O ano ainda não acabou! No dia primeiro de dezembro a Netflix lançou sua mais nova série original: Dark. Criada por Baran bo Odar e Jantje Friese, a produção alemã conta a história de quatro famílias que vivem em uma pequena cidade onde o desaparecimento de um garoto desencadeia uma série de acontecimentos que afetará a todos.

Estrutura Narrativa

Já nos primeiros minutos do piloto somos surpreendidos pela morte de um personagem (plot ótimo para um início de enredo), ficamos curiosos por saber quem ele é e qual o motivo de sua morte. Logo depois são apresentados os integrantes dessas famílias e como eles estão relacionados, ao mesmo tempo em que pistas dos mistérios que acontecem na cidade são introduzidas.

Os três primeiros episódios – apesar de cada vez mais intrigantes – podem parecer longos e um pouco arrastados, porém são extremamente importantes para a construção da narrativa. A quantidade de personagens também pode ser um problema no início, mas com o passar dos episódios vamos conhecendo melhor a história pessoal de cada um e isso deixa de ser uma confusão.

A partir do episódio 4 as coisas começam a fluir em um ritmo mais acelerado e dai em diante a vontade é ver todos os eps um seguido do outro sem parar. Algumas questões vão ficando claras enquanto outras ainda mais enigmáticas surgem até chegarmos no último episódio que não revela quase nada dos maiores mistérios da trama deixando as perguntas para uma segunda temporada.

Isso seria um problema em muitas produções. Normalmente quando uma temporada de série termina com mais questões que respostas existe uma falha de roteiro, diferente do cinema em que o telespectador pode ver um filme com um final totalmente aberto para interpretações, em um seriado esse aspecto não é bom (ex: final de Lost) e pode, em alguns casos, até comprometer a obra – principalmente se ela não for renovada para uma próxima temporada. No entanto Dark não parece errar nesse ponto, a sensação é de que a primeira temporada é justamente a elaboração dessas perguntas para que na próxima elas sejam respondidas.

Personagens

Comentados o enredo e a estrutura da série, seguimos para o quão interessante são as personalidades dos personagens. Ponto fortíssimo da série! Cada um tem um jeito próprio e características, repito, extremamente interessantes, e importantes de serem representados. Obsessão, violência, bullying, surdez…

Ainda falando sobre os personagens, é de se notar a incrível semelhança de cada atriz/ator em cada tempo (seleção minuciosa feita pelo casting). Não só as características físicas que já são muito bem representadas, desde uma cicatriz, a um sinal ou uma verruga, trabalho sensacional da equipe de arte (que também traz ótimos figurinos e cenários próprios dos anos 50 e 80 e aquela capa de chuva amarela maravilhosa), mas nos gestos e características também (ótimas atuações do elenco). Charlotte, Hannah, Katharina, Ines, Helge… tudo muito verdadeiro.

Fotografia

A parte técnica não fica atrás, a direção de fotografia combina muito com atmosfera da série e é tão dark quanto o título. Cores frias, pouca luz e enquadramentos que compõe a narrativa: plano e contra plano rápido em uma discussão, close-ups sufocantes em uma revelação, tela dividida, muitos planos em zenital (de cima pra baixo em ângulo de 90º), planos gerais de tirar o fôlego mostrando o ambiente… Tudo é harmônico, tudo casa.

Som

Assim também acontece na sonografia, cada música, cada som e cada trilha instrumental encaixa de forma perfeita com o que acontece em cena. Além das músicas atuais super envolventes, o plot de viagem no tempo é aproveitado e temos hits dos anos 80 e clássicos dos anos 50, fora algumas canções na língua alemã que são muito boas também.

Avaliação

Dark têm 88% de avaliação positiva da crítica especializada e 94% do público no Rotten Tomatoes e 8.8 no IMDb. Esta não é uma série apenas de mistério, mas um enredo inteligente com doses equilibradas de suspense e drama e uma análise instigante do tempo e o que ele representa em nossas vidas. Além de tudo o que foi dito acima!

★★★★★ – EXCELENTE

“A distinção entre o passado, o presente e o futuro é só uma ilusão”.

Albert einstein

Etiquetas: , , , ,


Marcela Araújo

21 anos. Carioca. Estudante de Cinema e Audiovisual. Apaixonada por estórias!

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

© 2018 Cinerama Clube.

Todos os direitos reservados.

CONTATO | ANUNCIE

Developed By: Vedrak Devs