Crítica | Jogos Mortais “Jigsaw”

Sinopse:O legado do assassino Jigsaw continua a atormentar a vida das pessoas. Corpos começam a aparecer por toda a cidade, cada um desenhado com as mais horrendas das mortes. Todas as investigações apontam na mesma direção mas ninguém quer ousar dizer o nome do homicida falecido.

Depois de 7 anos do lançamento do último filme, estreou no dia 30 de Novembro o oitavo filme da franquia Jogos Mortais, considerada a terceira mais lucrativa série de filmes de terror da história, atrás somente de Invocação do Mal, e Alien respectivamente.

Com direção de Michael e Peter Spierig, esse mais recente filme começa como uma referência saudosista a Jogos Mortais – O final, não só pela estética característica de terror slasher, que se resume basicamente na prerrogativa de um assassino em série com máscara, mas também pela implementação do grande questionamento inicial do filme, que se propõe a indagar, decorrente do aparecimento de uma série de assassinatos, se o serial killer John Kramer está de fato vivo, ou se existe algum fã obcecado dele reproduzindo o que teria sido o seu “trabalho”.

Não fosse a repetitividade tão corriqueira da série, o filme teria melhor se desenvolvido, porque ainda que seja perceptível a continuidade desse estilo, o roteiro nesse novo trabalho se mostrou um tanto quanto inovador, não ao longo do desenrolar da obra, mas sobretudo pelo caminho revelador que as coisas tomam, elaborando não somente um bom enredo, mas quebrando de forma coerente toda uma linearidade temporal tão comumente associada na cabeça do telespectador. Além disso, a paleta de cores também é mais permissiva com certas mudanças, o que é bem diferente dos outros filmes da franquia. Aqui, aquele azul constante que reafirmava a ideia do local enclausurado, criando um ambiente sufocante pras vítimas que eram assassinadas com armadilhas mirabolantes e com métodos bem gore, acaba ganhando um contexto mais liberto, e é possível ver cenas que conservam tons mais abertos, envolvendo lugares mais amplos e sem aquele tom de claustrofobia constante o tempo todo.

Um dos grandes problemas da obra, é que ainda que seja introduzida uma quebra de linearidade que deve ser pontuada como inovadora, com isso, os diretores acabaram sementando uma espécie de continuidade, promovendo a volta do que não seria viável para os telespectadores, que ainda que envolvidos pela série, esperavam uma reformulação mais elaborada da trama, ao invés de um retalho costurado para gerar uma espécie de seguimento.

As atuações são boas mas nada que mereça destaque, ainda mais que ao longo da trama, por mais que seja explorada a perspectiva de um personagem, o telespectador só se aproxima mais deles, de algum modo, pela existência de dramas e experimentações dolorosas de vida, que terminaram por corroborar por uma noção empática, mas não necessariamente produzem carisma nas personas.

Dito isso, é natural que Jogos Mortais – Jigsaw, vá agradar aos fãs da franquia pela evidente nostalgia que foi incorporada, contudo, teria sido bem mais interessante se o filme houvesse introduzido uma proposta de renovação e abertura desse universo tão restrito e delimitado.

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William Diniz

Um jovem estudante do cinema e de toda a sua complexidade, que se debruça diariamente diante daquilo que mais ama, e se entrega com eloquência a 7ª Arte. Aprendiz de cineasta, amante de uma profusão de diretores e pseudo cinéfilo.

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