O Assassinato no Expresso do Oriente – Uma adaptação eficaz

Sinopse: O detetive Hercule Poirot está a bordo do Expresso do Oriente quando um passageiro é encontrado morto. Amplamente desprezada, a vítima tinha muitos inimigos, e Poirot tem que peneirar um grupo excêntrico de suspeitos para encontrar o assassino.

Estreando no Brasil no dia de hoje (30/11/2017), o novo trabalho do diretor e protagonista Kenneth Branagh, é uma adaptação do clássico livro de Agatha Christie, uma das mais célebres escritoras do gênero policial já vista. Ainda que normalmente seja extremamente complicado para um filme conseguir captar com eficiência toda a atmosfera construída em um livro, em O Assassinato no Expresso do Oriente, o trabalho foi desenvolvido de forma minuciosa e eficaz, corroborando pro desenrolar de uma ótima obra.

Com uma duração de 01h 54m (uma hora e cinquenta e quatro minutos), o novo filme de Kenneth Branagh se mostra completamente pontual na trama, introduzindo os personagens de um jeito cativante, mas mantendo o distanciamento característico da personalidade de cada um deles, o que foi também mérito do vasto elenco, que contou com atores célebres como Judi Dench, Michelle Pfeiffer, Willem Dafoe, Johnny Depp, além do próprio diretor, que conseguiu promover uma entrega incrível na sua interpretação do Hercule Poirot.

O filme é cativante, e isso se dá pela forma em que a atmosfera de suspense foi trabalhada, bebendo de uma estética quase caricatural e que lembrava muito a de A Invenção de Hugo Cabret (2012), do adorado Martin Scorsese. Além disso, a montagem, a escolha progressiva da forma de introduzir os personagens, e as dinâmicas passadas no meio do trem, foram tão bem costuradas pelo diretor, que o tempo passa despercebido, e o telespectador sai da sala com um gosto de quero mais, se perguntando do porquê de ter acabado.

Outro mérito do filme é o figurino. Associado com uma direção de arte excelente, que recriou o luxuoso trem que sai de Istambul, o apelo visual gerado pela opulência tanto do espaço quanto da caracterização das personagens foi estonteante. É de tal modo eficaz que nasce no público o receio de virar para o lado e perder alguma parte da exuberância trazida na tela.
A câmera, por sua vez, passeia magistralmente entre os atores, e as escolhas tão inovadoras de ângulos e planos conferiram um semblante mais moderno a uma obra tão clássica,  e isso é perceptível em inúmeras cenas, desde o ponto onde um ângulo conta-plongée é utilizado, captando a imagem de um diálogo de cima, até o plano subjetivo introduzido na perspectiva de Poirot, quando o mesmo caminha pelo vagão enquanto se dirige aos personagens.

Dito isso, é preciso pontuar também que a nova adaptação acabou explorando recursos bem mais dinâmicos, e com isso terminou por ceifar alguns diálogos mais densos que podem ser encontrados no livro, contudo, associado a todos os outros detalhes que foram adicionados, essa dinamicidade corroborou pra maior proximidade de um clássico a um universo mais moderno, fazendo com que O Assassinato no Expresso do Oriente fosse sementada como uma obra elegante, eficaz, e digna de recomendações!

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William Diniz

Um jovem estudante do cinema e de toda a sua complexidade, que se debruça diariamente diante daquilo que mais ama, e se entrega com eloquência a 7ª Arte. Aprendiz de cineasta, amante de uma profusão de diretores e pseudo cinéfilo.

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Federico Fellini

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