Boneco de Neve – A iminência da conclusão

Dirigido por Tomas Alfredson, Boneco de Neve, com data de estréia no dia 23 de novembro no Brasil, é uma adaptação do livro, com o mesmo título, de Jo Nesbo, mas diferentemente do mesmo, parece que o filme se encaminha constantemente para o ponto de acerto mas que nunca efetiva de fato o que buscou fazer.

Com uma fotografia completamente congelante (literalmente), proporcionada pelos takes quase repetitivos de uma Noruega gélida e distante, o filme parece se enviesar pouco a pouco para um portfólio de fotos do que é aparentemente um dos invernos mais fortes do mundo, tanto no aspecto físico, quanto pela sensação de frieza que é proporcionada ao telespectador diante das telas.

O roteiro de Boneco de Neve teve uma base muito forte para o seu desenvolvimento, afinal de contas o livro do Jo Nesbo do qual se desenvolveu foi muitíssimo bem recebido pelos críticos literários, contudo, o filme cometeu o erro de introduzir diversas possibilidades que acabaram não sendo trabalhadas, abrindo-as constantemente na cabeça do telespectador mas sendo completamente ineficaz em culminar em algum ponto.

As atuações de modo geral foram positivas, mas mesmo a entrega do carismático Michael Fassbander não foi suficientemente envolvente para que o público de fato se compelisse. Os personagens tiveram detalhes de sua psiquê trabalhados, mas como visto anteriormente em várias outras partes do enredo, eles simplesmente não desenvolveram isso, promovendo uma angústia constante pela possibilidade eminente e nunca pela concretização do que poderia de fato vir a acontecer.

Além disso, é preciso pontuar que a atuação de Val Kilmer foi praticamente deprimente, haja visto que no contexto geral do trabalho, ele quase promoveu a quebra de uma linearidade de performances relativamente pontuais.
Erro sobretudo na direção, que foi displicente com a forma de costurar a montagem, entregando um trabalho com potencial mas que pareceu em sua totalidade, incompleto.

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William Diniz

Um jovem estudante do cinema e de toda a sua complexidade, que se debruça diariamente diante daquilo que mais ama, e se entrega com eloquência a 7ª Arte. Aprendiz de cineasta, amante de uma profusão de diretores e pseudo cinéfilo.

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