A Vilã – O plano subjetivo como arma

Estreando hoje nos cinemas brasileiros, A vilã é o mais novo filme de Byeong-gil Jeong,  Sul coreano, diretor do filme Confissões de Assassinato de 2012. O cinema Coreano tem pouco a pouco se tornado mais eminente no Ocidente, de modo que na atualidade já podemos destacar algumas obras como Oldboy (2003), Expresso do Amanhã (2013), e Mother – A busca pela verdade (2009).

A vilã é um filme completamente energético, do tipo em que a movimentação ao longo das cenas é absurdamente extasiante, e o telespectador se sente quase tonto diante do desenrolar do trabalho. Ainda assim, mesmo que carregado dessa inquietação frenética, o filme não se perdeu, não caiu deliberadamente em takes repetitivos e entediantes, e conseguiu manter, ao longo de todo o desenvolvimento, uma ótima linearidade, isso sem contar o roteiro, que termina por surpreender até o mais atento público.

A violência é sem sombra de dúvidas uma das ferramentas mais exploradas pela estética do trabalho, e ainda que a mesma seja recorrente ao longo de toda a trama, a perspectiva visual que foi introduzida por trás do que seria normalmente brutalidade e apenas um apanhado de corpos destroçados, corroborou para que a percepção externa ao filme culminasse em um ponto de satisfação, não pelos atos em si, mas pela dinâmica harmoniosa e ritmada que foi desenvolvida.

Um ponto que é preciso destacar, é a escolha da utilização de um plano subjetivo nos primeiros minutos do filme, isto é, o posicionamento da câmera no mesmo nível do olhar da protagonista, não apenas revelando ao público o que era visto pelo mesmo, mas também transferindo a essa público a sensação de vivência e de experimentação do mesmo contexto em que ela se encontrava.

Forte, bem desenvolvido, e carregado de uma narrativa cinematográfica eficaz, A Vilã se prova como muito mais do que um filme de violência, haja visto que o estado de conflito ganha destaque ao mesmo tempo em que se demonstra secundário quando diante do enredo real. Uma obra que vale a pena prestigiar.

 

 

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William Diniz

Um jovem estudante do cinema e de toda a sua complexidade, que se debruça diariamente diante daquilo que mais ama, e se entrega com eloquência a 7ª Arte. Aprendiz de cineasta, amante de uma profusão de diretores e pseudo cinéfilo.

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