Quem inventou o conceito de viagem no tempo?

Quando se trata de cinema, um dos gêneros com o maior número de fãs fiéis é, sem dúvidas, o gênero de ficção científica. E não é pra menos, ele permite que façamos parte de mundos ora cheio de esperança e ora sombrios, mas sempre fantásticos e cheios de possibilidades a serem exploradas. É um gênero que eleva a discussão sobre o que é ser humano a outro patamar.

Primer (2004). O filme aborda o assunto através de uma complexidade nunca antes vista no cinema.

Uma das temáticas mais abordadas e adoradas desse gênero é a viagem no tempo. O conceito parece abrir um leque ilimitado de possibilidades, criando paradoxos e interpretações da realidade que nem sabíamos ser possíveis. Hoje, porém, com o conhecimento acerca de física temos a noção praticamente plena acerca da viabilidade e efeitos de tal viagem. Mas e quando não tínhamos? Quem imaginou, quando imaginou e como imaginou a primeira viagem no tempo? Viajemos ao passado para descobrir.

De onde (quando) veio a ideia?

É seguro dizer que quem inaugurou o conceito de viagem no tempo na ficção foi Samuel Madden. Em seu livro Memoirs of the Twentieth Century (escrito em 1733) o irlandês imagina o futuro através de cartas diplomáticas, que na história foram escritas por representantes britânicos que vivem em Constantinopla, Paris, Roma e Moscou, durante os anos de 1997 e 1998.

“O futuro deve ajudar o passado?”

Não existe diferença tecnológica entre o futuro imaginado pelo autor e o ano em que o livro foi escrito, o que os difere é a situação política do mundo. O livro funciona mais como uma sátira de As Viagens de Gulliver, que havia sido publicado 7 anos antes. A ideia pode parecer rudimentar, mas o fato é que ela foi muito mais do que apenas um esboço do que estava por vir.

Quem popularizou?

Mas não seria até 1895 que as histórias sobre viagem no tempo tomariam a forma pela qual as conhecemos hoje. Nascia pelas mãos de H.G. Wells o livro A Máquina do Tempo.

A história gira em torno de um personagem conhecido apenas como “O Viajante do Tempo”, que baseado em conceitos matemáticos constrói uma máquina capaz de se mover pela Quarta Dimensão (o tempo). Usando a máquina, o viajante se transporta para o ano 802.601 d.C., onde encontra um mundo paradisíaco habitado por uma raça ascendente dos humanos, os Elóis, que são pacíficos, mas predados por uma raça antes dominada por eles, que vive no subterrâneo.

A descrição da máquina feita no livro era vaga. Ela foi imaginada assim no primeiro filme.

O livro foi adaptado duas vezes para o cinema, uma em 1960 dirigida pelo mestre da ficção científica George Pal e outra em 2002, dirigida por Gore Verbinski e Simon Wells (bisneto do próprio H.G. Wells), estrelando Guy Pearce como o viajante.

A influência do inventivo livro assinado pelo autor britânico é inegável e imprescindível quando consideramos todo o conteúdo sobre viagem no tempo que veio a seguir.

E qual foi o primeiro filme a respeito?

O primeiro filme sobre viagem no tempo foi A Connecticut Yankee in King Arthur’s Court (o título dessa versão especificamente não foi traduzido para o português, mas versões posteriores traduziram como “Um Yankee na Corte do Rei Arthur” e “Na Corte do Rei Arthur), de 1921.

O filme é uma adaptação silenciosa do livro de 1889, escrito por Mark Twain, e conta a história do ianque titular, Martin Cavendish, que após ler o próprio livro de Twain, é transportado para os tempos do Rei Arthur, onde precisa usar seus conhecimentos modernos para despistar os inimigos do rei, Morgan le Fay e Merlin. O roteiro atualizou os conceitos do livro com referências modernas, como carros Ford e políticas americanas da época. A obra se tornou um clássico ao retratar, pioneiramente, o choque cultural que pode ser desencadeado por viagens no tempo, criando um estilo de narrativa cinematográfica que é reproduzida até os dias atuais.

Lamentavelmente, apenas alguns rolos do filme foram salvos, mais precisamente os rolos 2, 4 e 7. O banco de dados americano de filmes mudos o tem apenas em partes, o que é uma pena, pois o filme responsável pela criação de um estilo quase centenário merece alguns estudos mais profundos. Infelizmente, filme não é o material mais resistente do mundo…

Enfim. Viagens no tempo sempre estiveram no imaginário popular, sendo assim é impossível traçarmos uma linha do tempo muito precisa acerca de todas as referências anteriores ao cinema, mas espero, sinceramente, que essa breve história sobre esse tipo de histórias tem satisfeito a sua curiosidade, leitor.

Até a próxima!

 

 

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Gabriel Martins

Adicto às artes, pois através delas a vida ganha sentido.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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