Filmes para rever | Tim Maia

Devido ao número exacerbado de produções nacionais ruins, poucas conseguem criar expectativa (falando do circuito popular). A exceção aconteceu quando foi divulgada a produção do longa-metragem sobre a vida de Tim Maia, baseado no livro Vale Tudo, de Nelson Motta. Primeiro porque é impossível não gostar da figura do cantor; segundo que o livro é um retrato cru da vida insana que ele levava fora do palco e que pouco gente tinha noção, eu por exemplo, e terceiro seria dirigido por Mauro Lima, de Meu Nome Não é Johnny. E a minha curiosidade cresceu porque li o livro e me peguei pensando se o conteúdo sem censura seria retratado na tela pelo diretor, como no seu outro filme de sucesso. Vamos devagar…
O filme conta a infância pobre de Tim na Tijuca, o trabalho como entregador de marmita para ajudar os pais, a amizade com Roberto Carlos, Erasmo, Jorge Ben e o nascimento do sonho de viver como quisesse, nesse caso viver pela música.
A trajetória segue com a viagem para os EUA sem dinheiro, sem falar inglês, apenas com o sonho americano de conseguir trabalho e dinheiro. Como recompensa, conseguiu alguns anos de prisão por furto. Porém foi lá que aconteceu o primeiro contato com o que seria seu maior mérito: fazer música negra, o funk e o soul. Passam-se os anos, o sucesso aparece junto com as polêmicas, os processos, a religiosidade excêntrica que resultou numa fase importante da carreira. Até chegar na decadência total pelo uso abusivo de drogas, e enfim a morte.
Posso dizer que Tim Maia – O Filme, é um dos maiores blockbusters já produzidos no Brasil e deixo claro que isso não é pecado, muito menos ruim. Se tantos outros tentaram com comédias ridículas, Mauro Lima conseguiu com a história do maior ícone da música funk/soul do país.
A produção é caprichadíssima, com retratação de épocas perfeitas, figurinos impecáveis, fotografia muito bem pensada, coloração que vai do P/B até tons quentes quando acontece a explosão da música. A trilha sonora é toda do Tim, óbvio, e vai acompanhando de maneira cronológica a história (conforme ele lança um disco, a música aparece).
A história é narrada por Cauã Reymond (que também é produtor do filme) que interpreta Fábio, amigo de Tim que o acompanhou em grande parte da sua carreira. A narração pode parecer batida, mas funciona muito bem, principalmente nos pontos mais dramáticos. Aline Moraes interpreta Janaína (personagem fictícia que condensou Janete e Geisa, os grandes amores reais de Tim), Robson Nunes vive Tim Maia adolescente, de forma impecável e o ponto altíssimo é o Tim Maia vivido por Babu Santana! Ele incorporou o síndico nos trejeitos, nos palavrões, o jeito malandro, fez aulas de canto (para quem não sabe Babu cantou quase todas as músicas do filme). E sem exageros, é uma atuação genial!
É impossível ao final do filme depois daquela viagem sensorial, insana e involuntária, não querer ouvir mais e mais seus clássicos. Muito mais do que isso, é um pouco inexplicável a mistura de alegria e tristeza ao ver um gênio que morreu consumido pelo próprio excesso. Talvez os excessos tenham construído essa imagem inesquecível e eterna mesmo depois de muito tempo de sua morte.
Fato é que agora existe um filme a altura do que Tim Maia significa para a música brasileira. Além do que, Tim Maia – O Filme, passou a significar muito para o cinema blockbuster nacional.
Título: Tim Maia – O Filme
Ano: 2014
Direção: Mauro Lima
Roteiro: Antônia Pellegrino
Duração: 120 minutos
Classificação: 16 anos
Gênero: Drama/Biografia

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Erivelton Camelo

Formado em produção audiovisual, fotógrafo, e idealizador de videoclipes musicais quando o tempo permite. Amante da sétima arte, defensor do cinema nacional e apreciador de uma cerveja gelada. Não gosto de fazer lista de diretores favoritos e sim de filmes: Trilogia do Anel, Cidade de Deus, Forrest Gump, O Rei Leão, O Menino e o Mundo... e por aí vai.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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