CINEMA NOVO – intro

Tem-se na matéria da história do cinema nacional como consideração os anos 1960, o apogeu da era de produções cinematográficas novas e jovens, dotadas de uma estética simples, porém marcante. Chamado de Cinema Novo, o movimento encabeçado por Nelson Pereira dos Santos – em 1955 – se preocupava com a sociedade da época visionando uma proposta de mostrar o cotidiano das pessoas de forma simples e natural, sem as regalias possibilitadas pelo Capitalismo – ao contrário do que vinha estabelecido pelos filmes estrangeiros, os estadunidenses.

Foi em congressos nacionais sobre cinema, realizados em 1952 e 1953, que as ideias acerca de um cinema com caráter mais popular foram argumentadas e apresentadas à um público maior. Nelson Pereira dos Santos – o importante nome cinema-novista antes de Glauber Rocha, defendeu sua tese problematizando o conteúdo dos filmes brasileiros feitos até então. A proposta de seu texto objetivou “analisar os empecilhos e dificuldades no plano econômico-financeiro , de maneira a tornar possível a superação da situação de dependência, através de uma maior produção para o mercado interno”.

Com influências das cinematografias do Neorrealismo italiano e da Nouvelle Vague francesa, o Cinema Novo mostrava seus filmes “de estética” e “anticomerciais” para revalorizar a cultura dos brasileiros (Rio 40 graus (1955), Rio, Zona norte (1957)

Utilizavam o baixo custo nas produções e se opunham ao modelo do cinema comercial estabelecido nos filmes americanos.

Sabendo que a indústria brasileira crescia neste momento , a crítica, portanto, do movimento questionava o próprio setor do cinema que mudava sua condição ao produzir filmes, principalmente na cidade de São Paulo. Os grandes estúdios e as produtoras já atuantes neste cenário, foram as companhias Vera Cruz e Atlântida que contavam com a crescente relação entre a burguesia (industrial), o mecenato cultural e a cultura que o cinema desenvolvia.

Além do neorrealismo italiano e da Nouvelle Vague francesa, a influência de Eisenstein, muito atuante nos filmes de Glauber Rocha. Era, portanto um movimento de cinema composto e paralelo aos ideais comunistas.

Somado à influência do cinema soviético e a atuação do PCB (Partido Comunista Brasileiro) na sociedade – foi o fator principal para que o movimento se expressasse com mais força sua temática política, na transição dos anos 1950/1960.

A tendência dos filmes brasileiros produzidos à época (primeira metade dos anos 1950), tinham como tema a influência norte-americana na economia e na cultura. O que se percebe já em 1952 são as manifestações de jovens e intelectuais que viram no cinema um instrumento para questionar o imperialismo cultural dos EUA no setor das mídias televisivas e cinematográficas. . A participação social, portanto, foi crucial na década de 1950 para que se iniciassem movimentos com a bandeira de esquerda  e serviu como apoio para se identificarem com o movimento do Cinema Novo com a sua missão de exaltar o desenvolvimento nacional, frente ao que chegava do país norte americano.

O interessante é que no Brasil foi percebido uma liberdade de pensar sobre política. Os jovens discutiam nos encontros entre si os rumos que o país seguia e entendiam a relação da arte (de fazer filmes) com a política.

 

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Letícia Nunes

Cinema: artefato preferido // [email protected]

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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