Cinema, História, Política (1950 e 1960) – Parte 2

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Entender os fatos pode estar relacionado à empatia que qualquer pessoa possa ter pelo que ou quem foi registrado numa foto ou filme. Para o historiador de arte e curador alemão Felix Hoffman, grandes acontecimentos ou tragédias, geralmente não são gravados pelas suas datas concisas, mas os registros de imagens e películas fazem parte de uma memória visual coletiva. Sendo assim lembrados e até revividos. O período da Guerra Fria definiu o novo cenário internacional e serviu de inspiração para os cineastas filmarem a ficção com a finalidade de moldar sutilmente a realidade.

Os recursos da filmografia podem auxiliar a compreensão dos fatos. Logicamente, o visual atrai e facilita o arquivamento do conteúdo. Mas afinal, qual é a relação esclarecida que se faz da sétima arte com a História?

 O processo evolutivo histórico e o processo evolutivo cinematográfico, caminham em conjunto. É algo do tipo óbvio. É então que algo interessante acontece na política dos fodões. O poder de controle governamental e midiático sobre a população.

  No caso da Guerra Fria, não somente cineastas mas o governo também se fez forte aliado para a propagação dos filmes, exaltando o american way of life e atraindo a população à uma posição de alerta e prontidão diante qualquer tipo de ameaça que pudesse surgir. Isto se deu por duas visões dos estadunidenses à URSS, sendo primeiro a de que o inimigo era evidente – o comunismo – através de seus espiões, e segundo a de que este inimigo era uma intimidação aos padrões morais. Sendo embasado pelos muitos filmes de Hollywood na época.

O conjunto de todo material televisivo, publicitário e cinematográfico, monopolizado pelos EUA, propunha uma forma de operação semelhante aos ditames do comércio. O comércio se encontrava como promissor, e os meios informativos populares acompanhavam as empresas no mercado, e assim, beneficiavam suas audiências. O cenário era oportuno para a propaganda do Capitalismo entrar na vida dos norte-americanos.

A televisão se propagava, não como arte, mas como meio de publicidade para as massas. Percebe-se que os anos 50 da política externa brasileira com os EUA, guiada por Juscelino Kubitschek, era também um período de mudanças na identidade popular. As pessoas já iam ao cinema e assistiam tv. Hollywood trabalhou no sentido de ditar o que deveria ser assistido em concordância com o período político, colocando os EUA como potência hegemônica capitalista.

 

Segundo o historiador Marc Ferro, filme deve ir além do que se compreende do seu próprio conteúdo e, dependendo da circunstância que um país passa, precisa seguir o contexto do momento que se está produzindo-o. Hollywood seguiu isto. Não foi percebido, por exemplo, nos filmes dos cineastas soviéticos como Sergei Eisenstein, pois faltou o domínio da harmonia, da ”obediência” ao regime no sentido de seguir o pensamento dos dirigentes políticos, e não o seu próprio. O que diz respeito aos filmes estruturais soviéticos, característicos do Construtivismo usado em Eisenstein.

Na época da 2 GM os produtores de filmes não conseguiam sempre fazer o que era devido a eles. Isto é, fazer filmes pela linha de temas e estruturas que o governo norte-americano os impunha a seguirem. Os filmes tinham de ser feitos para civis, mas principalmente para os soldados, e com o intuito maior de os treinar e exaltar o heroísmo americano na guerra. Ao invés disso, Hollywood quis trabalhar proporcionando recreação e entretenimento. Com a chegada próxima da Guerra Fria – em meados dos anos 1940 – o controle dos meios de informação e do cinema pelo governo se tornou real e justificado.

Fica claro aqui, amigos cinéfilos, que Hollywood seguiu o que Ferro afirmou, ou seja, que a união dos estúdios cinematográficos com o governo norte-americano resultou em produções imperialistas e não estruturalistas como as produções soviéticas.

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Letícia Nunes

Cinema: artefato preferido // [email protected]

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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