Os 20 filmes mais desvalorizados do seculo XXI

 

20 filmes mais desvalorizados do seculo XXI

 

Beau Travail

 

Diretor: Claire Denis
Pais: França
Ano de lançamento: 2000

Sinopse: A diversa Legião Estrangeira da França, formada por homens de todas as raças e cores, está sendo submetida a um rigoroso treinamento na África. Debaixo do céu azul e claro e no meio do deserto, o sargento Galoup (Denis Lavant) entrega toda sua devoção ao enigmático comandante Bruno (Michel Subor). Quando o novo recruta Guilles Sentain (Grégoire Colin) chega, Galoup é consumido pelo ciúmes, o que o levará a cometer uma grande besteira.

O maior erro que vários realizadores quando fazem filmes sobre guerra é tentar mostrar a força daqueles que estão envolvidos, Claire Denis, uma realizadora notável foge completamente dessa tentação. Os homens são completamente “engolidos” pelos visuais cativantes, estes quase que parecem minúsculos face ao que se passa a sua volta. Um filme lento, mas extremamente recompensador, naquela que é uma das melhores histórias de vingança e ciúmes alguma vez adaptada ao grande ecrã.

 

The Man Who Wasn’t There

 

Diretor: Irmãos Coen
Pais: Estados Unidos
Ano de lançamento: 2001

Sinopse: Em meio aos anos 40, Ed Crane (Billy Bob Thornton) é um barbeiro infeliz, que vive com sua esposa Doris (Frances McDormand). Ao descobrir que ela o está traindo, Ed passa então a planejar uma trama de chantagem contra ela, a fim de ensinar-lhe uma lição. Mas quando seu plano vai por água abaixo uma série de consequências desagradáveis ocorrem, incluindo vários assassinatos.

Os irmãos Coen são dos melhores autores da sua geração, com um estilo único e inconfundível. The Man Who Wasn´t There é um dos seus melhores filmes, um noir com uma historia incrivelmente densa e que deixa o espetador a interrogar-se a todo o instante. Noir é um estilo que geralmente não tem heróis, apenas pessoas de pouca estatura, que são desviadas das suas rotinas por sonhos de dinheiro, romance, etc. No caso deste filme a situação é levada um pouco mais ao extremo, pois concentra-se na vida de um homem que mal existe além de suas transgressões. Um excelente trabalho sobre aquele que é um dos temas favoritos dos Coen, a sorte (ou a falta dela).

 

25th Hour

 

Diretor: Spike Lee
Pais: Estados Unidos
Ano de lançamento: 2002

Sinopse: O último dia de liberdade de um homem, Monty Brogan (Edward Norton), antes de começar a cumprir uma pena de sete anos por tráfico de droga. Deambulando pela cidade com os seus dois melhores amigos e a namorada, acaba por ser forçado a reexaminar a sua própria vida e a forma como se deixou arrastar para aquele final trágico

Nos anos que se seguiram ao 11 de Setembro foram muitos os realizadores que tentaram captar o impacto que este acontecimento teve em New York, mas nenhum teve tanto sucesso como Spike Lee, naquele que é o seu melhor filme. 25th Hour resulta é um trabalho cativante, a premissa do filme é captar os últimos dias de liberdade de Monty Brogan, um jovem cuja vida e a sua imprevisibilidade o guiou até ao trafico de droga, o filme sucede ao não tentar fazer o espetador simpatizar com o personagem, este estava a fazer algo errado pela qual merece ser castigado, simplesmente apresenta-nos a situação do mesmo, e como a sua vida ira mudar, pois mesmo quando for libertado nada será igual. Outro ponto forte do filme é dar espaço para personagens secundárias, especialmente a de Jacob Elinsky, lindamente interpretado por Philip Seymour Hoffman.

 

Owning Mahowny

 

Realizador: Richard Kwietniowski
Pais: Canada
Ano de lançamento: 2003

Sinopse: Desde os 12 anos, Dan Mahowny (Phillip Seymour Hoffman) é viciado em jogo e não passa um dia sem efetuar algum tipo de aposta, seja em cassinos, corridas de cavalos ou outros esportes. Seu prazer, no entanto, não está no lucro, mas no excitante ato de jogar. Perante sua namorada e seus amigos Mahowny é apenas um devotado funcionário de banco, visto como extremamente eficiente por seus superiores. Apesar de sua aparente ingenuidade, durante um ano e meio ele conseguiu desviar mais de 10 milhões de dólares para financiar suas compulsivas apostas.

Owning Mahowny é uma das mais poderosas representações do vício que a sétima arte pode oferecer. E em grande parte deve-se ao extraordinário trabalho de Philip Seymour Hoffman no papel principal, uma atuação digna de um Oscar, Mahowny é um autentico fracassado, e o trabalho do ator em interpreta-lo como um miserável é extraordinário, uma atuação de uma concentração e controlo fora do comum, Hoffman nunca olha para cima, nunca levanta a voz, os muitos tiques nervosos, desde o entrelaçar de dedos aos arrepios ocasionais, é um trabalho de atuação magistral. Um homem que não esta preocupado em ganhar ou perder, mas sim em quanto tempo mais é que vai conseguir jogar antes de ser apanhado.

 

Monster

 

Diretor: Patty Jenkins
Pais: Estados Unidos
Ano de lançamento: 2003

Sinopse: Vítima de abusos durante a infância, Aileen Wuornos (Charlize Theron) tornou-se prostituta ainda na adolescência. Ela está prestes a acabar com a própria vida quando conhece Selby (Christina Ricci), uma jovem lésbica com quem acaba se envolvendo. Certa noite, depois de ser agredida por um cliente, Aileen acaba matando o sujeito. O incidente desencadeia uma série de outros assassinatos, que faz com que ela fique conhecida como sendo a primeira serial killer dos Estados Unidos.

Patty Jenkins tem nos últimos tempos sido reconhecido por ter dirigido o filme Wonder Woman, que comparada com Monster (o seu primeiro filme)  é um filme fraquíssimo. Monster é ancorado pelo trabalho monumental de Charlize Theron, que da a melhor atuação por um mulher na historia do cinema. Esta não tenta perdoar os homicídios, simplesmente pede que observemos a tentativa desesperada de Aileen em tentar ser uma pessoa melhor do que a vida lhe destinou a ser. É preciso observar-se o trabalho de Theron, esta não perde a concentração em um único momento, e os seus olhos revelam um desespero em tentar explicar o que esta a sentir. O trabalho superlativo da atriz e o bom desempenho do resto da equipa de produção e do elenco fazem de Monster um dos melhores filmes sobre empatia humana alguma vez vistos.

 

Undertow

Diretor: David Gordon Green
Pais: Estados Unidos
Ano de lançamento: 2004

Sinopse: Chris (Jamie Bell) e Tim (Devon Alan) são dois irmãos que moram com o pai (Dermot Mulroney), em uma cidade no sul dos Estados Unidos. A chegada de Deel (Josh Lucas), tio ex-presidiário, muda completamente a vida de todos. Ao tentar se apossar de uma coleção de velhas moedas mexicanas, Deel mata a sangue frio seu próprio irmão. Testemunhas, Chris e Tim fogem com as moedas, mas esquecem a arma do crime. Eles passam então a fugir da polícia e também de Deel, que deseja matá-los a todo custo.

David Gordon Green, no começo da sua carreira, demonstrou ser um dos realizadores mais sensivelmente poéticos da sua geração, algo no seu estilo remonta para as obras de Yasujirô Ozu ou Andrei Tarkovsky. Undertow é uma obra prima, um filme cujo estilo visual se encaixa entre o realismo puro e o surrealismo, o filme não segue regras convencionais, não se preocupa apenas com a historia (que por sinal é muito boa), por vezes Green para de modo a observar um momento que o fascina. Undertow é um filme de emoções, tom e momentos de verdade, um dos melhores da década.

 

Woman Is The Future Of Man

 

Diretor: Sang-soo Hong
Pais: Coreia do Sul
Ano de lançamento: 2004

Sinopse: Dois homens perseguem uma mulher do seu passado. Heon-jun (Kim Tae-woo), um cineasta em dificuldades que acabou de voltar dos Estados Unidos, encontra seu antigo amigo Mun-ho (Yu Ji-tae), agora professor de arte, e eles decidem jantar juntos. Durante o jantar, eles se acham falando sobre Seon-hwa (Seong Hyeon-ah), uma mulher bonita que ambos namoraram na faculdade. Enquanto ambos os homens se divertem com a garçonete, falando sobre como Seon-hwa renovou seu fascínio pelo amor antigo, e individualmente decidem localizá-la. Eles descobrem Seon-hwa, uma vez que é um artista, agora está trabalhando como gerente de um bar; Eles aprendem, sobre a vida pessoal de Seon-hwa , o destino não tem sido gentil com ela, e em muitos aspetos, ela não é a mulher que em tempos foi.

Sang-soo Hong consegue fazer um dos filmes mais introspetivos que já vi, o realizador não se inibe de mostrar as situações sexuais embaraçosas, desajeitadas, apressadas, enganosas e as vezes poucos eróticas. A sua abordagem é sobretudo o uso de takes longos e camera estática, este deixa-nos ver o que esta a acontecer, a perceber os detalhes, um ponto muito importante do cinema asiático. A primeira vista pode parecer uma comédia de maneirismos, mas é muito mais que isso, uma inspeção a sobre como o tempo pode mudar as pessoas. Tudo em volta de um grande roteiro.

 

Tsotsi

 

Direção: Gavin Hood
Pais: Africa do Sul
Ano de lançamento: 2005


Sinopse:
Tostsi (Presley Chweneyagae) é um rapaz de 19 anos que mora em um gueto de Joanesburgo. Junto com mais três amigos, pratica assaltos para viver. Após uma briga com um de seus companheiros da gang, Tsotsi rouba um carro e atira na mulher que tenta impedir o roubo. Tostsi não sabe que a mulher queria retirar o filho que está no banco de trás. Depois de andar alguns quilómetros, ele ouve o choro e para o carro. Resolve levar a criança consigo, ainda que não tenha a menor condição de criá-la.

Tsotsi retrata a situação de um jovem assassino cujos olhos frios não revelam qualquer tipo de sentimento, que mata sem pensar, que é transformado pelo desamparo de um bebé, vítima da crueldade do nosso protagonista. O filme é em certos momentos bastante político, este mostra-nos a pobreza e o desespero que se vive nos pequenos bairros da Africa do Sul, onde uma boa parte das pessoas esta destinada a viver uma vida de criminalidade. Aquele bebé desperta o melhor de Tsotsi, este não tem condições de o criar, mas mesmo assim não o consegue abandonar, ele próprio havia sido abandonado na infância e portanto era incapaz de fazer o mesmo a um bebé, este projeta na criança as expetativas de uma vida que nunca viveu. O filme contudo não tenta com que o espetador simpatize com o seu protagonista, nem tão pouco tenta sentimentalizar a situação, apenas nos apresenta como o jovem se deixou “distrair de ser um homem mau”. Um filme extraordinário.

 

Before The Devil Knows You Are Dead

 

Diretor: Sidney Lumet
Pais: Estados Unidos
Ano de lançamento: 2007

 

Sinopse: Andrew “Andy” Hanson (Philip Seymour Hoffman) é um viciado em drogas cuja carreira de executivo está desmoronando. Para se livrar de uma auditoria, que demonstrará graves problemas na sua área, convence o irmão Hank (Ethan Hawke), que também tem problemas financeiros (deve três meses da pensão da sua filha, cuja guarda está com a ex-mulher), a assaltar a joalheria dos pais deles, Charles (Albert Finney) e Nanette (Rosemary Harris). O plano parece fácil, pois eles conhecem bem o funcionamento do lugar. Na hora da ação, os dois esperavam encontrar apenas uma idosa funcionária, mas sua mãe aparece de surpresa na hora do roubo. O cúmplice de Hank acaba ferindo-a tão gravemente que ela, apesar de não falecer, é considerada clinicamente morta. Charles jura se vingar a qualquer custo dos culpados, sem saber que está à caça de seus próprios filhos. Agora os dois irmãos precisarão lidar com as repercussões do seu trágico plano.

Before The Devil Knows You Are Dead é um dos melhores thrillers dos ultimos 50 anos.
Um dos roteiros mas bem escritos deste seculo com toda a certeza, não só o enredo é complexo como também tem algum dos melhores diálogos que já vi, a cena em que Charles conversa com um dos seus filhos acerca do assassinato da sua mulher sem saber que este é um dos culpados é uma das mais poderosas cenas que já vi. Excelentes atuações de Ethan Hawke e de Philip Seymour Hoffman (sim, outra vez!), que conseguem o feito de fazer com que os espetadores parem de pensar nos mesmos e se concentrem apenas em assistir ao “Andy” e “Hank”. Mas o coração do filme é Albert Finney, o pai de ambos, que é absolutamente estonteante. O final deixou-me a pensar por semanas.

 

Redacted

 

Diretor: Brian De Palma
Pais: Estados Unidos
Ano de lançamento: 2008

Sinopse: Os soldados da companhia Alfa estão a guardar uma posição, e tem ordem para disparar quase avistem um carro, quando eventualmente passa um carro a equipa abre fogo, e matam uma mulher gravida que seguia dentro do carro, Rush e Flake encontram dentro do carro uma família do qual faz parte uma rapariga de 14 anos, que os dois num ato de vingança brutalmente violam e matam, ameaçando depois os outros soldados de que se estes dizerem alguma coisa sobre o que se passou também eles morreram.

Nos tempos modernos temos sido presenteados com vários filmes de guerra, alguns como o caso de Hurt Locker, genuinamente brilhantes, e outros como Hacksaw Ridge que são tudo aquilo que um filme de guerra não deve ser. Contudo talvez nenhum filme de guerra contemporâneo seja mais importante que Redacted. O filme da um toque de ficção a atos chocantes (mas verdadeiros) cometidos por soldados americanos durante a guerra do Iraque. Redacted é gravado e apresentado de uma forma original, nós vemos as imagens gravadas por um dos soldados, uma decisão muito inteligente, após ver o filme é impossível imagina-lo de outra maneira, o formato faz pensar que estamos realmente a ver imagens reais. Uma crítica a presença norte americana no Iraque e a como a guerra pode mudar a natureza dos homens que nela participam, e torna-los em autênticos monstros.

 

Synecdoche New York

 

Diretor: Charlie Kaufman
Pais: Estados Unidos
Ano de lançamento: 2008

 

Sinopse: Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman), encenador teatral, está a preparar uma nova peça. A sua vida, nos subúrbios de Nova Iorque, está bastante desinteressante. A sua mulher, Adele deixou-o para prosseguir o seu trabalho como pintora em Berlim, levando consigo a filha pequena de ambos, Olive. A sua terapeuta, Madeleine Gravis, está mais interessada no seu best-seller do que em lhe prestar apoio efectivo. A nova relação com a cândida Hazel acabou por terminar prematuramente. E uma misteriosa doença está a incapacitá-lo de dia para dia. Preocupado com a transitoriedade da sua vida, abandona a sua casa e reúne o elenco num armazém em Nova Iorque. Na esperança de criar um trabalho de honestidade extrema, dá instruções a cada um dos elementos do elenco para que construa a sua vida como uma crítica crescente à cidade.

Synecdoche não só é o filme mais desvalorizado do seculo como também é o melhor filme do seculo. É um filme sobre ti, quem quer que sejas, o que faças ou onde vivas. O que Kaufman pretende é (através de metáforas) explorar as estratégias que as pessoas usam para viver as suas vidas, visitando os seus maiores medos e remorsos. Um filme infinitamente ambicioso, talvez a experiencia emocional mais devastadora já posta em filme. E no centro de tudo esta a maravilhosa performance de Philip Seymour Hoffman que como Caden Cotard, um diretor, que vive paranoico com a ideia da sua morte. Os seus olhos tristes e o seu rosto melancólico lindamente transmitem a dor e os medos profundos dentro de Caden.

 

Singularidades de uma Rapariga Loura

 

Diretor: Manoel De Oliveira
Pais: Portugal
Ano de lançamento: 2009

Sinopse: A história acompanha o percurso amoroso de Macário, jovem simples e trabalhador que se enfeitiça por uma loura misteriosa, tirando sua vida completamente do eixo. Aos 22 anos, o jovem não havia ainda – como lhe dizia uma velha tia – sentido Vênus. Mas quando foi morar em frente a um armazém, na casa de seu tio, uma vizinha o encantou. Macário se apaixonou perdidamente pela rapariga loura, querendo casar-se de imediato com ela. A família discorda e o expulsa de casa, mas Macário consegue enriquecer em Cabo Verde e finalmente tem a aprovação do tio. Após realizar seu sonho matrimonial, o jovem descobre então a singularidade do caráter da noiva.

Mesmo com uma duração de só 64 minutos o lendário realizador português Manoel De Oliveira (que quando fez este filme tinha 101 anos) consegue produzir um dos seus filmes mais profundos e subtis. Desde a cativante fotografia da autoria de Sabine Lancelin que seduz completamente o espetador para a paixão que Macário esta a viver até a fantástica decoração de set, Singularidades de uma Rapariga Loura é uma obra-prima. A direção de Oliveira é antiquada, é preciso admitir, mas há algo na forma como este raramente mexe a camera e a forma como a posiciona que é ao mesmo tempo consegue ser familiar e estranha. Uma peça de cinema brilhante.

The King´s Speech

 

Direção: Tom Hooper
Pais: Inglaterra
Ano de lançamento: 2010

Sinopse:
Desde os 4 anos, George (Colin Firth) é gago. Este é um sério problema para um integrante da realiza britânica, que frequentemente precisa fazer discursos. George procurou diversos médicos, mas nenhum deles trouxe resultados eficazes. Quando sua esposa, Elizabeth (Helena Bonham Carter), o leva até Lionel Logue (Geoffrey Rush), um terapeuta de fala de método pouco convencional, George está desesperançoso. Lionel se coloca de igual para igual com George e atua também como seu psicólogo, de forma a tornar-se seu amigo. Seus exercícios e métodos fazem com que George adquira autoconfiança para cumprir o maior de seus desafios: assumir a coroa, após a abdicação de seu irmão David (Guy Pearce).

Eu sei que é estranho chamar a um filme que venceu o Oscar de melhor filme um trabalho desvalorizado. Mas The Kings Speech é frequentemente esquecido e ignorado pelos amantes de filmes, o que é uma grande injustiça. The King´s Speech consiste, na grande maioria, de pessoas a terem conversas em salas, e no entanto consegue ser um filme cativante. Tom Hooper (um diretor normalmente bastante fraco) faz um trabalho notável, desde o uso da camera claustrofóbica até as excelentes fotografias que consegue encontrar, o filme é muito bem realizado. Mas talvez ninguém tenha contribuído tanto para o sucesso do filme como Colin Firth, no papel de uma vida. Este encarna o homem que viria a ser Rei George VI não como alguém nobre ou superior a todos os outros mas como um homem assustado e com um problema serio de confiança. Deve ser assustador para um homem que tem problemas em falar com outras pessoas ter que falar através de um microfone sabendo que metade do mundo o esta a ouvir.

 

Kinyarwanda

Diretor: Alrick Brown
Pais: Ruanda
Ano de lançamento: 2011

Sinopse: Durante o genocídio de Ruanda, quando vizinhos matavam vizinhos e amigos traíam amigos, alguns cruzaram linhas de ódio para proteger uns aos outros. Kinyarwanda entrelaça seis contos diferentes, que juntos formam uma grande narrativa que fornece a representação mais complexa e real já apresentada de resiliência humana e da vida durante o genocídio. Com uma amálgama de personagens, que prestam homenagem a muitos, usando as vozes de alguns.

Kinyarwanda é um filme especial, este conta-nos o que se passou em Ruanda em 1994, um acontecimento de mais de meio milhão de pessoas saíram mortas usando vários pontos de vistas, uma estratégia interessante por não permite ao espetador adivinhar o lado do conflito que vai prevalecer. Kinyarwanda é um dos filmes mais tocantes que vi, uma obra que faz justiça a todas as pessoas que viveram aquele horror e um testamento ao seu sofrimento.

 

Shame

Direção: Steve McQueen
Pais: Inglaterra
Ano de lançamento: 2011

 

Sinopse: Brandon (Michael Fassbender) é um publicitário na faixa dos trinta anos, bem sucedido e bonito que vive e trabalha em Nova York. Distante de sua irmã e aparentemente sem amigos próximos, Brandon secretamente luta contra o vício em sexo, assim ele passa os dias buscando todo tipo de aventuras sexuais desde assistir a filmes pornográficos no computador, contratar prostitutas, buscar mulheres em bares, até terminar por entrar em bar gay. De repente, sua irmã (Carey Mulligan) aparece em seu apartamento, o que acaba por incentivar a romper com a vida que levava, a ponto de tentar manter ruma relação sentimental com sua colega de trabalho Marianne (Nicole Beharie).

Steve Mcqueen é, tirando Paul Thomas Anderson, o diretor mais talentoso da sua geração, e Shame é uma das suas obras primas. Uma das melhores meditações sobre o vicio em sexo e masturbação alguma vez vistas. Já a bastante tempo que Brandon não consegue tirar prazer do ato do sexo, contudo este não consegue evitar o seu desejo de o fazer a mesma, é abuso próprio. Este tem medo de entrar numa relação, a ideia assusta-o. A chegada da sua irmã interrompe o seu ciclo, esta não tem para onde ir, este não quer saber, mais tarde descobrimos que algo se passou na infância dos dois que os magoou, mas nunca sabemos exatamente o que. McQueen faz um trabalho poético, parece que estamos a seguir Brandon com a camera, não há um único momento de subjetividade na sua realização. Michael Fassbender merecia ter ganho o Oscar pelo seu trabalho aqui, uma performance corajosa, uma peça extraordinariamente subtil que parece real. Elogios ainda para a atuação de Carey Mulligan, que também merecia ter ganho um Oscar.

 

Like Someone In Love

 

Diretor: Abbas Kiarostami
Pais: Japão
Ano de lançamento: 2013

Sinopse: Akiko (Rin Takanashi) é uma jovem japonesa que secretamente se prostitui para pagar os estudos universitários. Ninguém, nem mesmo o seu namorado Noriaki (Ryo Kase), sabe desta actividade. E ela protege esse segredo não apenas pelo medo do julgamento, mas também pela sua própria dificuldade em lidar com a situação. Um dia, conhece Takashi Watanabe (Tadashi Okuno), um velho professor catedrático, que se torna seu cliente regular e é, em todos os aspectos, a absoluta antítese de Noriaki. É assim que, inesperadamente, Akiko se começa a sentir dividida entre um namorado jovem, mas rude e ignorante, e um velho amável com quem consegue uma partilha intelectual que a faz sentir-se viva e, acima de tudo, respeitada.

Abbas Kiarostami é um dos melhores realizadores de todos os tempos, um artista que nos deixou muito cedo, este foi o seu último filme, e uma autêntica obra-prima. O realizador mostra a indecisão de Akiko, esta sente-se envergonhada e humilhada por ter que se prostituir para conseguir sobreviver, esta sente nojo de si próprio. Quando esta conhece Takashi e se envolve com este, devido ao seu trabalho, a rapariga não espera nada do velho. Mas acaba por descobrir um conforto no mesmo, que a puxa intelectualmente e a faz sentir respeitada. Like Someone In Love é uma viagem profunda ao tema do amor próprio, através dos olhos de uma mulher que por se sentir miserável e insignificante e que por achar que não merece amor aceita um namorado que não a trata bem. Notas para as extraordinárias performances de Tadashi Okuno e Rin Takanashi bem como para a brilhante direção de fotografia de Katsumi Yanagijima, uma das melhores do seculo.

 

New World

 

Direção: Hoon-jung Park
Pais: Coreia do Sul
Ano de lançamento: 2013

Sinopse: O chefe do sindicato do crime está morto, deixando seus dois principais tenentes. Aproveitando a oportunidade, a polícia lança uma operação chamada de “Novo Mundo”, com a arma perfeita. Braço direito do chefe, Ja-sung, tem sido um agente infiltrado por 8 anos, acompanhado de perto pelo manipulador chefe de polícia Kang. Com um bebê a caminho, ele vive com um medo mortal de ser exposto, Ja-sung está dividido entre seu dever e honra como policial, e os membros da gangue ferozmente leais que vão segui-lo ao inferno, se preciso.

Um dos thrillers recentes que mais interesse me despertou New World é uma luva de ar fresco para um género que já saturado com filmes medíocres. Hoon-jung Park prova aqui ser um dos diretores contemporâneos com mais habilidade. Este constrói o filme com um cuidado fantástico, Hoon não esta muito interessado em sangue mas sim na corrupção dos homens, e em explorar o mundo da mafia de uma maneira refletiva.

 

Embrace Of The Serpent

 

Diretor: Ciro Guerra
Pais: Colômbia
Ano de lançamento: 2015

Sinopse:
  Théo (Jan Bijvoet) é um explorador europeu que conta com a ajuda do xamã Karamakate (Nilbio Torres) para percorrer o rio Amazonas. Gravemente doente, ele busca uma lendária flor que pode curar sua enfermidade. Quarenta anos depois, a trilha de Théo é seguida por Evan (Brionne Davis), outro explorador que tenta convencer Karamakate a ajudá-lo.

Tem qualquer coisa em Embrace Of The Serpent que remonta a outros grandes clássicos do cinema como Fritzcaldo ou Appocalypse Now, o filme funciona como uma espécie de sonho que celebra as culturas em desaparecimento e também uma crítica ao imperialismo. Um filme com a habilidade única de transportar o espetador para o seu universo, Embrace Of The Serpent é poético, lento, mas imensamente recompensador. Uma autêntica obra-prima.

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