Crítica | Baby Driver “Em Ritmo de Fuga”

“Um jovem e talentoso motorista de fuga chamado Baby depende do ritmo de sua trilha sonora para ser o melhor do jogo. Quando ele conhece a garota de seus sonhos, Baby vê uma chance de abandonar sua vida criminosa e escapar de forma limpa.”

Baby Driver (no Brasil, “Em Ritmo de Fuga”) estreou nos cinemas nacionais no dia 27 de julho e está sendo considerado mundialmente um dos melhores filmes do ano, com nota 8,2 no IMDb.

Escrito e dirigido por Edgar Wright (Homem-Formiga e Scott Pilgrim), o longa tem produção de Tim Bevan, Eric Fellner e Nira Park, cinematografia de Bill Pope, música do ganhador do Oscar de melhor trilha sonora em 2015, Steven Price, direção de arte de Justin O’Neal Miller, edição de Jonathan Amos e Paul Machliss e está sendo distribuído no Brasil pela Sony Pictures.

Confira a crítica do filme (mas antes, coloque seus fones de ouvido e aperte o play!)

Muita ação para quem gosta – e quem não gosta – de ação. Comédia e romance na medida certa. Família, afetividade, lealdade e SURDEZ, isso mesmo, um filme de música que tem como um dos panos de fundo a deficiência auditiva. Isso parece ser bom, não é?

ENREDO

A história central não é nenhuma grande novidade, na verdade lembra muito a franquia Velozes e Furiosos: carros super rápidos, gangues, dinheiro envolvido, um pouco de romance e muitas cenas de ação. As diferenças estão nos detalhes que Edgar Wright põe em seu roteiro, como o paralelo que faz entre surdez e música e a calma e timidez do personagem principal apesar de toda a brutalidade a seu redor. Além disso, Wright ainda é capaz de nos surpreender com reações dos personagens que não esperamos.

ELENCO 

Um ponto fortíssimo foi a escolha do elenco: o veterano Kevin Spacey na pele do chefão do crime Doc, Jon Hamm como Buddy e sua amada Darling, interpretada por Eiza González, Jamie Foxx como o sinistro Bats, CJ Jones (um ator surdo) faz o carinhoso Joseph, Lily James a mocinha descolada Deborah e Ansel Elgort ARRASA como o protagonista Baby. Todos estão ótimos em seus papéis, mas Ansel está maravilhoso, é como se o papel fosse feito para ele e nenhum outro estivesse tão bem o interpretando. Além de sua fofura imensurável e muita química formando um casal com Lily James, Ansel ainda aprendeu técnicas para dirigir ele mesmo em algumas cenas, fez parkour e usou a ASL (língua americana de sinais), sem dublê.

DIREÇÃO

A direção Edgar Wright é SENSACIONAL. Logo no começo do filme ele nos apresenta um super plano-sequência (um plano sem cortes, filmado do início ao fim sem parar) cheio de sincronia e estilo. Aliás, estilo é sua marca registrada e está presente em todas as cenas de Baby Driver. Seguindo a linha Scott Pilgrim, Egdar também exagera nos planos e ângulos que por incrível que pareça não ficam confusos em meio a toda a ação, pelo contrário, ajuda a entender melhor o desenrolar das cenas. E em falar em ação, todas as cenas (mesmo que sejam um tanto quanto mentirosas) são muito bem feitas, adrenalina pura!

FOTOGRAFIA

O vermelho se destaca e parece ganhar um novo significado em Baby Driver. Segundo a psicologia da cores no cinema, o vermelho traz a ideia de violência, paixão e sedução. É claro, esse é um filme violento, que tem uma história de paixão e até um pouco de sedução, mas parece que o vermelho aqui está diretamente ligado com uma atmosfera retrô. Aliás, a paleta de cores inteira tem essa pegada, tudo é bastante colorido: azul, amarelo, verde, roxo… e sempre em tons fortes. A iluminação segue a mesma linha, apostando na intensidade das cores e luzes neon que trazem ainda mais estilo ao filme.

ARTE

A Direção de Arte (que trabalha junto com a equipe de fotografia na escolha dessas cores e do estilo que o filme seguirá), também está de parabéns. Os figurinos são simples, mas muito, muito estilosos: a pegada retrô da personagem de Lily James, como o café em que trabalha que parece ter saído direto dos anos 60 e seu uniforme (só faltou patins), os casacos de Baby e seus incontáveis óculos de sol e ipods, os trajes de “trabalho” de Darling, Buddy e Bats… A construção dos cenários, tudo com muitos detalhes, como o quarto de Baby e todos seus artefatos musicais. Os cabelos das atrizes principais seguindo suas personalidades, a maquiagem da cicatriz do acidente que Baby sofreu quando era criança… Tudo muito belo!

SONOGRAFIA

Chegamos ao ápice do filme: a trilha sonora (vocês ainda estão ouvindo?). A ligação do personagem principal com a música trouxe para a composição do longa uma incrível trilha sonora com músicas que se encaixam perfeitamente em cada momento: ação, romance, tristeza… o filme todo parece até uma compilação de vídeo-clipes. Os efeitos sonoros também são muito bem colocados e no momento exato em que Baby estiver batendo as pontas dos dedos na mesa o som de um piano rápido entrará em cena.

MONTAGEM

A montagem é fase final de um filme, mas isso não faz dela menos importante. É na edição que as imagens que irão para a tela são definidas e postas em sincronia. Baby Driver faz uso de muitos cortes, mostrando vários pontos de vista e usa uma técnica muito interessante de continuidade, o match cut (transição entre dois planos que são correspondidos de alguma forma, seja por algum movimento ou assunto). Também são adicionados ao enredo, nos pontos certos, flashbacks que mostram o passado de Baby e que são importantes para a história.

“Posso admirar um enquadramento preparado por um operador de câmera, ou ficar embaraçado pelo desempenho de um ator, mas é como um todo que eu gosto ou desgosto de um filme.”

(Jean-Claude Carrière)

Pois é mais que bom, Baby driver é EXCELENTE! ★★★★★

Mesmo com a velha mentira dos carros super rápidos fazendo manobras radicais e a personagem de Lily James aceitar certas coisas meio assim, é pelo TODO listado acima que Baby Driver está sendo considerado um dos melhores filmes do ano, com razão. Me arrisco ainda a dizer que Baby Driver é mais que um filme, mas uma EXPERIÊNCIA e essa experiência incrível deve ser vivida nas SALAS DE CINEMA para que seja completa, com uma tela enorme e um som potente.

Ficou interessado? Corra para o cinema enquanto é tempo!

 

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Marcela Araújo

21 anos. Carioca. Estudante de Cinema e Audiovisual. Apaixonada por estórias!

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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