Identifique-se com os filmes

large


[button color=”” size=”” type=”3d” target=”” link=””][/button]  Não são todos seus amigos ou conhecidos, que ao se encontrarem em um pub, vão saber dizer a ficha técnica de certo filme, mas todos vão saber te indicar um. Falar de cinema é algo instigante, excitante. Se em uma conversa o assunto está banal, comentar o filme assistido na madrugada passada faz animar o clima do grupo.

  Para quem se autodeclara como expert no assunto, falar desta arte descoberta no século 20 vira tema de monografia. Meu caso foi consideravelmente penoso. Em um curso de viés político e histórico, falar de filmes seria uma afronta ao modelo todo certinho. ¨Seu trabalho é de relações internacionais e não de artes¨, me lembrava a orientadora. Descobri que devia seguir minha liberdade de pensamento e o fascínio particular por cinema. Entrei na brincadeira do padrão dos trabalhos acadêmicos e discursei com qualidade, elegância e criatividade sobre como os filmes podem imitar a realidade e vice-versa.

  Achei interessante defender teorias descobertas no mesmo período histórico em que o cinema foi inventado e assim relatei meu ponto de vista em relação aos filmes como intrapessoais. Usei teorias do movimento Pós-moderno e assim desvendei uma característica singular nas Artes do período – identidade. É aquela velha história quando alguém diz ¨chorei ao ver esse filme¨. Esse artefato artístico que é o filme, seja ele drama, cult independente ou documentário, é capaz de transmitir uma conexão pessoal com quem o vê. É capaz ainda, de explorar a liberdade individual omitida e evoca uma seleta interpretação do real. Ou seja, ele funciona como instrumento de estudo e conhecimento, da História, por exemplo, e como catalisador de memórias pessoais.

  Acontece um choque de realidade ao comparar sua vida com algum personagem da trama. Ingmar Bergman (Morangos Silvestres – 1957; Persona – 1966) foi ótimo ao proferir que nenhuma arte tem tamanha capacidade de trabalhar além da própria consciência, como o filme faz com o pessoal.

Cinema e método

O cinema como método é nada mais do que  aquele momento em que somos arrebatados para outros sentidos, por causa de uma cena, fotografia ou atuação. É o prazer arrepiante que induz o imaginário coletivo das pessoas, documenta a denúncia e o fato, expõe mudanças de comportamento. Há filmes que seguem a linha do intencional, os chamados filmes político-sociais, feitos nos anos 50. E há os que causam isto não intencionalmente. Há filmes estrondosos por sua produção, e há os que encantam pelo estilo alternativo.

O que dizer ainda da trilha sonora? Tudo se encaixa, tudo faz sentido, tudo arrepia. Com a soundtrack perfeita. E quando ocorre o tão bajulado Oscar?! Aí que a galera se mobiliza para comentar os merecimentos de cada produção. Filme não precisa de pessoas formadas no curso tal, apesar de ser inspirador o trabalho dos especialistas. Filme é coisa de uma dimensão intrapessoal. Íntima. Transcendental. “Filmes têm o poder de capturar sonhos” (Georges Mélies) — citou Isabelle ao fofíssimo Hugo Cabret .

A questão não é se Interestelar (2014) é mais bem feito, ou com mais efeitos especiais que 2001, Odisséia no Espaço (1968). A questão é que todos os filmes falam pra alguém.

Buscar identidade em coisas artísticas é de grande valor e importância. Tive sucesso em iniciar meu projeto de identificação com minha monografia. Descobri que arte cinematográfica é arma. E também um pedaço de nós. Vamos dar boas-vindas ao projeto de identificação. Que venham muitos filmes!

large-1

Nota sobre o 1° post. Prometo mostrar nesta coluna minha visão particular sobre o que é Cinema. Vem por aí matérias bem articuladas, com mixes de filosofias e música. Ótimo pra quem curte uma linguagem mais intelectual sem deixar de ser leve. É isso.

 

 


Letícia Nunes

Cinema: artefato preferido // [email protected]

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

© 2018 Cinerama Clube.

Todos os direitos reservados.

CONTATO | ANUNCIE

Developed By: Vedrak Devs