Crítica | Tudo e Todas as Coisas

“E se você não pudesse tocar em nada no mundo exterior? Nunca respirar o ar fresco, sentir o sol aquecer o rosto… ou beijar o menino ao lado?”

Amanhã (15 de junho) chega ao cinemas do Brasil a adaptação cinematográfica do livro de Nicola Yoon, Everything, Everything (Tudo e Todas as Coisas). Stella Meghie (Jean of the Joneses) dirigi o roteiro escrito por J. Mills Goodloe (A Incrível História de Adaline) e interpretado por Amandla Stenberg (a Rue de Jogos Vorazes), Nick Robinson (Jurassic World), Ana de la Reguera (Sun Belt Express) e Anika Noni Rose (Dreamgirls – Em Busca de um Sonho).

Tudo e Todas as Coisas conta a improvável história de amor de Maddy, uma inteligente, curiosa e imaginativa garota de 18 anos que, devido a uma doença não pode deixar a proteção do ambiente hermeticamente fechado dentro de sua casa, e Olly, o menino da casa ao lado que não vai deixar que isso os impeça. Maddy está desesperada para experimentar o mundo exterior, e a promessa de seu primeiro romance. Olhando através das janelas e falando apenas através de textos, ela e Olly formam um vínculo profundo que os leva a arriscar tudo para ficarem juntos, mesmo que isso signifique perder tudo.

Já faz algum tempo que livros best-sellers de romances adolescentes em que há a provável morte trágica de um dos protagonistas vem fazendo sucesso nas telonas. Um Amor pra Recordar (2002), A Culpa é das Estrelas (2014) e Como Eu Era Antes de Você (2016) são alguns do gênero que foram muito ansiados pelo público teen fãs de romances dramáticos. Tudo e Todas as Coisas segue a mesma premissa, sendo inclusive considerado o Como Eu Era Antes de Você de 2017.

Levando em conta que a adaptação do livro de Jojo Moyes para o cinema não respondeu as expectativas, de fato, Tudo e Todas as Coisas é o Como Eu Era Antes de Você de 2017. Faltou emoção, faltou explorar melhor os personagens, faltou um clímax que impactasse e principalmente um desfecho menos corriqueiro. A verdade é que se vai ao cinema já sabendo tudo o que irá acontecer (principalmente se já tiver assistido Jimmy Bolha ou o trailer do filme) mesmo sem nem ter lido o livro antes.

Logo de inicio somos apresentados a personagem principal, Maddy. Sua personalidade calma, sua rotina tediosa e sua doença. Apesar de ser inovadora e até arrancar algumas risadas do público, a forma em que essa doença é explicada parece um pouco infantil e didática demais.

Um grande acerto da diretora ainda nas primeiras sequências foi a construção dos diálogos entre o casal. Separados pelas paredes de vidro da casa de Maddy, ela e Olly só podem conversar através de mensagens de texto, a troca de mensagens é mostrada como se estivesse acontecendo pessoalmente, uma simulação da conversa, cara a cara.

Outro ponto acertado foi a escolha dos atores, todos foram muito bons em seus papéis apesar de não terem tido muito para explorar no enredo fraco. Amanda Stenberg e Nick Robinson tem química suficiente, o casal se completa de maneira interessante, ela sonhadora, ele conquistador (ainda que romântico), ela usando tons claros, ele sempre de preto… Mas o ponto mais alto sem dúvidas é termos – finalmente – uma personagem principal de um romance adolescente negra em um relacionamento inter-racial em que o que impedem o casal de ficar juntos não é a cor da pele deles serem diferentes, isso não chega nem a ser questão.

Fora isso, a bela fotografia, os detalhes de figurino e cenário e a trilha sonora, não há nada que faça do filme realmente bom, no entanto, também não se pode dizer que é ruim.

O romance estreou nos Estados Unidos no dia 19 de maio e até agora está com nota 6,3 na classificação do IMDb.

Confira a trilha sonora!

Finalmente, a conclusão a que se chega é que a falha na construção e desenvolvimento do enredo foi comprometedora no resultado final bem mediano do filme. Como dito antes, faltou muito mais emoção, faltou desenvolver melhor personagens que poderiam fazer toda a diferença, faltou impacto, ou talvez ao menos algo inesperado, faltou um fim arrebatador ou um pouco menos simples.

Enquanto alguns pecam em exagerar, Tudo e Todas as Coisas pecou em faltar. Faltou.

O filme é uma produção de Leslie Morgenstein e Elysa Dutton sob a bandeira da Alloy Entertainment e produção executiva de Victor Ho. Tudo e Todas as Coisas está sendo distribuído mundialmente pela Warner Bros. Pictures e em alguns territórios internacionais pela Metro-Goldwyn-Mayer Pictures.

A data de estréia no Brasil é dia 15 de junho, na semana do Dia dos Namorados.

O livro com o enredo original de Nicola Yoon foi lançado pelas editoras Novo Conceito e Arqueiro, vale a pena a leitura para quem se interessar mais pela história.

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Marcela Araújo

21 anos. Carioca. Estudante de Cinema e Audiovisual. Apaixonada por estórias!

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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