A Chegada dos Primeiros Homens

O MUNDO DE GELO E FOGO: CURIOSIDADES SOBRE GAME OF THRONES / AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO PARTE I – A ERA DA AURORA

 

Alguns alertas:

O objetivo aqui é realizar um resumo norteador para iniciantes ou para aqueles que estão apenas familiarizados com a série da HBO sobre as principais histórias/curiosidades do mundo de gelo e fogo que sejam pertinentes para um entendimento mais interessante sobre a saga literária e a série. (Respire… é assim mesmo a frase!).

Tendo em vista finalidades didáticas, os textos de curiosidades do Mundo de Gelo e Fogo, serão divididos em ordem cronológica de acordo com a história conhecida da presente literatura.

Neste primeiro texto, serão expostas curiosidades da Era da Aurora, situada dentro da História Antiga. Tais curiosidades serão apresentadas por meio da pergunta “Quem habitava Westeros antes da chegada dos Primeiros Homens?” e por dois eventos importantes: “A Chegada dos Primeiros Homens” e “O Pacto”.

É conveniente alertar que diversos detalhes apresentados no decorrer do texto possuem o caráter de lenda, dentro do que constituí “o saber” acerca da história do Mundo de Gelo e Fogo. Muitas dessas curiosidades são confirmadas como “verídicas” ao longo do avanço dos acontecimentos nos livros da saga “Crônicas de Gelo e Fogo” e durante as temporadas da série “Game of Thrones”.

As curiosidades não serão ligadas com eventos atuais da série. Optei por não fazer. Há três citações dos livros (spoilers) – mas vá adiante, amigo, só fomentará mais sua vontade de começar ou continuar com a série / livros. SIM, é spoiler! Melhor dizer que sim, já que tudo é spoiler hoje em dia! Rs

Também oportuno dizer que todas as datas descritas referem-se à Chegada dos Dragões em Westeros, salvo quando a data refere-se à Rebelião de Robert Baratheon, o que será expresso quando ocorrer.

 

O UNIVERSO FORJADO NA LITERATURA FANTÁSTICA

É costumeiro dentro do gênero “literatura fantástica” a criação de universos próprios com o intuito de respaldar a narrativa particular a ser desenvolvida. Isto é, o gênero em questão demanda um terreno específico a ser forjado, que leva em conta locações e culturas nas quais seus personagens e tramas serão desenvolvidos. É claro que, na maioria dos casos, são encontradas aspirações da História “real”, seja ela a História oficial ocidental e de outras civilizações conhecidas, como também, aspirações mitológicas de culturas singulares.

No caso do universo criado por George R.R. Martin, “nosso” bom velhinho que está com os presentes atrasados (deixem o hómi trabaiar), em “As Crônicas de Gelo e Fogo”- que deram vida à série televisiva “Game of Thrones”- é óbvio que a característica mencionada do gênero literário não fica em dívida (criação de universo). Antes de finalmente iniciar os pontos curiosos, cabe salientar que as informações contidas neste texto foram tiradas em grande parte do livro “O Mundo de Gelo e Fogo: A História Não Contada de Westeros”, uma espécie de enciclopédia lançada em Novembro de 2014.

 

OS PERÍODOS HISTÓRICOS DO MUNDO DE GELO E FOGO (1)

Assim como a narrativa da nossa história ocidental, no mundo de gelo e fogo também podemos dividir a história do “mundo conhecido” em eras ou fatos importantes que culminaram em mudanças paradigmáticas dentro do contexto da história. São os períodos:

 

  • A Era da Aurora
  • A Era dos Heróis
  • A invasão dos Ândalos
  • A Era de Valíria
  • Os Sete Reinos
  • Dinastia Targaryen
  • Dinastia Baratheon

 

História Antiga: o denominado recorte temporal História Antiga divide-se em duas eras (A Era da Aurora e a Era dos heróis) e sete ocorrências importantes (A Chegada dos Primeiros Homens, A Longa Noite, A Ascenção de Valíria, Os Filhos de Valíria, A Chegada dos Ândalos, Dez Mil navios, e, por fim, A perdição de Valíria).

A História Antiga, em especial a Era da Aurora, é pouco precisa em muitos acontecimentos. Isso devido à ausência de escrita tanto dos povos orientais, quanto dos habitantes nativos de Westeros. Não é conhecida a data da origem do mundo, estima-se que entre quinhentos mil e quarenta mil anos antes do período relatado “atual” nas “Crônicas de Gelo e Fogo. O que é sabido está contido em textos redigidos pelos Ândalos e outros povos posteriores à era. Afirma-se que os povos de todo o mundo, em geral, eram tribais e viviam diretamente da terra, sem o domínio da agropecuária ou metalurgia.

 

QUEM HABITAVA WESTEROS ANTES DA CHEGADA DOS PRIMEIROS HOMENS?

Certo que o termo Primeiros Homens será abordado de maneira mais cuidadosa logo adiante, é conveniente, agora, ainda que de forma bem breve, dizer quem são esses.

Os Primeiros Homens: como o próprio nome sugere, foram os primeiros homens a pisarem no continente Westerosi, tendo em mente que os nativos não eram o que poderia ser chamado de “homem”. Desembarcaram há mais de doze mil anos, sendo os Starks descendentes desse primeiro grupo.

Somente dois povos eram nativos de Westeros, desde a costa do Mar de Verão até As Terras de Sempre Inverno, durante o nebuloso intervalo de tempo denominado “Era da Aurora”: Os Filhos da Floresta e Os Gigantes.

Os filhos da floresta, ou crianças da floresta, são designados como “humanoides”. De pele escura e de uma beleza exótica, possuem baixa estatura, comparam-se à altura de uma criança humana. Apesar de não dominarem a arte da metalurgia, desenvolveram habilidades na utilização da obsidiana (vidro de dragão). Faziam arco e flecha e roupas de cascas e folhas de árvores. Suas músicas eram belas e assim é sabido através de fragmentos de composições que atravessaram séculos. Há até uma especulação sobre uma canção feita pelos filhos da floresta que narrava a suposta “Construção da Muralha por Brandon, o Construtor”.

Os Gigantes, também categorizados como humanoides, possuem cerca de três a quatro metros de altura, face achatada, visão rude devido ao globo ocular pequeno, providos de grandes braços com pernas menores que os membros superiores e sola do pé espessa. Desconheciam a agricultura, metalurgia e não construíam habitações (viviam em cavernas). São considerados mais primitivos que os filhos da floresta. Não possuem senhores ou líderes.

 

RELIGIÃO DOS FILHOS DA FLORESTA – A FÉ ANTIGA/DEUSES ANTIGOS

O mundo de gelo e fogo abarca inúmeras religiões, sendo elas manifestações de épocas e povos distintos. Exemplos: a fé antiga, a fé dos sete, o deus afogado, o deus vermelho (R´hllor), A fé dos Dothraki, o deus de muitas faces, entre outras.

Será falado em outros textos sobre essa maravilhosa temática!

A religião dos filhos assemelha-se, em muitos aspectos, às religiões animistas e célticas no que se refere à base de adoração dos “espíritos da natureza”.

Não há literatura normativa acerca da prática desta religião, nem a necessidade de líderes religiosos: a natureza basta. Nesse sentido, os deuses antigos são espíritos da natureza, não nomeados e não contados. A famosa figura do Represeiro, também denominado Árvore Coração, muito constante nos livros e na série, é a mais famosa manifestação/materialização da Fé Antiga.

Os represeiros devem ser entendidos como totem. Segundo o conceito, totem significa o mesmo que “símbolo sagrado” de um povo (tribo, clã), sendo considerada uma divindade protetora. Na história das crônicas, essas árvores de folhas vermelhas e troncos pálidos eram consideradas, pelos filhos da floresta, sagradas para os deuses, o que levou esse povo a esculpir faces em seus troncos. Sendo assim, os deuses podiam observar e protege-los. Portanto, tudo que era considerado importante era feito diante do represeiro, uma vez que era inadmissível mentir diante dos deuses. Na atualidade do mundo de gelo e fogo, os represeiros são encontrados no norte, e, mais ao sul, apenas na Ilha das Faces, tanto que é afirmado que no sul não há a proteção dos deuses antigos. Os deuses dos filhos das florestas seriam mais tarde os deuses dos Primeiros Homens.

 

Vidente Verde

Dentro da cultura peculiar e interessante deste povo nativo do ocidente primitivo, há a importante figura/habilidade do Vidente Verde. Esses eram os indivíduos detentores de aptidões mágicas (poder sobre a natureza, sonhos proféticos e viagem ao passado). Os videntes verdes enxergam através dos olhos dos represeiros, uma vez que as árvores não possuem a noção de tempo: aí nasce a possibilidade de viagem ao passado. Eis a Visão Verde e os Sonhos Verdes.

“Só um homem em mil nasce troca-peles – disse Lorde Brynden um dia, depois de Bran aprender a voar – e só um troca-peles em mil pode ser um vidente verde”. A Dança dos Dragões –  Capítulo 13, Bran.

 

Troca-Peles X Wargs

“Sob as árvores estavam todos os selvagens do mundo; corsários e gigantes, wargs e troca-peles, homens das montanhas, marinheiros do mar salgado”. A Tormenta de Espadas – Capítulo 55, Jon.

Com a passagem acima, percebe-se que Martin quis distinguir Troca-Peles de Wargs.

Troca-pele: A capacidade de um homem ou humanoide entrar na mente/corpo de qualquer animal. “Skinchanger” foi usado por Tolkien e Herman Hesse com significado parecido ao ocorrido nas Crônicas.

Warg: Na obra de Martin, que é o que nos interessa aqui, é uma variante de troca-peles. Aplica-se aos casos onde a habilidade consiste em entrar na mente/corpo de lobos. Sendo o lobo considerada uma criatura mais difícil, é necessário um vínculo entre o warg e o lobo. Desse modo, todo warg é um troca-peles, mas nem todo troca-peles é um warg.

“Eu sonho às vezes com uma árvore. Um represeiro, como aquele que há no bosque sagrado. Ele me chama. Os sonhos de lobo são melhores. Farejo coisas, e às vezes consigo sentir o gosto de sangue” A Fúria dos Reis – Capítulo 4, Bran.

No mundo real (rs), é uma figura mitológica nórdica. É um termo que remete aos lobos Fenrir, Skool e Haiti. Fenrir é filho de Angrboda, uma gigante, com Loki (um deus ou um gigante – há divergência entre os estudiosos da área, já que a categoria “semideus” não existe nesta mitologia).  No sueco contemporâneo “varg” é a tradução de lobo. Em norueguês antigo, “vargr” significa “lobo” e no alemão arcaico, igualmente, porém, é análogo aos significados de “assassino”, “estrangulador”, e “espírito maligno”.

Na literatura de J. R. R. Tolkien, warg é uma espécie de lobo singularmente feroz.

Um troca-peles ou um warg podem viver várias mortes através da vida de um animal. Em grosso modo, se o animal morre, o troca-peles ou warg não morre, mas, se ocorre o contrário, a consciência humana continua no animal “wargado”. Ambos podem entrar em animais enquanto estão dormindo na forma de sonhos.

O prólogo de “A Dança dos Dragões”, o POV (Point of View), é narrado por Varamyr, conhecido como Varamyr Seis peles, pois consegue entrar na pele de seis animais. Esse troca-pele é um membro do Povo Livre, ou seja, as pessoas que vivem além da muralha, os selvagens para os westerosis. No prólogo em questão, são postas três regras que não devem ser quebradas por troca-peles e wargs, são elas: 1- não comer carne humana; 2- não fazer sexo com outros animais; 3- não entrar no corpo de outro humano. Para entrar na mente de uma pessoa é mais difícil que entrar na mente de animais.

 

A CHEGADA DOS PRIMEIROS HOMENS

Conforme relatos da Cidadela, (sede educacional de Westeros, local para a formação de Meistres, situada em Vilavelha, precisamente nas terras da Campina – sudoeste do continente), entre doze e oito mil anos atrás, um povo originado do leste (Essos) cruzou a faixa de terra (braço de Dorne, que ainda não era partido) que atravessava o Mar Estreito e conectava os continentes.

Os primeiros homens eram mais fortes, numerosos e tecnicamente mais avançados que os filhos da floresta. Assim que invadiram Westeros, começaram a cortar os represeiros para a construção de fortes e iniciar a agricultura, o que culminou em uma guerra entre esses dois povos.

Os representantes caçadores e dançarinos dos filhos da floresta tornaram-se guerreiros com o intuito de barrar o avanço dos invasores. Porém, conta a lenda que, apesar disso, e, mesmo com a habilidade mágica dos nativos com seus esforços de convocar os animais para lutar na guerra, eles só conseguiram atrasar o avanço dos primeiros homens.

A guerra perdurou por gerações. Todos, já exaustos, convocaram seus líderes de guerra para selarem a paz, o que ficou registrado como O Pacto.

 

O PACTO

Há cerca de dez mil anos – lembrando que todas as datas aqui citadas referem-se à Chegada dos Dragões em Westeros – os filhos da floresta e os primeiros homens reuniram-se na região das Terras Fluviais, precisamente na ilha do Olho de Deus, situada em um lago próximo ao que ficaria conhecido como Harrenhal com o objetivo de dar fim à guerra. O pacto constituía na abdicação por parte dos nativos em favor dos primeiros homens de todas as terras do continente, com exceção das áreas de florestas densas; também foi acordado que cessasse a derrubada dos represeiros. Foram esculpidas faces em todos os represeiros da ilha, para que os deuses antigos pudessem testemunhar o acordo, o que levou o local a ser conhecido como Ilha das Faces, tornando-se um lugar sagrado e vigiado pela Ordem dos Homens Verdes. O pacto teve eficácia até a Invasão dos Ândalos, séculos mais tarde, isto é, perdurou por toda a era seguinte e pela Longa Noite.

Com o selar do pacto, chega ao fim A Era da Aurora, e inicia-se A Era dos Heróis.

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BUBA

Uma garota perdida neste mundão de meu diabo. Formada em Filosofia ❤ e Direito ? (esse foi cagada mesmo). Nada a ver comigo! Rss. Atualmente, faço cursos nas áreas de Fotografia, Edição de Vídeo, Roteiro e Teatro (a menina sabe memo o que quer da vida!). Tento atravessar a existência atenta às belezas desta vida em suas diversas manifestações e representações. Às vezes, essa beleza dói e é melancólica. Prazer!

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