Crítica | Kong: A Ilha da Caveira

Após a decepção esmagadora que foi Godzilla, eu tenho que dizer que Kong: A Ilha da Caveira é uma tremenda surpresa. Não só um filme de monstros muito divertido, mas um filme bem dirigido, bem escrito e bem atuado cheio de ideias do início ao fim. Seus cenários de ação são absolutamente espetaculares, o CGI é fantástico, porém o roteiro é o ponto mais fraco do filme mas não deixa a desejar.

Mas, de longe, a maior conquista deste filme é a presença do próprio Kong. Tão claro como a maioria do filme foi, o maior problema com Godzilla foi que não havia aparições suficientes do Godzilla. Felizmente, em Kong: A Ilha da Caveira esse problema é corrigido, e torna Kong um personagem tão grande no filme como qualquer um dos humanos, aparecendo na tela em intervalos regulares, e realmente desempenhando um papel genuíno na história.

E essa história é provavelmente a coisa que mais me surpreendeu. Novamente, Godzilla é um filme lento, vazio e tem fórmula que realmente me entediava. Kong: Skull Island, por outro lado, é um filme de ação acelerado e absolutamente atolado que realmente fica melhor e melhor à medida que avança.

E sem dúvidas o filme pode não agradar pra quem estava esperando se deparar com a história clássica do King Kong que deu vida aos filmes de 1933 e 2005. Porém, Kong: A Ilha da Caveira faz um trabalho fantástico em trazer o personagem para um período de tempo diferente e fazer uma história nova e fascinante.

Acima de tudo, a história do filme tem toda uma atmosfera por se passar durante a Guerra do Vietnã torna a nossa visão ainda mais interessante. Trazendo uma dinâmica diferente para a relação entre os seres humanos e Kong, a maneira que a Ilha da Caveira olha para a história através da lente do sentimento anti-Guerra do Vietnã dos anos 1970 acrescenta uma camada impressionante de profundidade para a história.

Agora falando sobre os personagens, pra mim eles não foram bem explorados e não conseguiram fazer com que eu sentisse pena em vê-los presos em uma ilha. Eu trocaria 10 minutos de cenas dos personagens conversando por 10 minutos do Kong descendo a porrada em algum monstro gigante.

E eu não poderia deixar de citar nessa crítica a boa escolha da trilha sonora do filme, que é composta por David Bowie, The Hollies, Black Sabbath, entre outros.

Mas um ponto positivo do filme é, sem dúvida, a ação. É um filme que está cheio de ação em toda parte. Acima de tudo, as sequências de ação de abertura e fechamento realmente se destacam. Tanto por causa dos surpreendentes efeitos visuais quanto pela linda fotografia que referencia filmes de guerra do Vietnã como Apocalypse Now, Platoon e Nacido para Matar, mas também graças ao impressionante CGI que permite o Kong se elevar sobre a tela em comparação com os humanos. Então sem dúvida alguma é um filme pra se ver na grande tela do cinema.

Agora entrando um pouco no gênero blockbusters, Kong: A Ilha da Caveira é um blockbuster que vale a pena ver, não é um Transformers da vida, mas ainda não é inteiramente perfeito. Por um lado, enquanto ele é repleto de ideias e sequências de ação, o filme acabar se tornando um pouco sobrecarregado. A falta de um personagem principal no meio do enorme elenco significa que definitivamente o filme falha no desenvolvimento dos personagens.

Além disso, os paralelos com o Vietnã, enquanto único e grande para ver em um filme como este, são um pouco arrogante às vezes. Particularmente no primeiro ato, chega um ponto em que o filme realmente parece uma cópia de Apocalypse Now, e embora eles melhorem um pouco mais pra frente, às vezes é um pouco frustrante.

Simplificando, Kong: Ilha da Caveira é um blockbuster impressionantemente inteligente e inovador, Mas vai um pouco longe demais com tudo o que faz. Isso é muito melhor do que um filme completamente vazio como Godzilla, mas com um enorme elenco principal e uma história tão confusa, eu senti que as coisas poderiam ter sido realizadas um pouco mais suaves do que o produto final.

Ainda assim, eu me diverti muito com Kong: A Ilha da Caveira. É um filme de monstros gigantes bastante divertido que coloca o seu personagem título no meio da ação, cercado por personagens humanos, excelentes efeitos visuais, sequências de ação deslumbrantes e uma história original.

Se você já assistiu o filme, deixe nos comentários o que você achou.

 

 

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Caio Augusto

Estudante, 21 anos, apresentador do canal Cinerama TV, e o maior fã do Scorsese que você respeita.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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