Nekromantik, será que você consegue assistir?

Nekromantik, dirigido pelo alemão Jörg Buttgereit (um dos cineastas mais transgressores dos últimos anos), foi lançado em 1987. Não é um filme para qualquer pessoa.

 A obra cinematográfica tem como um dos protagonistas o personagem “Robert“. Funcionário de uma empresa especializada em remover cadáveres de lugares públicos, ele leva uma vida sem perspectivas, mora num apartamento imundo  onde coleciona partes de corpos humanos que ele rouba do trabalho.

 Robert tem uma namorada que também não fica nada a dever  no assunto “esquisitice”. Eles são a antítese da higiene. Robert trabalha sem máscaras, sem luvas … e volta para casa utilizando o seu EPI completamente sujo de sangue. Já a namorada “Beth” toma longos banhos de água ensanguentada. Há uma cena em que o casal, com o intuito de apimentar a relação, faz um mènage à trois com um cadáver em avançado estado de decomposição.  Para que  tudo dê certo, Robert improvisa um pênis para o cadáver e, assim, iniciam o sexo com direito a chupada no olho melequento do defunto.

A partir daí, o cadáver passa a fazer parte da vida do casal, sempre pendurado na parede, deitado na cama ouvindo as estórias que Beth conta, ou transando com ela enquanto Robert está no trabalho.

A harmonia do casal acaba quando  Robert perde o emprego e Beth, furiosa, o abandona levando o cadáver.

Em uma outra cena, Robert leva um gatinho de presente para Beth  mas, tendo ela já ido embora, ele pega o gato, coloca-o dentro de um saco plástico e bate com o saco na parede até matá-lo para, em seguida, tomar banho com seu sangue e  suas visceras. Essa cena é pura ficção, ao contrário de uma outra passagem, em que um coelho é morto e esfolado. Aqui a gravação é real e foi feita dentro de um criatório de animais. Essa cena tem função predefinida  dentro do enredo: ela é uma espécie de sonho, de reminiscência para tentar justificar a parafilia do protagonista.

Desiludido por ter sido abandonado pela namorada, Robert passa a se drogar, conhece uma prostituta e a leva para transar num cemitério, quando, só então,descobre que também sofre de disfunção sexual.

A película  trata-se de uma ode à necrofilia.  O fenômeno da necrofilia é conhecido desde os mais remotos tempos da história humana, podendo ainda hoje ser observado como costume comum a certas tribos africanas e asiáticas, bem como adotado em manifestações esporádicas no Ocidente.

Por conta do seu conteúdo controverso, o DVD de Nekromantik não foi lançado no Brasil (como tudo que é bom, é sempre rejeitado aqui; mas, para nossa felicidade, está disponibilizado no YouTube). O filme foi banido também na Islândia, Noruega, Malásia, Cingapura,  Austrália, Espanha, no Canadá& nbsp;e Reino Unido. Esse é o típico filme divisor de águas, ou melhor, de sentimentos: ou você odeia (e vomita), achando que toda aquela bizarrice é apenas para chocar o público, ou você adora, divertindo-secom o gore e os grotescos fetiches sexuais. 

Nekromantik traz uma estória cheia de simbolismos e profundidades psicológicas que abordam temas como: isolamento social, desilusão amorosa, dependência sentimental e alguns fetiches peculiares. 

Para assistir a um filme como esse, é preciso  livrar-se das “amarras sociais” e pensar “fora da caixinha”. Só assim tem-se a capacidade de perceber as mensagens subliminares, as provocações e os questionamentos  que só as grandes obras de arte suscitam na inteligência crítica estabelecida em quem com elas se defronta.

 Getro

Paula Priscila de Melo Barbosa

24 anos; De JP/CG-PB com o ❤ no RJ; Estudante de Direito; Pesquisadora e apaixonada por Chico Buarque, Tom Jobim e Nelson Rodrigues. "A arte é o desencadear da nossa dor. Tanto para quem faz, quanto para quem contempla" — sim, essa citação é minha!

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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