Foram Heróis, Verdadeiros Heróis

Trilha Sonora: https://www.youtube.com/watch?v=uwGO9hqmP3o

“A guerra, a princípio, é a esperança de que a gente vai se dar bem; em seguida, é a expectativa de que o outro vai se ferrar; depois, a satisfação de ver que o outro não se deu bem; e finalmente, a surpresa de ver que todo mundo se ferrou.” – Karl Kraus

Tiros, explosões, mortes, resgates, valentia, vitória, patriotismo. GUERRAS. Como pode haver heróis em meio a barbáries?! Como podemos distinguir pessoas que devem viver e pessoas que devem morrer só pelo fato de terem outra religião, morar em um outro país, ter uma opinião diferente? Essa não é minha batalha, essa não é sua batalha, nem a dos soldados. Como Charles Chaplin deixou claro em seu comovente discurso ao final do filme O Grande Ditador:  “Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos! […] Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade!”.

Chaplin convoca, entre tantos outros pontos levantados por ele, os soldados a serem muito mais do que máquinas de guerras que apenas tiram vidas de outras pessoas e viram meras estatísticas ao final de uma guerra que eles não começaram e ninguém nunca vai terminar.

Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)

Até o Último Homem é aquele filme de praxe concorrente ao Oscar que trata de uma história que precisava ser conhecida por todos. O filme conta a história real de Desmond T. Doss, que, durante uma das batalhas mais sangrentas da Segunda Guerra, resolveu, simplesmente, salvar vidas. Sem atirar uma vez se quer com um rifle, sem tirar uma só vida, mas salvando dezenas de soldados, sejam americanos ou japoneses, salvando vidas (ponto).

Mel Gibson te leva em uma viagem por uma história inspiradora e motivadora. Uma história que nos deixa no chão como humanos egoístas. Mas também em uma viagem visceral por uma batalha sangrenta e desesperadora. Ele consegue nos colocar no lugar daqueles soldados jovens e que veem uma batalha pela primeira vez. Somos pegos de surpresa, estamos perdidos como eles em meio a balas, explosões e corpos. Mel Gibson aprendeu bastante com todos acertos e erros de Randall Wallace em Fomos Heróis, proporcionando uma direção incrível e auxiliada por uma atuação impecável de Andrew Garfield, mostrando o lado humano dessa história que merecia ser contada a altura.

Os Capacetes Brancos

Falando em Oscar e história de verdadeiros heróis, precisamos falar também do candidato a Melhor Documentário de Curta-Metragem da Netflix, Os Capacetes Brancos. O documentário traz a história dos civis da síria que se voluntariam para fazer os resgates das vítimas dos bombardeios frequentes no país. O curta a todo momento mostra que embora sem especializações, equipamentos adequados, eles estão ali para ajudar. Eles podem não ter superforça, velocidade, armadura, mas a força de vontade deles, muitas vezes doando suas vidas para salvar outras, isso os torna verdadeiros heróis. E tudo isso em meio ao caos e seus próprios familiares morrendo. Tudo ratificado por uma das cenas mais marcantes do documentário, quando um dos socorristas recebe a notícia que uma das vítimas não é o filho dele e ele, mesmo assim, indaga com tristeza em seu olhar: “O que diferencia a vida do meu filho de outra pessoa?!”.

“Salvar uma vida é salvar toda humanidade” – Lema d’Os Capacetes Brancos

As guerras não começaram nem hoje, nem ontem, assim como também não é de hoje o preconceito o valorização do ‘eu’ frente ao conjunto e nem vai terminar tão cedo, mas como o soldado Doss nos ensinou, “só mais um homem”, uma pequena ação de cada vez.

“Nós vencemos metade da batalha quando mudamos nossas mentes e aceitamos o mundo como o encontramos, inclusive os seus espinhos.” – Orison Swett Marden

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Federico Fellini

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