Crítica | La La Land

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Esse lugar é conhecido pela língua inglesa de La la Land, ou por mim, de aposentadoria antes dos 40. La la Land, o filme, trata justamente disso, dois serelepes jovens artistas que buscam alcançar seus sonhos em Hollywood (city of stars), assim como milhares de outras pessoas. A jornada pode ser longa, difícil e cruel, mas parafraseando Alcione, “Não deixe o sonho morrer, não deixe o sonho acabar, Hollywood foi feita de sonho, sonho para gente sonhar”.

Acompanhamos o desenrolar desses sonhos em fases, ou mais precisamente, estações conforme o subtítulo. A primavera, o desabrochar do sonho. Tudo é tão belo, planos mil e a vontade também. No verão, damos os primeiros passos para fora do ninho, encaramos a vida de frente, crescemos, somos independentes e acreditamos ser fortes o suficiente para alcançar nossos sonhos. No outono, as primeiras folhas começam a cair, assim como os problemas começam a surgir, o desânimo bate à porta e a vontade de desistir é grande ao ver o inverno chegar. E ele chega. O que você faz? Se entrega ao frio que castiga ou enfrenta e vê que logo na esquina está a primavera com suas flores belas para recompensar seu esforço?

O filme vai te preparando, como os clássicos musicais e os filmes antigos em geral, para uma história de amor fofinha, cuti cuti, do casal perfeito, o casal que adora se odiar e acabam juntos no final (à la Aconteceu Naquela Noite com Clark Gable) com uma trilha sonora envolvente e alegre combinando com o clima do filme e, claro, o clima da estação. Tudo é perfeito e colorido, estamos no mundo de Encantada. Até o momento que você leva um soco no estômago, realidade na cara, segura essa, porque a vida não é bonitinha assim. E você, que ao longo do filme já vinha dando a alcunha para o filme como o musical de Woody Allen, pelo jazz, o humor do ryan gosling caricato, emma stone como uma personagem feminina de personalidade forte e como um contraponto de opiniões ao personagem masculino, mas agora passa a ter certeza, percebe que a relação amorosa complicada, real e triste de seus filmes também está presente. Umas gotas salgadas saem dos seus olhos.

Nas estações certas, o filme te faz cantar, rir, sapatear, dançar, lembrar dos filmes da Disney, dos clássicos dos anos 30/40/50, mas nas outras estações, também te faz perceber que nem sempre vamos conseguir conquistar tudo aquilo que sonhamos. Essa é a vida. Só nos basta sorrir, aproveitar cada primavera, porque “the winter is coming”.

Tecnicamente, o filme é lindo e um páreo duro para o coreano A Criada nas categorias técnicas, com belas cores, uma excelente edição, som agradável, todas músicas combinando como roupas de gêmeos, produção de arte caprichosa e toda em tom nostálgico com referências à época de ouro do cinema. Artisticamente, tocante, com atuação soberba de Emma Stone e o humor na medida de Ryan Gosling, que já tínhamos visto outras vezes como em Os caras legais. Uma direção, por parte de Damien Chazelle (Whiplash), que conseguiu amarrar todas essas ideias e fazê-las funcionarem e um roteiro que conseguiu unir o clássico, nostálgico, divertido e belo com a dura e fria realidade. Esse é La la Land, o filme que honra seu nome e nos faz olhar para além da tela de cinema como se fosse uma janela e pensar em todos aqueles sonhos que acabamos deixando de lado nos outonos passados.

 

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Federico Fellini

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