Crítica | Rogue One – Uma História Star Wars

                      Confesso que fui assistir a sessão sem ler nada a respeito do filme. Sim, eu recebi o release da Disney. Sim, eu recebi os trailers (também disponíveis no YouTube). No entanto, como espectadora e fã da saga, quis ter o prazer da surpresa. E tudo em Rogue One é surpeendente e diferente!

                       A Começar pelo nome: porque não Star Wars: Rogue One? Porque para quem acompanha as aventuras dessa saga, sabe que ela é descontruída e começa com a película de 1976 “Uma Nova Esperança”, que seria o quarto episódio de uma série de livros.

                       Dessa forma, Rogue One é realmente uma história Star Wars e não parte da Saga Star Wars. Ela se encaixa exatamente nas horas que antecedem “Uma Nova Esperança”, e assim, não faz parte da narrativa, porém, inicia a premissa para essa narrativa, criando um link incrível com os demais episódios.

                       Todos os elementos que serão vistos pelo espectador do episódio 4 em diante têm início ali. Mas o enredo é tão maravilhosamente desenvolvido que você só repara nestas nuances quando o filme vai acontecendo, e os personagens aparecendo, e nesse momento é impossível a nostalgia não tomar conta de quem está no cinema.

                       Era uma sessão de jornalistas, mas que vibravam e aplaudiam a cada vislumbre do que seria (e é) a saga de ficção científica mais cultuada do cinema.

                       Admito que a princípio ver Felicity Jones no papel da protagonista Jyn não me agradou, pois é uma atriz com aparência antipática (vide os filmes “A Teoria de Tudo” e “Inferno”), no entanto, no desenrolar da trama, era a atriz correta para o papel, porque Jyn precisava desse ar mau-humorado e tenso, pois teve uma infância difícil e uma adolescência solitária. O ar blasé de Felicity faz com que sua heroína seja diferente das outras. Ela não é a heroína carismática. Ela é a heroína contraditória, cheia de conflitos. Perfeito!

                       O mote do filme é a criação da Estrela da Morte, arma letal que pode dizimar um planeta inteiro em segundos, e os rebeldes precisam impedir que isso aconteça. O pai de Jyn é o engenheiro responsável pela construção, mesmo que a contragosto. E a aliança quer chegar a Galen Erso (Mads Mikkelsen, grande ator que foi vilão absoluto em “007 – Cassino Royale”) com a ajuda de sua filha. Jyn acaba se engaijando na causa da Aliança Rebelde, pois recebe uma mensagem do pai dizendo que deixou uma falha na Estrela da Morte para que ela seja passível de destruição.

                       E aí que começa a aventura de um grupo de rebeldes, que contrariando a decisão da maioria dentro da Aliança, resolvem embarcar numa nave roubada do Império e apelidada na última hora de Rogue One, para roubarem sozinhos os planos do Império e entregá-los aos Rebeldes.

                       Os dissidentes são formados por Jyn, Cassian (Diego Luna), o jedi cego sem sabre porém detentor da força Chirrut (Donnie Yen), o dróide respondão K-2SO (Alan Tudyk), o guerreiro Baze (Jiang Wen), o piloto desertor do Império Bodhi (Ryz Ahmed), e mais uma dúzia de voluntários.

                       Eles não só conseguem roubar os planos, como definitivamente mobilizam toda a Aliança Rebelde para a batalha com esta iniciativa.

                       Interessante rever personagens marcantes da saga como Admiral Raddus, General Draven, R2-D2, C3PO, Bail Organa, Mon Mothma, e claro, Darth Vader (sim, com a voz do lendário James Earl Jones, aos 85 anos) e Princesa Leia (impressionante o que a computação gráfica fez com o rosto de Carrie Fisher).

                       Atenção para o personagem Chirrut Îmwe. Ele é sim, um Jedi, no entanto, numa época em que os Jedis estão praticamente extintos, ele é apenas um guardião do templo Jedi de Jedha. Mas não se engane, como tem a força, mesmo sendo cego, ele combate o inimigo usando apenas um bastão, muito parecido com o da personagem Rey, de “O despertar da Força”. O que mostra que a força escolhe o seu detentor, mas também seu detentor escolhe o uso da força, e mesmo na ausência de um sabre, a utiliza com muita habilidade.

                       Destaque também para a aparição pequena, mais não menos importante de Forester Whitaker, como o rebelde extremista Saw Guerrera, que criou e ensinou Jyn Erso a se defender e lutar.

                       Além disso, os efeitos especiais, muito mais adaptados para a seguência de filmes de 70 e 80, do que para a leva de 2000 e poucos, dão um toque retrô à trama que te transporta no tempo em que o roteiro e a interpretação eram muito mais valiosos que a computação gráfica.

                       Um filme imperdível, que com certeza vai marcar fãs da saga e novos espectadores. E, caso não se lembre ou não tenha visto “Uma Nova Esperança”, é uma boa opção (re)ver. Dá uma dimensão muito profunda a essa nova trama que já é tão indispensável.

                       Aviso importante: não há cenas adicionais pós-créditos.

                       Uma boa sessão e que a força esteja com vocês!

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