THE LOBSTER: Wes Anderson (Black Edition)

 

The Lobster acabou chamando a atenção da crítica e do público nos festivais do ano passado, inclusive aqui no Brasil, e esse mês, o filme chegou aos cinemas e ganhou a graça de todos.

A sensacional, inigualável, lindíssima, Rachel Weisz
A sensacional, inigualável,
lindíssima, Rachel Weisz

Em um futuro distópico, pessoas solteiras devem ser levadas para O Hotel, onde devem encontrar um parceiro dentro do tempo de 45 dias, caso contrário, são transformados em um animal de sua preferência. Depois que sua esposa o abandona por outro homem, David (Colin Farrell) chega ao hotel com seu irmão, que foi transformado em um cão, e afirma, que caso não encontre ninguém, que seu desejo seria ser transformado em uma lagosta. Ele tenta encontrar sua parceira ideal, mas percebe que ali não é seu lugar e, por isso, se junta ao grupo dos solitários que vivem livres. Lá, ele acaba encontrando uma mulher míope (Rachel Weisz) como ele e eles acabam tentando se conhecer melhor, mesmo sendo proibido no grupo dos solitários. Será que eles vão conseguir ficar juntos?

O diretor e roteirista Yorgos Lanthimos, que ficou “conhecido” por seu filme Dente Canino, acaba mostrando uma certa marca em seus filmes o que acaba agradando aos bons e velhos cinéfilos de plantão. Ele acaba mostrando em suas obras um grau elevado de irreverência, personagens caricatos sem emoção, uma fotografia meio apagada/desbotada, muito sadismo, uma boa dose de humor negro e muita crítica social. Não é à toa que o diretor grego ficou conhecido como Wes Anderson Black Edition.

– Por quem?

– Por mim.

– Ahhhhhh.

– Por que o desprezo?! Eu sou um crítico conceituadíssimo, segundo minha vovó.

Enfim, vamos ver se ele se encaixa mesmo nessa categoria. Se você não se lembra das regras dos filmes do Wes Anderson leia esse post aqui e depois volte (eu te espero, não tenho nada pra fazer mesmo).

Regra 5.1 – Cigarro: check

Regra 5.2 – Personagens sem expressão: check

Regra 5.3 –  Personagens excluídos: check

Regra 5.4 – Relacionamento impossível: check

Regra 5.5 – Relacionamento em crise: check

Regra 5.6 – Talento: double check. Não só do diretor, mas de todo elenco.

Pelo visto ele pode ser sim classificado como um seguidor de Wes Anderson.

Porém, o filme consegue ir além de tudo isso. Ele questiona a sociedade e os relacionamentos de uma maneira geral. O questionamento se aprofunda nessa quase obrigação moral imposta sobre nós de ser necessário de relacionar com alguém, procurar alguém que seja parecido, manter relacionamentos só por fachada e mostra também o quão difícil é manter um relacionamento.

Colin Farrell ou algo do tipo, não me importo
Colin Farrell ou algo do tipo,
não me importo

É possível notar que o filme encanta não apenas por esses questionamentos de padrões instituídos pela sociedade, mas pelo seu conjunto. O filme entrega atuações soberbas de personagens à la Wes Anderson, ou seja, personagens que não se encaixam numa sociedade “normal”, principalmente palmas pro casal principal Colin Farrell e Rachel Weisz, simplesmente sensacionais. Além disso, o diretor consegue passar todo esse peso e drama através da fotografia, atuações e trilha sonora monocromáticas e densas.

Resumindo, um filmaço que todo fã mais adulto do Wes Anderson deveria assistir, um diretor que todos devem ficar de olho e um filme que promete muitos prêmios importantes esse ano (pelo menos, eu vou ficar na torcida aqui).

Trailer

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