A Beleza no Caos

Trilha sonora recomendada para ler esse post: https://www.youtube.com/watch?v=QSJzTag9N4Q

O caos. Para alguns, uma bagunça; para outros, o belo, uma oportunidade de seguir em frente. Da escuridão, nasceu o universo; do lado negro, nasceu Luke Skywalker (que viu a luz em Darth Vader) e das trevas de Gotham, nasceu o Batman (que é um dos poucos que ainda vêem solução para Gotham).

You must have chaos within you to give birth to a dancing star.” ― Friedrich Nietzsche

Enfim, vamos falar dessa beleza, também conhecida como caos, em algumas de suas representações cinematográficas.

Donnie Darko e Graham Greene

Jake Gyllenhaal em Donnie Darko
Jake Gyllenhaal em Donnie Darko

É difícil de se falar em caos sem falar do clássico cult de Richard Kelly, Donnie Darko. O filme que aborda diversos temas, como universos paralelos, viagem no tempo, morte, também referencia direta e indiretamente a obra de Graham Greene (The Destructors). A ideia principal do livro é a de que destruição é uma forma de criação (https://www.youtube.com/watch?v=7hV8HrOqLuk). O que aconteceria se um pouco de caos fosse instaurado? Talvez as coisas se ajeitassem ao se reconstruir tudo do zero.

Ambas as obras falam sobre essa ideia de perturbar a ordem, a conjuntura atual e deixar o sistema achar uma solução por si só.

Demolition

‘Demolition’ Teaser Trailer from J.D. Funari on Vimeo.

Em Demolition, filme de Jean-Marc Vallée (C.R.A.Z.Y., Livre, Clube de Compras Dallas), podemos observar muito bem essa ideia. Davis (Jake Gyllenhaal) perde sua mulher e para poder seguir em frente, ele resolve demolir toda sua vida e começar do zero. Um bom comparativo seria quando estamos alegres e pimpões terminando de montar aquela nave, barco, o que quer que seja de LEGO. Tudo parece estar de boa, mas você se depara com uma peça sobrando. Você quebra a cabeça tentando achar onde que encaixa aquela peça e não acha de jeito nenhum. A partir daí você passa a conhecer o caráter das pessoas, uma vez que só existem dois tipos delas: as que escondem aquela peça, fingem que nada aconteceu e seguem em frente mesmo com uma peça faltando (eu não ligo); ou aquelas que têm paciência suficiente para destruir tudo e começar do zero.

O filme está longe de ser um dos melhores filmes do diretor canadense, justamente por faltar essa singularidade de seus filmes com histórias e personagens únicos e reais. Demolition apresenta uma ideia interessante, atuações marcantes (o que já era de se esperar) de Jake Gyllenhaal, Chris Cooper (Adaptação, Beleza Americana) e até mesmo do jovem Judah Lewis (que lembra um pouco Jodie Foster jovenzinha no início de carreira), mas abusa dos clichês e acaba não aprofundando em personagens e ideias propostas.

É claro que não se trata de um filme ruim, mas se tratando do mestre Jean-Marc Vallée, conhecido por seus filmes sentimentais, sensíveis, emocionantes, tocantes, reais (muita influência do cinema francês), perfeitos, sempre esperamos algo fora do comum. Porém, vale dar uma chance para Demolition, não só pelas atuações boas, mas também por apresentar essa ideia interessante.

Possibilia

Falando em loucura, caos, vamos falar de um curta recente e que se encaixa muito bem nesse tema, Possibilia, curta dirigido por Dan Kwan e Daniel Scheinert (Swiss Army Man). A história tem como base uma DR braba de um casal em crise. O curta analisa de forma única a questão das possibilidades e consequências dos atos, o que nos lembra da famosa teoria do caos (explicação em Jurassic Park: https://www.youtube.com/watch?v=n-mpifTiPV4) e efeito borboleta, na qual cada decisão, mesmo que pequena, gera uma consequência. Ele representa essa necessidade de analisar o passado para não errar no futuro, algo que aprendemos em história e devemos colocar em prática nos relacionamentos e na nossa vida em geral. Ou seja, fala sobre não desistir facilmente, tentar e tentar, analisar juntos o que está errado e tentar um caminho novo.

Porém, esse curta sensacional representa um marco no universo cinematográfico não apenas pelo seu conteúdo, mas também pela forma em que os Daniels transmitiram essa história de maneira ímpar, singular. Aproveitando-se dessa crescente no mercado de jogos de torná-los em filmes em que você toma as ações, esse curta usa basicamente essa técnica, onde a cada evento novo, novas possibilidades surgem e você decide qual tomar. O mais interessante é que além de ser interessantíssimo esse caminho concomitante entre jogos e cinema, é o fato dessa técnica não ser usada de maneira vã, mas totalmente inserida no contexto. Então, fica essa dicassa para você assistir o quanto antes e ficar de olho nesse diretores que vão dando toques de novidade na sétima arte mais uma vez.

Possibilia: https://helloeko.com/v/D3iXb9?autoplay=true

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