“Os Sete”: o mito do vampiro sob uma nova perspectiva brasileira.

Lançado recentemente pela editora Aleph, Os Sete é um livro de André Vianco para aqueles que tem saudade de quando vampiros eram vampiros: impiedosos, cruéis, sedentos por sangue, amantes da escuridão.

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No litoral do Rio Grande do Sul, dois amigos mergulhadores encontram um galeão afundado. Movidos pela curiosidade, eles conseguem entrar e descobrem uma enorme caixa maciça de prata. O objeto misterioso levanta a cobiça dos amigos e eles vendem os direitos de exploração para pesquisadores de uma universidade.
O enorme objeto intriga os pesquisadores por causa de inscrições em seu exterior: “Homens nobres de bem, jamais ouseis profanar este túmulo maldito. Aqui estão sepultados demônios viciados no mal e aqui devem permanecer eternamente. Que o santo Deus e o santo Papa vos protejam.” Além disso estão gravados sete nomes enigmáticos: “Inverno, Acordador, Tempestade, Lobo, Espelho, Gentil e Sétimo.”
Ignorando o aviso, os pesquisadores abrem o objeto e se deparam com sete cadáveres. Empolgados com a descoberta, não percebem que uma das pesquisadoras se feriu e que seu sangue caiu sob um dos cadáveres. Logo, um tenebroso vampiro começa a ganhar vida: Inverno.

Tudo parece muito clichê, mas o diferencial que Vianco nos traz é esse: o nome de cada vampiro está ligado a um poder único que possuem. Guilherme, o inverno, é um  vampiro capaz de congelar tudo a sua volta. Após sua ressurreição, ele traz seu irmão Acordador de volta: Manuel, um vampiro capaz de reviver os mortos para que realizem suas vinganças e traga o caos ao mundo. Os demais ficam para os leitores interessados descobrirem.

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Vampiros portugueses no sul do Brasil pode soar estranho para alguns, mas pode ser algo interessante para aqueles cansados de vampiros ambientados na Europa ou Estados Unidos em romances melosos para adolescentes. Vianco escreve sobre lugares que de fato conheceu e valoriza o cenário nacional atraindo o leitor brasileiro. Se Stephenie Meyer pode criar vampiros que brilham, por que Vianco não pode criar vampiros com superpoderes que caminham por Porto Alegre e Osasco? O sucesso do livro, abre caminhos e estimula escritores brasileiros iniciantes a tomá-lo como exemplo. O ponto forte do livro está nas descrições das lutas dos vampiros com sua velocidade sobrenatural, visão noturna e impiedade frete as suas vítimas. Mas nem tudo é sombrio, Vianco utiliza o choque dos vampiros diante da atual tecnologia como alívio cômico, o que é bem legal.

Há algumas considerações a fazer. A escrita de Vianco, apesar de bastante acessível, cria diálogos superficiais e infantis. O uso de apelidos e expressões pouco comuns no cotidiano afastam a historia de algo  próximo da realidade, mas pode ser relevado pelo leitor. O português dos vampiros soa mais com o português de Portugal dos dias atuais do que com o do século XVI – acredito que o autor procurou ser mais acessível aos seus leitores que rebuscado. O livro leva um pouco mais da metade para criar o ambiente ideal de embate entre vampiros e humanos, então aconselha-se paciência do leitor, você pode ser recompensado.

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André Vianco.

Se você quer ler algo diferente envolvendo vampiros, esse livro é pra você. Os Sete é um livro criativo que adapta o mito tradicional do vampiro com elementos de personagens superdotados das HQs. Vale a pena apoiar autores nacionais para o fortalecimento da leitura no país. Estejam preparados para enfrentar uma noite aterrorizante capaz de congelar sua espinha dorsal, literalmente.

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