Crítica | Tolkien

Nicholas Hoult e Lilly Collins atuam de maneira simpática, e ajudam o roteiro, que oscila entre o enxuto e o levemente cansativo

John Ronald Reuel Tolkien, ou simplesmente J. R. R. Tolkien, como é mais conhecido, é considerado o pai da moderna literatura fantástica. Isso se deve a grande popularidade de suas criações literárias, como O Hobbit Senhor dos Anéis; livros conhecidos mundialmente e que se tornaram marcos na literatura fantástica. Mas…como foi a vida de Tolkien? De onde ele tirava inspiração para criar as suas obras? É tentando responder à estas questões que a cinebiografia do escritor chega aos cinemas nesta quinta-feira, dia 23 de maio, em circuito nacional.

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Tolkien, aborda basicamente a infância e a juventude do escritor. Apesar disso, o filme se inicia na Primeira Guerra Mundial, conflito do qual Tolkien participou. E é ali, no calor da batalha, onde em meio ao caos, o criador fica em segundo plano para dar lugar a um homem que transporta o espectador de volta ao passado, para contar através de suas lembranças, como tudo começou.

O público é apresentado então, a John, um garoto que se torna órfão, e é adotado por uma aristocrata inglesa, que mantém um lar adotivo. Em sua nova realidade, John tenta se adaptar às mudanças, e conhece Edith, que também vive ali, e por quem o garoto viria a se apaixonar. Logo John começa a frequentar a prestigiada escola local, e é recebido com hostilidade no início por outros garotos, especialmente por Gilson, filho do diretor do colégio. Após uma briga, Jhon e Gilson são obrigados a conviver por mais tempo juntos, e acabam dando início a uma bela amizade, à qual se juntarão Geoffrey e Sam, alunos do colégio, e amigos de longa data de Gilson.

Conforme a amizade dos garotos vai se tornando mais sólida, os os mesmos vão traçando planos para o futuro, trocando confidências, e jurando amizade eterna, numa espécie irmandade, que inspira lealdade e parceria, o que rende bons momentos.

📷 Fox Searchlight / Divulgação

Os quatro garotos dão lugar à quatro jovens, que dividem anseios e o desejo de entrarem para as prestigiadas universidades londrinas. Nesse arco da história, é introduzida a paixão de John por línguas, que fica evidente através de cenas onde John, interpretado nesta fase por Nicholas Hoult, anda às voltas com dialetos imaginários. A relação com Edith (Lilly Collins) se intensifica, e ambos se apaixonam.

Praticamente em todo o filme, está estampada a elegância e o requinte londrinos. A junção da fotografia, figurino e direção de arte, trazem uma atmosfera distinta, destacada através de xícaras de chá e peças tocadas ao piano, bem ao estilo das produções da BBC. A delicadeza e a poesia são características notáveis no filme, seja por meio da trilha sonora, quase “etérea”, conduzida naturalmente e de forma bastante agradável através das cenas, ou por meio da presença constante do elemento fantástico, retratado através da imaginação fértil de John, inclusive nas cenas da guerra, onde colunas de fumaça viram dragões enormes e ameaçadores. Por falar nisso, o fantástico se mostra essencial para John, já que sua rica imaginação claramente o ajuda a improvisar um “escape” da realidade cruel da batalha.

Nicholas Hoult e Lilly Collins estão muito bem como John e Edith. Atuam de maneira simpática, e ajudam o roteiro, que oscila entre o enxuto e o levemente cansativo. O filme é dirigido por Dome Karukoski, que tem apenas quatro filmes no currículo, sendo que nenhum merece ser citado…até agora.

Tolkien, no fim das contas, é sobre amizade, amor, e a forma como a arte e a imaginação podem transformar inteiramente uma vida. Um filme que talvez não tenha tanto destaque, mas se destaca por sua tímida beleza, em todos os sentidos.

Assista ao trailer: