Crítica | John Wick 3: Parabellum

Mais uma coreografia de lutas!

Keanu Reeves está de volta no terceiro capítulo como o alvo mais temido pelos associados da Alta Cúpula. John Wick 3: Parabellum foi a principal estréia da semana, chegando a obter 98% de aprovação pelo site de avaliações Rotten Tomatoes (nos primeiros dias).

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No terceiro filme realizado por Chad Stahelski – subtitulado de Parabellum – inicia-se a caçada para capturar a cabeça de Wick. Como resultado, uma recompensa de US$ 14 milhões.

O que é “parabellum” ?

O termo foi usado pelo autor romano Públio Flávio Vegécio Renato, durante a época de grande poder do Império Romano (séculos IV e V). Usado, portanto, para táticas de guerra. “Se vis pacem, para bellum” (latim), significando, “se queres a paz prepare-se para a guerra”.

Agora que o período da “graça , concedido por Winston (Ian McShane), acabou, John terá que passar pelo submundo e vencê-lo.

Ao fim do segundo capítulo Winston deu a Wick uma hora “de graça”, antes de ser efetivamente excommunicado. Ou seja, banido. Ao começo do terceiro filme, o relógio já conta somente 20 minutos.

Nesse período John pode receber qualquer ajuda, inclusive dos que prestam serviço à Alta Cúpula. Então ele se vê numa fuga, numa Nova York chuvosa, onde surgem caçadores de todos os lados. Diante disso, ele vai em busca de ajuda e munição nos lugares do submundo que têm fidelidade com a Cúpula.

Aqui o espectador descobre um pouco do passado de John. Como por exemplo, seu verdadeiro nome, onde iniciou seu preparo e onde provavelmente obteve sua tatuagem icônica.

O cenário nesta parte introduz um dos momentos com mais falas e menos ação na projeção. É também onde Anjelica Huston está, sem dúvidas, impecável.

O detalhe de haver mais conversas, traz mais foco para o enredo, já que as lutas em si podem deixar certo desgaste se for muito sequenciadas, porém menos atraente. Já que o público quer ver é a dança de ação pesada guiada por Wick.

Por outro lado, o longa-metragem lembra que uma ação tem consequências. No caso do protagonista, ele percorre nessa linha de enfrentar o que causou e tenta reparar primeiramente com uma conversa, depois com socos, facas e tiros.

Parabellum é interessante em esclarecer mais sobre o submundo da Alta Cúpula. Fazendo a platéia entender que não é somente o Continental que serve como extensão da Cúpula. Em meio à busca de Wick por uma redenção (solicitar o cancelamento do banimento e, consequentemente, da caçada), ele adentra outro território de associados. É no Casablanca, uma espécie de Continental marroquino, que Halle Berry aparece perigosamente.

John Wick continua o mesmo apresentado no primeiro longa, De Volta ao Jogo (2014). Exausto, ainda com menos ajuda, porém imbatível.

📷 Niko Tavernise / Lionsgate

Nada impede o cara. Wick possui uma espécie de fagulha a lembrá-lo da perda da esposa e de incômodos conseguintes (primeiro longa) e da dívida com a organização criminosa (segundo longa). Mesmo exausto, confuso e sozinho ele volta ao modo boogeyman.

O personagem-título tem uma raiva contida e justificável diante do que ele não gostaria de praticar. E o mesmo sempre volta a preparação, à ida ao sótão e a rever suas munições. No caso de Parabellum, ele não tem armas de prontidão, mas consegue atravessar o submundo com as melhores pancadarias coreografadas.

Aliás, falta de munição nunca é um problema para Wick. Depois de usar um lápis, sua habilidade é mais uma vez mostrada ao alterar várias armas em uma só e utilizar seu cinto e um livro como alternativas.

O diretor Chad Stahelski só tem evoluído em seu trabalho intenso e épico ao lado de Reeves. Curiosamente, Chad era quem fazia o dublê de Keanu na trilogia Matrix. Sem dúvidas, isso não é mais necessário. Keanu atingiu uma habilidade simbólica para dispensar dublês. 90% de Parabellum é pura contribuição física do próprio ator.

Wick, o Baba Yaga, surpreende e silencia os cinemas em suas cenas finais, mas ele deve voltar para um quarto capítulo com muita fúria e um contrato em aberto com o submundo.

John Wick 3: Parabellum parece dividir sua projeção em três partes: lutas sem armas, enredo e lutas com armas. O roteiro é bem difuso, mas as lutas servem em cheio a fome por elas.

Assista ao trailer: