Crítica | Pokémon – Detetive Pikachu

Primeiro live-action da franquia estreia nesta quinta-feira, dia 09 de maio, em circuito nacional

A franquia japonesa Pokémon surgida nos anos 90 que trata de exóticas criaturas treinadas e usadas em um esporte de combate, é uma das mais populares e rentáveis do mundo. Iniciada em jogos, ela logo se ramificou para várias mídias, ganhando filmes, séries, animes, mangás e diversos colecionáveis. Quando o mundo se deu conta, a franquia já era uma febre mundial.

Em parceria com a Warner Bros. Pictures, o conceito ganha seu primeiro live-action, ainda que sofrendo bastante desconfiança, visto a má fama que adaptações de longas originados de jogos tendem a ter, pela possível dificuldade em tornar as criaturas convincentes nesse novo formato, sem perder suas características.

Curiosamente, a produção não é uma adaptação direta do jogo clássico, e sim de um dos seus derivados, talvez por que este traz o mais adorado dos Pokémon, o Pikachu, permitindo uma grande interação com o protagonista. Obviamente, ela serve de pano de fundo para diversas referências às outras mídias e elementos famosos da franquia.

O distanciamento da ideia básica do jogo já se mostra na apresentação deste universo no filme. O mundo já vive em perfeita harmonia com os Pokémon e as batalhas não existem mais (apenas de forma ilícita). O jovem Tim (Justice Smith), por motivos pessoais, não se envolve muito com essas criaturas, mas tudo muda quando precisa lidar com o desaparecimento de seu pai, envolvido em um grande mistério. Contando com a ajuda de um Pikachu falante e viciado em café (com voz e trejeitos de Ryan Reynolds) e mais uma amiga com vocação para repórter investigativa (Kathryn Newton), eles partem para uma aventura repleta de surpresas e perigos.

O impressionante é que o maior dos desafios é muito bem superado: os monstros realmente convencem desde o início, por mais estranhos e diferentes que sejam um dos outros. A jogada em criar um tom semi-realista foi perfeita, pois consegue respeitar fielmente o visual dos personagens e ainda assim funciona organicamente com o filme, sem prejudicar a imersão daquele universo. Os fãs irão se deleitar com a profusão de Pokémon que surgem na tela, muitos deles espalhados pelos cenários, e por isso rever o filme deverá ser divertido e até necessário para se encontrar mais criaturas e referências (a direção de arte e edição mostra cuidado em misturar letreiros, cores e detalhes que remetem às diversas vertentes da franquia). Pikachu está bem engraçado e obviamente brilha, especialmente pela qualidade da computação gráfica, que valoriza até suas expressões, mas os Pokémon de maior destaque das séries também ganham suas cenas.

Pokémon – Detetive Pikachu consegue o feito de realizar uma boa adaptação para o cinema sem trazer grandes prejuízos ao seu material-fonte, agradando aos veteranos e sendo acessível aos iniciados. Apesar do Pikachu de Reynolds sempre que tem chances, destilar uma piadinha mais maliciosa, o filme é assumidamente bobinho e tende mais ao juvenil, sem que isso seja um demérito, mas é indicado também para toda a família. 


Há humor e aventura, mas a trama é bem simples, com algum excesso de didatismo e muitas soluções fáceis. Isso torna o conjunto esquecível e perde-se a chance de criar algo marcante. Outro ponto negativo foi a utilização de Ken Watanabe, um bom ator desperdiçado em um fraco e descartável papel. Também faz falta uma exploração melhor dos poderes dos Pokémon, mas dificilmente o filme não encantará os apreciadores e fãs da franquia, ao verem suas criaturas favoritas materializadas na tela e encontrando diversas referências e easter-eggs ao longo do caminho.

Assista ao trailer:

Acesse o site oficial do filme, clicando aqui.