O documentário dirigido por Otavio Geminiani retrata a vida do playboy Jorginho Guinle, um milionário carioca que morreu sem nunca ter trabalhado na vida, mas morreu falido.

O filme mistura os domínios do documentário e da ficção para narrar sua história. Assim como essa combinação também temos imagens de arquivo, partes em P&B, partes com cor, tudo sem muito critério de aparição, mas feito de forma brilhante. “Jorginho Guinle” também acerta no ritmo. O filme é bem dinâmico e não causa enfado. Seu ritmo é um ritmo de outrora quando homens usavam chápeu, luva e smoking ouvindo jazz.

Por se tratar de um relato de toda uma vida, alguns detalhes ocultos deixam a desejar. Não se entende muito bem por que a família Guinle é tão abastada e nem como o legado particular de Jorginho está hoje em dia. A maquiagem do ator Saulo Segreto que interpreta Jorginho dos 15 aos 80 anos não é muito boa e a atuação de Segreto também não ajuda muito a convencer que em determinado momento vemos um senhor de 70/80 anos em tela.

Apesar de várias cenas brilhantes temos algumas cenas cafonas no início e no fim do filme quando vemos Jorge Guinle no céu. Talvez a cena tivesse um propósito cômico mas transmitiu apenas pouca criatividade e uma literalidade um tanto brega.

“Jorginho Guinle – $ó se Vive uma Vez” é um documentário um pouco diferente, de um jeito bom. Não se entende muito bem do motivo para se fazer um filme como esse, sobre uma pessoa que foi pouco interessante (ou talvez a produção que deixou o protagonista bidimensional demais). Mas é um filme que nos faz refletir muito sobre a elite brasileira e a história do Rio de Janeiro como capital do Brasil.

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