Crítica | Alguma Coisa Assim

Mari (Caroline Abras) e Caio (André Antunes) são dois jovens que se conhecem desde adolescentes e cujo relacionamento está além de qualquer definição. O longa-metragem é constituído de três linhas temporais que se entrelaçam ao longo da narrativa, temos cenas em 2006, 2013 e 2016. No primeiro momento, em 2006, acompanhamos Mari e Caio adolescentes – enquanto ele explora sua sexualidade, a garota aparenta nutrir uma certa paixão pelo rapaz. No segundo momento, descobrimos que os amigos se afastaram e Caio se reaproxima de Mari convidando-a para ser madrinha de seu casamento. Entretanto, a maior parte da trama se passa em 2016 e o casal se reencontra em Berlim, na Alemanha. Caio acaba tendo uma dificuldade com seu apartamento e vai morar com Mari, que está trabalhando como designer.

Alguma Coisa Assim acompanha as transformações dos personagens e das cidades de Berlim e São Paulo ao longo de dez anos. Uma coprodução entre Brasil e Alemanha, o filme realmente foi gravado nas três diferentes épocas em que se passa. Inclusive, os momentos de 2006 e 2013 eram curtas-metragens dirigidos pela mesma dupla que assine o longa-metragem, os paulistas Esmir Filho e Mariana Bastos. O primeiro curta-metragem de 2006 também intitulado Alguma Coisa Assim foi realizado quando a equipe e os atores eram muito jovens, e, inclusive foi premiado em Cannes e em Gramado.



O filme é muito bem trabalhado no não-dito, e, ao mesmo tempo, possui um roteiro incrível com diálogos brilhantes. As metáforas ao longo da narrativa sobre a construção e desconstrução estão muitíssimo bem alinhadas com as partes técnicas do filme, como o design de som e a direção de fotografia. Alguma Coisa Assim tem momentos muito belos e uma direção inventiva – temos, por exemplo, uma das cenas mais criativas de sexo do cinema e um ruído de obras ao longo do filme inteiro.

Aborto, homossexualidade e relacionamentos sem rótulos são temas complexos que são articulados com muita sensibilidade e sutileza pelos diretores. Alguma Coisa Assim é um filme sobre parcerias e está muito mais interessado em levantar perguntas do que levantar bandeiras. Apesar de ser difícil de se acertar o tom em uma narrativa não-linear, o filme consegue administrar seu ritmo, e, ser bem-humorado e tenso na medida certa.

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