Crítica | Somente o Mar Sabe

Novo lançamento da Paris Filmes, “Somente o Mar Sabe” é baseado em competição marítima real. 

O mar sempre foi objeto de fascínio por parte do homem. A prova disso é a forma como as aventuras marítimas ganharam, e ganham ainda hoje, destaque na cultura de forma geral, desde os primórdios da arte e da disseminação cultural.

Seja nas páginas de um livro, ou no roteiro de um bom filme, os oceanos sempre inspiraram variadas aventuras. Das mais básicas às mais fantasiosas e bem elaboradas, e por consequência, foram “desbravados” para o entretenimento dos mais diversos públicos.

No cinema, existem grandes sucessos do gênero, como o estrondoso Titanic, a divertida franquia da Disney, Piratas do Caribe, e o lúdico As Aventuras de Pi, somente para citar alguns pouquíssimos exemplos. Apesar de propostas distintas entre si, todos têm como objeto de exploração a adoração pelos mares profundos e cheios de mistérios. Somente o Mar Sabe chega para, ao seu modo, engrossar esse coro. Produzido pela BBC Films e pela Blueprint Pictures e distribuído pela Paris Filmes, o longa-metragem estreia na próxima quinta-feira, 26 de abril, em circuito nacional.

📷 Studiocanal / Dean Rogers

Com direção do cineasta britânico James Marsh (A Teoria de Tudo), o filme conta com um elenco encabeçado pelos astros Colin Firth (O Discurso do Rei), e Rachel Weisz (O Jardineiro Fiel), ambos grandes atores, já premiados com o Oscar. Também estão no elenco David Thewlis (Fargo, a série, e Mulher-Maravilha) e Ken Stott (trilogia O Hobbit).

Baseado em acontecimentos reais, o longa conta a história de Donald Crowhurst (Firth), empresário com algumas dificuldades no ramo financeiro, e navegante amador, que em 1968 decide participar da Golden Globe Race, uma espécie de “corrida marítima”, que consiste em dar a volta ao mundo a bordo de um barco, sem paradas. Ansiando conquistar o primeiro prêmio e salvar seus negócios, Donald busca patrocínio para construir seu próprio barco, e “embarca” de cabeça em uma jornada repleta de perigos e incertezas, deixando em terra firme sua esposa Clare (Weisz), e seus três filhos.

Diferente de outras produções que retratam aventuras marítimas, esta não apresenta a “estética hollywoodiana”, tão presente no gênero e responsável por povoar o imaginário coletivo dos amantes do cinema. Aqui não existem monstros marinhos assustadores, ondas gigantes, tampouco acontecimentos extraordinários. O filme é totalmente baseado na realidade comum. Tal observação se deve ao fato de o longa retratar um acontecimento verídico, real, e levando isso em consideração, faz muito bem em manter os “pés no chão”.

O que se vê na tela é um homem “normal”, inexperiente e inseguro, com o sonho de conquistar fama e dinheiro, e dar uma vida melhor para sua família. Não existe mais ninguém a bordo, e como companhia, Donald tem seus medos, a pressão imposta por seus patrocinadores, e sua humanidade, e precisa lidar sobretudo consigo mesmo durante sua aventura solitária.

📷 Studiocanal / Dean Rogers

Colin Firth empresta sua competência usual, mas entrega uma atuação mediana, linear e sem surpresas. Ancorada à uma narrativa arrastada e demasiadamente sóbria.

A bela Rachel Weisz entrega mais um belo trabalho, como de costume, e apesar da sobriedade da trama, consegue demonstrar seu talento. Clare é o leme da família, sensata e “pé no chão”, e graças ao trabalho da atriz, o espectador se depara com mais emoção em terra firme, enquanto Clare tenta manter a família protegida do impacto causado pela ausência do marido.

Acompanhando o ritmo arrastado da narrativa, a fotografia é básica e sem muitos momentos de destaque, diferente da trilha sonora, sobreposta através de acordes pertinentes e bastante agradáveis aos ouvidos da plateia. Trilha esta composta pelo islandês Jóhann Jóhannsson, morto no início do ano, e responsável também pelas trilhas de A Chegada e A Teoria de Tudo.

Talvez a carta na manga de Somente o Mar Sabe esteja em sua porção final, onde todo o ritmo calmo e cadente do roteiro é “quebrado” através de um final inesperado, mas não surpreendente e que provoca uma sutil melhora no filme como um todo, mesmo que seja em seus minutos finais.

Como já dito, a produção trata basicamente de um homem comum, enfrentando, além do mar, seus mais diversos conflitos pessoais. Porém nada de novo, nem inovador nesta seara.

Assista ao trailer: 

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Adriano Rezende

Apaixonado por cinema e televisão. Espectador assíduo. Cinéfilo assumido.

"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

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